Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



sábado, 17 de julho de 2010

ILHA DA VIRGEM MAGRA



ILHA DA VIRGEM MAGRA

Na noite do meu desespero
Amarrado ao tronco
Sinto as dores e as marcas da chibata
Enquanto as névoas levam meu barco

O barco da minha liberdade
Que entre névoas ganha o mar
Lágrimas cativas escorrem pelo meu rosto
Enquanto as névoas acabam por me afogar

Névoas que são chicotes
Sede sem holofotes
Corpo a sangrar
Liberdade perdida que ganha outro mar

São apenas névoas
Que invadem o coração
Névoas
Que o vento não leva

Névoas que embaçam
Meu canto
Escondem minhas dores
Naufragam meus amores

Névoas que habitam meu lago
Que abrem feridas
Que passeiam pelo meu corpo
Quebrando todos os meus cristais

São apenas névoas
Que camuflam meu horizonte
Que levam pra longe meu bem querer
Delírio do meu viver

São apenas névoas
Que o vento não leva

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A Gambiarra Profana n° 7

Este vídeo apresenta poetas e poesias que compõem a sétima edição da Gambiarra Profana

Inauguração do Espaço África-Brasil em Belford Roxo






Tataio ao lado da gourmet do espaço cultural







Dida Nascimento e Ras Bernard



Suburbanda



Walney e Emerson da banda Inquérito



Everaldo Pires e Marcio Rufino



Pó de Poesia



Gambiarra Profana



A poeta Ivone Landim



Apresentação de Hip-Hop da banda Inquérito

Na noite de 15 de julho foi inaugurado mais um espaço cultural em Belford Roxo no bairro Farrula pertinho da E. M. Heliópolis. Trata-se do bar África-Brasil que tem a frente a figura de Tataio. Segundo Tataio, o maior objetivo é fazer do espaço um grande centro de articulação, discussão e interação entre as várias linguagens culturais e artísticas da baixada Fluminense como a música, a poesia, o teatro e as artes plásticas.

A noite foi embalada com shows das bandas Suburbanda, Inquérito, Nação Zumbi e as participações especialíssimas de Ras bernard e Walney que relembrou ao lado de Dida Nascimento os áureos tempos da banda negril nos anos 1990. O Pó de Poesia ao lado do Gambiarra Profana foram responsáveis pelas performances poéticas.

quinta-feira, 15 de julho de 2010



Glória,
Glória à Deus
nas alturas
e aos homens
de boa vontadque nos salve
da calamidade
provocada
pela "Divina"
humanidade.

Jorge Medeiros
(11-01-09)



Puta
ela não foi
profanada
por religiosos
certamente...
Quem limpárá
o seu nome?
Quem resgatará
sua dignidade?
Santíssima
Madalena
Maria
Mulher
de Deus.

Jorge Medeiros
(10-01-09)



Fé
Acreditar
Crer
no que
foi dito
Dar crédito
Mesmo
Quando tarde
for.

Jorge Medeiros
(05-06-2010)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Casa dos poetas...




 Essa casa mora no meio do deserto
 Deserto dos devaneios
Casa das palavras sem trava
Elas pulam, saltam, correm
Elas precisam sair, dar forma
Dar nomes e entender sentimentos

O lugar é árido, e o habitante sedento
Mas as palavras são mananciais
Que jorram em seus pensamentos
E percorrem suas artérias

Não é preciso paisagem para inspiração
Só é preciso ter o dom
Dom do encantamento
Encantamento que é transferido para as palavras
Que transforma um rio seco e infecundo
Em um rio transbordante e vívido.

Esse rio desagua no mar
Mar do coração de quem planta a poesia
Fazendo profundas raízes no coração de quem a lê

Há quem olhe ao redor dessa casa e diga:
que lugar feio, seco, sem graça
Olharam só o exterior
Na verdade por dentro
É um lugar cheio de riquezas
Cheio de cores, cheio de idéias e vida.

