Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



sábado, 13 de abril de 2013

"plantio,"

jaz o templo-calendário
outono afixado de condutas
jaz. às cenas de culpas
ao espaço considerável

qual um sonho/algo irreal
alheia fé que cheguei a crer
um presságio que não se vê
tal insone/máximo graal

ah! elegia de consumir-te..
qual fruta criada e fértil em verso
ah, devassidão que te espero..

ah, minha lima, bela Circe..
qual chuva afiada, projétil de sexo
ah, confissão.. eu. (já)não te nego!






³
²

¹





da forma como vejo, tal: lapso de água
à parede que me apregoa e me previne(acalma..)
à letargia.. dessa letra absurda, perante
após.. em novos conselhos ditados(de antes..)

eu entrego-te à minha letra em lâmina fria
qual demonstração oriunda de tolas-mentiras
eu elejo-te: face. de todas as faces e(a) mais
qual um ponto perdido que do teu corpo, (tanto)faz

eu te re-conheço.. minha amada providência!!
qual mensagem da maçã, de corpos e ventos
ao alheio palheiro de brados que me deixei queimar

ah, eu.. te desejo. em partes e (plenas)exigências
qual margem da invenção(livre) em cópula-exemplo
ao apreço, o meu terço e este pecado de te versar..




Sonetos de Azke

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sábado, 6 de abril de 2013

,noites, porque não dias inacabados?

(I)

,lava-me as mãos
como as de um judas,
ou satanás que seja,

mas deixa os meus lábios secos, gretados,
como a terra que hoje calco,

fala-me da voz em gritos, da praia que se perde
pela foz,
a sul,

neste nordeste de hoje, à míngua, à fome,

reduz-me, sem inspiração, ou tino,

ou verve,

à vista um farol que não existe, que definha,
e que se esconde pelo mar,
cousas assim, 

negações, tantas tormentas, alguns sonhos
encrespados,
suores,
noites, porque não dias inacabados?

,e relembro-me das cinzas, dos incensos,

das vertigens em pétalas vermelhas,
sangue,
das palavras que fogem, morrem
ainda no ventre,
afogadas, pisadas por outras maiores,
e fui por aí, ultrapassando horizontes como um cometa louco,
símile a um cavalo

com o freio nos dentes, rangendo,

repara nos nadas que cercam as margens,
tanta a inundação, as vísceras
inchadas,
os visos enrrugados sem unções, sem viços,

que os vícios não resistam, nem se acobardem,
promete-me,
a oliveira, a mirta, o alecrim,

o verbo,

mas rasga-me os fragmentos
desta rododáctila saciada
de regressos sem trevas,

sem as porras das sombras enfileiradas,

reconstruo o outro que não me larga.

E canso-me do páramo, do firmamento,
do ocaso,

destes círculos cortados pela metade,
das viagens que se prometem sem finais,
tantas as miçangas guardadas
tantas as cores que me acorrentam,

que depois fogem sem deixar traço,
perenes as peregrinações,

não há viagens sem final,
nem provectos começos,

perguntar-te-ei por um mar de sargaços,
por um adamastor escondido, em fuga
dirás,

ou pelos crepúsculos que me ardem
a memória,
quão perto dos pássaros que regressam,

senti-los-ei sem carícias,
enquanto a sica me penetra no silêncio.

Digo-te, lava-me apenas as mãos,

e deixa-me sonhar com as sílfides
que me empurram,

assim,

tão perto de tão longe.

(II)

,nós mesmos, no dia acabado, gasto,
nós mesmos distantes de um qualquer
cabo de tormentas,
[apenas, nós mesmos].



Poema de Francisco Duarte

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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Reação...

