Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
sábado, 10 de março de 2012
As gôndolas nas grandes luas de Plutão
ainda nos víamos, foi numa sombra:
é uma noite nos teus olhos e nos meus,
sem ramos, sem braços, sem ser tua:
é um bosque quase perfeito,
e passando por ela vejo os teus olhos
quase sempre,
o véu das tardes, esta neve árida
num forno sem filhos,
a tinta desses chocos loucamente luminosos,
onde as estradas passam
pelos poentes
Poema de Francisco Eugênio Seixas Trigo
sexta-feira, 9 de março de 2012
Mulher
É não querer do mundo
Jamais provar apenas
Uma colher,
Muito menos
Deixar de sofrer
A dor ao gozar
De prazer.
Ser mulher
É matar em si
Quem se troca
Por uma vida qualquer,
É ser o que se quer ser,
Mulher, desejo fundo
De jamais ser mãe
Senão de um novo mundo,
É querer ser muito mais,
Amar meninos
E vagabundos,
Poetas e assassinos,
Ser mulher
É coser
Para emaranhar-nos
Inda mais no querer,
Ser mulher:
Madalena, Lilith
Ou Helena a amar-nos
Como hiena ou menina,
Ah mulher,
São luas cheias
Tuas nádegas
E minha boca as pleiteia!
Ah mulher,
Esparjo-me
No teu seio e sexo
Sedento e gago.
Ah, e minha língua
Bebe teu gozo e saliva
Toda a vida
Que em ti nunca míngua!
E nos teus cabelos
Sorvo o perfume
Que me transporta
Aos altos cumes...
Sorvo tudo
Em longos haustos
O teu corpo desnudo
Onde me farto exausto.
É alongado espasmo
O meu gozo
É cair, transe, orgasmo,
Num fundo poço.
E quando descanso
Enfim
É porque te traduziste
Em mim...
E só descanso
Quando sei
Que foste além da colher
Que te impede mulher!
Quando sei
Que enfim
Cumpriste o teu mister
E te tornaste, sim!, a Mulher.
E o teu mister
É amar,
É querer beber
Todo o mar!
É saciar
Desejos inconfessos,
É quebrar
Os votos professos,
É rezar
Para o Diabo
E deixar que te amem
Toda, de cabo a rabo!
Ah mulher,
Que fizeste?
Estamos nus
E é a nossa nudez o que nos veste.
Mulher,
Que fizeste
Senão amar tanto
Santos e cafajestes,
A ver neste chão
No qual piso
Tudo que é sublime
E celeste?
Ah mulher!
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
quarta-feira, 7 de março de 2012
[nos reflexos do sorriso]
iluminadas,
e nos reflexos do sorriso, teu,
desapareceram as ansiedades, minhas,
…
mudam-se os ventos, molda-se
o barro, e da água constroem-se
castelos de núvens que ficam
como os de areia, aguardando.
…
Aguardo-me no tempo da viagem,
que o tempo me esqueça,
que março termine,
que o mar acalme,
e nestes tempos que o tempo
tenta desfazer,
brotam corais nas lagoas paradas,
trotam cavalos loucos pelos
campos de linho,e o sol
destapa-se da noite em aurora.
…
Posso não compreender as faces
do mar, nem as alturas das ondas,
nem o cantar da baleia azul,
posso,
…
do tempo que me escasseia olho-o,
sem temor, sem nostalgia,
que o raio seja breve,
e que da terra sem margens
ou barreiras, sossegue a flor de lótus.
…
No sorriso, só teu,
ficou o olhar, só meu,
e,
no tempo de todo o sempre tempo,
se encurtem as viagens,
que regressem as andorinhas,
…
por fim.
[Afinal, a tua primavera, está tão tatuada em mim],
[...]
final: nada mais me interessa,
resta-me o mar, e o som de um violino,
que o tempo então, me esqueça.
Autor: Transversal
terça-feira, 6 de março de 2012
ave maria Cheia de Graça
garra que agarra
terra acolhedora
luxúria no corpo
sonhos de conhaque
reflexos do infinito
por centímetro ou quilometro
devoram caminhos
costela de Adão gerada no útero
choram intensidades
para saborear com seus chinelos
sufocam abismos com um biscoito
há algo poético quando afastam o mundo
ajeitando os cabelos
quando a primavera reflete-se
no canto dos lábios
teme-se a doçura da cor
passam como séculos
mas se eu disser a você
... tudo desaparece
(como se se esconde-se de Deus)
Uma pequena homenagem
as mulheres.
