Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



segunda-feira, 30 de maio de 2011

As mulheres fortes usam batom vermelho

Limpei as suas digitais por toda casa
Guardei as suas palavras na gaveta
(não encontrei seus sorrisos)
Poli suas abotoaduras
Dobrei suas gravatas
Passei e pendurei suas camisas
Por cor, falta uma!
A mancha do batom rosa pálido
Não saiu, deixei de molho...
Os sapatos estão todos lustrados
E as calças penduradas com o vinco
Bem feito, perfeito! Como você gosta
Varri toda a casa, deixei comida pronta
No freezer, tentei deixar a chave
Embaixo do tapete, não foi possível
As velhas sujeiras estavam todas lá
Não tinha espaço, não importa! É
Apenas uma cópia (mande fazer outra)
Ah! Antes que eu esqueça!
Deixei os papéis do divórcio em cima
Da mesa, assine! Entregue ao meu
Advogado será o nosso contato
Para resolvermos as cifras do
Passado, pois o futuro acerca-se
E quero desfrutá-lo, centavo,
Por centavo!

Poema de Sandra Soares

sábado, 28 de maio de 2011

O lamento das árvores

Hoje, estão caladas
O eco dos tiros
Debandou a
Passarada.

Hoje, perderam o
Seu amigo, a sua
Voz, restou
Apenas, o seu
Algoz

Hoje, sentiram tanta
Dor, como o corte
Da moto-serra
Matando pouco a pouco
A selva

Hoje, entenderam que
Estão abandonadas
Plantadas a sua própria
Sorte, num país onde
Comemoram a morte

Hoje, perceberam que
Não são árvores, frondosas
Com frutos ou flores
São apenas... Dinheiro
Muito dinheiro!

Hoje, lamentam serem
Brasileiras, quem sabe
Se fossem estrangeiras
O Pará pararia essa
Sangria!

Poema de Sandra Soares

O milagre

As vezes rezava
Pedia um milagre a
João Paulo Segundo
Faltava um milagre para ele se santificar

Pediu com fé e esperança
João Paulo o atendeu
Não pôde contar o milagre
Mas ajoelhado agradeceu

Poema de Victorvapf

A arte é a minha religião

Universo Umbigo

Dos dedos de deus dois dados

Em pauta
A música das esferas

No início
O verbo
Um indício
No verso

Universo umbigo

Agulha aguda
No âmago da alma

Na carne o q
No cerne o x
Na carne o cerne
O x do problema
O q da questão

Pegadas na cruz
Caminho do céu

Poeira Cósmica

O homem das cavernas
O homem da idade média
O homem da nova era

O robô
O clone

Posição fetal
Injeção letal
Coliforme fecal

Da Água Para O Vinho

Tem gente que é 8 ou 80
Ou é bandido ou é evangélico
Ou é drogado ou é evangélico
Ou é bicha ou é evangélico
Tem gente que é 8 ou 80
Ou é puta ou é evangélica
Ou é adúltera ou é evangélica
Ou é vagabunda ou é evangélica
Tem gente que é 8 ou 80
Ou é santo ou se faz

Vai pela sombra
Vê se te enxerga


Poema de Andri Carvão

Tráfico de emoções

quando o dia sobe a colina e entra no mar seus olhos balançam como vento em
noite calma, incendeia as estrelas o céu pega fogo em tremores antigos... só pra
dizer seu nome. Chego em silencio possuída pelos céus como um deus enlouquecido
pela geografia dos seus lábios. Ouço o barulho que fazem seus sapatos, vejo sua
sombra passando na janela ouço até seu arrependimento na chuva correndo
como lágrima na pele... ah, traga seu corpo de volta pra mim! Volta pra casa... eu
quero apenas te tocar onde a chuva caiu, até que a noite toda caiba em um candeeiro
e as estrelas cubram a janela do quarto (e a poeira cante).

Poema de Vânia Lopez

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Só de pensar…


.




Amo-te tanto…
Desejo-te tanto…
Que só de pensar em não mais sentir seu toque sobre minha face….
Meus olhos inundam… Desaguando no mar da Solidão.

 
.
Camila Senna



Hoje...


.
Eu fiz o que toda criança faz:
Brincar.
Eu fui o que todo adolescente é:
Rebelde.


Hoje eu faço poesia,
Rimo minha vida,
Decoro meu coração,
Me peço perdão.


 
Camila Senna

Mãe....


  
 
 
 
 
 Mãe, sempre Mãe. Cuide da sua.
 
 
 

...

 
 
 
Em quase todos os meus pensamentos, você está presente.
 ...

(smileworld.)



Só para refletir...

image



 ...

A última música




A vida é um piano. Teclas brancas representam a felicidade e as pretas a angústia. Com o passar do tempo você percebe que as teclas pretas também fazem música.



...





quarta-feira, 25 de maio de 2011

VILAREJO

                                                            VILAREJO

Assim como os ventos
No vilarejo
Do esquecimento

Saia pela boca

cantai aos sussurros
cantai as letras sem vozes
cantai a canção das possibilidades
cantai o evangelho dos justos
(e a ironia desse momento)

cantai a música vadia
que aquece os lábios
(abordados pelo seu nome)

duvide dos meus sentimentos
comente a distancia
com palavras dóceis
provoque embaraço amoroso

confesse chantageando
retribuo limpando vidraças
varrendo atrás dos móveis
lavando o chão da cozinha
encerando o dia
zombando desejosa
“brincando que eu te amo”

Poema de Vânia Lopez

terça-feira, 24 de maio de 2011

Restou juntar
os restos soprados
pelo vento do passado
catei os mil pedaços
silenciosamente
eram vias, eram veias,
eram vultos e olhares.
Os vestígios desordenaram
a coreografia do meu ser
e surgiram depressões,
alergias, dopaminas
e assim mesmo
o coração pulsava
querendo enganar-me
novamente.

