Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



domingo, 25 de outubro de 2009

A Tempestade


Coração duro feito pedra, cabeça erguida
É mais fácil seguir em frente quando não se precisa olhar pra trás
Seria mais simples em nem pensar na vida
Mas as coisas não funcionam desse modo, coisas simples demais

Atormentado por coisas que nem sei
Vivendo um dia de cada vez
Sem esperanças? Ou sem esperar nada do futuro?
Só há decepção com expectativas frustradas
Não quero mais me decepcionar

Lutando comigo mesmo todos os dias
O anoitecer me dá mais esperanças do que o amanhecer
E falta coragem para levantar às manhãs frias
Questiono-me sempre sobre o sentido de ser

Vejo dias nebulosos à frente,
Enquanto tento sobreviver a essa tempestade.
Nuvens negras, vento forte, ruídos latentes...
Tempestade em mim..

(Eduardo Costa)


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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A Serena Tragédia


A SERENA TRAGÉDIA
DE QUEM SE AVENTUROU
A MOLHAR A PONTA DOS PÉS
NUMA SOPA DE CRUSTÁCEOS.

Das lágrimas tudo se espera
e nelas deposito toda a confiança
de quem não mais confia,
a ingenuidade de quem acredita
que a tristeza seja o pseudônimo da alegria
fisicamente abalado pelos 30 minutos de prorrogação
e psicologicamente aprisionado pela falta de ilusão.
À esmo vejo emergir do sal da lágrima
a cartada final que irá definir
o destino do que se decompõe em mim
na presumida morte astral
onde para o que não será vitória
como sempre não terá festa,
pois apenas haverá de ser uma segunda-feira
após um dia de domingo
em que, ao invés de, eu me pôr a chorar,
fiquei a beijar um jiló
e a me masturbar com um limão.

(Sergio-Salles-Oigers)

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Off

Desliguei
Não o celular
Desliguei
as lembranças
o forno que me aquecia.

Desliguei
as sinapses
que faziam
me encontrar
com você.

Sei que agora
simplesmente
Desliguei.

(Jorge Medeiros - 17/09/2009)

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Hoje tal como ontem eu...

Havia ali na janela um rosto
Que me passando viu
E ao me ver acenou com os olhos
Me fazendo lembrar de você!

Havia ali na janela uma rosa
Que desabrochava e ria
Suas pétalas suavizavam
Minha paisagem já bela
Com você em mim

Eu regava com doçura
E a cada gota caída
Eu imaginava você beijando a pétala fria
Dando sorrisos para mim

Eu a vi e você saiu de mim assim
As pétalas cairam
Mas o botão permaneceu
E eu chorei de noite ao ver...

Que do vaso na janela ficou a sombra
A marca
E da paisagem marcada pela saudade
Faltava você em mim

Chorei e me lembrei
Que antes do seu adeus eu a gravei
Em meu coração com amor
E mesmo seu adeus sonoro
Não me deixará o coração solitário
Pois nele eu a plantei
Para toda eternidade.....
Hoje
Bem mais do que ontem
Eu continuo amando você em mim!!!





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Sem asas para voar.


Escondo-me embaixo da cama
Ouço a voz que me chama
Tenho medo de levantar
De sorrir
E depois chorar
De aventurar-me
De abrir minhas asas
Tentar voar
E como Ícaro
Derreter
No desconhecido
Seu mar

(Arnoldo Pimentel)

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domingo, 18 de outubro de 2009

Negra Loura


Imagem extraída do blog Sapataria DF



Desceu em Belford Roxo
de um ônibus que vinha de Vilar dos Telles.
Sua pele era de feijoada
mas seu cabelo era puro trigo.
Sua pele era de noite
mas o seu cabelo era o horizonte de tardinha.

Falsa britânica.
Nórdica preta.
Africana de cabelo pintado entre o castanho e o dourado.
Zulu disfarçada de branca.