Não quero ficar assim,
para sempre...
Gritaria ao corpo:
"Atenção! É hora de reagir!"
e isto, por si, já seria reação
mas, reação, é a última coisa
que encontraria, agora, em mim
Como mover-me?
queria encontrar
meu controle remoto
ou ser o artista, escondido,
que ministra os fios do boneco
do teatro de marionetes
Que leveza, a do boneco!
Que inveja dos seus movimentos!
Não são voluntários, mas move-se!
Não tem movimentos próprios,
reconheço,
mas tem quem o movimente!
E este é meu sonho
de consumo daquilo
que me consome
neste momento:
movimentar-me...
Não lamento isto
como o caos universal
ou como se fosse o mais
infeliz dos mortais.
Não posso dizer isso,
Deus não merece ouvir
isso
de mim,
porque tenho sorte,
alterno estados:
deito, levanto,
choro, me alegro,
calo, falo,
apaga-se a luz,
ascende-se a luz,
raciocino, travo,
movimento-me, paro,
sou um ser pensante,
sou uma ameba,
mas neste liga, desliga,
ascende, apaga,
tenho a felicidade de
poder viver, experimentar
momentos de alegria extrema
e doeu-me a consciência,
agora,
no meio deste
texto-lamento-poema-justificativa
reação-desejo de reação-divagação
ou sei lá, o que é
o que seja,
se é que é alguma coisa,
mas...
pelo menos estão vendo-me
de longe,
pensando que estou
trabalhando,
porque o barulho
dos dedos batendo
nas teclas
é alto, frenético,
sugere que
estou sendo produtivo,
o que é uma beleza.
Mas vão-se, assim,
os dedos,
bailando sobre o teclado,
porém, queria, mesmo,
era levantar-me...
doem-me as costas,
a coluna,
três horas e meia
sentado,
na mesma posição,
olhando para a tela,
olhos estalados,
dormência sem sono,
mente apagada,
e o gerente
do corpo, que,
coitado, ele mesmo
já velho e cansado,
doente, precisando de cuidados,
acordou com o sinal fraco
que veio pela rede neural
e, já (semi) acordado,
com recursos rudimentares,
imprimiu
um relatório meia-boca
e identificou o
(possível novo) problema:
dor na coluna cervical,
região lombar,
próximo a bacia.
E agora esse pobre
órgão chamado cérebro,
que já está até cinza,
coitado, de tão velho
(tudo bem, tudo bem,
sempre foi cinza,
mas agora está, pelo menos,
um pouquinho mais escuro,
pode ser...?)
nas pequenas pausas,
entre tosses e espasmos
de suas crises asmáticas,
sua voz rouca e cansada,
tenta mover o corpo
como um todo,
antes que o sinal de aviso
da coluna
torne-se um (novo)
mal irreversível.
E envia
seus comandos:
-"Corpo, mova-se...!"
-"Corpo, levante-se..(arfh..!) (cof!)(cof!)..."
-"Vá tomar uma água..!"
-"Vá ao sanitário, estique as pernas...(arfhh!)..."
Comandos...
bom.. (...)
valorizei muito
a boa vontade do cérebro
ao dizer que envia "comandos"...
pobre coitado,
não delega funções
pois já não manda: pede.
O tom de sua voz
não é de quem ordena,
mas pede favores,
suplica...
Bom... mesmo assim,
me vi feliz
no ato de escrever
tudo isso aqui,
porque vamos assim,
uma hora não vamos,
e outra hora vamos,
mesmo que no tranco,
e outra hora, ainda,
vamos como se
nunca tivéssemos
deixado de ir.
Mas posso dizer: sou feliz.
Pois lembrei-me nesta hora
dos deitados e/ou sentados
permanentemente,
dos que nunca levantaram-se
ou já andaram, mas, (clinicamente)
jamais andarão novamente...
e assistidos pela mão de terceiros
vão-se, quando muito,
empurrados ou empurrando-se
a si mesmos
em muletas
ou cadeiras-de-rodas.
Eu queria, agora, ser
um ser
abstrato
e poder encontrá-los,
ao mesmo tempo,
na beira de cada leito
e cobri-los, a todos, com um beijo
Mas...
não posso,
sou humano,
preso ao meu espaço,
preso ao meu tempo...
Mas, quem me dera...
que essa Áurea Celeste
que já me ouviu,
que estou sentindo-O tão
próximo de mim,
que já salvou-me tantas vezes...
possa encontrar, agora
e envolver
com seu amor,
cada um que traz
dentro de si,
um gemido,
mesmo que
contido,
calado,
escondido...
Já volto,
vou esticar as pernas e beber uma água...