Com tanta proeza
Que só os especiais conseguem enxergar
Pois é preciso mais que é um simples olhar
É preciso olhar com olhos da alma

É preciso mais que sentir
É ter sensibilidade para distinguir
Aí então, você verá reluzir a tal casa
E o vendaval de folhas escritas à mão
Que como redemoinhos
Saem pelas janelas em forma de furacão.


 Camila Senna
(Homenagem à todos os poetas) 

domingo, 11 de julho de 2010

O A M O R




O amor é um parafuso
Que precisa preencher espaço
Ir além do buraco
E nele pregar a peça

O amor é um parafuso
Enferrujado, em desuso
E por mais que o meio meça
Falta sempre um cavaco

O amor é um parafuso
Pregado segura a arte
Ele vê de qualquer parte
O dogma, o sândalo; o obtuso

O amor é um parafuso
Cuja a fenda é o apertar-se
Por isso ao amar - ao dar-se
Esqueça o cobrar. Use-o.

Silas Correia Leite
Todos os direitos reservados

http://www.palavrarte.com/poemas_poetas/poemas_silas.htm

Sentido interno...


 




Ventos da solidão, vieram como faca torturando minha casa.
Levantaram a poeira, que eu achava que jamais sairia do porão.
A devastação foi tanta que o uivo do lobo que ansiava me devorar
Se perdeu no espaço, foi abortado.
Não se ouvia nem mais os ecos ao meu redor.
A vingança foi a perda dos meus cincos sentidos,
Eles caíram no chão.
Se misturou com a poeira grossa e astuta
Que afligia o meu coração e me tirava a direção.
A rota certa virava piada, virava contramão.
A floresta da minha morada estava abandonada, exilada,
Sem direito a pedir revogação.
A cadeira velha que me levava ao passado cansou-se de mim.
Era inútil limpar-lhe a poeira, já estava sem eira nem beira.

Camila Senna

sábado, 10 de julho de 2010

CASULO



CASULO

Acho que nunca me senti
Tão triste
Nunca me senti tão só
Como quando sai do casulo

Naquele dia que iniciei
Meu mergulho
Na árvore da vida
Na busca da minha sina

Nunca fiquei tão triste
Como no dia
Que não ouvi suas palavras

No dia que amanheceu
Sem nuvens
Para me entender

Nunca me senti tão triste
Como no dia que sai do casulo
Sem ouvir suas palavras

E rabisquei meu destino na areia
E depois dei meu último mergulho
Numa das noites que a solidão semeia

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Que assim seja...






Que o meu respirar livremente,
ninguém o tente sufocar.
Que o meu olhar forte para o mundo,
não o tentem findar.
Que o meu falar sem ensaiar,
ninguém o tente calar.
Que o meu sentir aguçado e sensível,
não o tentem enganar.
Que a auto-estima que eu conquistei,
ninguém a tente baixar.
Que a amizade sincera que tenho,
não a tentem comprar.
Que o meu agir impetuosamente,
ninguém o tente oprimir.
Que a alma desnuda que tenho
não a queiram vestir,
vesti-la de sujidade, fazendo ocultar
a nobreza em mim.
Que a liberdade que anseio a cada dia,
ninguém a tente impedir...
colocando espinhos nos meus caminhos...
e amarra nas minhas pernas.
Ainda que consigam, será por pouco tempo,
pois sempre haverá uma senda.
Que a paz que eu busco,
não ousem invadir.
Que a alegria que possuo,
ninguém a tente abater.
Que o amor que habita em mim,
sempre venha existir
se renovando a cada
alvorecer.


Camila Senna

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Da morte, para a vida...






Aquela vida está sofrida
Paira sobre ruas desertas
Sem ter para onde ir
Para onde chegar.

Vive com a alma vazia...
Com espírito frenesi...
Com a mente dispersa...
E com olhar distante.

Se tem abrigo, não quer!
Acostumou-se com o perigo.
Se tem amor, não dá valor!
Acostumou-se sem calor.
Calor humano,
contatos,
conversas,
isso tudo, não mais o interessa.

A solidão interior,
íntima, se hospedou.
Acha que é uma saída,
um refúgio.
Engano tolo,
é tudo muito
escuso,
confuso.