Entrou na padaria
pediu um refrigerante
e cruzou suas grossas coxas
debaixo de um curtíssimo jeans rasgado.

A rapaziada toda olhou e babou
ela toda no pensamento
imaginando estar no século retrasado
e possuir aquele território à revelia
que parece ter saído de uma letra
de Benjor ou Melodia.

Bebeu tudo numa só golada
pagando a conta.
Saiu não só levando
o louro e duro cabelo entrançado
acima do sorriso amarelo
mas também o olhar de todos nós
entre aquele busto
que eram dois maduros jamelões gigantes
embaixo daquele vermelho sutiã.

Sumiu entre pagodeiros e funkeiros
entre credores e devedores
entre viajantes e farofeiros
entre pequenos empresários e vendedores.

Ela saiu do nada
e foi com tudo para qualquer lugar
tomando seu sorvete demais
deixando em sua língua
que nos banhava em sonho
o sabor daquele morno verão.

(Marcio Rufino)

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Hoje


Hoje não quero falar de amor
Não quero graça
Quero ser mal-educada
Não quero frases de efeito.

Hoje
Não quero saber do mundo
Das mortes dos inocentes
Quero sentir minha própria
Dor de dente
Não quero o remédio dado.

Hoje
Não quero conselho de padre
Não vou dizer muito obrigada
Não quero vinho, nem pão
Não quero falso bom dia
Nem o beijo sincero da traição.

Hoje
Quero parar a terra
Pedir carona à outros astros
Ter a liberdade sonhada
Num disco voador
Quero a invasão dos ETs.

Hoje
Vou atentar a fé
Ser a escolha maldita
Dita e refletida.

Hoje
Vou intuir
Ir por aí
Sem política e filosofia.

Hoje
Vou quebrar a poesia!

(Ivone Landim)


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sábado, 5 de setembro de 2009

Olimpo!

Nascer assim é segredo dos Deuses Revelado
A nós mortais deste campo dos sonhos
Contemplar Eros e seus Alvos
Vindo a dar-nos arrepios...

Gemer com prazeres soltos
Numa cama de ervas aromáticas
Deitar-me em algodão puro
Tecido com amor por deusas apaixonadas

Eu que de cá me apaixono
Deito-me e sonho
Seria eu culpado por deixar Cupido à solta
Nos sonhos sonhados pela humanidade?

Me reservo à inocência
De ver e gritar calado em meu peito
Os sentimentos que atrelados a ele pulsa em mim
Quando me vejo só a pensar em ti

Não quero ser vítima
Quero ser Inocente
Criança crescendo dentro do ventre da Mãe Terra
Para ser Vicente - Vencedor e Valente

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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

"Críticas de um Louco" com o Art'encena de Teatro.





O grupo de teatro Art'encena de Teatro de Belford Roxo, estréia dia 26 de agosto no Teatro Princeza Isabel no Leme às 20:00 a peça "Críticas de um Louco". O espetáculo tem apoio do Pó de Poesia e do Centro Cultural Donana.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Abismo


Eu sou um grito
Um grito seco
E surdo
Você é incerteza
Liberdade
Sempre presa
Somos conflito
Sem grito
Sem ponte para atravessar o abismo
Somos amanhã sem sorte
Vida que escapa
Feito sangue
pelo corte.

(Arnoldo Pimentel)

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Casantiga




É tão bom viver numa casantiga
No meio do mato
Entre verdes pastos
Sentindo uma brisa amiga.

Casa coberta de telhado
Pra quando a chuva cair
A gente melhor escutar
Velho moço tocando violão
Pra quando avião passar
A gente nem olhar.

Grandes árvores
Dando gostosos frutos pra gente comer
E dos arranha-céus e das torres de babel
A gente se esquecer.

Feijão mineiro, arroz carreteiro, que amor.
Salada sem vida e sem cor de restaurante, que horror.
Uma galinha e seus pintinhos, observo.
Para as mães não jogarem mais seus filhos no lixo, à Deus peço.