Poema de Vânia Lopez
segunda-feira, 5 de março de 2012
rubor
pintando a aquarela perdida
nas sete cinzas do meu peito
Caem as gotas na minha teia
de sangue em veios da ferida
que me atingem de lua cheia
Abro abraços em sete léguas
mediando noites entre vida
e adormeço flores nas águas
Reino por sobre o escombro
da paz feita árvore vencida,
esperança partida no ombro
Lançam as cores que me deste
amor em véu e terra abatida
no azul do céu, nada celeste
Entram mais umas inocências
na paleta à guache escorrida
cores e gestos de infâncias
Trabalham meus fios de trigo
misturando em rima à medida
o pão de verso que é consigo
Poema de Caíto
sábado, 3 de março de 2012
Tinta e raiva
vagando em seus olhos arranhando o céu
(da minha alma).
Autor: Vânia Lopez
UM VENTO NA NOITE DO TENNESSE (Arnoldo Pimentel)
UM VENTO NA NOITE DO TENNESSE
Abriu a porta e saiu para a varanda, queria sentir o frescor do anoitecer, ficaria por ali olhando a estrada de terra que passava em frente ao portão. A varanda era grande, com algumas plantas, assim como o quintal daquela tranqüila casa de campo. Caminhou até a cadeira de balanço do lado esquerdo da mesa de madeira e sentou-se. Do outro lado da estrada havia uma casa, do lado esquerdo uma curva e do direito uma reta até o centro do bairro. Ali é tudo quieto, vez por outra passava um automóvel e podia-se ouvir os pássaros e o som do riacho lá no fundo após a curva da estrada de terra. Seu coração já não era tão forte como em tempos passados e por isso não se sentia bem na cidade, não se sentia mais um homem urbano. Depois de alguns minutos sua esposa, companheira há mais de cinqüenta anos veio sentar-se ao seu lado, com passos também curtos, um tanto cansados, atravessou a distância entre a porta e sentou na cadeira de balanço ao lado da sua. Ficaram alguns minutos em silêncio admirando o anoitecer. Ela sabia que ele gostava de sentir o toque do vento em seu rosto sem muitas palavras. Assim ficaram e a noite cobriu o quintal, ela levantou, acendeu a lâmpada e voltou a sentar.
- O que você pensa quando está aqui? Perguntou Maria
- Sinto que algo escapa de mim aos poucos. – Respondeu José
- Algo como?
- A vida, talvez.
- Sente-se infeliz?
- Não, sinto-me feliz pela vida que tive.
- sente saudades de quando éramos mais jovens?
- Acho que não, tudo tem seu tempo, agora só me resta esperar enquanto fico aqui sentado observando a natureza.
- Eu sou feliz por todo tempo que vivemos juntos.
- É tão bom ouvir isso de você.
Ficaram novamente em silêncio, quem sabe não estavam lembrando cada um ao seu modo tudo que passaram juntos. A noite era fresca e as estrelas piscavam, talvez para a lua cheia que ilustrava com sua beleza aquele pedaço do céu.
- Quer um refresco? Perguntou Maria
- Quero sim, uma laranjada sem açúcar – Respondeu José
- Vou preparar.
- Enquanto espero ficarei observando a lua e as estrelas.
Maria levantou-se para ir à cozinha e José ficou na cadeira de balanço, balançando e ouvindo a voz das estrelas cantando pra lua. Era apenas um lugar, que ficou escondido no tempo em que a cadeira balançava na varanda, tocada pelo vento, protegida do sol, protegida da chuva, dos olhares ermos que passavam na estrada, dos sonhos que vagavam perdidos, enquanto o outono não dobrava a esquina pra deixar a manhã vazia.
Maria voltou com a laranjada e colocou sobre a mesa, ao lado de José, mas ele não esticou as mãos para pegar, ela sentiu um aperto no coração quando viu seus olhos fechados.
- “Talvez tenha dormido” – Pensou
- José
- José
Ela tocou seu ombro e sua cabeça caiu para o lado
- Meu velho, não me deixe sozinha
- Não me deixe sozinha meu amor, não me deixe sozinha
O vento parou de balançar a cadeira e lua escondeu-se atrás das nuvens que deixaram as lágrimas caírem na noite.
