Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Palavra Andarilha
Vazia é a palavra que não anda
Não se desloca
A palavra que anda
Traz sentido
Intervalo para o entendimento
A palavra andarilha anbre trincheiras
Existência
Experiência
A palavra resolve se anda
Se cai
Se escorre
As vezes se esconde
ou inesperadamente se mostra
A palavra se desloca
e cria e recria territórios
Eu palavra nômade
Nós palavra andarilha
Andar é deixar de ser ilha
Palavra fluxo
Palavra refluxo
Palavra andarilha
Poder implícito
De quem se recria.
Ivone Landim.
Cântico II
Esta árvore?
Quantas vezes
Já morreu e nasceu
Este pássaro?
Quantas vezes
Já morreu e nasceu
Estas montanhas?
Quantas vezes
As marés já
Me raptaram e devolveram
Este mar?
Quantas vezes
Já morreu e nasceu
Este corpo?
Olho agora
Eternecido
Para meu último renascer,
Para o meu mais recente parecer.
Filho,
Devo dizer-te:
Já fui,
Já fomos
O trilo
Do pássaro,
O grilo
Que tem no bico,
Já fui,
Já fomos
O seu pipilo
Ao nascer,
O pistilo
Da flor
Antes de morrer,
O silêncio
E o sigilo destas serras,
O céu
Quando me rutilo
Em nuvem, em sol
Em mar.
Porque ontem,
Hoje, amanhã
Fui homem,
Pássaro, mar,
Esta manhã
Que, em breve,
Morrerá,
O Cáspio
Ou Egeu
Nos refolhos do eu.
Já estive roto,
Todo sujo
E magnificamente
Pintado
Num vaso etrusco,
Já estive
No esgoto
E no luxo,
Mas sempre cerúleo
No âmago de tudo,
Porque a consciência
Mesmo ciente,
Se perde,
Esvanece,
Mas a matéria
Permanece,
Se atreve
Contra o momento,
É o próprio manto
Espaço-tempo,
O início,
O Quantum.
Porque ontem,
Mais uma vez
Vi a flor e a tez
Que fui, que fomos
No féretro,
No moribundo
Ou na prenhez
Do mundo,
Vi como fui,
Como um dia apareci
Antes de assim parecer,
Mais uma vez,
Antes do que sou,
Deste corpo
Esvanecer-se
Ao morrermos.
Vi que a memória
Da matéria
É a inércia
Desses montes,
Algo que jamais esquece
E guarda-se sempre
Do discurso, da prece
Ou da quimera
De quem se desespera
E se nega
Para nos impingir
Uma única vida
Eterna,
Enquanto somos tantas
Que perecem.
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados
domingo, 26 de agosto de 2012
...que ao abraçar já não pode me apontar uma arma
Autor: Vânia Lopez
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Como estás, estimado amigo
envelheço
com os dias tão estranhos sujos de vida e lentos
e tu como vais
tenho saudades
dos tintos naqueles balcões vidrados
até que a mulher nos chame
por vezes a tua
noutras a minha
esta terra tem boa gente e bons tintos
e muitas inconsequências
não achas, amigo
quero saber como andas
não digas que bem
as tuas olheiras trazem metáforas
e todas elas dolorosas
eu escuto
por hábito
porque estou contigo
desde há muito tempo
que quer dizer sempre
sempre é uma palavra de amizade
por onde andas, diz-me
manda uma carta-poema-diário
como costumavas fazer
numa destas tardes
levei o meu desemprego a passear
sentei-me no cais do rio
ao pé da ponte velha
com uma lata gelada de cerveja
um pacote de pão e fatias de presunto
fiquei ali a ver o reflexo da ponte no rio de prata
lembrei-me de ti
ali a meter fatias de presunto
em fatias de pão de forma alentejano
e os turistas a olhar para mim
e eu a comer e a beber a cerveja
ainda pescas, grande amigo
robalos percas trutas
eu pesco poemas e mulheres bonitas
sozinho sempre com a companhia
dum pequeno rádio que canta coisas antigas
até as pilhas acabarem
saudades, amigo
agora vejo petroleiros
fábricas vazias na outra margem
e as gaivotas
vivemos num pais tão sossegado
será que morreu
Poema de Carlos Teixeira Luís
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terça-feira, 21 de agosto de 2012
quem entender o gesto de um piscar de cílios...