Morro alto pra gente se matar de subir
Pras escadas rolantes dos shoppings num tô nem aí.
Leite fervido da vaca, me acabo.
Leite em pó, milk shake, recusado.

Trotar de cavalos saudáveis puxando carroças, legal.
Barulho de motores de automóveis, infernal.
Borboleta saindo de dentro da crisálida, adoro.
Rato saindo de dentro do esgoto, ignoro.

Na rede à tardinha me ajeito
O colchão duro e fino da cama rejeito
Pelas velhas lendas desta terra me interesso
Estórias de Batmans e Rambos da vida desprezo.

É a natureza. A criação. A verdade.
A origem. A revelação. A identidade.
De um povo. Uma vida. Uma nação.
Uma cultura. Uma dignidade. Uma canção.

Perdidos no meio do nada.
No meio da caatinga.
No meio da estrada.
Dentro de uma casantiga.

(Marcio Rufino)

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Tarde de Abril


Ela era a mais linda da sala
Tão linda que seu brilho
Refletia nas estrelas
E perdia o sono na travessia da madrugada
Ela queria ver a sessão das cinco
E eu não vencia a distância para convidar
Não atravessava a rua para passear.
Como ela desejava
Não falava o que ela queria ouvir
Tocava o seu rosto com os olhos
Num emaranhado de pensamentos
E palavras que evaporavam no vento
Antes de serem pronunciadas
Ela era tudo
E eu não tinha nada
Nem um pedaço de ilha
Para lhe presentear naquela tarde de abril
Quando ela sumiu
Deixando apenas a paisagem da lembrança
Do outro lado da rua
No caminho da escola.

(Arnoldo Pimentel)

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domingo, 2 de agosto de 2009

Imagens do Pó no Donana

O cantor, compositor e poeta Dida Nascimento, o cantor Renato Lima, a poeta e professora de literatura Ivone Landim, o poeta Marcio Rufino e a poeta Kátia Isnard.












O Donana, centro cultural de Belford Roxo de grande importância para a história cultural e artística do município, que em meados dos anos 1980 e 1990 revelou bandas importantes como cidade Negra, Rappa, KMD-5 e Suburbanda, volta a abrir suas portas pela batuta de seu idealizador, nosso companheiro Dida Nascimento. O Pó de Poesia, por sua vez não podia deixar de prestigiar o evento, onde rolou muita capoeira, poesia, exposições de fotografia e artes plásticas, dança e música.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Louco Currículo


Quando o mundo foi feito
Eu era anjo mandado para cá
Para ajudar na arrumação das coisas.
Depois virei cliente mesopotâmico.
Depois virei escravo egípcio.
Depois virei efebo ateniense.
Depois virei cortesã romana.
Depois virei serva feudal.
Depois virei comerciante renascentista.
Depois virei escravo jejê nagô industrial.
Hoje sou tudo isso ainda querendo ser artista.
Sem casa, sem dinheiro.
Só a vontade, só o sonho.
Só o devaneio, só a loucura.
Mas nesse circo neoliberal
Que faz de mim palhaço
Eu navego em mares cansados.
Cansados de serem navegados.
Mas nesse picadeiro aquecidamente globalizado,
Eu não quero me cubrir em bandeiras;
Me esconder em ideologias;
Me enganar em filosofias,
Pois eu sei que só digo coisas que já foram ditas
E só escrevo coisas que já foram escritas.

(Marcio Rufino)


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domingo, 28 de junho de 2009

Ser


O fato de ser, a existência

O que existe realmente em toda a criatura viva.

Natureza íntima de uma pessoa.

A essência, o ser absoluto.


Ser essencial...

Ser infinito...

Ser perfeito...

Ser terreno...

Ser imortal...

Ser supremo, ser soberano...

Primeiro ser...

