Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



domingo, 26 de agosto de 2012

...que ao abraçar já não pode me apontar uma arma

nas quentes noites de meu desassossego, quem dera minha mão pudesse expressar o que vai em meu peito repleto da estranha beleza que ocupa meus sonhos, na mesma intensidade, com que tenho assistido a mudança das estações, os pássaros migrarem para o sul... esvaziando o céu quando é inverno e em seguida espalham-se pelos campos na primavera, carregando nas pinceladas como se o céu fosse o teto do mundo. em meu coração o tempo para... parece que tudo se move, até mesmo eu. ao perceber isso... o tumulto do silencio parece uma linha de bordar a profunda e poderosa presença da saudade, que ao me abraçar (treme) já não pode me apontar uma arma... minha alma joga a toalha em três pedaços e dois endereços enraizados em meu coração... ao terminar essa carta, espero que compreenda que a distância que separa é o mesmo paraíso que nos cerca onde a história se repete como uma âncora do vento no céu...

Autor: Vânia Lopez

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=229473&com_id=885152&com_rootid=885152&com_mode=nest&com_order=0#comment885152#ixzz24gN0J17Y
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Como estás, estimado amigo

eu não ando bem
envelheço
com os dias tão estranhos sujos de vida e lentos
e tu como vais
tenho saudades
dos tintos naqueles balcões vidrados
até que a mulher nos chame
por vezes a tua
noutras a minha
esta terra tem boa gente e bons tintos
e muitas inconsequências
não achas, amigo
quero saber como andas
não digas que bem
as tuas olheiras trazem metáforas
e todas elas dolorosas
eu escuto
por hábito
porque estou contigo
desde há muito tempo
que quer dizer sempre
sempre é uma palavra de amizade
por onde andas, diz-me
manda uma carta-poema-diário
como costumavas fazer
numa destas tardes
levei o meu desemprego a passear
sentei-me no cais do rio
ao pé da ponte velha
com uma lata gelada de cerveja
um pacote de pão e fatias de presunto
fiquei ali a ver o reflexo da ponte no rio de prata
lembrei-me de ti
ali a meter fatias de presunto
em fatias de pão de forma alentejano
e os turistas a olhar para mim
e eu a comer e a beber a cerveja
ainda pescas, grande amigo
robalos percas trutas
eu pesco poemas e mulheres bonitas
sozinho sempre com a companhia
dum pequeno rádio que canta coisas antigas
até as pilhas acabarem
saudades, amigo
agora vejo petroleiros
fábricas vazias na outra margem
e as gaivotas
vivemos num pais tão sossegado
será que morreu

Poema de Carlos Teixeira Luís

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=229257#ixzz24MqcBcOl
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

terça-feira, 21 de agosto de 2012

quem entender o gesto de um piscar de cílios...

sempre no meio dos pensamentos as palavras ditas à meia luz, tudo que pulsa e arde, junto a seus passos pelo chão. na eternidade do verbo o gesto do silencio. o longe e a miragem, o adjetivo jogado, o fundo misterioso de um pratinho com data e hora de seus olhos que me levam muito além... entrelaçam-me na roupa da cadeira, que veste uma delicada espera. me pego amando o mostarda das tardes no eterno do tempo, como suave ilusão. - quando tu partes urgente a se perder em mim...

(tem quem chame de inferno)
eu afirmo que é nesse rosto de menino que tudo se justifica... devolves aquele sorriso nas dores que não existem, com um cântico nos lábios, faz da noite um turbante invisível que desejei ter rezado...

Autor: Vânia Lopez

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=229090#ixzz24EMrMGpr
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

Sarau Donana




É neste sábado dia 25/08 apartir das 19:00 horas, mais uma edição do SARAU DONANA. Convidados Especiais: Lírian Tabosa (Poeta), Claudio Camillo (músico e compositor). Apresentação do grupo Pó de Poesia. E teremos exibição dos curtas: Toques de Sancofa, Entre Grades. Local: CCultural Donana, Rua Aguapei, 197, Piam, Belford Roxo. E lembre-se
e você faz parte desse encontro!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

[Das pétalas espalhadas pelo chão]

Das petalas espalhadas pelo chão que cairam do teu ventre,
apanho-as uma a uma,

chamar-lhes-ei de vida.

