Nascida no Estácio de Sá
Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Prazer...
Nascida no Estácio de Sá
terça-feira, 10 de maio de 2011
Esquilos
All Start contemplando os esquilos.
que a tarde galgou inocente.
A sombra expandida dos teus cabelos,
atiçou a minha lente.
Senti a penumbra das copas,
lembrei dos dedos talhando emoções..
O canivete suiço, e dois corações,
que sequer se ligam mais.
e então..
Senti a minha paz
e o meu olho virou árvore
que devora vulto.
Poema de Nina Araújo
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Carlos Drummond de Andrade
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
Garoto de Aluguel...
Baby !
Dê-me seu dinheiro que eu quero viver
Dê-me seu relógio que eu quero saber
Quanto tempo falta para lhe esquecer
Quanto vale um homem para amar você
Minha profissão é suja e vulgar
Quero pagamento para me deitar
Junto com você estrangular meu riso
Dê-me seu amor que dele não preciso
Baby !
Nossa relação acaba-se assim
Como um caramelo que chegasse ao fim
Na boca vermelha de uma dama louca
Pague meu dinheiro e vista sua roupa
Deixe a porta aberta quando for saindo
Você vai chorando e eu fico sorrindo
Conte pras amigas que tudo foi mal
Nada me preocupa de um marginal
...
As rosas não falam…
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão,
Enfim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim
Mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim.
Descanso
Os petizes brincam nesse quintal
De gramíneas sedes e estão à calçada
Da esperança. A tarde segue frugal.
Um pomar laranja pleno de graça
Ornamenta a vista fenomenal,
Onde a física é a ótica disfarçada
Em beleza, amor experimental.
Na cadeira feita de vime e trança,
O balanço calmo de uma senhora
Que descansa e sonha como uma criança.
No sossego à tarde ela se demora
Sem nenhuma pressa, esmero ou cobrança
Num domingo longo de uma bonança.
Soneto de Yayá
Ave Maria nossa de cada dia
como um farol de esperança
lavam almas na beira do rio
a graça de Deus sobre os ombros
ventres fartos
no momento de se entregar
sagrado, parado
emocional e espiritualmente
entre elas e Deus
filhos assoviando
e não importa se tiver
mais mil momentos como esse
(ou só esse)
é perto daquele momento
em que me tornas real
Poema de Vânia Lopez
Fragmentos dispersos
Depois que se desaprende a engatinhar
quebram suas pernas.
2.
Que raio de sol + fraco!
3.
O artista tem de ser irresponsável.
Para criar é preciso ser malcriado.
4.
Um grito no escuro é luz nas trevas.
5.
escrever escrever
para não passar
em branco
6.
Eu faço de tudo
pra não ter
que fazer nada.
7.
Escrevo bem quando estou faminto
Melhor ainda se deprimido
Escrevo bem melhor quando não existo
8.
Leitura em excesso torna os homens
incompreensíveis.
9.
Uma força bruta te impulsiona para frente
Uma força fraca resiste
Respeite a força fraca
Ela inspira mais confiança
10.
Primeiramente
Os meios
Para qualquer finalidade.
Poema de Andri Carvão
domingo, 8 de maio de 2011
FILHO CAÍDO
sábado, 7 de maio de 2011
Ai Se Sêsse
Cordel Do Fogo Encantado
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse.
Pele...
Então não espere.
Me tome feito prece...
Me rasgue,
Me inunda.
Ardendo feito um tormento...
Que enlouquece,
Que faz bem para pele.
Chupo sua língua,
Te faço de escravo...
No final... Te corôo como rei realizado.
Pablo Neruda
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas pernas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um so mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.
...
Fotografia...
Até o fim de mim...
Ode sem rima
numa linguagem totalmente nova
sem saber qual a próxima linha...
simples letras acendendo o caminho
ardendo de ilusão
menos direta, mas com o mesmo efeito
num peito verso
a palavra é como música
prefiro morrer de emoção
me assustar por todas as suas profundezas
voltar a ti meu único eu
que o papel seja o palco
da palavra nua
até a palavra ser um oceano
o salmo se unir ao papel
(vasto e aparentemente sem fim)
em dias de silencio
Poema de Vânia Lopez
Predestinados...
Durante a chuva
um aguaceiro só. Sinal ligado, carro frio, vidros embaçados, mesmo com o
aquecedor dando tudo. Chove. Somem os buracos, os guardas de trânsito e os
meus passageiros. Nem um ponto onde parar pra tomar um café e papear com alguém.
