Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Havia apenas um parque entre elas
ouvíamos os carros antes de vê-los
eu segurava os pregos
o vento folheava o livro
você era a estrela do meu céu
um tapete verde pela terra afora
as tardes eram em alemão
seus cílios como penas
os ventos eram mansos
o sol acordava cedo
trazia você pra dentro
as árvores tinham alma
festejavam os dias
o trem virava a esquina
enquanto os pais se preparavam
para ir à igreja
as mulheres na janela
você brilhava no calor
o amor tinha frente e verso
andava pelo piso
tornava-se família
de olhar pela janela e esperar...
Poema de Vânia Lopez
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Preciso...
meia dúzia de livros
todo o tempo do dia
dedicado à poesia
Um quarto fechado
uma estante no canto
a cama de solteiro
e me livrar do dinheiro
Preciso do silêncio
de um pouco de luz
de alguém para ler
e as vezes me deter
[preciso...] da estante no canto
teu abraço e teu manto.
Poema de Kleber J G Martins
terça-feira, 5 de julho de 2011
Eu encaro...
Tem “tudo” que é “nada”.

segunda-feira, 4 de julho de 2011
Equilíbrio
meado do corpo in.suspenso à inércia de o in.revelar
tarde seja, a calma-breve e deste ar..
- ora, não venta..?
(- não.)ouvem-se coros(afoitos) de desencanto
de
dias, sendo tantos, quantos
forem às apátridas canções, já tão insones..
bradando asas e pausas
querendo novas causas
ou
o mundo em sê-las.inteiras, enfim..
perde-me..
perde-me o tempo que não o tomo a passar
destaque por idéia transversal, mas
algures..
lado igual.
ou
um. mero relato, qual não te seja: este.
(a)final, pois
não
repete-se
defere-se
padece
qual dor-culpa de conselho ir.real e destronado,
qual, réu absolvido,
e.
exactamente, onde..
o
há?
fim.
repente, por facas nos meus dentes e rumo areia-sangue em tropos das minhas mãos..
eu,
carrego.(crux*)
tolo, deste passo que não tem o teu nome
impeço-me de voar pois te quero ver de perto(bem.perto..)
quero um turno aprume-desespero, entre-cortado, em vezes, impresso
em
carta.
letrada.
semi.
uni-versada.
sendo minuto
sendo
nada
pois.não/nunca/nem.te.é.
...
ah! treva dos meu olhos por inclusão à falha..
- testa-me!!
em chama pendente qual à letra-inválida e.qual me talha
(área.)
liberta
por um dia,
só um dia, à pele-fuga em água-lava da utopia,
e
deixa
ter-me,
a clarear..
...
qual mar, velado que te trouxe?
digo..
por, ora cegam-se os meus olhos
por ora,
inexiste o arbítrio-alívio?
ou.
de mim..
(enfim)
..te livro?
.
.
.
Poema de Azke
domingo, 3 de julho de 2011
Sinto...
Das corridas,
Do olhar,
Do azul.
Da fantasia,
Do que eu sentia,
Do azul.
Cheia...
Vou colocar minha dor
Estampada num jornal...
Será que você leria,
Um pedaço de mal?
Essa notícia é passageira
Noutro dia sempre acordo inteira, cheia...
Cheia de disposição
Rasgando o tédio sem autorização.
Leia a primeira notícia
Todo mundo gosta de melancolia...
O charme está nas entrelinhas.
Mas será que você leria,
Um pedaço de alegria?
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Sem nome no cartão
para discordar da saia
quis retirar a permissão
para gostar de mim
como duas mulheres
parte de mim voltou pra casa
evitando a faixa de pedestres
a outra quis cruzar a fronteira
com o luar nos olhos
devastado seu nome
na certidão da pele
nenhum lugar é distante o bastante
o peito é estranhamente fiel
(num mar de olhos, pernas e braços)
me escolte no vestido predileto
eu finjo lamentar
os jornais vão manter distancia
o beijo será mais longo
a porta fechará sem datas
por favor
feche a noite com os ombros
eu gosto da falta que faz
seu nome no cartão
porque transborda...
Poema de Vânia Lopez
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Aos teus pés
mãe. O tempo arrastou-me pra lá e pra cá e derrubou – me de onde nunca saí: desta
casa, dos pés desse oratório, três filhos e um homem que já foi meu e hoje não é mais
de ninguém: Gabriel e Belzebu, sem lado de avesso nem desavesso, surra de cinturão
e doce de mamão. Nas quebradas da serra do Milho, o foguetão ribomba, fazendo eco
de grota adentro enquanto tento rezar um pai-nosso, catando palavras no meu juízo
desleriado, como que esvazia um mealheiro, moeda atrás de moeda, uma fé amolada
que não me dá mais sustância de fincar o pé, levantar a cabeça e pelejar contra
as desencontrancias da vida. A janela aberta traz o frio das serras e a visão da minha
fogueira, tão bela, isolada e desolada, tão grande, quase um pecado de boniteza num
tempo de coisa santa, do meu São Joãozinho, ali, no meio do meu terreiro varrido e
varrido desde manhã cedo. Olho a estampa de meu santo no oratório, abraçando seu
carneiro, mas o olhar se desimpacienta e percorre o resto da sala, os retratos retocados
do dia do meu casamento e o do meu pai e minha mãe – na graça de Deus desde 97.