E quando as coloco em vasos de cristal,
onde o sol bate desde a aurora,
vejo-as renascerem em flor,
acolhem-se então as aves fugitivas sem poiso.

Da nudez de sonhos teus, qual tafetá que te cobre,
tento agarrar algum que seja,

enquanto a noite aguarda o nascimento de uma nova estrela cadente,

chamar-lhe-ei então de encantamento.

Quantas estrelas encerras em ti, perguntar-te-ei.

Poema de Ricardo Pocinho (Transversal)

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=229065#ixzz248Sz3wkN
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

carochas, bicicletas & biplanos - 37

À porta do Marquee de Londres. 50 anos depois. Keith Richards, Mick Jagger, Ronnie Wood e o baterista, como é que se chama, brinco, o avô Charlie Watts. 5 décadas de desaires políticos, sociais, económicos. 5 décadas de aniquilamentos e linchamentos, bombardeamentos e limpezas étnicas, assassinatos e violações, fome de milhões e um planeta doente e infeliz, quente e com falta de ar como um pobre velho asmático. Haverá pachorra para mais rock n’roll. Diz-me tu o que pensas.

Eu estou um pouco farto mas ainda a ver como envelhecem mais ainda esta trupe de loucos. Loucos milionários. Uma fórmula que deu resultado. Encarnam o que milhões queriam viver, bem lá no fundo. Mantêm as caricaturas e personagens na linha do que o público espera deles e é vê-los a encherem os estádios. Uma geração, diz-se. Já é mais do que isso há muito tempo. São lendas porque duram. Já lá vai o live fast, die young. O que se admira é a longevidade, o velho sonho que volta. A velha, muito velha utopia. Vida longa. A fazer-se o que dá na gana. A maioria dos que os vêem nos concertos quer ser assim. Não podendo, veneram quem pode. Ou quem encena que pode. São palhaços metafísicos. Que aplaudimos faz 50 anos. Não acham que já chega?

Autor: Carlos Teixeira Luís

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=228669#ixzz23oCqW2Hz
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

carochas, bicicletas & biplanos - 35

Paris Texas, filme de Wim Wenders (1984), cenas únicas de Harry Dean Stanton perdido a caminhar numa das paisagens mais conhecidas da América, que surgiram em milhentos westerns. Uma homenagem à paisagem e ao cinema americano do realizador europeu mais americano de sempre. Argumento de Sam Shepard, afinal quem mais. Natasha Kinski num dos seus papéis mais emblemáticos. Um filme com banda sonora de Ry Cooder. Marcante. Árida. Ainda hoje a uso para acalmar. Vi e falei tanto do filme que muitos amigos e familiares, a esposa, apontam para mim sempre que alguém fala em Wenders ou Paris Texas. Como se fosse um sinónimo. Paris Texas = Eu. Ry Cooder = Eu.

Mas o filme-metáfora de outras coisas – as coisas que queremos usar e imaginar, para mim um belo um tratado da arte de Fugir. Fugir apenas. Há sempre uma fuga possível para bem longe mas também há o retorno da fuga. Uma outra fuga dentro da mesma, com passos perdidos que nos levam não para longe mas que não deixa de ser fuga. E tu de que foges. Para onde… Não te inquietes, vê o filme, por exemplo.

Retorno. Regresso. Outra espécie de fuga. Andamos fugidos e nada convictos de que seremos agarrados. Nem o espelho nos reconhece. Quem é este que me observa? E aquele que se afasta? A viagem. Eterna.

A paisagem dentro de nós. Através dos filmes das cançonetas de fronteira e dos blues desmaiados em lento ardor de deserto. Com a lentidão das árvores africanas mas noutro continente. Há uma estrada que não termina. Uma route interminável e antológica. Índia e selvagem, poeirenta e sábia. Tudo fica em nós até se desvanecer lentamente na memória.