A inverdade já faz parte
da sua rotina.
A retina de seus olhos,
já não enxergam mais a luz,
só restou-lhe o breu...

O coração que antes era esperança,
agora está em cinzas.
O humor que antes era suave,
está azedume.
O olhar que antes era de amor,
está altivo.
O coração tem tanta poluição
que se confunde com
os sentimentos bons.

Mas ainda tem uma chance.
É só esperar o próximo alvorecer...
O dia se vai...
Chega o crepúsculo... que lindo!
E com ele sua vontade de crescer...
Almejando existir novamente.

Florescer...
E sorrir aos descrentes.
Descrentes esses, que pensaram piamente
que jamais renasceria das cinzas.
Que ficaria eternamente nesse lamaçal.

Mas você quis.
Foi onde tudo recomeçou...
A semente estava ali,
quase morrendo.
E você despertou e a regou.
Ela então brotou,
cresceu e desabrochou.

Hoje, você é sal.
É visceral.
É águia.
Jogou fora toda a bagagem suja
que pesava a alma,
o corpo,
e a mente.

'Camila Senna



terça-feira, 6 de julho de 2010

A Maior Tecnologia da Educação




Me pediram para fazer um poema sobre tecnologia e didática
Mas há tantas provas, tantos estudos, tantos exercícios
Que não consegui realizar a proeza de forma assim tão prática.

Me pediram para fazer um poema sobre didática e tecnologia
Mas há tantos problemas, tantos pensamentos, tantas técnicas
Que mesmo tentando buscar em vários discursos, em diversas teorias
Não teve como atrair as palavras e organizar as métricas.

Mas quando o tema bate na porta do pensamento
E este sente o fusco-fusco da inspiração
Nascem divagações, fantasias e teoremas
Que tomam seus contornos e invadem a imaginação.

Pensei então na imprensa, filha de Gutenberg
Na expansão marítima das Grandes Navegações, mãe da globalização
Na "Belle Époque", filha da industrialização
Na aventura intelectual da internet.

Descubro que entre o desenho da letra no quadro negro à giz
E a pintura da parede de pedra na caverna
Há o instrumento, a máquina, a mola propulsora e natural
Que pela emoção, pelo ímpeto, pela ousadia
Cria as diversas linguagens e atinge suas metas.

Entre o retroprojetor e o data-show
Entre o dvd e o vídeo cassete
Há uma força geradora que a vida conclamou
E em nossos valores o caminho remete.

Entre a disciplina, a cultura e a preservação
Entre a sabedoria, o conhecimento e o encanto
Eis a maior tecnologia da educação
Que é o próprio elemento humano.

Marcio Rufino
Todos os direitos reservados

segunda-feira, 28 de junho de 2010

VULTO FERIDO (TRILOGIA DO BAR)



VULTO FERIDO

É ali que me sinto feliz
Entre um drink e outro
Nasce minha poesia
Esqueço a amargura do dia

É ali que me encontro
Que me desencontro
Que deixo garrafas partidas
Que vivo minha vida sem vida

Sou apenas um vulto no bar
Um vulto que não serve para ninguém amar
Um vulto que só sabe chorar

Sou um vento que passou na mesa do bar
Um vento que não toca nem a flor
Um vento que nasceu sem cor

Sou um vento ferido
Um vento ferido que não sabe amar
Que não sabe soprar
Na direção do mar

OCASO DE UMA VIDA (TRILOGIA DO BAR)



OCASO DE UMA VIDA

A garrafa ficou vazia
Sobre a mesa do bar
Não tem nada na vida
Não aprendeu a amar

Está sem cores
Perdeu seus pudores
Enquanto tentava ajeitar a gravata
Apenas para se enfeitar

As ruas estão cambaleando à sua frente
Esqueceu os dormentes
Que usaria para poder se deitar

Seu sol não vai nascer
Seu corpo esgotado vai estremecer
Enfim, vai cair e não mais viver



Futuro,
passado que irá
se realizar.
O meu presente
é sorriso,
testículos,
veias,
vaginas,
ungidos divinamente
por gemidos
miraculosos
que são soprados
em sussurros
no ouvido.

