
Chamava-se Tristeza e Frederico.
Jamais disse palavra que ferisse.
Ladrão de lua, sonâmbulo pateta,
morreu de hepatite e ser poeta.
Andava sempre como quem inventasse coisas:
uma pera de vento, um filho de madeira,
uma aurora mecânica, um deus, um gato
dançarino, o fogo eterno.
Um dia se perdeu.
Procurou olhos, mãos, braços.
Encontrou apenas sulfas,
um pouco de sonho numa garrafa.
Coração sumiu no ar.
Frederico fez força pra ficar no poema.
Pra que, Frederico?
Pedro Ernesto de Araujo
(Do livro Frederico e outros poemas).
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