(tem quem chame de inferno)
eu afirmo que é nesse rosto de menino que tudo se justifica... devolves aquele sorriso nas dores que não existem, com um cântico nos lábios, faz da noite um turbante invisível que desejei ter rezado...
Autor: Vânia Lopez
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Sarau Donana

É neste sábado dia 25/08 apartir das 19:00 horas, mais uma edição do SARAU DONANA. Convidados Especiais: Lírian Tabosa (Poeta), Claudio Camillo (músico e compositor). Apresentação do grupo Pó de Poesia. E teremos exibição dos curtas: Toques de Sancofa, Entre Grades. Local: CCultural Donana, Rua Aguapei, 197, Piam, Belford Roxo. E lembre-se
e você faz parte desse encontro!
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
[Das pétalas espalhadas pelo chão]
apanho-as uma a uma,
chamar-lhes-ei de vida.
E quando as coloco em vasos de cristal,
onde o sol bate desde a aurora,
vejo-as renascerem em flor,
acolhem-se então as aves fugitivas sem poiso.
Da nudez de sonhos teus, qual tafetá que te cobre,
tento agarrar algum que seja,
enquanto a noite aguarda o nascimento de uma nova estrela cadente,
chamar-lhe-ei então de encantamento.
Quantas estrelas encerras em ti, perguntar-te-ei.
Poema de Ricardo Pocinho (Transversal)
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sexta-feira, 17 de agosto de 2012
carochas, bicicletas & biplanos - 37
Eu estou um pouco farto mas ainda a ver como envelhecem mais ainda esta trupe de loucos. Loucos milionários. Uma fórmula que deu resultado. Encarnam o que milhões queriam viver, bem lá no fundo. Mantêm as caricaturas e personagens na linha do que o público espera deles e é vê-los a encherem os estádios. Uma geração, diz-se. Já é mais do que isso há muito tempo. São lendas porque duram. Já lá vai o live fast, die young. O que se admira é a longevidade, o velho sonho que volta. A velha, muito velha utopia. Vida longa. A fazer-se o que dá na gana. A maioria dos que os vêem nos concertos quer ser assim. Não podendo, veneram quem pode. Ou quem encena que pode. São palhaços metafísicos. Que aplaudimos faz 50 anos. Não acham que já chega?
Autor: Carlos Teixeira Luís
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carochas, bicicletas & biplanos - 35
Mas o filme-metáfora de outras coisas – as coisas que queremos usar e imaginar, para mim um belo um tratado da arte de Fugir. Fugir apenas. Há sempre uma fuga possível para bem longe mas também há o retorno da fuga. Uma outra fuga dentro da mesma, com passos perdidos que nos levam não para longe mas que não deixa de ser fuga. E tu de que foges. Para onde… Não te inquietes, vê o filme, por exemplo.
Retorno. Regresso. Outra espécie de fuga. Andamos fugidos e nada convictos de que seremos agarrados. Nem o espelho nos reconhece. Quem é este que me observa? E aquele que se afasta? A viagem. Eterna.
A paisagem dentro de nós. Através dos filmes das cançonetas de fronteira e dos blues desmaiados em lento ardor de deserto. Com a lentidão das árvores africanas mas noutro continente. Há uma estrada que não termina. Uma route interminável e antológica. Índia e selvagem, poeirenta e sábia. Tudo fica em nós até se desvanecer lentamente na memória.
Autor: Carlos Teixeira Luís
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012
[Naquele caminho onde as náiades nascem]
existirem invernos que ruiram, qual o som das estrelas
penduradas nos mastros de navios pelejando o mar,
encontro apenas silêncios.
Olhar meu que procura infinitos luares
cercados pelo breve vogar das estrelas cadentes,
tudo recomeça,
tudo ruiu antes, até a floresta
que abrigava o descanso dos rouxinóis.
