Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
quarta-feira, 13 de março de 2013
sábado, 2 de março de 2013
Poesia, MPB e cultura cigana marcam o primeiro Sarau Donana de 2013
Alessandra David e a companhia de dança Kaminhoo Cigano
Ivone Landim
Dida Nascimento
Gabriela Boechat
Idi Campos
Moduan Mattus
Sil
Josy Louzada
A menina Marília recita José Paulo Paes sob os olhos orgulhosos da mãe Sil
Pó de Poesia e Enraizados juntos e misturados
Poeta Xandú
O Desmaio Públiko foi um coletivo poético que agitou a cena cultural da Baixada Fluminense na última década do século 20. Seus poetas integrantes interpretavam suas performances de forma supreendentemente teatral nos bares, tomando de assalto a boemia da região. Foi para contar a história de sua formação entre outros momentos marcantes do já lendário grupo cultural que o poeta Eud Pestana - um de seus idealizadores ao lado de Cézar Ray - e sua companheira, a também poeta Ana Cajueiro, se apresentaram especialmente a convite do coletivo Pó de Poesia na edição de fevereiro que abriu o Sarau Donana do ano de 2013 no Centro Cultural Donana, na cidade de Belford Roxo.
O sarau também teve a participação especial do cantor e compositor Roberto Lara que cantou e tocou diversas de suas composições. A educadora Alessandra David se apresentou com sua companhia de dança cigana Kaminhoo Cigano da Fundação Santa Sara de Kali, nos mostrando e contando um pouco da trajetória da cultura cigana na história da humanidade.
De resto o que rolou foi muita poesia com os poetas do Pó de Poesia como Ivone Landim, Marcio Rufino, Camila Senna, Idi Campos, Gabriela Boechat e do Desmaio Públiko como a própria Ivone, Eud, Ana, Moduan Mattus, Sil e a atriz Josy Louzada. A trupe do Movimento Enraizados Dudu de Morro Agudo, Slow da BF e Samuca Azevedo também prestigiaram o evento nesta linda noite de sábado.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
ensaio de um nada
e os teus cabelos macios
porque aquietas as ruas como um lobo que uiva
pela sombra que foge
espalha a calma ao redor,
como se fosses tu... bêbado em me esquecer
leva essa desordem daqui... que não quero mais
deixe a noite solta no curral
e minha alma d’água, tão líquida quanto à lágrima.
... lavar como chuva colada à tua boca, a vida.
Que é outra.
Poema de Vânia Lopez
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sábado, 23 de fevereiro de 2013
NO TEMPO EM QUE EU NÃO PODIA IR À WOODSTOCK, PROTESTAR CONTRA A GUERRA DO VIETNÃ, GRITAR UM VIVA À CHE GUEVARA, DIZER NÃO À DITADURA, SER LIVRE E BEBER MINHA CERVEJA ATÉ CAIR.
algumas palavras amassadas em uma folha de papel
nos olhos o abismo da simplicidade
... tua fala macia
o abandono dos cabelos,
algo como a água escorrendo pela face
uma muda de roupa que talha a carne
e o que quer que fosse um eu, despido.
enquanto o mundo... caía lá fora
vinhas continuamente como o mar
desvaneceu o concreto, rompeu o dia.
e, decidiu não voltar mais.
... sem saber o que levar
queimou tudo por dentro (de mim)
deixando digitais espalhadas na casa toda
(e nenhuma imagem das câmeras foi sequer recuperada)
ficou o que foi tocado,
com a força de um raio num céu calmo
... como flechas sem pontas
tentando atingir o silencio... tal um blues no ar
Poema de Vânia Lopez
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Copos vazios
Por detrás da luz, fomos noites intermináveis
Esquecemos palavras no barulho das tabernas de Lisboa
Bebemos rotinas em rituais silenciosos
Onde as horas eram um líquido amargo
[E foi tão fácil desistir]
No cinzento das calçadas, perdemos o sol
Cedemos ao feitiço no fumo negro das madrugadas
Que travessas estas, nos transformaram
Por detrás da luz em sombras do passado
Somos agora, copos vazios.
Poema de Nuno Marques
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Bélico
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Pó de Poesia no sarau Identidade Cultural e Movimento Culturalista
A bela anfitriã da tarde a talentosíssima Janaína da Cunha
Marcio Rufino
Idi Campos (Colinha)
Janaína da Cunha e o Pó de Poesia entre poetas de todos o Rio de Janeiro
Ivone Landim
O legado dos poetas da geração da poesia marginal do início dos anos 1970 frutica cada vez mais. Um excelente exemplo disso é o irrepreensível sarau Identidade Cultural e Movimento Culturalista apresentado pela belíssima e brilhante poeta, atriz e agitadora cultural Janaína da Cunha todas as tardes do último sábado do mês no bistrô Café do bom, cachaça da boa na Rua da Carioca no centro do Rio de Janeiro. O coletivo Pó de Poesia teve a honra de se apresentar por lá junto de poetas e artistas de todo o estado no dia 26 de janeiro de 2013. O próximo evento será na tarde do dia 23 de fevereiro e começa a partir das 13:00 da tarde. Para os amantes da poesia vale a pena conferir.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
pequena parte recatada da pele nua
.os que pedem benção antes de pecar
os que queimam como fogos de artifício pela noite
desorganizando as gavetas
rolando pelas ruas com olhos de chuva
como água que tem sempre muita pressa
com esse sorriso insuportável de felicidade no rosto
esgueirei por dentro
esfaqueai-me pela paz
pequena parte recatada da pele nua
julgue-me como uma obra de arte
flutuando na alma, tal cerejeira enraizada na terra.
como um pintor precisa da tinta
sê rápido e corra para mim, amigo.
assombroso e imprevisível
anjo maior
(só os loucos me interessam)
Poema de Vânia Lopez
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
,algures, tardiamente
(I)
,e eu abrando,
repetem-se cenas, visões, nenhures imaginados,
criações sem nuvens em redor, ou alfazemas do campo
agarradas à terra seca, gretada,
,e eu abrando,
,o amar torna-se ridículo,
quando regressam os odores conhecidos,
como se à tarde existisse sempre, sempre
um esconder do sol,
,ou um poema por ler.
(II)
,transmuda-se a pele em escamas,
pela viagem sem partida, sem gestos,
mímica que os nevoeiros escondem,
tapam,
,lenços brancos esvoaçam símiles a bandos
de pássaros em migração constante, sem tino,
sem rota,
loucos.
(III)
,quantos os loucos.
(IIII)
,um dia abate-se o céu pelo peso das estrelas,
,eu, abrandar-me-ei,
agitando esse pó que me cobrirá
inexoravelmente,
implacável o ondear sem reflexo, nexo,
figuras, sombras, pessoas,
uma amálgama que se debaterá então.
,o tempo parará a loucura,
,as aves morrerão em pelo voo, suspensas,
acamadas nos cirros estáticos, eternizados,
enraizados no parir dos tempos.
(IIIII)
,e eu repetirei-me-ei,
,sem pejo, impedimento;
“-As amendoeiras renasceram em flor, algures, tardiamente.”
Poema de Francisco Duarte
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013
No estalar da madeira, na chuva deste Inverno
No estalar da madeira, na chuva deste Inverno
Encontro-te à lareira, tardiamente respostas.
O quadro é uma história
As vagas castigam o molhe, o cais, as rochas.
Na tempestade o farol cede em dúvidas
Como perguntas submersas, um oceano, talvez de nós
Sem guia, ao sabor das ondas
O barco navega à deriva, entre certezas
Há tanto tempo, que nos perdemos por fim
No fundo do mar, na calma de um coral.
Poema de Nuno Marques
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domingo, 20 de janeiro de 2013
RE-CRIAÇÃO
des-membrar
des-estruturar o verbo
des-ordenar a estrutura
des-mitificar
ir além do provável
e - assim - instituído o caos
re-modelar
o imponderável
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Sobre o sentido da vida
Se tiver tempo, vou sentar-me junto ao Tejo ao fim do dia
E contemplar a paisagem, o pôr-do-sol acontecer.
Sim, se tiver tempo, vou olhar a ponte suspensa de Abril
Estendendo-se sobre o rio em direcção ao horizonte
[até onde os olhos não alcançam
E nela, vou ver os carros e os comboios
Durante o breve momento da travessia entre as duas margens
Passarem plenos de sentido
E o sentido que os preenche, é o mesmo que os leva em frente
[sem que o saibam
Aparecem do nada, atravessam a ponte desaparecendo no nada
E eu com eles, enquanto os olho, vivendo
Fazendo a mesma travessia
Sim, vou sentar-me junto ao Tejo ao fim do dia
Olhar a ponte, os carros e os comboios acontecerem comigo
[um pôr-do-sol
E se tiver tempo, talvez pensar sobre o sentido da vida.
Poema de Nuno Marques
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
A HORA DE 50 MINUTOS
sábado, 12 de janeiro de 2013
Dois Estranhos
Desde quando casou
Ela nunca mais apareceu.
Apenas sua imagem viva
Que não era mais a mesma de antes,
Pois aquele sentimento
Que era uma brincadeira
Agora é uma realidade
E como toda verdade,
Reprimida e duvidosa.
Então, toda vez que ela aparece
Ela não é mais aquela
Como eu não sou mais aquele.
Somos dois fantoches indiferentes
Perdidos na paisagem
Marcio Rufino
E QUE VENHA A PALAVRA
em suaves movimentos
sem requintes, nem propósitos
como a fina areia de uma ampulheta
escorre sutilmente e sem pressa
Que a palavra entre como o vento
pelas frestas da janela entreaberta
formando uma fina camada de pó
Que a palavra nos tome de surpresa
e se encaixe no quebra-cabeças
todos os mistérios do não dito
nesse silêncio que cobre distâncias
como tudo que começa sem aviso
sem que sequer se perceba quando
Restos da América
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
pelo sombreado emaranhado, (embreado) desses seus cabelos
como quem acorda, sorri e sonha em ser Cinderela
abstrata em meu sangue
logo aprendeste a desprezar
a presença afiada de uma lembrança
hipnotizou e mudou as listras do tigre
com um grampo recolheu os cabelos no alto da cabeça
atacou-me como uma divina revelação
tocou-me com os olhos
dividiu-me em lados, sentada na varanda desse poema
com as palavras passando entre os dedos
sorriu... só pra mim
sem olhar pra trás, desmentiu meus olhos
sumiu para o passado
deixou o vento sussurrando por aí...
o som mais alto de todos:
o silencio (em cativeiro)
... o resto é a alma fotografada andando de um lado pro outro
Poema de Vânia Lopez
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
,abana os ventos
(I)
como se a perfeição existisse,
sem adjetivo, sem palavra,
e envolve-me nesse manto feito teu corpo.
,sempre soube das pedras perdidas pelo mar,
das montanhas submersas, inóspitas,
isoladas,
quais armadilhas de navegante
,as visões.
...
(II)
,abana os ventos, abana-os em rodopios, revira-os,
que quebrem os mastros libertando as velas gastas,
e,
no final, que o barco se arpoe mar adentro.
,revela-me o dia,
(III)
...
um dia,
a cada segundo, em cada momento,
faz-me recordar o que sempre quis
esquecer,
este esquecimento de mim.
(IIII)
,[e envolve-me nesse manto feito corpo teu],
só.
Poema de Francisco Duarte
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