Autor: Carlos Teixeira Luís

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=228646#ixzz23oBr8MQc
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

[Naquele caminho onde as náiades nascem]

Naquele caminho onde as náiades nascem, dizias
existirem invernos que ruiram, qual o som das estrelas

penduradas nos mastros de navios pelejando o mar,

encontro apenas silêncios.

Olhar meu que procura infinitos luares
cercados pelo breve vogar das estrelas cadentes,
tudo recomeça,
tudo ruiu antes, até a floresta
que abrigava o descanso dos rouxinóis.

Serão mutações quão interminável vida
tantos estes solilóquios sem chama,
esconderijos, dizias-me,

quando te sentavas a meu lado,

olhares juntos, perdidos, sobreviventes.

Hoje, as náiades dançam em rios lá longe,
onde a vista não alcança,

onde não te alcanço,

onde silêncios são enterrados,

[pudesse eu parar-me no tempo...].


Poema de Ricardo Pocinho (Transversal)

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=228825#ixzz23l2qvef7
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives



No varal da varanda
A gota de sangue insiste
Por dentro da camisa branca.

Marcio Rufino

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

rasgue as vestes num pano de guardar silêncio

velhos muros, teu sangue e a cor dos olhosapagai-vos como uma foiça rápida
traga qualquer chuva, uma garra delicada
menor que uma palavra

rouba-me a alma como quem rabisca o sagrado
deixe (só) meu vulto ao redor

converte-me em veneno
quiçá uma assassina ardente
que mata de modo suave
lento... súbito

rogai-me em tua boca
como sinos imóveis
peito em suspensas fugas
... num mundo tão morno
brinque com o verbo e o tempo

traga-me o infinito em golpes precisos
como uma oração cantada
desenhando o pecado
longe do tempo e das horas

como quem sopra o ar e nada vê
porque está olhando com olhos sem firmamento
guarda-me em um par de asas
no mero abandono de um silencio


Poema de Vânia Lopez

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=228771#ixzz23fUiwbu4
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Sodomia





Na minha frente
Tendo a areia como cama
O céu enrraba o mar.

Marcio Rufino

carochas, bicicletas & biplanos - 34

Às vezes vejo a série de televisão Shameless, versão americana. A versão britânica nunca me atraiu verdadeiramente a atenção. Prioridades de tempo. Não se pode ver tudo. E faz-se uma escolha. Uma hora por dia já é muito. A nossa hora diária e estúpida. Serve de descanso dos neurónios. Que depois morrem logo a seguir. É assim mesmo.

Embora os primeiros episódios sejam cheios de mamas e sexo como forma de marketing para se viciar espectadores e embora a história aconteça aos tropeções vão surgindo momentos brilhantes e dum realismo interessante. Como a tradução da série pretende: No Limite. Todos os personagens vivem no limite. No meio das caricaturas do pretenso real, há uma mensagem que perdura e é feliz na sua representação. Uma ideia de família, de comunidade, de entre ajuda. e nesse sentido não podia ser pior nem melhor. Podia ser bem pior e nada melhor. Podia passar-se contigo. Comigo. Mudemos o verbo: Não pode ser melhor, nem pior. Ponto assente. Sem vergonha. Apenas vida. A de todos os dias. Com os que estão connosco. Família ou os que estão connosco, amigos ou outra coisa qualquer. Sempre sem vergonha. Nos filmes são todos bonitos. Não há verrugas, nem excesso de peso, se o houver é sempre glamoroso. Nos filmes os dias passam e têm música sempre a acompanhar. Não se ouve os gritos nem o som dos automóveis na estrada a seguir ao nosso inferno. Mas isso é nos filmes. Aqui ao pé de nós só há gente feia e gente velha e gente desdentada. Nem bons nem maus. Apenas gente.

