Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
quarta-feira, 2 de junho de 2010
em mim mesmo
pois fico assustado
com as estranhezas
as quais vejo...
Pensar consome
as entranhas ...
Prefiro namorar
com a impessoalidade...
Corro para meu quarto
e admiro a geografia
que o decora,
as cores são
de um vermelho intenso,
quase um sacrilégio...
As janelas possuem vitrais
como os das catedrais...
Gosto do recolhimento
de monge
que apura
cada sutil toque
que a natureza propicia.
Abro as janelas
a ventania traz gotículas
de chuva-de-vento
e acaricia
minha pele
nua e crua.
Jorge Medeiros (07-11-2008)
É só esperar o outro dia...
terça-feira, 1 de junho de 2010
há a procura
e o alvo se dissipa
nas estradas
e no caminho...
não há a certeza...
A cada instante
há a despedida
nos olhares que encontro
há ausência...
a cada segundo
tudo se esvai...
O que insiste
em ficar
-no canto-
do olhar, presa,
imóvel,
é a lágrima,
que, imperdoável,
não me liberta
a alma
e não me deixa
partir...
Jorge Medeiros
(01-05-2010)
domingo, 30 de maio de 2010
Marcio Rufino representa o Pó de Poesia na 3ª edição do sarau "Cidade Atravessa".

O poeta abre o evento lendo o Manifesto do Pó de Poesia composto por Ivone Landim.
O sarau Cidade Atravessa é um evento realizado pela editora Confraria do Vento em parceria com a Casa das Rosas e o Projeto OX toda segunta sexta-feira de cada mês. Atendendo a um convite do grande poeta e xará Marcio-Andre, tive a honra de participar deste importante evento na noite de 21 de maio de 2010. Antes de ler dois poemas de minha autoria fiz questão de ler o Manifesto do Pó de Poesia de autoria de nossa poeta, professora de Literatura, arteterapeuta e ativista cultural Ivone Landim. O evento teve também a participação de outros poetas como Reynaldo Bessa, Beatriz Bojo, Alex hamburguer, Luiz Roberto Guedes, entre outros, além da exibição o curta Cidade-Resposta de Marcio-André. Uma entrevista do escritor Paulo Scott com o escritor e fundador do CEP 20000 Guilheme Zarvos fechou brilhantemente o evento.
Assista o vídeo
De emocionar...
Procissão
descompassada
onde não há
cânticos conhecidos
não há rezas certeiras
ou costumeiras.
é apenas um ir
indo pelo ir
pela exigência
do passo
pra um caminho
que desconheço.
a ladainha
da vida
segue
contínua
permaneço
na procissão..
até quando?...
Jorge Medeiros
(15-05-2010)
UMA FADA NA NOSSA NOITE

UMA FADA NA NOSSA NOITE
(Poesia dedicada a poeta Sarinha Freitas)
Eu fui apenas abrir o portão
O céu estava escuro
A noite estava nublada
No céu havia um deserto sem nada
Eu apenas abri o portão
Esperando ver do outro lado
A praça vazia
Descobrir que nem vida existia
Eu apenas abri o portão
E uma fada apareceu
Uma esperança nasceu
Uma fada vestida de humildade
Uma estrela que iluminou e trouxe vida em nossa noite
Uma fada esculpida de amor e amizade
Autor: Arnoldo Pimentel
sábado, 29 de maio de 2010
CANÇÃO PARA NÃO MORRER, CANTIGA PARA NÃO MATAR
quando quente
glorificar os parafusos que sustentam a prateleira
no perpetuar dos sonhos absortos sob a língua que não mais trepida,
mas que esconde com a palma de sua mão
o sangue que esvai pela hélice do ventilador
por roer o mórbido encarniçado
numa apostólica alegoria de carnaval.
Uma mão sem dedos acena,
sorri com seus nervos à espera dos
comichões promocionais
e entre suas indecifráveis linhas
o sapato cai,
o gato cai,
a faca cai
e o desespero sobe
--- Zé Pilintra avança com a sua bicicleta de dez marchas ---
o infinito pertence ao passado e ao futuro a agonia.
Adormece o anzol entre a massa encefálica de seu travesseiro de almas,
transparente-aparente-ardente o fel que se faz do excitar de suas entranhas,
sua voz = minha cruz
seus desejos = minhas vontades
seu gozar = minha vez de lamber o corrimento das feridas.
do livreto "Os Covardes Também Cantam Canções de Amor"
de Sergio-SalleS-oigerS
₢.2000 - Gambiarra Profana / Folha Cultural Pataxó
Desespero romântico