Minha mãe queria ser enterrada de mortalha, mas no calor da doença, arrenegou tudo,
como quem quer apostar contra a morte e testar se a gente acreditava mesmo que ela já
se ultimava. Neguei que tinha costurado a mortalha, mas minha irmã Corina, feito os
pés da Besta, contou que já estava cozida e dobrada; tudo no medo torto de
desgostar nossa mãe, até na hora da morte – dizia olhando pro chão, dando um
riso doido, abilolado mesmo. Meus meninos foram cedo pra rua, catar namorada nas
festas, precisão de mulher é bicho danado. Fora as velas do oratório, a casa tá toda
apagada, um sossego frio me abraça pelas costas. Levanto, no meu quarto, acendo
a luz, visto a mortalha da velha, vejo o corpo estrebuchado de meu marido, olhar
grelado daquele que sangrei feito um bode, em cima da cama, sem raiva e sem medo,
só por precisão minha. Beijo-lhe a testa, boto a faca encima do seu peito, entre as
mãos: rosário de ateu desgraçado. Do espelho da porta do guarda roupa, uma
boniteza triste vestindo aquela roupa. Mas tudo ficou pra trás, o que vacilou eu
empurrei no buraco das desacontecencias. Resoluta, abro a porta da frente, sentindo
a friagem do sereno no rosto, caminho até o terreiro, mergulho no ardor de meu São
João; o fogo queima por dentro e por fora, mas a dor já não está mais aqui. Nem eu.
Conto de André Albuquerque
terça-feira, 28 de junho de 2011
Xeque-Mate 2.0
A vida é um jogo
Em casa você é o Rei
No trabalho Peão
Na rua um Cavalo
Em casa para a sua mulher você é o Rei
Ou um Cavalo
Para seus filhos o Bispo
Ou uma Torre
No trabalho para o seu patrão
Peão
Para os subordinados você é o Rei
Ou um Cavalo
Na rua é o Rei
No trânsito Cavalo
Na multidão só mais um Peão
Em si a Torre
Para seus familiares a Torre
Às vezes é o Rei
Outras Peão
Às vezes o Bispo
Ou Cavalo
Para seus amigos a Torre
Também é Rei
Às vezes Peão
Outras o Bispo
Ou Cavalo
Sua mulher pede o divórcio
Você é um Cavalo o Bispo a Torre
Foi demitido
Você é o Bispo a Torre
Vai parar no xadrez
Você é a Torre
Você é ceifado pela Rainha Negra
E substituído por novas peças
Você é a Torre
No lar
Outro Rei outro Bispo outro Cavalo
No serviço
Outro Rei outro Peão outro Cavalo
Lá fora
Outro Peão outra Torre outro Cavalo
Cavalo Cavalo Cavalo
Todas as peças se deslocam lentamente
Mas sempre se encaixam perfeitamente
Poema de Andri Carvão
domingo, 26 de junho de 2011
Pode ser que sim
Solidão ao som de So far away
Penso em dizer mas, I can’t say
nem mais um clique no menu
Penso em dormir mais cedo
Vejo sua fotografia
A ficção de mais um dia
Acho que estou delirando
Pode ser que sim, delirar
Com um rosto desenhado
Cabelos cacheados
Sobrancelhas, boca, olhar
Me olho longo tempo no espelho
minha barba grande e terrível
Me faz pensar que perdi o nível
Preciso sim de você, um conselho
Poema de Kleber J G Martins
sexta-feira, 24 de junho de 2011
"Põe água na luz"
Primeira noite que iria passar lá
Namorava a minha futura esposa.
Fomos no final do rego d´água verificar o dínamo
A correia estava bamba !
Meu cunhado entrou no fosso, viu a ponta da cetilha
Regulou a boca de saïda d'água
Trocou o carvãozinho...
Correia esticada, carvão trocado,
Fomos na represa soltar a água
A luz foi chegando aos poucos...
Clareou de vez !
Acendeu o rádio que chiava
Chiava mais do que falava
Era assim, toda noite na roça
Äs vezes, a gente, distrai'dos lá em baixo, ouvia a sogra gritar:
Põe água na luz!..
Cetilha: boca que regula a sa'ida d`água ...e toca rodas horizontais...