Na série temos William H. Macy como pai ausente e alcoólico. Um pai que prefere aleijar-se e receber do seguro a qualquer tipo de trabalho. Uma figura execrável que só um bom actor consegue mostrar. A figura central da série – a personagem que se odeia. Quantas vezes, no mundo real não é assim mesmo.
Jul./Ago. 12


Autor: Carlos Teixeira Luís

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=228319#ixzz23WIgvPd0
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

carochas, bicicletas & biplanos - 33

No dia em que deixei de escrever poemas fui à praia na sua hora fria em que as pessoas a largam e deitei-me no areal esperando o pôr-do-sol e sorvi-o momento a momento e a partir desse mesmo momento dir-se-ia mágico, decidi que a poesia não mais seria uma muleta na minha vida. Na verdade nunca o foi mas decidi que não o seria. Nunca.

Assim que cheguei a casa, violei a minha própria regra e escrevi um poema de um só take, desculpem a expressão mas pareceu-me como que filmado mais do escrito. Sempre que quero sair o clube manda um cobrador a solicitar o pagamento de mais uma quota. Chega a ser opressivo. Como qualquer cobrador sempre impõem uma silenciosa ideia de desconforto ou de que algo de perigoso nos pode acontecer e jogam com o que não sabemos. Será que nos partem as pernas se não pagarmos? Nos riscam o carro? Invadem a privacidade manchando uma certa reputação adquirida? Podem fazer isso e outras coisas até nos convencerem a pagar? A simples ideia proposta por nós próprios quando avaliamos a atitude de quem nos assedia com um dever não cumprido causa-nos terror e é dentro desse jogo psicológico que o cobrador vive. Bem, ainda estou a falar de poesia? É a poesia um clube em que não se admite sair? Por exemplo, sair para nunca mais voltar. Ou sair para voltar se houver a vontade de o fazer, com a indefinição desta mesma medida. Por vezes é encarado assim. Poeta, logo poeta para sempre. Não concordo. Neste sentido, e só neste sentido, nunca literalmente, proponho de vez em quando, espancar o cobrador e ordenar-lhe que não volte. Um ataque frontal como defesa. Talvez ele nos deixe em paz. Ou mande outro cobrador mais sólido com outra capacidade de resposta e outras ideias perversas com o fim de nos convencer a voltar ao clube. E já que entramos no jogo, com violência, que é fértil em se multiplicar até á ruptura. E ainda estou a falar de poesia?

Bem, a poesia não é algo dominável como por vezes se pretende. Vai e volta quando quer e comporta-se como um rude agiota que cobra o que não podemos pagar. Ou não é assim e devemos atribuir misticismo ou divinizar a origem do acto de criar. Temos a liberdade de escolher o que bem entendermos. Eu não faço a mínima ideia de que escolher. Vou espancando o agiota de vez em quando e espero o dia seguinte, não antevendo nada. Absolutamente nada.
Ago. 12

Autor: Carlos Teixeira Luís

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=228309#ixzz23WH3amsH
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

Campo vasto...


Olhos de profundo segredo sagrado...
De campo vasto,
Metade malícia,
Metade casto.

((( Camila Senna )))

Ejaculo...


Com o Olho de Hórus,
Te observo...
Ejaculo todo seu desafeto.
Feto secreto, me faço!...
Não indago a pobre caça
Desgraçada que tenta o vinho da minha taça.


((( Camila Senna )))

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

é para dizer que parto

Estava
sentado, estaria sempre sentado
e vou escrever-te,
hoje,
que o vento é apenas um leque de flechas
aos pés
e só depois um salmão roendo foi
os teus moinhos de asma
e esse tojo coado para o mar.
E, hoje,
põe-te sentada,
o teu amor tem a urgência de uma metáfora
e essa podia bem ser o chão
do nosso quarto
quando a encontro de repente.
E, hoje,
não vejo os pássaros,
e por ser tarde conseguia ter os carros
como nuvens numa rota do nosso mel,
e correria pelo teu corpo
para dizer que parto
meu amor

Poema de Francisco Eugênio Seixas Trigo

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=228596#ixzz23TL6UJ9t
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

domingo, 12 de agosto de 2012

"bater, bater.."

é..

parte da soma que te guarda o arremessso?
lépido ensaio de corpos e laços, tal.. conforto-adereço?