Ser grande...

Ser dos seres...

Objeto existente em pensamento mas sem existência fora dele...


Ser pensante...


O homem...


Deus...


O ser...


(Ramide Beneret)


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Embrionário


Vejo na erraticidade, a combinação cromossomial embrionária cicatrizando em meu peito, manchando minha alma com lama.

Testemunhando as misérias humanas que enchem de tristeza a vida no porvir...

Prostibularizando atitudes, criando mazelas, afogando-me nas águas lodosas da ganância.

Alimentando-me com os vícios medonhos que consigo abrigar em minha desventurada e dolorida condição humana.

Fedentinoso, sem forma e vazio, assim vou me submetendo ao crivo da razão.

Com um sorriso esqualido, fabricado na escola da ilusão.

(Ramide Beneret)


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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Salve-nos Oh Jorge!!!!!!!!!

Lua de São Jorge sobre o Rio
Abençoa-nos nos dias de frio
Quando o menino chora sem pai
Quando os pais choram sem seus meninos

Abençoa-nos Jorge
Quando os inoportunos ais nos acometem
De uma bala perdida nos morros

Combata este Dragão por nós
Não deixe que ele nos amedronte mais
Fazendo-nos fugir de nossos sonhos

Combata a causa da dor de cada família
Que na subida ou descida desta Grande Comunidade
Assustada - pede socorro aos santos

Oh Jorge!!!!
Iluminai-nos com sua Grande Luz de Bondade Eterna!!
Fazei-nos em Deus seus filhos e cuidai de nós!!!
Salve Jorge!!!!!!!!!!

Pois estamos órfãos nesta Grande Cidade
Que de Maravilhosa perdeu seu viço
Hoje - neste dia eu fico
Com minha fé em Ti posta
E te peço - Por Sua Lua!
Salve-nos Jorge!!!!!!!!!!!!



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domingo, 17 de maio de 2009

Ensaio Abolicionista



Um sorriso negro... lustroso

Um afago negro... ô negro!

Tens a história, as marcas

As cicatrizes do tempo.

Ah, esse sorriso... negro... brejeiro!

Um olhar de um negro... te explora e te suplicia

Tens a pele ofegante, um jeito marcante

Os sonhos incessantes... se findam na vida.

Ah... esse sorriso... negro... nego

Diz tanta coisa... guerras, dores,

Tens nesse sorriso... o calar, o cantar

O que quero desse sorriso... nêgo...

São os amores do negro.

(Jorge Medeiros - 03/11/1997 - 20:50h )




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O beijo e o Bicho


Eu dei um beijo na cabeça do bicho
Perplexado com meu ato
passei a refletir num tom apressado
o que esse beijo me podia causar.
Uma virose louca devido ao grande contato
de seu pêlo em minha boca?
Uma alergia infeliz
devido à proximidade
de seu aroma em meu nariz?
Uma doença estranha
devido ao toque
de meus dedos em suas entranhas?

Amedrontado com meu ato
deixo que o eixo do medo
supere a ternura do beijo.

Bicho que não pediu beijo
porque deixo que o meu preconceito
atravesse como uma espada de aço o meu peito?

Beijo: ato de amor.
Beijo: para aliviar a dor.
Bicho: criatura intrigante.
Bicho: ser interessante.

Beijo: sinal de carinho.
Beijo: derrubando os espinhos.
Bicho: animal consciente.
Bicho: quase igual a gente.

Não sabendo o que se passava na cabeça do bicho
passei a pensar que sabia o que se passava na minha.
Mas sabendo que o bicho tudo tinha a ver com isso
passei a responder com a razâo o que o coração não adivinha.

Oh Senhor, Deus do Universo.
Por tudo que há de mais imerso,
Não permita que eu jogue meus lábios no lixo.
Pois na minha cabeça
ainda beija
o beijo que eu dei
na cabeça do bicho.