Só, na penumbra,
Depondo um caule seco
Na tigela,
Uma questão me ressumbra
Sob a luz da vela:
Que nos resta
Senão o espinho
E esta vazia cela?
Haverá fortaleza,
Haverá natureza
Que suporte isso
Neste terreno cediço?
Franca beleza
Que não perca o viço?
Ó louca lua,
Vermelha e nua,
Dize-me ao menos
O que é o ser
Nesta vida de somenos?
Dize-me que são
Estas falanges
De gente morta e exangue?
Dize-me quem são,
Tu que, súbito,
Demudada e lenta
Surges rubra,
Sanguinolenta,
Carnívora
Nesta atmosfera
De corpo e sangue.
Dize-me o que é
Esta gente langue
Que volta pra casa
Silente e estanque
Seguindo num bonde
Que chega aonde
De paludes sombrios?
Dize-me o que é,
Sob esta atmosfera
De pântano e fera,
Tanta gente que espera
Ouvindo o carrilhão
Vibrando da catedral
E de abissal região!
Dize-me que são
Os mares e marés,
O sol e as estrelas.
Sobretudo as estrelas!
Essa louca vontade
Que tenho de vê-las,
De tê-las
E compreendê-las.
Fala-me do quark
E do quartzo,
Tu que surges
Na janela do meu quarto,
Tu que a tanto nos observas
Como a um filho
Após o parto.
Dize-me quem és,
Filha de Théia,
Irmã gêmea da Terra,
Que pelo céu erra
Desnuda e atéia!
Dize-me o que são
Tanta forma e estrutura,
Tanto véu de loucura
Que em si tudo enclausura.
Dize-me o que são
Tanta vida
Ao rés desse chão
E esses corpos no escuro
Que alheios caminham
À própria matéria
Contra toda a sorte,
À espera da morte
Em solitária clausura.
Dize-me o que são
Tanta nau naufragada,
Tanta onda cansada,
Tanta vida afogada,
Tanta gente sem glória,
O Ser, o Tempo e a História!
O que dizes?
Nada dizes!
Apenas sussurras
Por sobre as marquises:
- Intrusa, irrompida vida,
Ainda recente ou finda,
Inunda logo a avenida
E tua cela vazia...
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
A arte de Gabriela Boechat
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Me encontrar...
O Poeta Divino Márcio Rufino...
terça-feira, 25 de maio de 2010
Primavera em pleno outono faz sucesso no Donana

O poeta Arnoldo Pimentel autografa seu livro "Ventos na Primavera".

Poetas na penumbra: Dida Nascimento, Fabiano Soares da Silva, Rodrigo Souza, Sergio Salles-Oigers, Arnoldo Pimentel, Henrique Souza, Vicente Freire, Marcio Rufino e Rômulo Pimentel

