Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



sábado, 9 de maio de 2009

Esfinge


Escandalizam-se as canções
Embriagam-se as palavras
Escorrem-se as poesias
Embelezam-se os dias
Enluaram-se as noites
Esplendorosas expressões do amor
Empolga-nos,
Exprimem-nos imensidões
Embora, o que me enraiza,
Empolgantemente,
É a tua esfinge.

(Jorge Medeiros - 01/07/1998 16:00)


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domingo, 12 de abril de 2009

Jardim de Clitóris


Na tela em branco do meu jardim
Há uma vagina
que em mim é toda espera
Envolta estão as coisas
que você vê e pinta
Pequenas flores coloridas
Buquê de clitóris surrealista

(Ivone Landim)



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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O olhar de uma mulher


Uma mulher quando olha para um homem
É um convite.
Pobre de quem pensa
Que é um convite só para o sexo.
Na verdade é um convite para outro universo;
Infeliz de quem acha
Que é um convite só para o namoro.
É um convite para outro mundo
De possibilidades de recomeços
Mesmo que não haja assuntos.
Mesmo que não haja beijos.

É um olhar incerto
Que revela o fluxo de energia
Que nosso coração de anjo e bruxo
Desenvolto em euforia amoral
Consome e estende a cada dia
E deixa fluir para o astral.
(Marcio Rufino)


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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

sábado, 31 de janeiro de 2009

Juntos


E juntos éramos uma geração,

uma revolução, uma interrogação.

E juntos éramos uma história,

uma trajetória, uma glória.

E juntos éramos uma aventura,

uma postura,

uma fratura exposta em pleno ocidente nacional.


E eu era apenas uma criança,

uma esperança de um futuro melhor.

Que ainda nem sabia que todo amanhã vira hoje,

para depois morrer como ontem

e renascer como anteontem.


Um curumim, que, coitado,

achava que só porque era começo,

nunca seria meio nem fim.


Um neném,

um alguém que nada sabia da vida,

porém, achava que alguma coisa da vida sabia além.


Quando eu olhava para o céu cor de anil,

você passou e nem me viu.

Pertubando toda minha calma.


Não sou Lázaro,

mas alguns vira-latas já lamberam minhas feridas d'alma.


Alma essa que me enxerga sem me ver,

que me saboreia sem sentir meu gosto,

que me masturba sem me tocar,

que me enlouquece lucidamente.


Eu, então, passei a te perseguir.

Há duas horas digo que vou embora

mas continuo aqui.


Às vezes acho

que você é uma pequena grandeza,

já que sei muito bem

que para o amor

não se põe mesa.

Mas de repente, eu caio do cavalo.

Chorar? Em que ombro?

Já que a sensação de estar caindo

é mil vezes pior que a dor do tombo?


Me xingo, me humilho,

me rasgo, me ajoelho,

me olho no espelho

ou leio um livro de Paulo Coelho?


Mas eu fico na minha.

Você fica na sua.

Uma inspiração me cobra

a criação que na verdade é sua.


Passeamos embaixo da terra,

em cima do céu,

dentro do mar.


Viajamos na frente do ônibus,

submerso ao navio,

rasante ao avião.

Tudo é um só coração.


Olho para trás não há ninguém,

nenhuma pessoa, nenhum espírito, nenhum perispírito,

nenhum sinistro coelho nos roendo a carne como legume.


E será que chegamos lá?

Será que vamos alcançar

algum rabo de cometa?

Alguma hélice de helicóptero?


Alguma asa de beija-flor?

Algum canto do sabiá?

Só Deus o saberá!


E juntos éramos uma luta, uma abertura, uma cultura.

E juntos éramos uma dinastia, uma energia, pura poesia.

E juntos éramos uma ilusão, uma consagração,

verdadeira fusão da realidade com a paixão

no Brasil da minha imaginação.


