Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
domingo, 9 de maio de 2010
Hans, Ísis, Jade e Abel
me agarro
ao cadáver
de minha mãe
caído, ali no chão,
dividindo espaço
com tantos outros corpos
chacinados
pela mesma mão,
que não há muito tempo
com beijos ela abençoou,
entregando seu coração
ferido por um filho
que à beira de seu caixão
suas jóias particulares saqueou.
Dentre suas jóias particulares
se encontrava
um Hierofante de marfim
talhado por mim
enquanto o réu se escondia
atrás do vidro maternal
estampado no funeral
a lágrima de alegria
escorria pelos braços do cortejo
sob velas
transcendentais
e quentinhas de carne-de-sol com jerimum
preparadas
por mamãe
pouco antes de eu matá-la
à marretadas.
Minha marreta Juliana
só ela me entende,
não faz nenhum drama.
Minha marreta Juliana,
minha amada, minha cúmplice;
minha dama.
O terror!
O terror
de quem nunca se arriscou
a nadar na banheira
pra mergulhar
na língua da ribanceira
a testemunhar seu início
no fim da vida de alguém.
O terror!
O terror!
O amor!
A testemunhar seu início
no fim da vida
de outra pessoa.
do livreto "Os Covardes Também Cantam Canções de Amor"
de Sergio-SalleS-oigerS
₢.2000 - Gambiarra Profana / Folha Cultural Pataxó
sábado, 8 de maio de 2010
Pipa

Se a lesta pipa passar em frente,
Num dia claro, da tua janela
Com franca vista do pôr-do-sol,
Estica o braço para pegá-la,
Mas não a apare no pleno vôo;
Sente a rabiola passar apenas
Pelos teus dedos, ligeira e breve,
Pois se sustenta no ar tão somente
Por brisa e linha fina e volúvel.
E se outra vez o acaso do vento,
Pela janela do apartamento
Em que tu moras, encaminhá-la,
Perceba bem que já não há linha
Que a leve leve por estes céus,
Sem deus ou nuvens a organizá-los;
Somente um vento que forte e doido
Mexe febril em toda a paisagem
E a pipa arroja contra a janela
De um edifício que muito lembra
Adamastor no silêncio grave
Do aço, concreto, viga e fastio.
Portanto, deixe que adentre anônima,
Sem epopéia, cantor ou fama:
Ave abatida, louca avoada,
Em desafio contra fachada
De mil janelas sempre fechadas,
No breve instante de um vento leste.
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
CASAS DE NUVENS CINZA

CASAS DE NUVENS CINZA
Casas de madeira soltas na terra
Decoradas com cordas de arame que atravessam a ausência de paisagem
Esticadas por postes sem luz que apontam
Para o céu de chuva cinza
Sem esperar nenhuma doce miragem
O silêncio é quebrado pela bicicleta sem acento
Que vaga pela rua de chão solta no vento
Carregando em seu sonho a grama estéril
Vidas vazias
Que nem o pranto solto alivia
No solo molhado pela chuva
A desesperança por saber
Que no fim do dia não haverá fartura
Sempre será assim em cada novo amanhecer
Não haverá escolha
Entre as nuvens que ainda vagam
Nem galhos nas árvores secas
Nem mesmo bichos da seda
Autor: Arnoldo Pimentel
quarta-feira, 5 de maio de 2010
PRIMAVERA NO SEU CORPO

PRIMAVERA NO SEU CORPO
Lindos são seus olhos
Que enfeitam meu olhar
Perfumando a primavera
Embelezando as flores que nascem com ela
Sedutores são seus lábios
Que me convidam para um beijo
Que molham o orvalho
E enchem meu corpo de desejo
Bálsamo é seu corpo
Que passo horas a acariciar
Sentindo a brisa que vem do mar
Felicidade é ter você
Linda como a pérola
Como um novo alvorecer
Autor: Arnoldo Pimentel
quinta-feira, 29 de abril de 2010
O dia da vingança