Os poetas Jorge Medeiros, Ivone Landim, Felipe Mendonça e Marcio Rufino

O poeta Marcio Rufino é o mestre de cerimônias

A poeta Ivone Landim

O poeta Jorge Medeiros

O poeta Sergio Salles-Oigers também homenageia Arnoldo

O poeta Rômulo Pimentel

O poeta Fabiano Soares da Silva

O poeta Henrique Souza

O poeta e ativista cultural Vicente Freire

A artista plástica Gabriela Boechat

O poeta Arnoldo Pimentel
Próximo de completar dois anos, o Pó de Poesia acaba de parir seu primeiro rebento. Trata-se de “Ventos na Primavera”, primeiro livro solo do nosso companheiro, o maravilhoso poeta Arnoldo Pimentel, editado pelo grupo Gambiarra Profana em parceria com a editora Pataxó. Tendo na capa uma belíssima ilustração da artista plástica Gabriela Boechat, o livro foi realizado de forma elegantemente artesanal e tem participações afetivas de poetas do Pó de Poesia e da Gambiarra Profana como Marcio Rufino, Ivone Landim, Sergio Salles-Oigers, Fabiano Soares da Silva entre outros.
O lançamento foi um grande sucesso na noite de 22 de maio de 2010 no Centro Cultural Donana em Belford Roxo. Contou com a apresentação de Marcio Rufino e com a presença de poetas da baixada fluminense e de outras regiões do Rio - como o poeta Xandu - que homenagearam o poeta lendo seus poemas. O evento contou também com uma mostra de curtas- metragens do Cine Rock e com exposição dos quadros de Gabriela Boechat.
A noite foi muito emocionante para todos nós e temos a honra de dividirmos esse momento glorioso com todos os seguidores, amigos, visitantes e leitores do blog do Pó de Poesia. A cultura de Belford Roxo e da baixada Fluminense agradece.
O Amor me Pegou

O Amor me pegou
Entre solidão e música romântica
Entre meu quarto e minha cama.
Quando de repente
Me lembrei da primeira vez
Que vi seu rosto
De repente me vejo aqui
Com esse leão feroz
Querendo saltar de dentro do meu peito.
Que vai dar no mar
Que nos levará para uma ilha
feita para nós dois.
Guardada por um deus grego
E uma santa católica
Que se compadeceram
Da sinceridade do meu amor.
Será que você não vê
Que meu coração
è uma baleia gigante
Que ondula, pula e salta
De cabeça para o rabo
Num mar de bem-querer.
Mas eu fico aqui nesse quarto
Totalmente exilado, alienado, separado
Desse mundo que não se cansa
De correr lá fora.
Dessa gente que não se cansa de andar lá fora.
Não quero que minha solidão me enterre em terra frouxa
Me comendo da carne em incerteza
Que é a destruição.
Mas me conduza em estradas iluminadas
Por noites escuras de lua e estrelas
Que é a paixão.
Bendito seja seu rosto vermelho
De vergonha e charme.
Bendito seja seu olhar infantil
De inocência e arte.
Ainda hei de ver chegar o dia ou a noite
Em que numa mesa de bar
Ou numa festinha de estar
Chegaremos juntos
Passo a passo
Palavra a palavra
A verdadeira razão espontânea de sentimentos.
Não quero que minha loucura
Faça com que minhas unhas e meus dentes
Me estraçalhem vivo
Que é a morte.
Mas faça com que meus lábios e minha língua
Percorram os pelos do seu corpo
Sugando a sua energia
Que é a sorte.
Maldito seja todo o rosto pálido
De hipocrisia e maldade.
Maldito seja todo olhar frio
De ironia e falsidade.
Ainda hei de ver chegar a tarde ou a madrugada
Em que você vai me ver
Como uma pessoa
Que te quer muito amor
Que não é só um corpo
Capaz de dançar
Mas de fazer música.
Não é só capaz de comer
Mas de sentir fome.
E aí você vai entender
A razão do que eu digo
Pois é com muito orgulho
Que eu grito
Com todas as minhas vísceras
Que o Amor me pegou.
E é ele quem me abre o coração
Para você passar
Assim como Moisés abriu o Mar Vermelho
Para o povo hebreu caminhar.
É por isso que eu sou seu
Mesmo que você não queira.
É por isso que você me domina
Mesmo que não me deseje.
Agora cala minha boca.
Não quero mais falar.
Não quero mais te olhar.
Não quero mais traduzir em versos
Tudo que os meus olhos lhe revelam
E meu coração pensa.
Tudo que minha boca insulta
E meu pensamento pulsa.
Já que esse amor não morre.
Renasce em outro crepúsculo,
Percorrendo outros músculos
Em poucos minutos,
De um tempo minúsculo de se querer.
Cresce em reflexos
Num mundo circunflexo
De dias perplexos
De sentido sem nexo de se viver.
Se reproduz desesperado
Num momento exato
De corações apertados
E sentimentos frustrados de se esperar.
Morre em braços duros
De homens maduros
De pensamentos obscuros
e corpos profundos de se entregar.
Marcio Rufino
Todos os direitos reservados
Bruxo
palavras
aprisionou-me
a atenção
vasculhou minha
cabeça
bagunçou meu
saber
destroçou o meu
querer
dominou-me de todo
jeito
deixou meu corpo
ir embora
e fixou em seus olhos
minha alma
que não pôde partir.
Jorge Medeiros (23-05-2010)
(Em homenagem ao encontro impactante que tive com o artista Xandu)
Lu se ama
disfarça o segredo
e assume bem cedo
força num só arremedo.
Lu solta seu pensamento
no certo momento
na voz sem sofrimento
mas com todo envolvimento.
Lu aprende e ensina
na vida de simples menina
na mente e garra feminina
nunca a limites se confina.
Lu leva o profundo pra cama
no silêncio diz quem ama
e antes de tudo, Lu se ama.
Giano
Todos os direitos reservados.
Tão louco
Como as gaivotas
No fim do dia
Invento sussurros
Tão frio
Como a pele
De tuas montanhas
Desfaço segredos
Inventados por atores
Improviso
Saio de cena
Sem o beijo desejado
Sem a lágrima inevitável
E sem vontade de ir embora
Nesta noite tão fria.
Fabiano Soares da Silva
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Odisséia