Jorge Medeiros
(22-04-2011 - 01:25h)

Vago

esta porta...

sendo
lado dos meus ensaios em sombra morta
(aleatório devaneio de mim..)
meu
anseio de letrar em curso
sendo

passo.
frente/rente, sempre! em.
meada criada da manhã
onde,
lá.
não, eu nao quero acordar..

"ontem, me encontrei.
vi meus olhos às claras em lume frio,"

em.
vãs tentativas absortas de um preço-árduo qualquer
à
letra. que me define por um campo,
meu..

campo de ilusão despertencida,
à
quimera dos meus dias em sobrevida, em.
tela-declínio..

mata-me!!

cada vez que eu não te respirar

mata-me!!

incinera minhas mãos e enlaça-as a este corpo

à.
minha túnica de desespero rompante
(única. de, ti..)
calor-inumano, descrente, in.alcance
letra
treva
anelo dos meus preferidos lugares de fuga
não..
me vê, não me vê..

convulsão e carta

mata-me!!

desafia o meu impeto de saltar deste abismo

mata-me!!

deixa-me só..





























letra destes dias inconstantes,
breve(...) o. meu


tempo,









.










Poema de Azke

segunda-feira, 23 de maio de 2011

E nem sequer vou saber

um dia desses
na gaveta de cima
vai poder me imaginar
na sua cabeça

vai tocar aquela música
noite e dia
até seus dedos sangrarem

dentro de um velho suéter
irá tentar manter o mundo
pulsando intensamente

...o pensamento d’eu sair
vai alimentar agasalhar
e dividir a casa contigo
atrair seus olhos para uma vela
enquanto muda sua chama
o suor vai aparecer
junto às lágrimas

irá perder o sorriso
emoldurado no espelho quebrado
vai deitar e morrer...
(como uma flor na garrafa)


Poema de Vânia Lopez

sábado, 21 de maio de 2011

+ Pensamentos Dispersos

*
O Poeta pede esmola aos mendigos.
*
Para ser um grande poeta é preciso ser um bom filósofo e para ser um grande filósofo é preciso ser um bom poeta. Poesia sem Filosofia sai quadrada e pesada como blocos de cimento, fica pernóstico, difícil de engolir.
*
Cada poeta defende seu Tempo. Mas não existe mais O Poeta, assim como não se tem mais tempo.
*
É preciso certo grau de erudição para atingir a simplicidade?
*
Vícios de linguagem são marca-registrada.
*
Há quem escreva mal, quem escreva errado e quem escreva mal e errado. Embora a função do escritor seja a de prender o leitor para libertar a sua alma.
*
Se não houver preocupação social na Arte, não haverá informação, e, se não houver informação – para quê Arte?
*
Como pode haver uma “classe artística”, se os “artistas” não têm “classe”? São TODOS inclassificáveis!
*
Muitos escrevem para o público; alguns escrevem para os críticos; e outros, mais extravagantes, contentam-se em escrever para si mesmos.
*
Emoldurar espelhos reflete o painel da Arte Contemporânea.
*
Quem fala sozinho, conversa consigo.
*
A cópia da cópia da cópia da cópia é sempre uma página em branco.

Texto de Andri Carvão

Diga boa noite a sua alma

mostrou a coxa debaixo da saia
ao atravessar a rua
estava tocando Natchez
o sol te perseguia
e eu imaginando a luz do sol
sendo absorvida por ela
(tal qual minha memória)

a noite deslizou nos braços da lua
parecias solitária por dentro
(na rua) embaixo das estrelas
me invadiu uma saudade
(e eu aqui prisioneiro do meu corpo)

eu te abençôo
por caminhar em tal beleza
estiro-me ao chão e tenho a sensação
de ser dono do mundo

...se ao menos ela ficasse
longe de meus olhos
ofereceria minha alma
(como travesseiro)

Poema de Vânia Lopez

A manhã do poema

Amanhece,
tônus de tez fresca,
rosto sem esperas,
ou verdugos.

E ninguém ouve os urros,
do ventre que vibra,
até o avesso,
para acordar um olhar !

Amanhece,
entre as frisas dos poros.
e em que pese a pausa,
de palma e poema,
na voz delirante,
do inquilino a bisbilhotar...

A vida valsa com o verso arfante,
e invade um coração para morar !

Poema de Nina Araújo

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Ébria passagem

Molha em cada beco
Num trago, a goela,
Em escura viela
Cai num baque seco.

Num resmungo passa
O seu canto mole
E o sonho encolhe
No vazio da taça.

Vai em ziguezague,
Como a vida sua
Despojada e nua
Pede a alguém que pague
A pinga no prego
Carência insinua
Cambaleante e cego

Sonho amanhecido
Ao rés das calçadas,
Restam suas pegadas
Das mágoas guardadas
Num bar esquecido.

Poema de Generoso