Serão mutações quão interminável vida
tantos estes solilóquios sem chama,
esconderijos, dizias-me,
quando te sentavas a meu lado,
olhares juntos, perdidos, sobreviventes.
Hoje, as náiades dançam em rios lá longe,
onde a vista não alcança,
onde não te alcanço,
onde silêncios são enterrados,
[pudesse eu parar-me no tempo...].
Poema de Ricardo Pocinho (Transversal)
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quarta-feira, 15 de agosto de 2012
rasgue as vestes num pano de guardar silêncio
traga qualquer chuva, uma garra delicada
menor que uma palavra
rouba-me a alma como quem rabisca o sagrado
deixe (só) meu vulto ao redor
converte-me em veneno
quiçá uma assassina ardente
que mata de modo suave
lento... súbito
rogai-me em tua boca
como sinos imóveis
peito em suspensas fugas
... num mundo tão morno
brinque com o verbo e o tempo
traga-me o infinito em golpes precisos
como uma oração cantada
desenhando o pecado
longe do tempo e das horas
como quem sopra o ar e nada vê
porque está olhando com olhos sem firmamento
guarda-me em um par de asas
no mero abandono de um silencio
Poema de Vânia Lopez
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terça-feira, 14 de agosto de 2012
carochas, bicicletas & biplanos - 34
Embora os primeiros episódios sejam cheios de mamas e sexo como forma de marketing para se viciar espectadores e embora a história aconteça aos tropeções vão surgindo momentos brilhantes e dum realismo interessante. Como a tradução da série pretende: No Limite. Todos os personagens vivem no limite. No meio das caricaturas do pretenso real, há uma mensagem que perdura e é feliz na sua representação. Uma ideia de família, de comunidade, de entre ajuda. e nesse sentido não podia ser pior nem melhor. Podia ser bem pior e nada melhor. Podia passar-se contigo. Comigo. Mudemos o verbo: Não pode ser melhor, nem pior. Ponto assente. Sem vergonha. Apenas vida. A de todos os dias. Com os que estão connosco. Família ou os que estão connosco, amigos ou outra coisa qualquer. Sempre sem vergonha. Nos filmes são todos bonitos. Não há verrugas, nem excesso de peso, se o houver é sempre glamoroso. Nos filmes os dias passam e têm música sempre a acompanhar. Não se ouve os gritos nem o som dos automóveis na estrada a seguir ao nosso inferno. Mas isso é nos filmes. Aqui ao pé de nós só há gente feia e gente velha e gente desdentada. Nem bons nem maus. Apenas gente.
Na série temos William H. Macy como pai ausente e alcoólico. Um pai que prefere aleijar-se e receber do seguro a qualquer tipo de trabalho. Uma figura execrável que só um bom actor consegue mostrar. A figura central da série – a personagem que se odeia. Quantas vezes, no mundo real não é assim mesmo.
Jul./Ago. 12
Autor: Carlos Teixeira Luís
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carochas, bicicletas & biplanos - 33
Assim que cheguei a casa, violei a minha própria regra e escrevi um poema de um só take, desculpem a expressão mas pareceu-me como que filmado mais do escrito. Sempre que quero sair o clube manda um cobrador a solicitar o pagamento de mais uma quota. Chega a ser opressivo. Como qualquer cobrador sempre impõem uma silenciosa ideia de desconforto ou de que algo de perigoso nos pode acontecer e jogam com o que não sabemos. Será que nos partem as pernas se não pagarmos? Nos riscam o carro? Invadem a privacidade manchando uma certa reputação adquirida? Podem fazer isso e outras coisas até nos convencerem a pagar? A simples ideia proposta por nós próprios quando avaliamos a atitude de quem nos assedia com um dever não cumprido causa-nos terror e é dentro desse jogo psicológico que o cobrador vive. Bem, ainda estou a falar de poesia? É a poesia um clube em que não se admite sair? Por exemplo, sair para nunca mais voltar. Ou sair para voltar se houver a vontade de o fazer, com a indefinição desta mesma medida. Por vezes é encarado assim. Poeta, logo poeta para sempre. Não concordo. Neste sentido, e só neste sentido, nunca literalmente, proponho de vez em quando, espancar o cobrador e ordenar-lhe que não volte. Um ataque frontal como defesa. Talvez ele nos deixe em paz. Ou mande outro cobrador mais sólido com outra capacidade de resposta e outras ideias perversas com o fim de nos convencer a voltar ao clube. E já que entramos no jogo, com violência, que é fértil em se multiplicar até á ruptura. E ainda estou a falar de poesia?