Arnoldo Pimentel
quinta-feira, 1 de março de 2012
uma guitarra de pecados
como se perdesses a noite e sempre a noite
que faltou aos campos
no meio das tuas mãos e poderei,
também eu, ver o que não vi: a geada dos
cordeiros ou a surdez da lua
dominada pelas nuvens.
Eu sei que o teu amor está fechado,
e que é sempre cedo para tê-lo: parece que
o vento é das cegonhas que salvam as jóias
do teu seio e às vezes é de noite, às vezes é
de manhã e o vento prende-se com pequenas
chamas, com a meia urze dos cálices
no horizonte para onde ias: às vezes são
gestos, rosas, uma guitarra de pecados,
os papéis assinados às fontes,
os papéis assinados pelo Novembro, sobre
os degraus para as ilhas que anoitecem,
ou o sol que as segue até tão longe.
Eu já não te escrevia nada e está sempre
vento e quase sempre o lugar
vaginal do quarto crescente,
como um vitelo sobre as marés,
e um vitelo em vigas sóbrias
depois sobre a seda
que um dia trouxe
das harpas e se
como os teus dedos
à volta o dissessem tão suaves
voando, como voando vai um
poente de veias na evocação dos cristais
que alguém atirou para o céu, ou as lágrimas
dessas esmeraldas onde durmo e para onde eu
ia com a tua urgência,
Meu Amor
Poema de Francisco Eugênio Seixas Trigo
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
"quase"
(d)esta! queda-pátria de mim, hora absorta de fins e meios
e termos.. já obsoletos por denotada conduta(e freio..)
ao lapso que te ascende em céu abstracto, parte e pecado
à fé.. por centímetros de linhas, e sinas a este tolo acto..
já nao é a curva que me tomba, nem às rodas que bem sei..
nem à mácula da mentira-pia que te vence, (oh!)não há lei..
não há terras, não há contos e tampouco a predilecção
destes dias inconstantes, quais te perco, de fins e nãos
eu nao aceito que te queiram, eu(já) não quero te aceitar
nem à minha carta que te queimo, nem este lado de mar..
eu.. tenciono deixar-me à deriva, ora, se não me perderei
ao meu teatro de casos impossíveis, letrado, privado, à vez
qual íliada repartida, minha guerra vencida, minha lâmina febril
é este pacto de corpo, de outro consolo que não te seguiu..
e
eu(quase!)
não(te)
quero(mais..)
Soneto de Azke
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
[Há noites escuras]
mais escuras que outras,
noites sem a lua dos amantes,
…
há noites que escrevo sem pensar,
tudo é possível, cometas
no quarto, corais na cama,
caravelas no copo de água
baloiçando,
noites.
Noites que removo o coração,
noites que dispo esta pele tatuada,
e o sangue espalha-se pelo
soalho, e o papel avermelha-se
também.
Há noites que escrevo nas paredes,
sentimentos,
histórias de alguém,
podem ser histórias minhas,
podem ser histórias,
…
e olham-me as sombras, assim,
apenas assim, que fazer?
Há noites que as saudades corroem,
queimam o que resta,
como labaredas desenfreadas,
línguas de fogo sem aurora boreal,
sem,
sem explicar.
Há noites tão escuras,
sem soluços, com todas as lágrimas,
que toda a minha vida me reaparece,
novamente, sim,
novamente,
só não a consigo agarrar,
só não a consigo tocar,
não consigo.
…
Há essas noites mais escuras ainda,
as noites das lembranças,
as noites das recordações,
…
esqueço-me dos dias,
esqueço-me do sonho,
esqueço-me,
…
e tudo revejo,
até a cor do dia,
até a cor daqueles dias
que antecedem estas noites tão escuras.
…
Há noites,
há tantas saudades,
são tantas as minhas saudades,
são tão escuras as noites.
Autor: Transversal
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Flor Camila

para a poeta Camila Senna
Camila menina,
Camila mulher,
Camila poeta,
Camila camélia
Senna entra em cena
E mostra ao que veio.
Em sua doce rebeldia.
Melancólica em sua poesia.
Guerreira em sua ousadia.
Musa, ninfa que não precisa
Perguntar nada ao pó,
Pois o pó já lhe declara todo o amor
E ela como toda mulher-flor
Se abre inteira.
Tesa em sua beleza.
Fenix restaurada das cinzas.
Cinza que faz, desfaz e refaz Camila.
Cinza do pó de poesia.