Caudal enorme
De pressa e de ódio,
No leito asfáltico,
Perturba os homens.
Calor de máquina
De brita e de aço
Poreja a pele,
Sufoca o peito,
Sufoca o pleito,
E a todos deixa
Em alta noite
Insones, nulos.
E oprime a boca
Que pede vez,
Que pede voz,
Um pouco d’água,
A fim de sede,
Tal qual de Tântalo,
De fera estiva
Matar enfim.
Mas, há bebida
Que te refaça,
Um calmo rio
De leito manso
Que o lasso músculo
Vigore e molhe?
Não há natura
Que a crosta fure
E acalme a fúria
Febril e muda!
Não há natura;
Só louca lua
Desnuda e gélida
Que se insinua
De noite arcaica,
Por entre gretas
De tua dor,
E nu te deixa
De couro e seda
Com teus broquéis.
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
sábado, 22 de maio de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
PEQUENO PARAÍSO

PEQUENO PARAÍSO
Tudo era azul
Era sorriso para quem precisasse de abrigo
Abrigo pra quem precisasse de sorriso
De riso
Tudo era apenas uma fantasia
Que brotou da nuvem que passava
Para clarear a tarde cinzenta
Todos os brinquedos
Estavam espalhados pelo chão
Ilhados e isolados
Como uma rosa depois de perder
Um botão
Tudo era apenas um azul
Que não era celeste
Nem mesmo a cor do meu olhar
Nem minha alma sem vestes
Eram apenas estrelas dos brinquedos
Que sem medo
Ficaram sozinhos e espalhados
Pela minha sala
Minha sala decorada pela minha ausência
Minha sala que não era azul e nem servia de abrigo
Que não era sorriso
Nem riso
Era apenas meu pequeno paraíso
Autor: Arnoldo Pimentel