Poema de Victorvapf
Exegese
Perfume-rosa, rosa augusta de
Perfilados dentes alvos
Que se colhem palavras para a
Composição do poema
(palavras densas de açúcar como o são
as passas estragadas; palavra-confeito
que se desfaz na boca, espraiando-se
pelas glândulas salivares)
Reter a paisagem, descobrir
O vocábulo entranhado no coração
Dos monturos, a palavra inservível
Presa de si mesma
Verbo em decomposição, destilando
Odores de metano
Esperar a noite, o cair da noite
O desenlaço de suas pétalas noturnas
E das sombras ver surgir
Seu tropel de criaturas segregadas
Vinde palavras prostitutas, ébrias,
Indigentes, viciadas de toda espécie
Escutai o bater de asas, um anjo
Por ti está em vigília
Ainda que um anjo coxo
Espécie de Quasímodo alado
Adentrai vossa casa, não temeis
Mesmo que edificada sobre o
Moralismo movediço de tratados
E convenções
Repousai na face virgem e alcalina
Do papel
Inaugurai nesta nova pátria inominada
Sob o estatuto do mencionado impossível
O tempo do caos transcendente
Poema de Glauber Ramos
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Último
deposta coincidência
aleatório devaneio ao arbítrio-livro de mim
razoável-preço
à pena que me vale em metade
à curva qual me re-forma do
fim
re-lapso
(ensejo)
ao acto consumado
em previsão e lenda
é
apenas à curta-metragem
da frase sem erros
sem
margens
(nem fé)
posto que.
término
rescisão e oferenda
base de consulta
oh! brevidade rarefeita de consumo..(não é.)
oh! registro dos meus ideais e conduta de rumo..(não. é.)
"locus"
por: um período-re.composto
esboço.ao: que me parecia real
(pois)eu
duvidei. à era deste tolo-conto
e começei. à queda deste lado pois, chamas.
e,
agora corre..
levanta.
asas incendiárias em voltas/e-voltas febris
à caçada de todas as memórias esquecidas
às estacas. que eu sempre escondi.
pois,
ferve, lado repente!
e
descrente
e
decrescente
e
aqui, sempre, ou.
em quartos(tantos) de ar.
(de mim)
.
Poema de Azke.
Kali-yuga
Cambaleando em uma só perna.
A tourada cruel, planetária,
Incendeia os corações distraídos.
Na arena gigantesca
Digladiam-se, aos gritos,
Os Albels e os Cains em uníssima vibração odienta.
Eis que o soar das trombetas,
Tão esperada e decantada,
Vem pela garganta dos próprios degredados,
É o último brado, o estertorar.
Começa a ceifa,
O joio e o trigo são apartados.
O grande êxodo é a última instância,
Portanto inexorável, sem apelação,
A sinfonia deprimente do ranger de dentes,
A batida final do grande martelo transcendental.
As setas cruzam os espaços siderais,
Os carros de fogo
Transportam os mendigos da paz,
Estiolados na refrega equivocada.
Os cordeiros são os lobos de si mesmos.
Eis o segredo desvelado,
A metáfora dos canibais.
Poema de Milton Filho
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Da sacada
olho o horizonte, tentando ver o além
como alguém que olha para o nada
Da sacada, perto, olho a rua e a calçada
olho a chuva descendo, a enxurrada
também os galhos judiados pela invernada
Da sacada, olho tudo e não vejo nada
olho o dia passar e o inverno chegar
a neblina das manhãs e a vida maltratada
Da sacada, faço uma arquibancada
olho curioso, como quem não quer nada
a loira que passa e a morena, que graça
Na sacada, a loira que passa me olha
e a morena, essa nem na sacada...
Poema de Kleber J G Martins
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Progressão
da mensagem que deixei pra trás..
da asa sem rumo por onde, à quimera destas letras,
tão tardias,
ora, em punho por destreza e.de se rebelar..
ah,
em palco
declina.
ante à qualquer noção de vento por um pacto solto (e)de ar
quando..
à quimera desta centelha, qual não pude carregar..e.aos.. meus ombros listrados de sangue por batalhar cego
ora,
submerso, defronte ao poço, qual um dia, eu pretendi..
- deve-me à lápide!
à parte que te cabe e por centeio em deste campo, o meu.
- deve-me à in.vontade..
(passagem)
ou custeio,
em demasia de consulta por arbítrio em livro-alvo de mim..
eu,
acto por inicio dos meus dias
dos meus
passos por
tamanha incompreensão
ah,
quando muito,
por descer-me à terra em busca de um vestígio teu,
quando nada,
de culpar às minhas paragens,
o destino-pouco destes espaços
hoje, tão vagos
e
por não os querer mais,
vai..
teu romeu é aquele que te sabe..
não este,
que se/te perdeu.
Poema de Azke.
Eva
de bar em bar
de espelho em espelho
emendava um cigarro no outro
uma hora na outra
tirava o fôlego da foto
de tanto olhar
beijava o ar, a rua
desfiava o arrastão da meia pelas ruas
toda Eva sofria
rasgava o tango
a noite girava debaixo dos pés
o salto chora o quebrado
sem ninguém
dói indiferente
recosta a sombra
com um brinco só
na brita quente
a vida vira asfalto
por dentro vasculha como faca
o rastro não perde o perfume
não adormece
fico em vigília
Poesia de Vânia Lopez

