Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



quinta-feira, 11 de julho de 2013

Pó de Poesia e Movimentos Enraizados: juntos e misturados

                                                         Slow da BF


                                                        Marcus Vinícius


                                                    Camila Senna


                                                                Idimarcos



                                                                  Moduan Mattus

                                                       Maria Luíza Rodriguez


                                                               Marcio Rufino



                                                   A poeta Sil e sua filha Marília


http://youtu.be/VJjSbeE2s2M



http://youtu.be/Vh0CG2juNmk


http://youtu.be/3NsiSGdvIhY

http://youtu.be/hWcoYN3BSr0


http://youtu.be/r37xJcO7Ha4


Em maio O Movimento Enraizados promoveu o evento Banca Free Style em sua sede em Morro Agudo, em Nova Iguaçú onde rolou muito hip-hop, rap e poesia. O Pó de Poesia não deixou de estar lá junto com outros poetas da cidade.

sábado, 22 de junho de 2013

Silvano e Taís

Irmã,
Eu beijo a serpente
Eu mordo a maçã.

É quando acordo
Pela manhã
E estás nua
Na minha cama,

É quando acordas
E me falas
Das náiades,
Dos bosques e romãs.

É quando vejo
Que guardas
Entre as pernas
As nossas horas
Mais fraternas,

É quando me ofertas
A flauta de Pã,
A noite
E as cortesãs,

É quando dizes
Que odeias o Tebaida,
E que tua casa
É a opulenta Alexandria,

É quando confidencias
Que enganaste
O monge cenobita
E que jamais deixaste
De ser uma hetaíra.

É quando me despertas
De um quotidiano
De culpa e engano,
Bafejando-me,
Junto a cascatas e fontes,
O alegre nome:
“- Silvano, Silvano, Silvano...”

Oh, irmã,
És Taís
A devolver-me
A meu verdadeiro país!

Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.

sábado, 1 de junho de 2013

Silvano

Silvano é alegre!
Sinto amor,
Sinto febre,
E corro nu
Como as gazelas
Atrás de lebres
E donzelas.

Seduzo as mais belas
E nos eflúvios do álcool
E da cocaína
Faço amor com elas
Porque amar
É minha sina,
Viver entre mancebos
E concubinas,

Ao som
De tambores e flautins,
Ébrio de orgias
E festins
Com efebos e meninas.

Ah, viver no enleio
De braços, pernas
E seios,
Devasso
A sempre cair preso
No laço dos desejos.

Pinto o rosto,
Ponho máscaras
E levo ao riso.

Impressiono,
Cabotino,
Mulheres e meninos
Só para ter
De rosetas e falos
Os altos páramos
De um orgasmo.

Beijo, beijo, beijo,
E amo com ardor e pressa
Porque a morte é certa
E a velhice é ruína
Sem qualquer promessa.

Porque só no gozo
Antevê a alma
Aquela profunda calma
De não carecer
De ascese ou cabala,
De sentir-se livre
De todas as jaulas –
Êxtase do nada!

Silvano é alegre!
E não há
Como não sê-lo
Quando o dia é breve,
Mas repleto
De promessas
E enlevos.

Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.

domingo, 26 de maio de 2013

"hades,"

(vai. e..)




despe! a condição por outra hora em cortes-motivo
ao linho das vestes que te cobrem o todo gosto
breve! minha íliada repartida em suaves laços teus..

horizonte destas peças insanas e um livre arbítrio..
..de nivelá-la pois, de início e ao pouco ato do corpo
era tão breve.. este passo, este alvo: e desprendeu


deu-te cordas em soltas formas e agora, balança
pelo ar, pelos tais meios que te contam, (e)à chama
ora, me dorme o teu lado possível, teu esboço, até..
a minha mão me espreme, os meus olhos vão em pé

e. pé ante pé, eu teimo! à cada causa voraz que(a) cair
e. pé ante pé, eu queimo.. o meu inferno e o teu nome lá
por referir-me em exato proposto réu deste reino a ruir
por descer-te à metade do que bem espero onde não te há


Soneto de Azke

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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Aos homens


Amar uma mulher
É deixar de ser Narciso,
É aprender a amar
Aquilo
Que não se parece comigo.

Amar uma mulher
É negar a própria mãe
E, entre dois seios,
Armar e amar
Um novo ninho.

Amar uma mulher
É querer ser de novo
Menino,
Renovo,

É o mais belo gesto
De altruísmo,
É querer ir além
De todo o egoísmo

E encontrar
O que, em nós,
É feminino,

O múltiplo no uno,
O que outrora
Nos foi dividido.

Amar uma mulher
É sobretudo
Morrer
Nas orlas dum umbigo
E renascer,
Ouvindo-a cantar
Uma canção, um hino.

Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados

sábado, 18 de maio de 2013

no salto, no batom e no Gros...

três drinques atrasado
o celular toca.
era aquela voz...
mais importante que tudo
(até) que comprar um vestido novo.
bah, para o começo do apocalipse!
Bahhhh!
só vou atender mais hoje...
(eu juro!)
afinal,
nem fui eu quem matou esse tal de silencio.
e amanhã,
tenho uma péssima memória
... e o celular idem.
depois,
compro uma passagem, e sumo.
(nunca tão perto... que possa atender de chinelos)
o mundo nem vai precisar da ONU.
Deus há de entender!
não atender, hoje em dia, é crime!
... ainda não dá cadeia.
(dá pra acreditar?)
mas... se passar pela mãe
é mortal.
(três tiros)
direitos de uma voz?
(nenhum)
e acaso alguém já imaginou
um humano depois de três drinques...
declarando guerra a um celular?
(aí só cortando relações)
pelo amor de Los Angeles
faço um orçamento de penitência
sozinha no banheiro, com a luz apagada.
retribuo em orações.
no salto, no batom e no Gros.
um lençol, um cobertor, uma Bíblia.
pelo meu ego e o de minha mãe...
vou viver acima de dez centímetros 
do abismo de um celular...
mesmo que essa voz... saia aos gritos.
to pronta.


Poema de Vânia Lopez

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quinta-feira, 16 de maio de 2013

sábado, 11 de maio de 2013

Até que surjas com a alva, querida...

Antes...

busco-te, incessantemente, querida
porque não vens, cobrir-me, agora
com teus beijos, carícias, delícias,
aliviando o amor que aflora

ah...! Verei-te, verei-te, ataviada...
coroada com flores e honrarias,
subir, com majestade, as escadas,
sob vozes: "Deixai subir a rainha!"

haverá na terra, melodia suave
e, no céu, revoada de andorinhas,
E com essa alegria que já não me cabe
Beijar-te-ei e direi-te: "És minha..."


Durante...

Acordai, gorda preguiçosa, vadia
que ronca como uma porca medonha
vai lavar aquela louça na pia
ao meio dia ainda babas na fronha

escovai, urgentemente, os dentes
teu hálito causa-me ânsia de vômito
ah, e tens asseado-te recentemente?
ou lembras a data do último banho?

como enfada-me tua presença
tento descobrir o que vi em ti
saio, se vens, sem licença
quando apareces penso em sumir


Depois...

Sr Juiz, quero nesta partilha
a posse de todos meus bens
pagarei, de bom grado, à três filhas,
a pensão que lhes convém

soltas as amarras, estarei livre
para envelhecer com dignidade
e a alegria que à muito não tive
me espera nas praças de toda a cidade

Ah... só, enfim só! que alegria...
Daria poesia se eu fosse poeta...
Mas, pergunto, agora, nesta cozinha,
quem lavará as minhas cuecas?


Bem depois...

Até que ela era legal, penso assim,
não sei se é saudade ou nova paixão,
mas, será, que, hoje, aquela infeliz,
está feliz com o Ricardão?

...


ByCláudioCHS


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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Sonho


Sonho
Que fujo
De monstros
Medonhos,
De tigres que me devoram
O próprio sonho.

Sonho
Que me cortam
O que tenho
De mais doce,
O fruto,
O sonho,
O pomo,
O que me faz sentir
Ereto, eterno
E todo.

Sonho
Que já não há
Mais festas e momos
E que em nossos
Lábios sôfregos
Resta só o choro,

Uma lápide
Sobre os beijos
Que damos
Sem nenhum recato
No meio da rua
Do nosso anonimato.

Sonho
Que meu sonho
Seca nas rugas
De um velho tardonho,
Enregela-se nas verrugas
De um casal tristonho.

Sonho.
E não há sonho pior
Do que sonhar
Que o próprio sonho
Naufraga em alto-mar,

E acordar sem saber
Se estive a sonhar
Ou se meu sonho
Foi só um sonho
A cismar ao luar.

Felipe Mendonça -
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domingo, 5 de maio de 2013

Qual de mim sou eu...?

Aqui, o poeta
não é simplesmente
um gênio do conhecimento
dos sentimentos humanos;
na verdade,
não há gênio
(e nem conhecimento),
o que se passa
é que não passo
a palavra
a personagens,
nem empresto a voz
a ilustres heterônimos:
dividem-se, em mim,
dois pólos,
que não se comunicam,
não dividem o espaço;
cada um,
a seu tempo,
preenche-o completamente,
assenhoreiam-se,
dominam-no,
como se não tivera
outro dono.
São pólos inconciliáveis,
incomunicáveis,
incompatíveis de gênio.
Senhores de si
e as vezes de mim,
confundem-me,
são cheios de razões.
Não sei o que sou,
são parasitas...
alimentam-se
da minha consciência
e só percebo
que não são eu
quando se vão,
mas... alternam-se
tão rapidamente
que nem tenho tempo
de ser eu mesmo...
Eu? Desculpem-me:
quem sou eu...?
Não sei...
Só sei que não sou eles
(mas também não sou eu...)
pois no curto espaço
de tempo
em que se ausentam,
sou apenas
o vácuo,
vazio absoluto...
Deus, olha pra mim...
e cura-me!
antes que julguem-me,
e condenem-me...
porque
ninguém
irá
exorcizar
o que não são
possessões,
mas dualidades:
euforia e medo...


Poema de byClaudioCHS


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domingo, 28 de abril de 2013

"em porta,"

habita-me! agora, e à alvorada em falha da tua mão
da tua venda.. toda criada a partir desta parte convulsão
ou aparente sentido de te trazer à tona: ilha, minha ilha
minha terra de planagens desfeitas e ilusões à revelia

cálida, breve, cipreste, tão.. penitente de distâncias..
tão exercício da divina providência que te trouxe a mim
ao meu erro parecido, minhas glórias e ditas-infâmias
ora, sou. este lado em disparate, porem é por ti, que vim

hoje, e sempre.. onde me for à resistência de te tentar
hoje, e amanhã. posto repente que te denota terra e mar
eu trafego este conto sonhado, aos meus livros trocados

eu entrego à palavra do teu corpo, auditório de pele e voraz
mesmo que te neguem estes ensaios, estes pactos de paz
são os meus espaços deitados ao teu arbítrio ilícito, imediato..





então,
deixa-me entrar!(ora, me convida..)



Soneto de Azke


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terça-feira, 23 de abril de 2013

Não há nada que possa ser feito...

Não há nada
que possa ser feito
Se há, não sei como
Não há nada a dizer
se há, não consigo expressar
Não há nada a buscar
se há, não sei a quem pedir
Não há luz e nem caminho
se há (e sei que há)
não vejo porque estou
na escuridão de mim mesmo
Mas lanço meu grito silencioso
E aonde estiver Deus
ou alguém que encontre meu escrito
que abra e leia: socorro...