Bem, a poesia não é algo dominável como por vezes se pretende. Vai e volta quando quer e comporta-se como um rude agiota que cobra o que não podemos pagar. Ou não é assim e devemos atribuir misticismo ou divinizar a origem do acto de criar. Temos a liberdade de escolher o que bem entendermos. Eu não faço a mínima ideia de que escolher. Vou espancando o agiota de vez em quando e espero o dia seguinte, não antevendo nada. Absolutamente nada.
Ago. 12
Autor: Carlos Teixeira Luís
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Campo vasto...
Ejaculo...
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
é para dizer que parto
sentado, estaria sempre sentado
e vou escrever-te,
hoje,
que o vento é apenas um leque de flechas
aos pés
e só depois um salmão roendo foi
os teus moinhos de asma
e esse tojo coado para o mar.
E, hoje,
põe-te sentada,
o teu amor tem a urgência de uma metáfora
e essa podia bem ser o chão
do nosso quarto
quando a encontro de repente.
E, hoje,
não vejo os pássaros,
e por ser tarde conseguia ter os carros
como nuvens numa rota do nosso mel,
e correria pelo teu corpo
para dizer que parto
meu amor
Poema de Francisco Eugênio Seixas Trigo
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domingo, 12 de agosto de 2012
"bater, bater.."
parte da soma que te guarda o arremessso?
lépido ensaio de corpos e laços, tal.. conforto-adereço?
é um êxito ao culto dos sonhos-inclusos e fins?
algo deixado em amostras aos controles de ti?
é a fuga?
é a letra-toda-puta que desnivela um acto de pele?
uma noção do inferno que te refere às letras leves e que nao deixei. entrar?
é uma carta-rifada, sem consulta ou inércia operante?
uma criação errante de ilusão e anedóta fria?
é a lua mentirosa no céu linear?
é métrica qual lâmina que nao te pode desfiar?
ou..
é o tempo?
olhos fartos e/ou.é o preço que te compara em um
outro..
..exemplo?
é a lima que te serve em cela da minha vã expiação?
o meu pecado em alvo-consorte de vozes inteiras?
às
mesmas exceções e maneiras, que
um
dia,
o meu lar.. te reclamou?
..
eu cumpri a minha submissão em teu templo de factos
em decidi nao destruir o teu livre início que te faz retrato
eu. nem ao menos, agora sei em que partitura, te aquecer
nao te sei aos meus ensaios, minhas quedas ou te prever
qual lembrança que te seja em mácula da corda que rescindo
à luta mais curta de um hábito todo fixo ou culpa que te insiro
qual conto breve e advertido à forma impressa da que te há
da cena que te abstém, da premissa, de cada porém, deste ar..
..em queda,
em
algum outro lugar.
(toc, toc..)
Poema de Azke
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sábado, 11 de agosto de 2012
[Esqueço-me dos dias, restam noites abandonadas]
silêncios alguns,
sombras que voam em frenesim,
quando encontro a minha, apiedo-me sem razão.
Tempos estranhos, delírios
intermináveis,
de nada valeram sonhos, encontros, fugas,
resisto-me.
Descalça te imagino, cousas minhas,
cabelos desfraldados ao vento que vem de norte
tapam o sorriso que sempre sobreviveu em
esconderijos meus,
que sejam secretos qual o invísivel rorejar disperso pelos nossos regaços numa manhã cendrada.
Assim a noite pariu arco-íris, afirmo-te.
Assim a noite escondeu os silêncios das sombras.
Assim se libertou o perfume do rosmaninho que cobre
as falésias por segar.
Poema de Ricardo Pocinho (Transversal)
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