I
A espada de Deus está repleta de sangue,
Vibrou sobre a capital do mundo,
Contra sacrílegas Babéis.
O Califa já não dispõe mais de seu harém.
II
Ele sai sereno de sua tenda,
De túnica branca,
E contempla a serpente,
O deserto e o bico das metralhadoras:
Lenda!
Apóia no cajado o peso
De cidades mortas e dos guerreiros de outrora.
Ninguém ousa perscrutar-lhe o coração.
A tenda, o deserto e o cajado
Resumem-lhe a fé, o ser:
Ímpar,
Jamais à venda.
Não imaginam o quanto ele ama,
O quanto os ama
Sob a face justiceira do ódio,
Pois jamais negocia com terroristas.
Lá vem o Pastor...
Hosana!
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
os momentos
os corpos
que esbarram
em meu corpo
...
Ah felicidade efêmera...
felizes mesmo
são os gatos
que nasceram livres
e uivam
nos telhados da cidade
Jorge Medeiros
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A solidão receita
O vinho amargo de outras bocas
Dentro da garrafa
O tempo espera
Agora
De gole em gole
Te engole
Estalando a língua
No vinho que perdeu o sabor
É o amargo da imposibilidade
Que traça a solidão
O poeta mendiga ouvidos
No tilintar de traças
Peregrina onde o homem silencia
A vontade que berra
A garrafa que quebra
Entre reticências
Sangra vinho ou gargalhada
Que perfura as lágrimas
Ivone Landim
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Esperando que as estrelas
De Falluja caiam do céu
E que as luzes possam
Clarear o caminho.
mas do céu
As estrelas são made in USA
E todo os caminhos
São consumidos por elas.
Fabiano Soares da Silva
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as que se deixam
amar
e as que insistem
em serem
odiadas.
Mas adoro
mesmo,...
até encerrar
essa vidinha,
o grandioso
Pessoa
que me ensinou
que o melhor
e o maior prazer
é ver!
Jorge Medeiros
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Nas coxas da mulher cotidiana
Bacana!
A noite enrijecida
É derretida pelo sol
E o coração se enche
De contínuas ternuras...
(Ivone Landim)
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domingo, 25 de abril de 2010
CRISÂNTEMOS

CRISÂNTEMOS
Não adianta esconder
Não adianta se esconder
Tentar deixar de viver
Não adianta ver o crepúsculo
Do buraco oco do quarto
E tentar esquecer
Não adianta colher crisântemos
Se não tiver para quem oferecer
Para quem valha a pena viver
Não adianta sussurrar
Que tentará deixar de amar
Se já sabe que não conseguirá
Autor: Arnoldo Pimentel
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Rumo à solidão

Não diga o que eu devia fazer.
Só escute, se for capaz, as minhas palavras mudas.
Ouça, se for capaz, a dor que eu sinto sem gemer.
Sinta, se for capaz, o segredo que eu tenho sem nunca sabê-lo.
Não diga que tudo irá dar certo
sem antes me apontar o caminho mais curto para a solidão
e não diga
que a solidão não existe,
pois é, na verdade,
o próprio caminho a se trilhar.
Eu já não tenho mais nada a fazer
a não ser atravessar essas portas fechadas
e chegar ao outro lado
com aquela falsa sensação de vitória.
E não há uma vitória sem uma gota de lágrima
mesmo que seja invisível.
E não há uma gota de lágrima sem uma dor
mesmo que seja fraca.
E não há uma dor sem uma mágoa
mesmo que seja esperada.
E não há mágoa sem a morte de qualquer coisa que se amava
mesmo que não seja física.
E o meu próprio-amor-próprio
é a invisível e fraca espera do não físico
do abstrato e diluído no espaço
que está por trás daquilo que é sólido.
E o que é a solidão
a não ser esse ser não sólido
que vive a nos espreitar
num canto da sala?
Mas não há um amor-próprio sem um egoísmo
mesmo que seja domado.
Mas não um egoísmo sem uma raiva
mesmo que seja calma.
Mas não há uma raiva sem um desejo de destruição,
mesmo que seja tolerante
de tudo aquilo que é humano.
E a minha tristeza
é o tolerante e calmo domínio
que tenho sobre tudo aquilo
que é desumano em mim.
E o que é o caminho
a não ser essa estrada insegura e torta
sobre o tapete colorido da sala?
Não esperava essa agressividade
em tua cara.
Não contava com esse pouco caso
em teus olhos.
Não aguardava essa arrogância
em tua casa.
Não pressentia essa decepção
em meu peito.
Agora deixe despedir-me de tudo aquilo
que é vibrante e claro em sua essência
para que não haja nenhuma saudade
do que eu não tenha visto nesta descendência.
E assim sigo rumo à solidão
que não é depressão
e sim o som de uma densa música
e seu refrão.
E assim sigo rumo à solidão
que não é suicídio
e sim a esperança de uma longa felicidade
e seu início.
Marcio Rufino
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quarta-feira, 21 de abril de 2010
Soneto do homem só
Certo homem sai à luta todo o dia.
Num bar, engole rápido um pingado
E mais um sonrisal contra a azia
Co’a conta pendurada, no fiado.
Vai correndo, apressado pela via,
Co’o fraco coração atravessado
Por dúvida inquietante, covardia
De enfrentar o que dizem ser-lhe o fado:
Ralar muito em funções de vil salário:
Beber, jogar no bar feito um otário,
Culpar a todos pelos seus azares.
Mas, quando nos balcões das mãos servis,
Não se esquece do bêbado que diz:
“- Bebo em vão pra esquecer os meus pesares...”
Felipe Mendonça -
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sábado, 17 de abril de 2010
MEU YESTERDAY