é um êxito ao culto dos sonhos-inclusos e fins?
algo deixado em amostras aos controles de ti?


é a fuga?
é a letra-toda-puta que desnivela um acto de pele?
uma noção do inferno que te refere às letras leves e que nao deixei. entrar?


é uma carta-rifada, sem consulta ou inércia operante?
uma criação errante de ilusão e anedóta fria?

é a lua mentirosa no céu linear?
é métrica qual lâmina que nao te pode desfiar?


ou..


é o tempo?
olhos fartos e/ou.é o preço que te compara em um
outro..
..exemplo?

é a lima que te serve em cela da minha vã expiação?
o meu pecado em alvo-consorte de vozes inteiras?
às

mesmas exceções e maneiras, que
um
dia,

o meu lar.. te reclamou?






..



eu cumpri a minha submissão em teu templo de factos
em decidi nao destruir o teu livre início que te faz retrato
eu. nem ao menos, agora sei em que partitura, te aquecer
nao te sei aos meus ensaios, minhas quedas ou te prever

qual lembrança que te seja em mácula da corda que rescindo
à luta mais curta de um hábito todo fixo ou culpa que te insiro
qual conto breve e advertido à forma impressa da que te há
da cena que te abstém, da premissa, de cada porém, deste ar..



..em queda,
em




algum outro lugar.







(toc, toc..)


Poema de Azke

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=228536#ixzz23NjGRT8n
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

sábado, 11 de agosto de 2012

[Esqueço-me dos dias, restam noites abandonadas]

Esqueço-me dos dias, restam noites abandonadas,

silêncios alguns,
sombras que voam em frenesim,
quando encontro a minha, apiedo-me sem razão.

Tempos estranhos, delírios
intermináveis,
de nada valeram sonhos, encontros, fugas,

resisto-me.

Descalça te imagino, cousas minhas,
cabelos desfraldados ao vento que vem de norte
tapam o sorriso que sempre sobreviveu em
esconderijos meus,
que sejam secretos qual o invísivel rorejar disperso pelos nossos regaços numa manhã cendrada.

Assim a noite pariu arco-íris, afirmo-te.
Assim a noite escondeu os silêncios das sombras.

Assim se libertou o perfume do rosmaninho que cobre
as falésias por segar.

Poema de Ricardo Pocinho (Transversal)

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=228469#ixzz23Gug8y17
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

[Bleasby's Street]

.


Céus cinzentos onde desce a cotovia
_Sobre as velhas antenas dos prédios gastos
Poemas de poetas há muito fartos
_Loiça por lavar, a senhora Robinson
________________________e o seu novo marido.]

duzentos dólares pagam a tua renda
_em Bleasby’s Street.


.

Poema de Mario Revisited


Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=228413#ixzz23BkuIOoo
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Vagina dentada


Vagina dentada,
Escancarada
A qualquer fluxo,
Caudal anônimo
De caras e de pênis,
Exibição e charme,
Feito artigo de vitrines,
Mas no fim: solidão,
Camada de carne,
De lábio e asfalto,
Elevando tapume alto
E muros feitos
De cimento e de murros.

A que horas deitar?
A que horas amar?
Mas sempre trabalhar,
Devorados, seta ferina
Na carne encilhada,
Inflamada ferida –
Grito, dorida anti-voz,
Abafada, contra o rito,
Pelo mito,
Pênis mordido
Por dentada vagina.

Boca sifilítica
A excretar purulenta
Pruridos, gonorréias,
Pequenas mortes
Paralíticas,
Virulentas panacéias
Contra o membro
Rígido, ereto
Em busca de afeto
Num paraíso perdido -
Teatro obsceno
De deleite e venenos.

Amor ou tesão?
Apenas fluxo!
Chafariz de repuxos
De pressa e de ódio.
Pergunta-se: - “O que fiz?”
Mas estica sempre a cerviz
Sob a camada dura
De raiva e de murros –
Ferida aberta,
Sem atadura –
Enquanto goza e mente
Semente amputada
Na vagina dentada.

Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados