Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



domingo, 6 de junho de 2010

FLOR DO MEU AMOR



FLOR DO MEU AMOR
(Poesia inspirada no quadro da artista plástica Gabriela Boechat)

Talvez eu não tenha
Nascido na claridade do dia
Mas a flor que te ofereço
Tem a mesma cor dos meus olhos

É tão frágil como meus lábios
Tão doce como a paz
Que procuro em seus olhos

Tenho passado por dias de tormenta
Anos de solidão
De aflição
Sem que ao menos olhem
Meu coração

Mas mesmo assim ofereço essa flor
Sinônimo do meu amor
Da minha esperança em igualdade
Da minha esperança em poder andar livre
Pela minha cidade

Minha esperança em entrar no ônibus
E não ser obrigada a viajar de pé
E se sentar não ser arrancada
Arrastada
Mesmo que todos os bancos estejam vazios

Minha esperança de ter realmente os mesmos direitos
Os mesmos defeitos
Minha esperança de não viver mais
À margem da vida
De não ser sua ferida

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Solidão




eu queria ver
não só o escuro
e as cores
do mundo
queria virar
de lado,
na cama,
e ver um corpo
pulsante
e etéreo,
com sexo frágil
ou forte,
me olhando
nos olhos dizendo:
tô aqui,
não vou embora.

Jorge Medeiros
(23-05-2010)

A melodia da Vitória...



Construí um Castelo.
 No mesmo, havia um Príncipe e uma Princesa.
 Só tinha dor...
 Mas as algemas se arrebentaram...
 E o castelo foi libertado.
 Restaurado e autorizado.
 A não mais padecer...
 E só querer crescer.
 Não tinha amor...
 O rio que outrora era seco, transbordou.
 Não tinha alegria...
 Mas a andorinha trouxe de volta o canto para nosso encanto.
 Não tinha paz...
 Mas a vontade de ser tenaz, nos trouxe sinais de chuva.
 Chuva essa, que movimentou as águas paradas...
 E nos deu uma guinada na estrada malvada.
 O Castelo está erguido, e não mais ferido.
 Restituído ele foi.
 O Príncipe e a Princesa...
 Era um casal normal, que almejava ser vital, nesse mundo de meu Deus...
 Queria os seus na luz, e não no breu.
 E os incrédulos que os serviam e conheciam...
 Passaram a crer em demasia, que um ser pode ter ousadia e ouvir a melodia.
 A melodia da Vitória!

Camila Senna

Sumário dos dias














Por onde passaste e te perdeste
Num mar de procelas borrascosas?
Nem mesmo tu sabes protegido
Por quatro paredes que te encerram.
Lá fora o dia é sem precedentes.
Não há nada igual e os homens catam
E contam calados as ruínas
Dos corpos imotos, sem desígnios,
Co’a comprida vela esfarrapada
De um lenho repleto de naufrágios.
Quiseste transpor o bojador
E êxito lograste em tão extensa
E arriscada empresa, porém não
Transpuseste a dor da solidão,
De quem pelo mar, expatriado,
Regressou sem fé, feito em pedaços.
Calecut alguma divisaste
Ao fim da jornada para a glória;
Viste tão somente um breu profundo
De abismos e pântanos sombrios,
Que é a própria máquina do mundo;
Mares em que não discernes céus
De amorosa estrela cintilante
Que a Deusa averruma no horizonte,
Pois toda a alma nasce sempre imensa
Até se encontrar co’o mar e ver
O quanto é miúda e sem destino,
Até defrontar-se co’as metrópoles
E ver-se sem alma na rotina.
E agora de volta para casa,
Anonimamente conduzido,
Melhor compreendes o que foste,
O que és e serás na tempestade
Íntima de ser que se procura
Sempre no maralto da cidade.

Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

PARALELAS DA SUA VOZ



PARALELAS DA SUA VOZ
(Poesia inspirada no quadro e na música Nu da Minha Voz)
(Dedicada a Sérgio Salles-Oigers)

Eu também não tenho mais voz
Mas vejo o colorido da sua voz
Que se espalhada pelos quatro cantos
Em busca de um céu com ou sem prantos

Sua voz que invade nossas casas
Por entre os olhos da liberdade
Liberdade de poder cantar
De poder amar

Sua voz que faz dos acordes do violão
Muito mais que apenas uma ilusão
Muito mais que perfume de jasmim
Que sonhos sem fim

Sua voz que faz uma paralela com a poesia
Paralelas que se encontram
Que se misturam todos os dias
Para sua voz não poder calar
Para sua voz nos encantar

Autor: Arnoldo Pimentel

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O Monstro Teimosia



A vida é uma ilha flutuante
Sem porto fixo, sem norte.
Quanto mais se nada em sua direção
Mais ela foge.
O desejo vive nessa ilha.
Sedento, faminto, leproso.
Cego, banguela, horroroso.

Do alto mar já se vê o Morro do Pensamento
Onde as asas de Deus protegem a todos nós.
Atrás do morro vive um monstro bonzinho
Que estrangula
Mas só aperta e não machuca.

É o monstro Teimosia
Animal feroz que come as próprias patas
Para escapar da armadilha.
As patas são digeridas e defecadas.
Depois renascem firmes
Com as garras ainda mais afiadas.

E em todo esse emaranhado
Minha mais nobre atitude
Foi em cada lugar que passei ter deixado
Um pouco de meu pecado e de minha virtude

Monstro Teimosia que conta o irrevelável.
Monstro Teimosia que se transforma em noite
E nos banha de prazer e mistério.
O beijo que não se deu.
O sexo que nunca aconteceu.

Com o vento eu corro, pulo e rastejo.
Em qualquer brejo, em qualquer engenho.
Eu sopro em qualquer lugar
Mas ninguém sabe de onde eu venho.

E em todo esse emaranhado
Minha mais nobre atitude
Foi em cada lugar que passei ter deixado
Um pouco de meu pecado e de minha virtude.

Teimosia inexorável, soberba, sonhadora.
De gosto louco, bêbado, exótico.
Conivente com monstros depravados
Que se acariciam
Em frente à gigantesca tela plana de cinema erótico.

E quando as ondas duramente retardadas
Do mar Cáspio do meu riso
Baterem nas pedras moles da minha segurança
Eu vou me banhar num fumegante rio
Para que muito além do meu calcanhar
Seja meu corpo todo uma bonança.

Teimosia que não quer eu seja o sapo que se transforma em príncipe
Mas que que eu seja o sapo que devora auroras.
Teimosia que não que que eu seja o cão
Que se faz de anjo de luz para iludir e enganar
Mas o cão que ladra para a luz da lua
Para acalentar o sono e sonhar.

E em todo esse emaranhado
Minha mais nobre atitude
Foi em cada lugar que passei ter deixado
Um pouco de meu pecado e de minha virtude.

Marcio Rufino
Todos os direitos reservados.
Não entro mais
em mim mesmo
pois fico assustado
com as estranhezas
as quais vejo...
Pensar consome
as entranhas ...
Prefiro namorar
com a impessoalidade...
Corro para meu quarto
e admiro a geografia
que o decora,
as cores são
de um vermelho intenso,
quase um sacrilégio...
As janelas possuem vitrais
como os das catedrais...
Gosto do recolhimento
de monge
que apura
cada sutil toque
que a natureza propicia.
Abro as janelas
a ventania traz gotículas
de chuva-de-vento
e acaricia
minha pele
nua e crua.

Jorge Medeiros (07-11-2008)

É só esperar o outro dia...

 

Tem sempre um dia, em que o sol não nasce.
As flores não se abrem.
A lua se esconde.
O sorriso sai sem graça.
A tristeza te ameaça.
A brisa leve, sobre a poetisa se esquiva.
Coração abatido fica.
As palavras saem sem rima.
O corpo não se anima.
Olhar tristonho regado de lágrimas persiste.
Sentimento fragilizado sobre o céu nublado insiste.
Rua vazia na escassez de poesia, que é ironia.
Alma melancólica esperando primavera, que é fantasia.
O que me resta, é esperar o outro dia,
e crer que minha alegria vai fazer moradia.
E a mulher audaciosa, vai voltar cheia de energia.

Camila Senna

terça-feira, 1 de junho de 2010

A todo tempo
há a procura
e o alvo se dissipa
nas estradas
e no caminho...
não há a certeza...
A cada instante
há a despedida
nos olhares que encontro
há ausência...
a cada segundo
tudo se esvai...
O que insiste
em ficar
-no canto-
do olhar, presa,
imóvel,
é a lágrima,
que, imperdoável,
não me liberta
a alma
e não me deixa
partir...

Jorge Medeiros
(01-05-2010)

domingo, 30 de maio de 2010

Marcio Rufino representa o Pó de Poesia na 3ª edição do sarau "Cidade Atravessa".


O poeta abre o evento lendo o Manifesto do Pó de Poesia composto por Ivone Landim.


O sarau Cidade Atravessa é um evento realizado pela editora Confraria do Vento em parceria com a Casa das Rosas e o Projeto OX toda segunta sexta-feira de cada mês. Atendendo a um convite do grande poeta e xará Marcio-Andre, tive a honra de participar deste importante evento na noite de 21 de maio de 2010. Antes de ler dois poemas de minha autoria fiz questão de ler o Manifesto do Pó de Poesia de autoria de nossa poeta, professora de Literatura, arteterapeuta e ativista cultural Ivone Landim. O evento teve também a participação de outros poetas como Reynaldo Bessa, Beatriz Bojo, Alex hamburguer, Luiz Roberto Guedes, entre outros, além da exibição o curta Cidade-Resposta de Marcio-André. Uma entrevista do escritor Paulo Scott com o escritor e fundador do CEP 20000 Guilheme Zarvos fechou brilhantemente o evento.

Assista o vídeo

De emocionar...





Ao som de uma flauta doce, me distancio da terra.
Minha alma se inunda de paz.
Me deixando levar por movimentos suaves, me dedico a lua.
Que como corpo celeste se insinua, o céu azul da cor de anil se encontrava, e as estrelas que tem luz própria, me irradiava.
As minhas asas imaginárias estavam lá, prontas a voar.
Na essência daquela noite na relva, quero me aprofundar.
A natureza é mesmo divina, me fez sentir um clima de emocionar.
E mais alto ainda, eu queria voar.
Elevei meu pensamento que corria ingênuo pelo ar,
recitei um verso, dizendo: ser infinito este luar.
Ah, como é bom flutuar.

Camila Senna

Procissão

sigo uma procissão
descompassada
onde não há
cânticos conhecidos
não há rezas certeiras
ou costumeiras.

é apenas um ir
indo pelo ir
pela exigência
do passo
pra um caminho
que desconheço.

a ladainha
da vida
segue
contínua
permaneço
na procissão..
até quando?...

Jorge Medeiros

(15-05-2010)

UMA FADA NA NOSSA NOITE



UMA FADA NA NOSSA NOITE
(Poesia dedicada a poeta Sarinha Freitas)

Eu fui apenas abrir o portão
O céu estava escuro
A noite estava nublada
No céu havia um deserto sem nada

Eu apenas abri o portão
Esperando ver do outro lado
A praça vazia
Descobrir que nem vida existia

Eu apenas abri o portão
E uma fada apareceu
Uma esperança nasceu

Uma fada vestida de humildade
Uma estrela que iluminou e trouxe vida em nossa noite
Uma fada esculpida de amor e amizade

Autor: Arnoldo Pimentel

sábado, 29 de maio de 2010

CANÇÃO PARA NÃO MORRER, CANTIGA PARA NÃO MATAR

Dissolver a luz nas migalhas de enxofre,
quando quente
glorificar os parafusos que sustentam a prateleira
no perpetuar dos sonhos absortos sob a língua que não mais trepida,
mas que esconde com a palma de sua mão
o sangue que esvai pela hélice do ventilador
por roer o mórbido encarniçado
numa apostólica alegoria de carnaval.
Uma mão sem dedos acena,
sorri com seus nervos à espera dos
comichões promocionais
e entre suas indecifráveis linhas
o sapato cai,
o gato cai,
a faca cai
e o desespero sobe
--- Zé Pilintra avança com a sua bicicleta de dez marchas ---
o infinito pertence ao passado e ao futuro a agonia.
Adormece o anzol entre a massa encefálica de seu travesseiro de almas,
transparente-aparente-ardente o fel que se faz do excitar de suas entranhas,
sua voz = minha cruz
seus desejos = minhas vontades
seu gozar = minha vez de lamber o corrimento das feridas.



do livreto "Os Covardes Também Cantam Canções de Amor"
de Sergio-SalleS-oigerS
₢.2000 - Gambiarra Profana / Folha Cultural Pataxó

Desespero romântico



















Só, na penumbra,
Depondo um caule seco
Na tigela,
Uma questão me ressumbra
Sob a luz da vela:
Que nos resta
Senão o espinho
E esta vazia cela?

Haverá fortaleza,
Haverá natureza
Que suporte isso
Neste terreno cediço?
Franca beleza
Que não perca o viço?

Ó louca lua,
Vermelha e nua,
Dize-me ao menos
O que é o ser
Nesta vida de somenos?
Dize-me que são
Estas falanges
De gente morta e exangue?

Dize-me quem são,
Tu que, súbito,
Demudada e lenta
Surges rubra,
Sanguinolenta,
Carnívora
Nesta atmosfera
De corpo e sangue.