Autor: byCláudioCHS



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sábado, 30 de março de 2013

Mulheres

Extrapolam a pele
Exprimem-se em redes densas
Figuram e transfiguram
Solidificam e se desmancham
Compreendem toda a essência
Da existência,
Da sapiência,
Dos gritos e dos silêncios.
Mulheres
Trazidas ao mundo
Pra clarear horizontes
Pra injetar luz
A um ser que só tinha
membros, tronco e um falo.

              Jorge  Medeiros
               (29\03\2013)

"o credo"

à autofagia da insolução imediatista
causa. e arbítrio revogado, acto fértil
auto-estrada da minha própria dívida
oh! asa vã em costume de excessos

à cada linha tênue que te livra de mim 
por resolução, é queda da minha venda
em tardio e oposto lado de ter(e) assim
qual longe.. qual fome e à mesma cena

por espelho redundante que te despe
à demanda e ao açoite em penitência
pagã cortina que te deito, à fé de febres

tal um livro desdito em mentira amena
ao suave toque dos teus lados carnais
é. minha! opção de regresso que te refaz




oh,
carta que te cubra de mim,
 (...)



Soneto de Azke

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OS QUE VÃO MORRER TE SAÚDAM


Remoção...
Remoção...
Balas de borracha, spray de pimenta,
Gás e porrada
No cidadão.

Arnoldo Pimentel

quinta-feira, 28 de março de 2013

Fanatismo I

os pecados cometidos
durante sua vida inteira

serão todos redimidos
por um santo de madeira

a fiéis, cruéis, vendidos
cada qual a sua maneira

o paraíso é resumido
num livro de cabeceira

Autor: Acento agudo

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Ants

Hoje estou cansado
Dói-me o corpo da realidade compressora sobre a carne
E dói-me a cabeça com o peso destes pensamentos sólidos.
Estou cansado 
Não pelo que fiz hoje 
Mas pelo que tenho agendado para fazer amanhã.

Se soubesse que ia morrer esta noite 
De certo andaria folgado e leve
Por não ter nada para fazer amanhã. 
O que me cansa são os dias programados 
A repetição no pensamento, antes de acontecer a repetição dos dias
E cansa-me mais a certeza de pensar nisto
Do que tudo o que tenho para fazer e que sei que não farei
E esta certeza aleija-me o corpo como culpa de faltar com a vida.

Quisera o destino que fosse humano 
E que tivesse pensamentos sólidos 
Sobre qualquer coisa que cheira a céu e a divino 
Quando deveria ser formiga, feliz por não pensar repetições 
E por andar sempre junto à terra. 

Ando farto de ser deus do meu destino por cumprir.

Hoje estou cansado da realidade de não ser formiga.
Estou sentado numa cadeira a ver formigas 
A passarem encarreiradas na labuta automática de não pensarem amanhã
Nem no segundo seguinte, nem na morte a consumir-lhes o tempo.

Estou sentado na cadeira que me persegue para onde eu for
E cansado de fugir dela 
Cansado de ser eu e ter pensamentos sólidos 
Agarrado à vida e a coisas vagas como amanhãs com cheiro de morte.
Cansado 
De ver formigas.

Poema de Nuno Marques

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domingo, 24 de março de 2013

Momento ou poema de vida (inteira)

E eu, dividido e disperso no tempo.
Dia por dias, passados e futuros, que me imprimem fotocópia.
Imagino-me na totalidade, repartido por folhas diversas
Respeito instruções, a vida fora do corpo, de uma gráfica universal
Sigo à risca e metodicamente o manual do sapiens republicado
Onde à nascença foi carimbado o meu nome.

Para amanhã, já me dei à luz
Alimentei-me de rotina para morrer ao fim do dia
Mas hoje, sem a asma que sei que sentirei amanhã pela manhã
Sem o ar de frete que me trazem outros na cara na fila do trânsito
Sem trabalho, sem almoço, sem cigarros, sem mais trabalho a tarde toda
Sem o embrulho no estômago… jindungo no cu de todos os meus eus
Sem luzes agarradas aos faróis na fila de volta a casa
Sem banho, sem jantar, sem bola na TV, sem cama e sem sono
Hoje, sem nada do que me fará ser eu amanhã.

