
Caudal enorme
De pressa e de ódio,
No leito asfáltico,
Perturba os homens.
Calor de máquina
De brita e de aço
Poreja a pele,
Sufoca o peito,
Sufoca o pleito,
E a todos deixa
Em alta noite
Insones, nulos.
E oprime a boca
Que pede vez,
Que pede voz,
Um pouco d’água,
A fim de sede,
Tal qual de Tântalo,
De fera estiva
Matar enfim.
Mas, há bebida
Que te refaça,
Um calmo rio
De leito manso
Que o lasso músculo
Vigore e molhe?
Não há natura
Que a crosta fure
E acalme a fúria
Febril e muda!
Não há natura;
Só louca lua
Desnuda e gélida
Que se insinua
De noite arcaica,
Por entre gretas
De tua dor,
E nu te deixa
De couro e seda
Com teus broquéis.
Felipe Mendonça -
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2 comentários:
Belíssimo poema, Felipe.
Sempre com sua inspiração histórica e mitológica. Lembrei dopoema que vc fez pra Penélope. Saiba que a musa tem três poemas criados pra ela o seu, um do Arnoldo e outro da Ivone. Estou pensando m um sarau para julho quando o Pó faz dois anos. Agora que sei que felizmente o acesso pra vc fica fácil fica ligadinho e já vai preparando os poemas. Grande abraçomeu querido. Foi ótimo ter tido vc e sua companheira na noite de autógrafos do nosso amigo Arnoldo.
Com certeza, meu caro. É só marcar que estarei lá. Grande abraço.
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