Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
domingo, 19 de setembro de 2010
A PONTE E O RIO
A PONTE E O RIO
Autora: Analuz
Blog: HTTP://aluzdeana.blogspot.com
É uma das melhores poetisas que tenho o prazer de conhecer, seu blog é de qualidade, com textos inspirados e profundos, além da beleza poética.
Sob a ponte de meus versos
-elo que liga o agora ao que não finda-
Corre, nefasto, o rio que represei...
O rio que me lava...
Que me leva...
Que me lavra...
Que me livra...
Das mágoas que afoguei...
sábado, 18 de setembro de 2010
APACHE
APACHE
Eu estava aqui
Você chegou
Me encontrou
Me conquistou
Arrancou minha alma
Me derrotou
Me humilhou
Me expulsou
Eu tentei lutar
Eu resisti
Eu sorri
Eu perdi
Eu morri
FACA DA ESPERANÇA
FACA DA ESPERANÇA
Não vai mais cavalgar pelos campos abertos
Não vai mais viver por aqui
Teve sua pele arrancada
Pela faca da vingança
Pela faca da esperança
Teve seus olhos entristecidos
Vendados para não recordar
Pelas nuvens de um novo tempo
Tempo que atravessou o mar
As penas brancas coloriram
Seus tempos de glória
Sua liberdade solta nos ventos
Liberdade que hoje não tem nem momentos
As nuvens que traziam a chuva
Viraram mormaço
Alimento escasso
Cercado pelo braço forte
Pelo corte
Não terá mais vida aqui
Seu tempo já passou
Os búfalos das pradarias sumiram
Sua cultura sucumbiu
Depois que o mar se abriu
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Extermínio

Meu corpo se depreende
Do Igarapé que há em mim
Entre as cenas na tela
Da saudosa pele de "Cherokee"
É a tinta da terra que
Se acorda para guerra
Com a máscara do tempo
Assisto num sobressalto
Movimento brusco que
Envermelha a pele
Infortúnio de um planeta suspenso
Os dentes agarram a faca
É o extermínio atravessado na boca
O cavalo é mensageiro
Galopa e anuncia o derradeiro golpe
Os ancestrais jazem no Campo Santo
A tribo que se vai é a minha
E as estrelas enfeitam e findam
Uma geração de almas
Há penas por toda parte
Sangue e penas e gramas e memórias
Nas mãos que seguraram os filhos da terra
O último suspiro na mira
É o orgulho da raça
Rastro do vermelho de "Cherokee"
Que apaga seu rosto da grande mãe
A tela atrai os raios de justiça
Desistindo do brilho que há no fim
Dos povos índigenas...
Ivone Landim
Todos os direitos reservados
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Visceral...
terça-feira, 7 de setembro de 2010
PASSOS NO QUINTAL
PASSOS NO QUINTAL
A madrugada já estava avançada quando foi despertado pelo pesadelo que
Infligia seu sono. O quarto estava iluminado por uma tênue luz do abajur na cabeceira ao lado da cama. Levantou-se, calçou os pequenos chinelos e caminhou para fora do quarto. O corredor estava escuro, mas conseguia enxergar a escada. Desceu devagar, degrau por degrau, ainda assustado pelo pesadelo que o despertou no meio da noite. Chegou na sala que também encontrava-se na penumbra e seguiu devagar, quase que tateando as paredes em direção à porta.
A noite estava fria e caía uma chuva fina. A porta foi aberta e o pequeno menino apareceu timidamente, sentindo o frescor na varanda, seus olhos estavam sonolentos e sua face deixava transparecer um certo temor. Caminhou lentamente para o quintal, ouvindo as vozes da noite que sussurravam seus temores, suas fantasias, sua esperança de alcançar a liberdade que está tão distante ainda. Parou no meio do quintal, próximo ao balanço, que viajava de um lado para o outro, empurrado pelo vento, e sentou-se na grama para brincar com as pedras sem importar-se com a chuva fina que molhava seu rosto. As pedras subiam e desciam seguidas pelo olhar e aparadas pelas pequenas mãos antes de tocar o solo. As pedras subiam e desciam levando-o sonhar através das estrelas escondidas pelas nuvens, pela chuva que refrescava sua alma. Deixou as pedras de lado, levantou-se e seguiu caminhando. O portão estava à sua frente, era só abrir e a liberdade da rua estaria inteira, vacilou um instante, imaginando que os monstros lá de fora, da rua, da vida, poderiam ser piores que os que habitavam seu quarto. Adormeceu no gramado, cansado de procurar uma saída, de ser prisioneiro do castigo no quarto escuro, habitado pelos monstros das histórias infantis feitas e contadas para ninar crianças, onde os pesadelos entravam com o vento pela janela
Sarau Donana - Dia 25 de Setembro
"Pó de Poesia espalha seu pólen"
Participação Especial: Fã-clube da banda Legião Urbana
Local: CCDonana
Dia: 25 de setembro
Horário: À partir das 19:00
domingo, 5 de setembro de 2010
HOJE
HOJE
Autora: Silviah Carvalho
Estremeço ante ao vento sibilante do amor
Fujo de sua força, do seu poder,
O amor é entrega despercebida da alma
Passamos a viver a vida de outro ser
Hoje contenho meus sentimentos
Cansei de me ver sofrer
Abri no peito um esconderijo
Onde me escondo quando quero me perder
Hoje meu coração se contenta com o silêncio, é ausente.
Vez ou outra quer voar, não permito
Ele fica descontente...
Tudo é tão efêmero aqui dentro da minha mente
Hoje calei minha voz, ouço o vento, que nada diz
Apenas ecos de momentos vãos
Que nada importam, são lembranças do que não fiz
...Aquieto-me no consciente segredar do meu coração
sábado, 4 de setembro de 2010
Negro de valor...
Sabedoria para as cabeças pensantes,
Mas que só pensam em dinheiro,
Em riqueza...
Em nobreza...
Pensando que a tal nobreza...
Se encontra no ter, no poder...
Envolvido pelos brancos, brancos de cor...
Que muitas das vezes não tem valor.
Porque para ser de valor, oh meu SENHOR, independe de cor...
Credo
Sangue
Depende é do interior.
Da atitude
Da coragem...
Que os negros descriminados, que são até hoje, tiveram...
Mas eles são audazes e jamais perderão a majestade.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
DO SEU CORAÇÃO
DO SEU CORAÇÃO
Acho melhor deixar as coisas como estão
Não adianta sair procurando por ai
A doçura de um sorriso
O calor de um abrigo
Ou um paraíso
É melhor continuar no mesmo canto
Não cativar as pétalas de orvalho
Que nascem na brisa
E descobrir o que é amar
E depois chorar
Acho melhor ficar encolhido
Sentindo o frio da solidão
Para não ter que sangrar
Não sentir esperança ao olhar a vastidão
Do seu coração
DESARRANJO