Delírio passado ou verborreia inútil
Nasci em partos complicados e criei-me igual todos os dias
E nem num apenas, me mandei a merda e fiquei a dormir.
Noites, insónias suadas
E guilhotinas suaves para encadernar vida em pensamentos.
Lição futura ou cáustica previsibilidade.
Crio-me de novo, cómodo, e de novo e para o ano inteiro
Amamento-me e cresço nos lençóis surrados da preguiça de os mudar hoje

E eu, tantos
Já sou tantos, antes e depois, que agora, não sei qual sou realmente
Que importa, sou todos, uns iguais aos outros
E de todos, não quero ser nenhum de mim
Convoquei-os, mesmo àqueles que já esqueci
Reunião, assembleia-geral, eu com os meus eus reunidos à minha volta
Todos intimados a escrever sobre quem sou.

O tempo não existe
E eu, momento, folhas brancas.
Folhas brancas
Ou uma vida inteira.

Poema de Nuno Marques

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sábado, 23 de março de 2013

Poema da vida inteira


Outrora, qual a Aquiles,
Quase me devoraste,
Escamandro furioso,
Procela borrascosa – desmesura.
Espremeste-me contra paredes,
Pegaste-me pelos gorgomilos,
Exigindo-me tudo o que não tinha,
Tudo o que perdi ou vendi,
Tudo o que sempre exigiste de todos:
Venalidade!
Enquanto três bocas
Choravam ruidosamente.
Nestas horas, roubaste-me
Até meu corcel negro,
E quando pedi ajuda, decretaste:
“ – Não sei se é verdade... te vira, rapaz!”
Grande artista da esquiva e da omissão,
Quase me arrancaste todas as lágrimas,
Fazendo-me sinistros convites ao mar.
Terrível alquimista,
Transformaste todo meu mar e sal
Em pedra, todo meu céu e lume em lodo.
Entretanto, estou aqui:
Mil vezes amado, desprezado,
Mil vezes perdido e sem caminho,
Mil vezes sem profecia ou futuro
A te encarar nos olhos... vivo!
Com os ombros curvos
De quem muitas vezes baixou a cabeça,
Em cadeira, de quem quebrou
Orgulhosa cerviz.
Hoje, estou aqui te encarando,
A esboçar um sorriso,
Sem perigo de virar pedra.
Outros choram, lamentam-se,
Preferem puxar o gatilho da melancolia,
Embriagar-se da memória dos que partiram.
Comigo não é assim:
Já não sinto sede ou fome
Na língua seca, no estômago enjoado.
O esquecimento é o bálsamo
Que ofereces a esta esponja ressequida.
Hoje, vozes compungidas
Calaram-se em meu peito,
Aguilhões a me ferirem
Já não fazem mal
À carne afeita à dor.
Agora, admiro tardes iluminadas e frescas
Que tanta luta ensombrou, esfriou,
Que tanto arrependimento transformou
Em noite e tempestade...
Sinto-me faltoso, por isso humano, completo.
O futuro não mais me inquieta: vivido está!
Perdido está!
O passado dia-a-dia julga-me,
Mas vou sempre sorvendo as velhas mentiras
Que imobilizam toda a culpa
E as revoluções deixadas por fazer...
O presente reduziu-se a um zéfiro suave,
À profunda aceitação.
Este momento sem perspectivas, metas,
Ou pegadas encapsula-me.
Sou duro, carne de pescoço.
E agora?
Pergunta que já não cabe mais:
Agora estou completo, perdido,
Perdido...


Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados

terça-feira, 19 de março de 2013

"perjúrio,"

(não.)eu nao quero. nem a parte que te corrompe. nem ontem..
eu não tomarei este lado. ora, nem mesmo alvo por explícito!
não deitarei à relva da noite que te ouve, nem ao palco do ar fictício
da morada refém em desigual referência ou alta que te comprem

eu não abrirei os teus olhos mais.. eu sequer, posso te sentir
ao crime que te referi, ao prêmio da minha carne, é: tão.. tarde
ah, eu.. preferia ter-lhe o retrato em branco, à vénia única de ti
mas, hoje/amanhã e depois eu não tentarei a porta que te abre

cai. peça da minha virtude!! tão impulso de reter-me ao chão..
prévia da minha mão.. minha mesa de frutas e o único pão
tal registro da letra que te corre o ventre, da pena que te quer

cai. peça da minha íliada preparada pra perder.. do pecado e fé.
terra de contos quaisquer.. à linha de partes e curvas e frentes..
ao exercício de mentir-te mil dias, mil vezes.. mil letras, e. sempre


Soneto de Azke

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Brincadeira tem hora

Brincar com as palavras
é reconfortante
Somente nesse patamar
as brincadeiras
são possíveis
Não gosto de ludicidade
com os corações
alheios

                 JORGE MEDEIROS
                    (15\09\2010)

sexta-feira, 15 de março de 2013

"torrente"

barcos e rumos em descidas de tais velas 
tardes e cartas em sumos livros degolados
ávidos corpos em dança de mares e pecados
barcos e crimes em alferes iguais destas telas

oh! sereia que te conto ver à noite mais livre..
ao alvitre que devolve em cura puta qual convém
tarde te sejam os seios, os sêlos e o filme
pois, se cantam-te aos ecos, levam-te também

e já cai o horizonte anulado de tolas peças frias
quais tragédias erguidas em comunhão e cor
e carregam-te à imagem que te fiz, e toda a dor

qual assaz delinquência à queda-prévia de cenas
todas estas, vénias. todas elas, à leve novena
do meu terço em credo do teu nome que o desvia





a todo: um dia(outro) teu..


Poema de Azke

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quinta-feira, 14 de março de 2013

pequena flor na janela

pintei o céu quando encontra o mar, e muda de cor lentamente até morrer. enquanto a vida cresce em volta dominando as folhas do calendário, o coração batendo pra onde nasce a chuva, em seus olhos rasos d’água. as ruas começam a estreitar no vagar macio do vai e vem dos seus cabelos. chora o silencio em partes iguais, tal brisa e pipas no fio, que o vento leva pra qualquer lugar... a paz dos moinhos, o quê os braços vão querer e os olhos irão apagar. como um pincel livre por todo céu, e acorrentado à revoada de uma ave. porque uma asa me morre.



Poema de Vânia Lopez


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Boa noite

?

Quando o manto de horas negras cobre a luz de todos os lugares
Não restam sonhos inocentes, nem sentimentos sinceros
Dentro de corpos embriagados, vestidos de vício

Sem sentir, vagueiam sem sentido

Rasgando noites imperfeitas cobertas com véus transparentes
Onde atrás de cada porta o mistério toma a forma de sorrisos
As curvas assumem-se suaves, como idílicos paraísos
Na terra das sensações pronta a conquistar

É o princípio da viagem ao fundo do ser

Quantos corpos largados, dias, semanas, meses por amar?
Tantos brilhos transformados na solidão sob o luar
Tantos corpos enganados por promessas ao por do sol
Vencidos, sem encanto, pela indiferença do destino.

Quando este manto de horas negras revelar o infinito céu estrelado
Cobrindo a vontade de metade do mundo
Mostrará a sua nocturna imensidão, onde cada ponto brilhante é vida
É sonho, por mais ínfimo que seja é luz.

Sim, pode ser diferente.


Poema de Nuno Marques


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quarta-feira, 13 de março de 2013

sábado, 2 de março de 2013

Poesia, MPB e cultura cigana marcam o primeiro Sarau Donana de 2013


Eud Pestana

                                                                              Ana Cajueiro


Roberto Lara


                             
                                      Alessandra David e a companhia de dança Kaminhoo Cigano
                                
                                                                Ivone Landim



                                                                    Dida Nascimento



Marcio Rufino


Camila Senna


                                                               Gabriela Boechat
                                                     

                                                                     Idi Campos



                                                                       Moduan Mattus


                                                                             Sil


                                                          Josy Louzada


                         A menina Marília recita José Paulo Paes sob os olhos orgulhosos da mãe Sil


                                            Pó de Poesia e Enraizados juntos e misturados




                                                                          Poeta Xandú
                     



O Desmaio Públiko foi um coletivo poético que agitou a cena cultural da Baixada Fluminense na última década do século 20. Seus poetas integrantes interpretavam suas performances de forma supreendentemente teatral nos bares, tomando de assalto a boemia da região. Foi para contar a história de sua formação entre outros momentos marcantes do já lendário grupo cultural que o poeta Eud Pestana - um de seus idealizadores ao lado de Cézar Ray - e sua companheira, a também poeta Ana Cajueiro, se apresentaram especialmente a convite do coletivo Pó de Poesia na edição de fevereiro que abriu o Sarau Donana do ano de 2013 no Centro Cultural Donana, na cidade de Belford Roxo.