MEU YESTERDAY
(Poesia dedicada a minha amiga Sandra Carvalho)
Ontem eu era feliz
Ontem eu estava até sonhando
Sonhando de ser feliz
Sonhando que estava brincando
Ontem tentei alcançar as estrelas do mar
Mas eu não sei nadar
Não sei como ancorar
O meu coração na ilha que poderá me abrigar
Ontem tentei ouvir os sinais do meu céu
Mas as nuvens estavam cinzentas
E as chuvas logo molharam meu rosto
Ontem tentei te olhar nos olhos
Mas você estava distraída olhando seu futuro
E não percebeu
Que iria ficar sozinha
Assim como eu
Ontem até tentei acenar um adeus
Mas o nevoeiro escondeu meus braços
E fiquei acenando para ninguém
Nem você mesma olhou meu rosto
Ontem tentei ser feliz
Tentei dizer adeus
Ontem acabei chorando
Ontem acabei apenas imaginando
Que estava te amando
Ontem eu estava apenas sonhando
Autor: Arnoldo Pimentel
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É NOITE NO MEU CORAÇÃO

É NOITE NO MEU CORAÇÃO
É noite no meu coração
Vivo tomado pelo medo
Sei que para Ti
Não tenho segredo
Venho aqui pedir Seu perdão
Fico de joelhos
Fecho meus olhos
Tiro minhas vestes
Sou apenas mais um filho a pedir
Que olhe por mim
Que não me deixe cair em tentação
Que ilumine meu caminho
Porque não tenho forças para vencer sozinho
Quero estender-lhe minha mão
Mas meus braços são pequenos
Não sei se O alcançarão
Autor: Arnoldo Pimentel
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terça-feira, 13 de abril de 2010
Adamastor

A tua dor, do que ela é feita?
De escarpa, barba, sal e lágrima,
De pedra e mar em promontório
Alcantilado, mudo abismo
Feito de vales e penhascos
Que o choro pejo vertem no eco.
Aterrador é o teu aspecto
De ancião – velho desprezado,
E ninguém diz que um dia foste
Amante alegre e desejado.
Um capitão que guerra fez
Mais pelo amor que pela guerra,
Porque a batalha que te aferra
Não é por glória, nem por fama,
Não é por África ou Arábia,
Mas a que faz os corações
Serem tachados de ignaros;
Mas a que faz os corações
Pra trás deixarem toda a frota,
Pra trás deixarem toda a tropa
Em mar cortado por trovões
Que vêm dos céus e dos canhões,
Aquela mesma que te fez
Em promontório converter-te.
Foi a paixão por nua ninfa,
Foi a paixão que a sorte mísera
Contradição impôs a ti
Por muito amar e o mar deixar.
Tão puro amor por nua ninfa
Te fez penhasco, um promontório,
Tão fero amor por nua ninfa,
Mais que titã, te fez um homem,
Um ser de rocha, em carne tesa,
Em tensa carne belicosa,
Intensa carne desejosa
A revelar-te a louca fera,
O fero amor que por ser puro
Precipitou teu ser titânico
Contra ti mesmo, imenso monstro,
Ávida carne, à enorme penha,
Brutal amor, em pura pedra...
E se hoje incrível dor naufraga,
Em tormentosas tempestades,
Vetustas naus e novas naves
É só por ti que elas afundam
Em novos casos de naufrágios,
É só por ti, imensamente,
Que de cidades inundadas,
Partem repletas de indivíduos
Que amor não têm, mas que uma dor
Inexplicável, sem razão
Oprime peitos tão civis,
Que mesmo assim cismam doer
Sem promontório e sem esquadra.
Felipe Mendonca -
Todos os direitos reservados.
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domingo, 11 de abril de 2010
Canto de fêmea