Dize-me o que é
Esta gente langue
Que volta pra casa
Silente e estanque
Seguindo num bonde
Que chega aonde
De paludes sombrios?

Dize-me o que é,
Sob esta atmosfera
De pântano e fera,
Tanta gente que espera
Ouvindo o carrilhão
Vibrando da catedral
E de abissal região!

Dize-me que são
Os mares e marés,
O sol e as estrelas.
Sobretudo as estrelas!
Essa louca vontade
Que tenho de vê-las,
De tê-las
E compreendê-las.

Fala-me do quark
E do quartzo,
Tu que surges
Na janela do meu quarto,
Tu que a tanto nos observas
Como a um filho
Após o parto.

Dize-me quem és,
Filha de Théia,
Irmã gêmea da Terra,
Que pelo céu erra
Desnuda e atéia!

Dize-me o que são
Tanta forma e estrutura,
Tanto véu de loucura
Que em si tudo enclausura.

Dize-me o que são
Tanta vida
Ao rés desse chão
E esses corpos no escuro
Que alheios caminham
À própria matéria
Contra toda a sorte,
À espera da morte
Em solitária clausura.

Dize-me o que são
Tanta nau naufragada,
Tanta onda cansada,
Tanta vida afogada,
Tanta gente sem glória,
O Ser, o Tempo e a História!

O que dizes?
Nada dizes!
Apenas sussurras
Por sobre as marquises:

- Intrusa, irrompida vida,
Ainda recente ou finda,
Inunda logo a avenida
E tua cela vazia...

Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.

A arte de Gabriela Boechat


A roda da fortuna



Ventos na primavera



Neruda


O menino do forró


O nu da minha voz

Os quadros acima foram pintados pela artista plástica Gabriela Boechat.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Me encontrar...



Quero me encontrar...
Despedir-me de tudo que me afugenta a alma.
Me encontro presa em um casulo.
Observo meus dias passando.
E o relógio é meu pior inimigo.
Sinto fome de amor, paz e brilho nos olhos...
Minha alma tem gritado por socorro
Se existe inferno, me encontro nele.
Renunciei-me...
Abri mão de tudo que um dia sonhei.
A menina imatura cresceu, eis aqui uma mulher.
Ainda menina, só que madura.
Quero encontrar um caminho um lugar em busca de mim mesma.
Quero sentir-me viva, pronta, no ponto, desejo me possuir com toda exatidão.
O ímpeto do meu ser anseia liberdade...
vento no rosto...
gargalhadas sinceras...
espontaneidade...
Olhares sedentos sempre em busca de si mesmo, do outro, da vida.
Ao amanhecer, quero sol no meu jardim.
E que a as flores voltem a sair...
E a vida que anseio, venha fluir em mim...

Camila Senna.


O Poeta Divino Márcio Rufino...





Escrevi esse poema para meu amigo Márcio.
Que brilha como o sol...
Que rima com um verso...

Talentoso é esse menino, o Poeta Márcio Rufino...

Cativo das letras e dos livros...
Como é audaz Márcio Rufino, que é poeta desde menino.

Autor de valor...
Todos deveriam ler.
Os poemas que ele escreve nunca mais irão esquecer...
Porque ele é poeta de verdade e merece aparecer.
Não para se engrandecer, mas para sua obra e sua alma
mais nobre ainda ser...

Talentoso é esse menino o Poeta Divino Márcio Rufino.

Camila Senna. 

terça-feira, 25 de maio de 2010

Primavera em pleno outono faz sucesso no Donana


O poeta Arnoldo Pimentel autografa seu livro "Ventos na Primavera".


Poetas na penumbra: Dida Nascimento, Fabiano Soares da Silva, Rodrigo Souza, Sergio Salles-Oigers, Arnoldo Pimentel, Henrique Souza, Vicente Freire, Marcio Rufino e Rômulo Pimentel


Os poetas Jorge Medeiros, Ivone Landim, Felipe Mendonça e Marcio Rufino


O poeta Marcio Rufino é o mestre de cerimônias


A poeta Ivone Landim


O poeta Jorge Medeiros


O poeta Sergio Salles-Oigers também homenageia Arnoldo


O poeta Rômulo Pimentel


O poeta Fabiano Soares da Silva


O poeta Henrique Souza


O poeta e ativista cultural Vicente Freire


A artista plástica Gabriela Boechat


O poeta Arnoldo Pimentel

Próximo de completar dois anos, o Pó de Poesia acaba de parir seu primeiro rebento. Trata-se de “Ventos na Primavera”, primeiro livro solo do nosso companheiro, o maravilhoso poeta Arnoldo Pimentel, editado pelo grupo Gambiarra Profana em parceria com a editora Pataxó. Tendo na capa uma belíssima ilustração da artista plástica Gabriela Boechat, o livro foi realizado de forma elegantemente artesanal e tem participações afetivas de poetas do Pó de Poesia e da Gambiarra Profana como Marcio Rufino, Ivone Landim, Sergio Salles-Oigers, Fabiano Soares da Silva entre outros.

O lançamento foi um grande sucesso na noite de 22 de maio de 2010 no Centro Cultural Donana em Belford Roxo. Contou com a apresentação de Marcio Rufino e com a presença de poetas da baixada fluminense e de outras regiões do Rio - como o poeta Xandu - que homenagearam o poeta lendo seus poemas. O evento contou também com uma mostra de curtas- metragens do Cine Rock e com exposição dos quadros de Gabriela Boechat.

A noite foi muito emocionante para todos nós e temos a honra de dividirmos esse momento glorioso com todos os seguidores, amigos, visitantes e leitores do blog do Pó de Poesia. A cultura de Belford Roxo e da baixada Fluminense agradece.

O Amor me Pegou




O Amor me pegou
Entre solidão e música romântica
Entre meu quarto e minha cama.

Quando de repente
Me lembrei da primeira vez
Que vi seu rosto

De repente me vejo aqui
Com esse leão feroz
Querendo saltar de dentro do meu peito.

Que vai dar no mar
Que nos levará para uma ilha
feita para nós dois.

Guardada por um deus grego
E uma santa católica
Que se compadeceram
Da sinceridade do meu amor.

Será que você não vê
Que meu coração
è uma baleia gigante
Que ondula, pula e salta
De cabeça para o rabo
Num mar de bem-querer.

Mas eu fico aqui nesse quarto
Totalmente exilado, alienado, separado
Desse mundo que não se cansa
De correr lá fora.
Dessa gente que não se cansa de andar lá fora.

Não quero que minha solidão me enterre em terra frouxa
Me comendo da carne em incerteza
Que é a destruição.
Mas me conduza em estradas iluminadas
Por noites escuras de lua e estrelas
Que é a paixão.

Bendito seja seu rosto vermelho
De vergonha e charme.
Bendito seja seu olhar infantil
De inocência e arte.

Ainda hei de ver chegar o dia ou a noite
Em que numa mesa de bar
Ou numa festinha de estar
Chegaremos juntos
Passo a passo
Palavra a palavra
A verdadeira razão espontânea de sentimentos.

Não quero que minha loucura
Faça com que minhas unhas e meus dentes
Me estraçalhem vivo
Que é a morte.
Mas faça com que meus lábios e minha língua
Percorram os pelos do seu corpo
Sugando a sua energia
Que é a sorte.

Maldito seja todo o rosto pálido
De hipocrisia e maldade.
Maldito seja todo olhar frio
De ironia e falsidade.

Ainda hei de ver chegar a tarde ou a madrugada
Em que você vai me ver
Como uma pessoa
Que te quer muito amor
Que não é só um corpo
Capaz de dançar
Mas de fazer música.
Não é só capaz de comer
Mas de sentir fome.

E aí você vai entender
A razão do que eu digo
Pois é com muito orgulho
Que eu grito
Com todas as minhas vísceras
Que o Amor me pegou.

E é ele quem me abre o coração
Para você passar
Assim como Moisés abriu o Mar Vermelho
Para o povo hebreu caminhar.

É por isso que eu sou seu
Mesmo que você não queira.
É por isso que você me domina
Mesmo que não me deseje.

Agora cala minha boca.
Não quero mais falar.
Não quero mais te olhar.

Não quero mais traduzir em versos
Tudo que os meus olhos lhe revelam
E meu coração pensa.
Tudo que minha boca insulta
E meu pensamento pulsa.

Já que esse amor não morre.
Renasce em outro crepúsculo,
Percorrendo outros músculos
Em poucos minutos,
De um tempo minúsculo de se querer.

Cresce em reflexos
Num mundo circunflexo
De dias perplexos
De sentido sem nexo de se viver.

Se reproduz desesperado
Num momento exato
De corações apertados
E sentimentos frustrados de se esperar.

Morre em braços duros
De homens maduros
De pensamentos obscuros
e corpos profundos de se entregar.

Marcio Rufino
Todos os direitos reservados