O sarau também teve a participação especial do cantor e compositor Roberto Lara que cantou e tocou diversas de suas composições. A educadora Alessandra David se apresentou com sua companhia de dança cigana Kaminhoo Cigano da Fundação Santa Sara de Kali, nos mostrando e contando um pouco da trajetória da cultura cigana na história da humanidade.

De resto o que rolou foi muita poesia com os poetas do Pó de Poesia como Ivone Landim, Marcio Rufino, Camila Senna, Idi Campos, Gabriela Boechat e do Desmaio Públiko como a própria Ivone, Eud, Ana, Moduan Mattus, Sil e a atriz Josy Louzada. A trupe do Movimento Enraizados Dudu de Morro Agudo, Slow da BF e Samuca Azevedo também prestigiaram o evento nesta linda noite de sábado.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

ensaio de um nada

morre em mim a música das tardes
e os teus cabelos macios

porque aquietas as ruas como um lobo que uiva
pela sombra que foge
espalha a calma ao redor,
como se fosses tu... bêbado em me esquecer

leva essa desordem daqui... que não quero mais

deixe a noite solta no curral
e minha alma d’água, tão líquida quanto à lágrima.
... lavar como chuva colada à tua boca, a vida.
Que é outra.

Poema de Vânia Lopez

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sábado, 23 de fevereiro de 2013

NO TEMPO EM QUE EU NÃO PODIA IR À WOODSTOCK, PROTESTAR CONTRA A GUERRA DO VIETNÃ, GRITAR UM VIVA À CHE GUEVARA, DIZER NÃO À DITADURA, SER LIVRE E BEBER MINHA CERVEJA ATÉ CAIR.


Este poema é dedicado ao meu amigo e companheiro do Gambiarra Profana
Sérgio Salles-Oigers  e seu espírito livre.
“Censurar ninguém se atreverá, meu canto já nasceu livre” Sérgio Salles Oigers


No meu país
Eu tenho hora para acordar
E hora para dormir
Serei preso se não obedecer

A inquisição está atrás do vidro
E nos julga como Josef K foi julgado
Levanta muros entre amigos
Silenciando vidas
Censurando vozes
E expressões artísticas

No meu país eu não posso
Fazer minhas próprias escolhas
E caminhar livre por ai

No meu país eu tenho hora
De acordar e hora de dormir
E serei preso se não obedecer

Na biblioteca não tem os livros
Que eu quero ler
Na loja de discos não tem os discos
Que eu quero ter

No cinema é proibido passar filmes
Como “Fahrenheit 451”, “Easy Rider” ou “Z”,

Na poesia apagam as luzes
Desligam os microfones
E alguns chamam de lixo
A poesia que eu e alguns amigos
Gostamos de escrever

Arnoldo Pimentel

algumas palavras amassadas em uma folha de papel

chegou num barco de pesca 
nos olhos o abismo da simplicidade
... tua fala macia
o abandono dos cabelos,
algo como a água escorrendo pela face
uma muda de roupa que talha a carne
e o que quer que fosse um eu, despido.
enquanto o mundo... caía lá fora

vinhas continuamente como o mar
desvaneceu o concreto, rompeu o dia.
e, decidiu não voltar mais.

... sem saber o que levar
queimou tudo por dentro (de mim)
deixando digitais espalhadas na casa toda
(e nenhuma imagem das câmeras foi sequer recuperada)

ficou o que foi tocado,
com a força de um raio num céu calmo
... como flechas sem pontas
tentando atingir o silencio... tal um blues no ar


Poema de Vânia Lopez


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