Dança por dentro
tua dança, pois somente tu
sabes o sentido.
Sonha no teu ritmo,
desafiando a realidade,
sempre dolorosa de se conceber.
Revira os olhos
para ultrapassar teu limite.
Conduz tua força por este fio estreito,
chamado "Amor teu".
O maior de todos os teus dotes
é articular este verbo,
duro, lindo, frágil e impreciso,
que é Amar, com vida.
Teu brilho se faz luz,
para quem catalisa a essência
da razão do viver.
Retomado agora o princípio de tudo,
se solta as amarras
libertas quem nunca foste
e nunca pudeste ser,
uma fêmea absoluta.
Giano
Todos os direitos reservados.
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O Dia Escuro

Na manhã estranha
De tardes tacanhas
Saio com o dia escuro
Embaixo de nuvens negras
Entre as luzes ainda acesas.
No infinito ainda o reflexo
Da queda do último relâmpago.
As marcas da tempestade
Que escureceu todo meu âmago.
Nada impede que eu ande
Entre casas sem muros
De mármores escuros.
A ventania soprando mundo afora.
Talvez eu quisesse ter alguém
Do meu lado agora.
Na primeira esquina
Cruzo com o sorriso aberto
De uma criança escura
Que clareia toda a rua
Que esclarece toda dúvida.
Ninguém sabe o que se passa dentro dos aviões,
Dos carros, ônibus e caminhões
Que param e passam,
Que dão passagem e atropelam,
Passam por cima e salvem
E deixam morrer na estrada molhada de chuva.
Nem por dentro da cabeça das pessoas que não sabem
Que o sorriso largo da criança
Perante o dia escuro
É tão contraditório
Quanto o vôo da ave de rapina
Pelo céu e mar limpo
Entre o sol mais que vivo.
Dias escuros, noites claras,
Manhãs violentas, tardes lentas.
Amores aflorando, ódios sangrando,
Corpos transando, cabeças rolando.
E o dia escuro cresce.
Assim ele aparece.
Assim ele se determina.
Assim ele domina.
O olhar dos que vêem seus filhos
Irem à escola em capas que os protegem da chuva,
Mas não do frio.
O olhar dos adolescentes mortos de tédio.
A perda da vida das cores das tintas.
O triste impulso sem graça do céu cinza.
O fraco aspecto de ternuras sem carícias.
os cruéis detalhes das últimas notícias
Dos jornais, das revistas, nas bancas, livrarias.
A velha que escorrega
Caindo na lama.
Os corpos que batalham
Desejando ainda estar na cama.
Comanda os pensamentos poluídos dos homens do mal
Que guardam o sexo na cabeça e as idéias no pau.
O fundo do coração das moças de mente vazia
Que fazem bebês assim como fazem comida.
A teimosia das aves que não se cansam de voar.
A bravura das árvores que insistem em respirar.
Talvez o mistério da noite venha esconder o medo no olhar.
Mas a realidade é má e tão fácil não irá nos desvencilhar.
E o negro do sorriso da besta
Cobrirá o branco da lua,
Como a urina do bêbado
Escorrendo da calçada para rua.
Se é doce morrer no mar
É amargo morrer no asfalto
Não vale morrer de enfarte
Depois de escapar do assalto.
Nos móteis, os debates de ego
Que se fingem de sexo
Com certeza se acirrarão.
Só que eles nunca saberão
Que nas minhas mãos está a soluçao
Da limpeza de toda podridão
Que toda mentira possa sujar.
Mas não se percam nas confusas palavras desses versos-pensamentos.
Pois o dia escuro, como um pesadelo,
sucumbirá num só acinte
no despertar do nascer do sol do dia seguinte.
(Marcio Rufino)
Todos os direitos reservados.
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E...

E...
E todos os sonhos que sonhei?
-Simplesmente me obrigaram a acordar
Me proibiram de sonhar
E colocaram meus pés no chão
E todos os castelos que construi?
-Tiraram-me o príncipe
E tiraram o dragão
Tiraram a princesa, agora sem proteção
E todos os suspiros que dei?
Perderam-se num quarto escuro, na solidão
Perderam-se no vazio, ecoando no meu coração
Perderam-se entre soluços e lágrimas
Perderam-se num verso de uma canção
E tudo que senti?
Perdeu-se no último abraço que lhe dei
Perdeu-se na última vez que meus lábios tocaram sua face
Perdeu-se quando te ouvi dizer adeus
Autora: Tamires Alci
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