Água sobre todas as coisas e intenções. Na frente do restaurante chinês, alguém acena,
apenas um vulto e a esperança de pelo menos, levantar o calcanhar da merda. Uma
mulher, morena, esguia, um casaco que não dissimula o corpão bem modelado. Ordena
aeroporto. Desligo o sinal. Finalmente ocupado, uma promessa de boa corrida, desde
que pinte um retorno, com um tempo desses. O retrovisor interno me oferece uns olhos
congestionados e duros, uma firmeza que se estende a um queixo decidido e belas
pernas, ainda molhadas de chuva, casaco aberto, mas jeito de pé atrás. Uma voz
tranquila pergunta se pode fumar; claro, o meu coração é de jesus e o pulmão da souza
cruz, há vinte e seis anos, respondo, em troca de um riso e do clique do isqueiro, um
zippo novinho, iluminando olhos negros, de uma beleza diferente, meio escandalosa;
algo de safadeza e orgulho, batidos num liquidificador, com meio copo de campari e
uma rodela de limão galego. Seguimos, rastreados pelo temporal em evolução.
Engarrafamos umas tres vezes; não basta a chuva, ainda existem as murrinhas que
parecem hibernar com o tempo frio e ficam bestando, sob um sinal de trânsito. Digo
um palavrão, peço desculpas, quando lembro que graças às murrinhas consigo espaço
nessa cidade louca e fica bem ser educado com uma mulher tão gostosa, tão perto e tão
distante de mim. À nossa frente, a avenida que leva ao aeroporto, um grande
piscinão,
de um lado a outro. Os maloqueiros já na espreita, sob as marquises, esperando os
carros estancarem, para a aproximação com olhar caridoso e risinho sádico, cobrando
vinte paus pelo auxílio luxuoso do empurra e da flanela esfarrapada para enxugar
sabe
Deus o que, além do meu bolso. Coço a cabeça, olho pra trás, tal um culpado desse
aguaceiro todo; sugiro pegar uma transversal, ela sorri dessa vez com a boca e os
olhos, negros, brilhantes, profundos como o rio do inferno, um dar de ombros como
resposta. Rodamos uns dois quilômetros, até esbarrar noutro rio de chuva, já com o
aeroporto à vista. Engato uma ré, mas ela pede pra parar. Pergunta o preço da
corrida,tira o dinheiro da bolsa, pega um revólver 38 do bolso esquerdo do casaco,
coloca
na bolsa, abotoa o casaco, passa o dinheiro, agradece, sai do carro e caminha pela
divisória das faixas de trânsito. A chuva diminui um pouco. Na calçada, as árvores
erguem seus galhos nus, como quem implora.
Conto de André Albuquerque.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Soneto inglês para Alice
No início, tudo era silêncio e escuridão,
Até o momento crucial da Grande Explosão.
De ponta cabeça em seu sótão (meu porão),
Um buraco negro se abriu e eu fiquei sem chão;
O sangue subiu feito lava de vulcão;
A luz artificial feriu minha visão.
Um ser de máscara branca, uma assombração,
Um ser, ou algo, de veste alva – neve? algodão? –,
Me fisgou com afiadas garras de gavião
Do confortável lar macio e quente até então,
De onde, expelido, uivei danado como um cão!
- Todos nós passamos por isso, coração...
Será esta a nossa primeira recordação.
Poema de Andri Carvão
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Novas litanias a Satã
Deus de todos que vagam derrotados,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Pai que por ser tão pródigo e ubíquo,
Fez do homem tanto santo quanto iníquo,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Primordial senhor de todo o andrógino
Que hoje afliges o devasso e o misógino,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Ó fé sem nenhum culto ou liturgia,
Inspiraste a mais negra litania,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Ó tóten ignoto da memória,
Cúmplice do ladrão, de toda escória,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Deus de quem elabora, vil, as farsas
E em transe bebe o sangue dos comparsas,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Pai do que afoga as mágoas na cachaça
E vive um dia-a-dia de desgraça,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Quem põe a quase todos de joelho
Diante de sinistro escaravelho,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Aquele que nos leva, em ânsia e febre,
A tudo dissipar num lance breve,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Ó tu, Pai da cobiça que me aferra
E nos conduz à luta, à inveja e à guerra,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Cão feroz que devora nossa entranha,
Mercador que co’a vida faz barganha,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Pai daqueles que clamam por Jesus,
Mas somente ao inferno fazem jus,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Senhor de quem se assola no cigarro
E ao mundo só oferece o seu escarro,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Sugeres o poeta e até o asceta
E imprimes tua marca à toda meta,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Terror que nos enreda em fortes súcubos,
Paixão que nos persegue até o túmulo,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Moral que leva mesmo os mais notáveis
À fome e à desmesura incontroláveis,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Tu cuja mão engendra os artifícios
De vidas que se perdem entre edifícios,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Deus do acaso, incidente eventual,
Jantas conosco, cúpido e letal,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Tu que tudo vês, nossa atroz miséria,
Malgrado vida pródiga e venérea,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Caído como tu do firmamento,
Fui expulso também do pensamento,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Satã, ouve, portanto, esta oração,
Com que cubro meu corpo em ablução,
(Tem pena, Satã, desta carne deletéria)
Que aqui devoto a ti, toda a semana,
Pai e razão da enorme angústia humana,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Origem do que chamam ser humano,
Tudo que torna nosso mundo insano,
Tem pena, Satã, desta carne deletéria.
Felipe Mendonça -
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