(Marcio Rufino)


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sábado, 9 de maio de 2009

Esfinge


Escandalizam-se as canções
Embriagam-se as palavras
Escorrem-se as poesias
Embelezam-se os dias
Enluaram-se as noites
Esplendorosas expressões do amor
Empolga-nos,
Exprimem-nos imensidões
Embora, o que me enraiza,
Empolgantemente,
É a tua esfinge.

(Jorge Medeiros - 01/07/1998 16:00)


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domingo, 12 de abril de 2009

Jardim de Clitóris


Na tela em branco do meu jardim
Há uma vagina
que em mim é toda espera
Envolta estão as coisas
que você vê e pinta
Pequenas flores coloridas
Buquê de clitóris surrealista

(Ivone Landim)



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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O olhar de uma mulher


Uma mulher quando olha para um homem
É um convite.
Pobre de quem pensa
Que é um convite só para o sexo.
Na verdade é um convite para outro universo;
Infeliz de quem acha
Que é um convite só para o namoro.
É um convite para outro mundo
De possibilidades de recomeços
Mesmo que não haja assuntos.
Mesmo que não haja beijos.

É um olhar incerto
Que revela o fluxo de energia
Que nosso coração de anjo e bruxo
Desenvolto em euforia amoral
Consome e estende a cada dia
E deixa fluir para o astral.
(Marcio Rufino)


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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

sábado, 31 de janeiro de 2009

Juntos


E juntos éramos uma geração,

uma revolução, uma interrogação.

E juntos éramos uma história,

uma trajetória, uma glória.

E juntos éramos uma aventura,

uma postura,

uma fratura exposta em pleno ocidente nacional.


E eu era apenas uma criança,

uma esperança de um futuro melhor.

Que ainda nem sabia que todo amanhã vira hoje,

para depois morrer como ontem

e renascer como anteontem.


Um curumim, que, coitado,

achava que só porque era começo,

nunca seria meio nem fim.


Um neném,

um alguém que nada sabia da vida,

porém, achava que alguma coisa da vida sabia além.


Quando eu olhava para o céu cor de anil,

você passou e nem me viu.

Pertubando toda minha calma.


Não sou Lázaro,

mas alguns vira-latas já lamberam minhas feridas d'alma.


Alma essa que me enxerga sem me ver,

que me saboreia sem sentir meu gosto,

que me masturba sem me tocar,

que me enlouquece lucidamente.


Eu, então, passei a te perseguir.

Há duas horas digo que vou embora

mas continuo aqui.


Às vezes acho

que você é uma pequena grandeza,

já que sei muito bem

que para o amor

não se põe mesa.

Mas de repente, eu caio do cavalo.

Chorar? Em que ombro?

Já que a sensação de estar caindo

é mil vezes pior que a dor do tombo?


Me xingo, me humilho,

me rasgo, me ajoelho,

me olho no espelho

ou leio um livro de Paulo Coelho?


Mas eu fico na minha.

Você fica na sua.

Uma inspiração me cobra

a criação que na verdade é sua.


Passeamos embaixo da terra,

em cima do céu,

dentro do mar.


Viajamos na frente do ônibus,

submerso ao navio,

rasante ao avião.

Tudo é um só coração.


Olho para trás não há ninguém,

nenhuma pessoa, nenhum espírito, nenhum perispírito,

nenhum sinistro coelho nos roendo a carne como legume.


E será que chegamos lá?

Será que vamos alcançar

algum rabo de cometa?

Alguma hélice de helicóptero?


Alguma asa de beija-flor?

Algum canto do sabiá?

Só Deus o saberá!


E juntos éramos uma luta, uma abertura, uma cultura.

E juntos éramos uma dinastia, uma energia, pura poesia.

E juntos éramos uma ilusão, uma consagração,

verdadeira fusão da realidade com a paixão

no Brasil da minha imaginação.


(Marcio Rufino)


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