DESARRANJO
Autora: Luciene Lima Prado
Luciene é formada em letras, professora de Literatura, Português, Inglês
Nem o campo nem o abrigo,
Nos momentos que não durmo,
Acolhem meu desaprumo.
A me firmar não consigo,
Segue-se o tempo em curvas,
Onde me entonteço.
Cada pensamento um tropeço,
Que se esfriam nas chuvas;
Faço do que não quero meu transporte.
Nem a rua nem a cama;
Envolvida pelo fastio que me chama,
Eu, então, me calo e me dito a morte.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
À toda

Vai
Levando tudo,
Retrovisores, pára-choques,
Pára-lamas, muita lama
Jogada sobre as gentes,
Galhos, braços, folhas,
Choro, choro, choro...
Vai
Engolindo tudo,
Ruas, casas, becos,
Homens e avenidas,
Idas, vindas em itinerário
De atropelos em tropel –
Turbamulta e multas...
Vai atropelando tudo
Vertiginoso,
Irresistível,
De roldão,
Enquanto perco a cabeça
E boto a cara pra fora,
Sentindo o vento nas ventas.
Vai sem placas,
Impetuoso,
Sem freios,
Sem meios
De melhorar a condição,
Enquanto perde a cabeça
E a direção nessas curvas.
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados
terça-feira, 31 de agosto de 2010