Marcio Rufino
hidróxido de alumínio
o ponto de fuga
quer meu sorriso de canto,
minha fome,
a metamorfose das metáforas.
mas toda rodovia tem duas,
quatro vias
engolindo, engolidas...
e no refluxo da volta
o verde do oeste,
meio a poeira densa do piche,
revela o sono letárgico das gentes.
Poema de Edilson José
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
[apenas quis]
e mesmo que sextantes as encontrem,
ficam vazios os horizontes,
desconhecidos, descreverei então,
…
perdi-me de ti,
desconhecia
como se encontram as águas,
como se de um rio nascesse mar.
…
Voam as sedas vermelhas além,
além do mar,
e no teu colo me deitava,
assim seja, dizias-me,
na imensidão de sonhos.
…
Quis-me o destino partida,
…
apenas quis,
…
nem uma gota de água transbordou
as margens só nossas,
onde banhávamos os pés cansados,
dos nossos caminhos, disseste-me,
no dia em que o beijo
afastou o vento norte.
…
Quis-me o destino partida
…
apenas quis,
…
sorriste quando escrevemos
poemas no areal que o mar,
um dia, escondeu,
…
recordar-me-às sempre,
disseste-me.
…
Jamais me esqueci do mar,
jamais me esqueci do nosso mar,
e hoje, escrevo-te amar,
…
apenas quis, digo-te,
apenas quisemos, dirás.
Autor: Transversal
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
sempre-viva
neles não me afogo nunca
e as vontades sem podas
sempre-vivas
ornam o cesto do balão – imenso cachepô.
E não há cotovelos gastos sobre peitoris de janelas
ou lugar fixo,
o longe, o perto
ficaria, ficará, ficarei sem rigores nem minúcias.
Não meço espaços entre mim e o mundo.
Poema de Maria Verde
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Ciranda....
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Fevereiro
Texto de Bruno Clemente Machado
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
[e quando as tuas pétalas caem]
das nuvens azuis,
e quando as tuas petalas se
misturam com o mar,
os ventos que sopram sossegam,
as calmarias regressam,
…
os adamastores, em bojadores
floridos,
respiram os odores das madressilvas,
e das tulipas que lá plantaste.
…
Queria-se o poema assim,
apenas assim,
sem tormentas, vulcões,
sem tempestade, furacões,
…
e no tocar do teu cabelo,
e no tocar do teu seio,
e no colar-me ao teu corpo,
[nesse teu aroma de canela],
…
nasce um arco-iris na noite,
e rasga-a,
na escuridão do inverno.
Não sei se é amor, não sei,
nem sei de mim, não sei,
sei da ondulação do teu corpo,
desta minha tatuagem de ti,
sei, que
…
me ondeio nas tuas ondas,
…
sei, que
…
quando te penso, penso-te
mar,
…
sei, que,
…
sempre assim será.
…
[Queria-se este poema...assim],
apenas,
assim...
Autor: Transversal
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
[Relembro-te]
…
das cerejas que se queriam
em cor,
das árvores descoloridas
cobertas por sombras, de núvens
que vogavam sem rumo,
…
relembro-me,
dos dias que seguiam noites,
e o piar do mocho, que se escondia
nos ramos despidos,
…
relembro a terra nos castanhos
da madeira que rangia,
no sal que se entranhava
nas entranhas do meu corpo.
…
Relembro um mar em fevereiro,
longinquo, longe,
onde o cheiro a canela
invadia espaços fechados,
invadia o ar decompondo-o,
como o prenúncio de uma rota
qualquer,
seguida nas estrelas brilhantes,
adormecidas.
…
Relembro-te nos sorrisos do areal,
no meio do frio vento,
olhando imensidões,
…
distâncias jamais percorridas,
nem pelo sonho.Rasgava
então os mapas,
e sem caminhos,
adormecia no teu colo,
sossegava-nos, relembro-me.
…
Relembro-te em saudades distantes de um mar em fevereiro nas distâncias jamais percorridas... relembro-me dos dias que seguiam as noites e dos meus olhos que se fechavam... esqueci-me da forma das núvens que vogavam sem rumo.
Autor: Transversal
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Digestais
quando os olho, enternecido:
na mão leve, cinco bandidos
transfigurados em meninos.
uma mão procura o fogo-fátuo,
o verso que se relê no ventre,
permitindo, ao verbo incauto,
que, riscando seu nome, entre.
e há leveza em outros dedos
quando voam, pássaros ateus
ao céu do aceno, sem nuvens,
perdidos em gestos de adeus.
Poema de Caíto
