
Saio intacto do poema
Não restou nenhum verso em meus sentidos
Nenhuma rima ardendo no meu peito.
Fujo da noite em meu barco sem rota,
nu, vazio.
Nenhum vento me leva,
lua magra.
Ínfimo, inconcreto, busco um nome.
Sou um ponto perdido, sempre além.
Não, não quero poesia que me abrigue.
Quero só a poesia que me nega,
lira cega.
Quero a semente impura da canção
brotando bela e dura em uma pedra.
Pedro Ernesto de Araujo
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