Poema de byClaudioCHS


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domingo, 21 de abril de 2013

(abra-me) minhas orações são como cinzas na boca...

agora que você tarda
vou despir do cabelo o coque.
o mar, as velas, as nuvens, as pedras das ruas,
o fundo das próximas horas.
o fundo do rio que pego na minha mão
e ele... corre através de meus dedos e se (es) vai

me deixa a paz com palavras capazes de encher os lábios.
uma casa.

tento segurar-te para que se contenha.

o que não ouso dizer
eu me fundo.
escrevo sobre a água
a noite eterna.

uma fagulha...
eu caio na chama.



Poema de Vânia Lopez


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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Mulheres brilharam no Sarau Donana de março






                                     A poeta e agitadora cultural Ivone Landim apresentou o Sarau          


Mara Ribeiro falou de sua Associação de Mulheres Negras Candaces

                                                       Ramide Beneret


                                                                  Marcio Rufino


                                                    Ivone Landim é homenageada por Marcio Rufino



                                                                       Doris Barros

                                   Doris Barros, Katia Nardi, Ivone Landim e Cássia Cabral


A cantora Jussara Gomes e o músico Bruno Oliveira


                                                            O músico Rodrigo Araújo


                                                 Mulheres dançam o jongo


                                               Ramide Beneret, Valnei Ainê e Dida Nascimento


                       
  Camila Senna




                                                            Ivone presenteia as mulheres



Março foi o mês da mulher e o coletivo Pó de Poesia e o Centro Cultural Donana realizaram na noite de sábado do dia 30 o Sarau Donana - Coisas de Mulheres. As poetas Kátia Nardi e Claudia Valéria Mikelloti foram as poetas especialmente convidadas e junto dos poetas do coletivo Ivone Landim, Marcio Rufino, Camila Senna, Ramide Beneret, Doris Barros e dos ilustres visitantes Matheus José Mineiro e o grande Wellington Guarany do Poesia de Esquina deram o tom da poesia nesta noite abençoada por uma doce chuva. A magistral cantora Jussara Gomes e os músicos Bruno Oliveira e Rodrigo Araújo abrilhantaram e encantaram a noite com grandes clássicos da MPB e a Associação Palmares contribuiu com um show de capoeira e de jongo.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

EDEN / JAMES (Arnoldo Pimentel)



EDEN

Tenho amigos que viveram entre sem tetos.
Sei que aprenderam e ensinaram,
E o quanto ainda ensinam e fazem sorrir.

Houve um tempo
Em que a minha janta era sopa de legumes,
Eu almoçava e jantava sopa de legumes.
Todos os dias, durante quatro anos seguidos, foram assim.

Nem por isso eu deixei de gostar de sopa ou de legumes.
Nem por isso eu me sentia menor.
Sei que dali tirei muito coisa boa que até hoje existe em mim.

Numa noite eu queria ver,
As 2:30 da madrugada, o que existia
Ao Leste do Eden.
Trabalhei até as 2:00 da madrugada

Mas consegui ver o que existia
Ao Leste do Eden.
Acho que  James nasceu ali.

Arnoldo Pimentel

JAMES

Olho ao meu redor
Para ver quem eu sou e me encontrar
As árvores estão na paisagem
Com os galhos virados para o infinito
Assim como minhas mãos e meu coração
Em busca das benções de Deus
O rio percorre o leito estreito
No âmago do canyon
Para encontrar a liberdade a céu aberto na pradaria
Olho no meu interior
E vejo as pessoas que eu amo
E as pessoas que me amam
E vejo seus corações
Onde sempre estarei

Arnoldo Pimentel

Onírico Mutante



Meus sonhos são todos fragmentários
Onde personagens e ambientes
Mudam constantemente
Em momentos inesperados e fantasmagóricos.

Tudo se dilui e se refaz
Num sentido dinâmico e sagaz
Criando mosaicos virtuais
Com contornos reais.

Disso tudo só fica a angústia
De ser eu o mesmo nesta seara
Mutante, volúvel e anárquica

Doce e dolorosa como uma diáspora
Que me faz ser único numa apatia
Onde tudo que é concreto se evapora.

Marcio Rufino
Imagem: Ana Luisa Kaminski