(Marcio Rufino)


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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Ações do Pó


Marcio Rufino

Marcelo França


Dida Nascimento, Marcio Rufino, Jorge Medeiros, Elisa Lucinda e Ivone Landim



Marcio Rufino, Jorge Medeiros, Dida Nascimento, Ivone Landim e Katia Isnard



Ciclo de leituras na faculdade de Letras da UNIABEU




Ciclo de leituras na faculdade de Letras da UNIABEU






Ciclo de leituras na faculdade de Letras da UNIABEU




Dida Nascimento







Ivone Landim







Ângela Sá-Carneiro, Hélida Mascarenhas, Jorge Medeiros,Ivone Landim, Dida Nascimento e Marcio Rufino









Ivone Landim











Marcio Rufino e Ivone Landim











Marcio Rufino

















O grupo cultural "Pó de Poesia" fundado pelos poetas Ivone Landim, Marcio Rufino, Dida Nas cimento, Jorge Medeiros, Marcelo França, entre outros está cada vez mais fluindo para promever a poesia como instrumento fundamental para a sociabilidade não só na Baixada Fluminense , mas em toda a cidade do Rio de Janeiro. Entre essas ações, além dos círculos de leitura realizados em bares e no Espaço Cultural Sylvio Monteiro está também o círculo de leitura realizado na faculdade de Letras UNIABEU em Nilópolis; a performance com o grupo de chorinho "Caco de Vidro" na Praça do Skate em Nova Iguaçu e a visita ao lançamento do livro "A Poesia do Encontro" de Elisa Lucinda e Rubem Alves no Espaço cultural Tom Jobim no Jardim Botânico. Todos os eventos foram realizados na segunda metade de 2008.
A poetisa e professora de Literatura Ivone Landim não pretende parar por aí:
"Quero fazer com que o grupo produza realizações cada vez mais afirmativas - diz ela - como performances em praças públicas, oficinas literárias para comunidades carentes, articulações com outros grupos culturais, desdobramentos para o teatro, a música e as artes plásticas, etc. Queremos sacudir o Rio com a arte de forma única e especial".
Pois então que aspiremos cada vez mais o pó da poesia.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Muito feliz...


não quero ser a outra

Nem a tua

Quero ser a que passa

Nos intervalos das tuas incertezas



Não quero ser a bela

Nem a que seduz adormecida

Quero ser ventania

Que te provoca

E passa bem longe de teu alcance



Não quero ter-te

No meu cotidiano

Eu quero que o tempo

Leve a espera e a saudade

Criando rastros

Para que tu voltes...


(Ivone Landim)


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domingo, 12 de outubro de 2008

Intervenções do Pó.















Manifesto do grupo cultural "Pó de Poesia".





O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão.

Que a Expressão Emocional vença.

E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...

Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó

Então queremos Renascer do pó da poesia

Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.

A poesia é pólvora. Explode!

O pó mágico da poesia transcende o senso comum.

Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.

Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor

E da insondável vida...

Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugáz.

Como a palavra que escapa para formar o verso

O despretencioso verso...

Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...

Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.

O Pó que cura.

Queremos ressignificar a palavra Pó.

O pó da metáfora da poesia.

A poesia em todos os poros.

A poesia na veia.

Creia.

A poesia pode.


( Ivone Landim )




No dia primeiro de julho de 2008 se deu no Espaço Cultural Sylvio Monteiro em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, durante um evento que homenageava os poetas do município, a fundação do grupo cultural "Pó de Poesia". O grupo composto por poetas de várias cidades da região da Baixada como Nova Iguaçu, Belford Roxo e Mesquita visa seguir o legado de um outro grupo cultural bastante emblemático no cenário artístico da região o desmaio públiko.
A poeta e professora de Literatura Brasileira Ivone Landim foi a grande mentora e idealizadora do grupo que ainda conta com os nomes de Marcio Rufino (poeta e historiador); Dida Nascimento (poeta, cantor e compositor); Hélida Mascarenhas (cronista e sanitarista); Wilker França (poeta e produtor cultural); Mariana Mendonça (poeta e professora de Língua Portuguesa); Jorge Medeiros (poeta e orientador pedagógico); Ângela Sá Freire (professora de Língua Portuguesa) e Marcelo França (poeta e fotógrafo).
O Pó de Poesia vem promovendo intervenções poéticas não só no Espaço Cultural de sua fundação, mas também em praça e barzinhos. A última intervenção foi realizada no dia 11 de outubro na Praça do Skate em Nova Iguaçu. O grupo se reune todo segundo sábado do mês.
O manifesto acima e o belíssimo poema "Pó de Poesia", ambos de autoria de Ivone Landim são os carros chefes do grupo que se confraterniza sempre em meio de bebidinhas, bate-papos, tira-gostos e leituras de poemas do grupo e de autores consagrados.
Portanto, sacudam todo o pó dos poemas engavetados, puxem uma cadeira, dêem a primeira golada e juntem-se à nós!!!







domingo, 24 de agosto de 2008

O despertar de Adão.

Outro dia ao acordar, imaginei-me no lugar de Adão. Mas não o Adão de Eva; não o Adão da árvore do fruto da ciência do bem e do mal; não o Adão da expulsão do Paraíso; não o Adão que gerou Caim e Abel. Mas o Adão de seu princípio. O Adão que sendo o começo de tudo, foi ele o próprio princípio do começo. E sendo ele seu próprio início, ainda sofria e se espantava com seu próprio desconhecimento de si e de tudo que lhe rodeava.

Falo do Adão que tinha acabado de despertar do primeiro sono gerador de sua vida, e sendo primeiro, também gerador da humanidade. Falo do Adão que acordou do sopro nas narinas e ao sentir-se barro fresco revestido em epiderme, se fragilizava e se confundia com aquilo que lhe era dado.

O impacto da dor do princípio das coisas e seu espanto é algo inigualável, pois ao acordar sentia a mim, meu colchão e meu lençol como terra pura. Eu era um Adão-Frankstein que desconhecia a mim e ao mundo e sendo me dado de presente, não sabia o que fazer com aquilo tudo. Que já nascia homem e sendo homem feito, recém-nascido, dado de presente de si para si, não sabia o que fazer com o primeiro dia, a primeira fome, o primeiro medo, a primeira sede, o primeiro desejo, a primeira raiva, a primeira manhã, a primeira manha, já que era eu o primeiro.

Não ser acostumado consigo mesmo e com o mundo causa um êxtase gozosamente insuportável. O susto das coisas em volta é algo fatalmente e irremediavelmente bom, pois a minha reação perante os livros, o guarda-roupa, o criado-mudo e os outros objetos do meu quarto deveria ter sido como a perplexidade de Adão perante as árvores, o rio, o mato, os bichos e o céu imersos na redundância física do momento que se exibia. Que é a reação do prazer em conhecer sem conhecer o prazer. O prazer inconsciente e desconhecido é um milhão de vezes melhor do que o prazer propriamente dito. Ainda mais quando se concebe e se pare a si próprio, sendo o seu próprio pai e sendo a sua própria mãe.

Cabia a mim, apenas, me agarrar ao primeiro andar e caminhar com bastante dificuldade até o banheiro, onde liguei a torneira e acolhi nas minhas mãos em conchas aquele outro ser sedutoramente desconhecido: a água. E o primeiro contato desta no meu rosto fazia tudo gradativamente se apagar. E do redemoinho que nascia do ralo, eu via escoar-se tudo: o sentido primeiro das coisas; a sensação primeira de tudo e o Adão que havia em mim.

( Marcio Rufino )



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Pó de poesia


Não envelheço
Porque uso pó de poesia
Assim as rugas se renovam
E um novo tecido se tece.

Uso pó de poesia
Para retirar a poeira do esqueleto
Ressuscitar o que está morto
E dá um novo verso ao rosto.

Uso pó que me leva às trilhas
Ilhada que sou entre avó e filha
Uso máscara
E escondo as marcas de cada dia
De um cotidiano sem graça.
Uso pó
Pra sumir e não achar
A idade da poesia...

(Ivone Landim)


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