Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
sábado, 21 de maio de 2011
+ Pensamentos Dispersos
O Poeta pede esmola aos mendigos.
*
Para ser um grande poeta é preciso ser um bom filósofo e para ser um grande filósofo é preciso ser um bom poeta. Poesia sem Filosofia sai quadrada e pesada como blocos de cimento, fica pernóstico, difícil de engolir.
*
Cada poeta defende seu Tempo. Mas não existe mais O Poeta, assim como não se tem mais tempo.
*
É preciso certo grau de erudição para atingir a simplicidade?
*
Vícios de linguagem são marca-registrada.
*
Há quem escreva mal, quem escreva errado e quem escreva mal e errado. Embora a função do escritor seja a de prender o leitor para libertar a sua alma.
*
Se não houver preocupação social na Arte, não haverá informação, e, se não houver informação – para quê Arte?
*
Como pode haver uma “classe artística”, se os “artistas” não têm “classe”? São TODOS inclassificáveis!
*
Muitos escrevem para o público; alguns escrevem para os críticos; e outros, mais extravagantes, contentam-se em escrever para si mesmos.
*
Emoldurar espelhos reflete o painel da Arte Contemporânea.
*
Quem fala sozinho, conversa consigo.
*
A cópia da cópia da cópia da cópia é sempre uma página em branco.
Texto de Andri Carvão
Diga boa noite a sua alma
ao atravessar a rua
estava tocando Natchez
o sol te perseguia
e eu imaginando a luz do sol
sendo absorvida por ela
(tal qual minha memória)
a noite deslizou nos braços da lua
parecias solitária por dentro
(na rua) embaixo das estrelas
me invadiu uma saudade
(e eu aqui prisioneiro do meu corpo)
eu te abençôo
por caminhar em tal beleza
estiro-me ao chão e tenho a sensação
de ser dono do mundo
...se ao menos ela ficasse
longe de meus olhos
ofereceria minha alma
(como travesseiro)
Poema de Vânia Lopez
A manhã do poema
tônus de tez fresca,
rosto sem esperas,
ou verdugos.
E ninguém ouve os urros,
do ventre que vibra,
até o avesso,
para acordar um olhar !
Amanhece,
entre as frisas dos poros.
e em que pese a pausa,
de palma e poema,
na voz delirante,
do inquilino a bisbilhotar...
A vida valsa com o verso arfante,
e invade um coração para morar !
Poema de Nina Araújo
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Ébria passagem
Num trago, a goela,
Em escura viela
Cai num baque seco.
Num resmungo passa
O seu canto mole
E o sonho encolhe
No vazio da taça.
Vai em ziguezague,
Como a vida sua
Despojada e nua
Pede a alguém que pague
A pinga no prego
Carência insinua
Cambaleante e cego
Sonho amanhecido
Ao rés das calçadas,
Restam suas pegadas
Das mágoas guardadas
Num bar esquecido.
Poema de Generoso
Com tanta beleza que faria inveja
diminuiu o amor
queimou o corpo
a vida voou
sem alma ou virtude
não morri inteira
morri pouco a pouco
em versos negros
e açúcar vermelho
Poema de Vânia Lopez
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Era o que eu precisava
Dos cruzados de pernas perfeitos
Da conversa formal e sem vínculos
Do riso contido (fingido)
Do cumprimento de mão sem aperto
Das formalidades sociais insossas
Da amizade inexistente
Da inveja constante
Das borbulhas do champagne
Do caviar metido a besta
Da roupa clássica francesa
Dos milhões que vão que vêem
Do moralismo taxado em dólares
Dos serviçais com uniformes engomados
Do mundo irreal e patético
Do salto alto italiano
Calcei meu tênis
Vesti minha surrada calça jeans
Desmanchei o penteado
Fiz um lindo rabo de cavalo
E, deslizei na maionese
Sem antes cuspir, muitos caroços
Só parei, quando faltou fôlego
Cansada da descida frenética
E, estava eu lá!Parada no ponto
Do ônibus, que já chegava
Entrei, sem saber o destino,
Não precisava, eu apenas
Queria um rumo...
Encontrei!
Poema de Sandra Soares
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Receio
e velho como o quartel d'Abranches,
pensando na segunda-feira.
É como lembrar da artrose,
e declamar uma Ilíada,
com a boca cheia de nozes.
É uma pedra sem o musgo,
uma pálpebra sem sobrancelha,
o peito sem o coração.
E tendo sempre esse receio,
de viver os dias cinzas,
longe da minha paixão ...
Poema de Nina Araújo
domingo, 15 de maio de 2011
A febre
Ainda assim, batia o queixo...
A febre estava alta..39 e meio!
Tinha pesadelos...Sonhava lisinnnnhhhoo! Depois áspero!
Lisssssssnho, áspero!
Ficava entreacordado...ouvia um cantar:
" A treze de maio, na cova da Iria"
A procissão lá na rua denunciava:
Era mês de maio, friozinho chegando!
Meu pai me deu remédio!
A febre era alta...tinha medo
De hoje não passo!
Dormi sonhando, acordei ensopado...
A febre tinha passado!
Poema de Victorvapf
É a pior...
A pior distância que existe...
E não poder.