Jorge Medeiros ( 27-11-2008)

domingo, 27 de junho de 2010

Escravo




















A Antônio Franco Alexandre


Escravo escrevo
De tudo
Ou
De quase tudo,

De becos e tiros
De ruas e fuzis,
De largas avenidas,
Livros e vitrines,
De alvoradas e crepúsculos,
De estrelas e amplidões,
De luas e bondes,
De portos e naus
Que apontam
Magoados
No horizonte
De concreto e fastio.

Na escrita,
Nem tudo é livre
Como na fala
Que livre
Perde-se longe,
Prolixa,
Com suas pontes
Frágeis, feéricas,
Pois a da escrita
É fixa
De madeira
E prego,
Embora levadiça.

Escravo escrevo
Da escrita,
Da vida
Que o corpo mancha
E o levita
No espaço
Sintático do ser.

A palavra amiga
Súbito
Assume brusca
Estranheza
Na sintaxe
Quase estrangeira;
Quer agora
Ser ferida de beleza.

Escravo escrevo
Da escrita,
Livre de tudo
Ou
De quase tudo,

Do que não é
Obtuso, escuso,
Sujo, da límpida
Retórica de tribuna,
Escravo do que aéreo
Se espatifa
No chão úmido,
Túmido
De súbito sangue.

Na escrita,
Nada é escravo
Do corpo livre da fala.
Escrita
Que tantas vezes
Cala,
Porque nela
Não há altercação,
Interlocução,
Copiosos gritos,
Mas leitura,
Grave tessitura
E leitores
Reclusos
No silêncio.

Na escrita
Nem tudo fala,
Mas deixa
Lido,
Movediço
Na ante-sala
Da escritura –

Face marmórea
Do instável
Onde escravo
Escrevo inscrito.

Na fala
Quase nada escreve,
Inscreve-se,
Embora fóssil
Vire gramática,
Escrita escrava
Do corpo
Que foi fala.

Escravo escrevo
Proscrito da fala,
Inscrito na escrita
Em meio a tudo o que fala
E que escravo se inscreve.

Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.

sábado, 26 de junho de 2010

ANJO CINZENTO (TRILOGIA DO BAR)



ANJO CINZENTO

Talvez a noite não seja estrelada
Não tenha um céu cinzento
Mas tenha um licor na mesa do bar
Para que aqueça um pouco o relento

Os olhos já não sabem dos anjos
Não medem pontes
Não querem se esconder da chuva
Ainda sonham com a fada escondida na fonte

Talvez o bar seja apenas outro lar
Onde possa esconder a tristeza
Até a saudade passar

Talvez a vida esteja mesmo na mesa do bar
Nos olhos que já não querem sonhar
No coração que já não pode amar

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Voltou a ser o que era...



O céu amanheceu nebuloso com cara de amargura...
Queria invadir: as ruas, as casas, as almas e os corações.
Mas a rua, de ousada que é, ficou em colibri.
A casa, de família que é, ficou em vigília.
A alma, de sensível que é, vestiu-se com armaduras.
O coração, de emoção que é, transformou-se em um leão de coragem.
O céu queria mesmo é ser o centro das atenções...
De forma que todos que estivessem felizes, se contagiassem com sua tristeza.
Então a rua lhe disse: volte a ser o céu azul que me iluminava.
A casa aconselhou: a vida, nem sempre vai ser florida, mas você pode ser azul, ainda que tristeza.
A alma explicou: tem dias que é assim, ficamos vulneráveis, mas é preciso força, para não nos deixar abater.
O coração incessantemente pediu: volte a ser anil.
Busque dentro de você sua galhardia...
Você tem essência divina, não permita que as trevas invadam seu infinito.
O céu, emocionado, rendeu-se...
Permitindo-se novamente ao calor do amor.
E todo o seu firmamento voltou a ser esplêndido.



(((Camila Senna)))