É preciso que se grite pelo amor
que ficou no esticar
e no dobrar dos lençóis.
É preciso pôr o amor
sobre a mesa
na xícara de café requentado.
É preciso procurar o amor
nos lixos da cozinha, no banheiro,
no quarto, no sal e no palheiro.
Exercitar o beijo
é preciso companheiro.
Trovoar o amor que adormece
as noites
no céu que relampejeia.
É preciso suspirar o amor
como se fosse a preciosa
vida dos filhos.
É sui generis ninar o amor
para que os sonhos não se acabem.
É preciso dar bom dia ao amor
antes de reparar no cabelo desfeito.
É preciso urgentemente surpreender
o amor
pois,
o marasmo e a maresia
trazem uma calma desnecessária ao amor.
Ivone Landim
Todos os direitos reservados.
Fanzine Entrelinhas de Ivone Landim é premiado no Forum Cultural da Baixada
Prêmio Baixada 2010 - Literatura: Prêmio Especial/ Literatura: Projeto Entre Linhas - Nova Iguaçu
Ivone Landim Professora de Literatura do João Luiz do Nascimento - FAETEC -NOVA IGUAÇU - Poeta. Criou o Projeto Entrelinhas em 1990. Esse Projeto é feito em parceria com os alunos que editam poemas próprios, de funcionários, poetas tradicionais, e poetas de outros grupos.
Com objetivo de criar novos públicos que divulgue o fazer poético e que convivem com a estética das palavras. A poesia tem ajudado na auto-estima e tem sido agregadora diminuindo assim a distância entre os alunos.
Transcrito do site Rede Cultura. ning
domingo, 29 de agosto de 2010
Rosa vermelha e seu licor...
Lágrimas escorrem pelas curvas do meu rosto.
Seguro na mão a rosa vermelha que um dia eu fui.
E luto, luto todos os dias para continuar sendo...
Mesmo não suportando o cotidiano, pois sou mulher de Áries!
Eu busco, eu tento, persisto e invento.
Pois sou o licor degustado com ardor.
Não todas, mas o suficiente para saber...
Que amar dói...
Mas também constrói.
Que amar alimenta...
Mas também pode matar.
Matar os sonhos...
Mas pode também ressuscitar, e dar um novo verso ao papel
Que um dia foi escrito com muito amor e mel.
Que não se cansa de lutar.
E de intensa que é, busca ser imensa do tamanho do mar.
Sem obscuros a rodear...
Liberta e livre como o rouxinol.
Andando por becos,
Pontes,
Marginais,
Temporais,
E com alegria, roseirais...
Querendo vitória sem ironia
Querendo poesia sem agonia..."
Com as areias das minhas ilhas...
Lutando sempre pelos meus anseios.
Podem não ser os mais indicados, mas são meus...
Então, não interrompam, muito obrigado!
Você é dos meus.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
A INIMIGA

A INIMIGA
Autora: Gabriela Boechat
Gabriela Boechat é artista plástica e faz parte dos grupos de poesia
Gambiarra Profana e Po-de-Poesia
Eu Arnoldo Pimentel tenho muito orgulho de ter divido a noite de autográfos
do meu livro "Ventos na Primavera" com a exposição "Nu da Minha Voz" da minha
amiga Gabriela Boechat no Centro Cultural Donana
Aprendi
Da maneira mais gentil
Que minha inimiga mora aqui
Em meu ouvido esquerdo.
É ela que fala do medo,
É ela que ri descontrolada
Quando a mão que afaga bate,
Quando a mão que bate afaga
No costume da madrugada
Na hora do seu sono...
Na hora do meu sono.
É ela que sai do nada vestida de guerra
Prega assim a lança em meu ombro
Me causa espanto
Tinha esquecido dessa gana de ir!
Mas pior é quando em remanso ela chora encolhida
É assim quando sem nada explicar, meu amado me manda ir...
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Mania de Mar

Na primeira vez que eu vi o mar
Eu não entendi nada
Tinha acabado de acabar a madrugada
E o azul que estava em cima
Era diferente do azul que estava embaixo
E a formosa linha sem cor estava ali no meio.
Hoje eu me amarro no mar
Minha mãe tem medo do mar
Meu pai não tá nem aí pro mar.
A mulata que entra
O moreno que sai
A sardinha que pula
A gaivota que cai
De boca
Na ostra.
Jogam merda no mar.
Meu Deus.
Por que fazem isso com meu mar?
Mergulho no mar que não muda
Deixo molhar em meu dorso sua espuma
Vejo o mais destemido surfista e sua prancha
Vejo a mais libidinosa mocinha e sua tanga.
Isso não é nada frente a imensidão do mar
Que é traiçoeiro
Que é cancioneiro
Que é poderoso
Que é misterioso.
Que tem maresia
Dentro de sua poesia
Que rola na areia
nos olhos da sereia
Cansada de chorar
Choro salgado de mar.
O mar tem mania de não sair de moda
Ele molha nas pedras suas histórias
De piratas e marinheiros
De caravelas e navios negreiros.
O mar invade meu nome
Se fundindo com o cio
Mar-Cio
Marcio
Essa coisa me melhora
A cada hora de minha molusca existência
Mesmo que isso não encha os olhos de ciência.
Não me canso de viajar
Quando danço com o barulho do mar
Lembro da bela deusa que nasceu do mar
Lembro de tudo que o mar dá
Me esqueço de tudo que o mar pode levar.
Que um dia o mar me leve
Para o fim de seu infinito
Através da carcaça de uma baleia
E eu ilustre habitante dessas ondas
Possa andar por entre as conchas
Contemplando o fascínio d'alem mar
E que meu coração romântico
Se lance no Oceano Atlântico
Onde ele nunca há de parar.
Marcio Rufino
Todos os direitos reservado
ADJETE & Relaxe
luz, paixão, vida,
leia-se política,
Deus, amor, avenida ou
outro qualquer substantivo.
Nem sempre a fala é completa
ou se anda torto em linha reta.
Onde se lê mago, bruxo, operário...
que mal pode haver noutro vocabulário.