“Ainda que ela esteja do outro lado da rua”.
roubaria seu penteado de herói
e a choradeira do alpendre
o espaço que sobra
na decoração da alma
calaria a água da tigela
molhando a palavra por dentro
os esmaltes e todos os sapatos
puídos no dedo mindinho
a vastidão do corpo
no cantinho do barraco
te trocaria por uma tequila
te negaria com os lábios
(deixaria o vexame em crise existencial)
nenhum 0800 saberiam o CEP
do cativeiro pro lado de dentro de mim
(nem o próprio diabo)
tu já não estarias
em nenhuma lembrança de retrovisor...
(e o inferno lamberia os dedos)
Poema de Vânia Lopez
sábado, 14 de maio de 2011
vou te tratar como um poema
que vou sair pelo salão
no vestido mais brilhante
feito das luzes dos postes
passear pelos olhares
manter o gelo no ponto
chamar a música com os pés
(como se fosse uma roda gigante)
me empreste sua lembrança
que minha alma brilha no seu brinco
apaixonada e descuidada
me tire de dentro do vestido
como pensamento repentino
antes que me esvaia no toalete...
vem, que você... é mais bonito
que minha memória.
Poema de Vânia Lopez
Translúcido poema
em mirar-te,
assim de soslaio,
translúcido poema?
Eu que , por desdém,
nem te quis comprar...
Possibilito então,
um adendo, o mote sutil ,
e depois...
Não seja ateu
o meu olhar!
Poema de Nina Araújo
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Fluxo Bélico
Toltóiévski
Viva a França
Mamãe Rússia
Ernest Hemingway
John dos Passos
e. e. cummings
motoristas de ambulância
em frentes de batalha
A orelha de Van Gogh
O nariz de Gogol
O braço de Blaise Cendrars
Feijoada completa
Fogo morto
Água viva
José Lins
Clarice Lis—
Nabokov escrevendo no carro
A biografia das borboletas
Nabokov perdendo partidas
De xadrez para ninfetas
Castelo de Axel
Castelo de Otranto
Castelo de Merlin
Castelo de Âmbar
Castelo dos Destinos Cruzados
Castelo Mal-Assombrado
Castelo de Rilke
Castelo de Kafka
Castelo de Areia
Castelo de Cartas
SafoVII a.C. gerou Casanova1725
que gerou Sade1740 que gerou Byron1788 que gerou
Baudelaire1821 que gerou Rimbaud1854 que gerou
Wilde1854 que gerou Gide1869 que gerou Lawrence1885
que gerou Miller1891 que gerou Céline1894 que
gerou Bataille1897 que gerou Nabokov1899 que gerou Bukows-
Ki1920 gerou Pedro Juan Gutierrez1950 xxxxx
Uma elite miserável
que gerou o Anônimo do século XXI
que escarrou cobras e lagartos
espumou chuvas e trovoadas
e chutou o pau da barraca
Poema de Andri Carvão
Capítulo
carta
causa
e
vaga
por
ávidos factos e/m consequência
(incauta)
evidência
(pausa...)
sendo
a
água.
a
venda
e o ar...
do ensejo retrato por um fixo testemunho de corpos sob o enleio-preço e.ao final
do
inicio
de ti
que
não te houve
a restar
e
aqui.
o que te deixo por tudo do sopro de mim.
...
Acto ø - “Subida”
a
imagem
mensagem
adversidade
a
vontade
(vontade)
vontade
a
escala perfeira
tala re-feita
o braço por armar
o fácil
a destruir
o
raso
rastro
e
ir
acima do céu por e.evidência...
por uma colheita vista
mais que pretendida,
dita.
à margem dos lagos e todos os mares
teus
ou
das
tuas tranças
em alivio de mente
imagens
soltas
(tantas)
e fixo.
o meu raio-rumo pertencido.
em alvorada declarada
e tempestade de lâmina
farta
a
predispor
a
levantar-se ao ar,
e dos sonhos
e dos sonhos
ou
do
que haver a presença
de ti
a presença
eu
entrego
(apenas.)
o
meu passo de ida e frente em presente do sempre e.do sempre ao calor e.interno de ti a te pertencer(pretensão...)
por
um detalhe ao imerso
ao anexo
do
verso
a saber
(a saber)
ter
a saber
e tudo
e
de ti
qual inteira de curvas inclinadas ou até mesmo ao custo versado que eu dispuser em discurso desuso ora.pra te procurar
deixe,
a letra pra depois...
Poema de Azke
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Prazer...
Nascida no Estácio de Sá
terça-feira, 10 de maio de 2011
Esquilos
All Start contemplando os esquilos.
que a tarde galgou inocente.
A sombra expandida dos teus cabelos,
atiçou a minha lente.
Senti a penumbra das copas,
lembrei dos dedos talhando emoções..
O canivete suiço, e dois corações,
que sequer se ligam mais.
e então..
Senti a minha paz
e o meu olho virou árvore
que devora vulto.
Poema de Nina Araújo
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Carlos Drummond de Andrade
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
Garoto de Aluguel...
Baby !
Dê-me seu dinheiro que eu quero viver
Dê-me seu relógio que eu quero saber
Quanto tempo falta para lhe esquecer
Quanto vale um homem para amar você
Minha profissão é suja e vulgar
Quero pagamento para me deitar
Junto com você estrangular meu riso
Dê-me seu amor que dele não preciso
Baby !
Nossa relação acaba-se assim
Como um caramelo que chegasse ao fim
Na boca vermelha de uma dama louca
Pague meu dinheiro e vista sua roupa
Deixe a porta aberta quando for saindo
Você vai chorando e eu fico sorrindo
Conte pras amigas que tudo foi mal
Nada me preocupa de um marginal
...
