Quem eu sou
Diga que sou uma criatura quase humana
Algo entre religioso e monstruoso
Um simples moço.
Se alguém perguntar
Em que dia nasci
Diga que foi num dia
Em que Deus, muito estressado,
Com tanta coisa lhe enchendo o saco
Fez com que minha mãe
Bota-se pra fora
Algo que não fosse nem pergunta e nem resposta
Uma complicada incógnita.
Se alguém perguntar
Qual é a minha cor
Diga que é a do mundo inteiro.
Pintada por festas, sofrimentos de amor,
Muitas revelações e alguns segredos.
Se alguém perguntar
Qual é a minha
Curto carne, frango e sardinha
Ou qualquer outra coisa que esteja na panela.
Curto também pessoas
Muito além do que elas têm entre as pernas.
Se alguém perguntar
Onde moro
Diga que por aí
Chegando de repente
Sem hora pra partir.
(Marcio Rufino)
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3 comentários:
Gosto demais dessa poesia Marcio, demonstra muita liberdade, mas na verdade o que seria de nos sem liberdade, talvez zumbis que andariam de um lado para o outro, fazendo aquilo que outros ditassem, e assim apenas iriamos passar pela vida.Parabens.Arnoldo Pimentel
Nossa identidade vai além de números e superficialidades... somos o que somos e dentro de nós guardamos de tudo um pouco do certo e do errado, do simples ao sofisticado. Nossa identidade na realidade é a nossa liberdade de expressão e de execução das próprias vontades. Um ser complexo e por vezes previsível definido especificamente por seu estado momentaneo, mutável, de espírito. Parabéns pela poesia, Marcio. Como sempre brincando sutilmente com as idéias e palavras.
Adorei traz uma sensação de liberdade,esse poema me mostrou que não importa quem somos pra um tudo somos iguais, não temos uma identidade simplesmente só nossa, mas sim um conjunto de identidades, ditadas por sermos apenas humanos...
Parabéns!!!
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