Mofo. Quero o poema sóbrio, com um sorriso de tequila. Desperto como um dia que nasce, com o rio ao fundo. Sempre que decido não gastar dinheiro em comida quando posso gastar com poemas e enxovalhos de velhas carpideiras e falaciosas, que me deitam olhares de coruja e entardecer, quero assim o poema, solto e mexicano. Como uma balada ébria de Dylan o que canta, não o que bebia e que morreu faz umas décadas. Esse era poeta de excepcionalidade. Quero o poema estendido e divagante, como uma melodia eterna, que não acaba porque não queremos. Como os dias que acabarão quando eles bem quiserem. No fundo quero que o poema contenha tudo, eu e tu e o que mais entre nós. Seja o mundo pequeno ou de avalanche, seja o todo uma mistura de todos ou apenas a mesma feira de questões de fundo. Querer esse espantoso começo como se deus se desenhasse a cada sonho. Cidades imaginárias, édens de dante em tons de azul e preguiça. Mas o poema são torres cinzentas de subúrbio, gotejam humidade nos cantos. Velhos deitados sussurram, uns aos outros, ouvem-se pelos canos, contam estórias antigas pois todas as histórias são de ontem e morrem gritando indignidades. O poema sofre assim mas respira tudo isso como se fosse um aspirador metafísico.
Jun. 12
Autor: Carlos Teixeira Luís
Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=225541#ixzz1z5VtOh6z
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives
Jun. 12
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