Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
domingo, 10 de abril de 2011
TRILOGIA DO ORGASMO (Arnoldo Pimentel)
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Laterninha 2 ( A Missão )
Da sala escura
O sonho expande
Sua triste figura
O último dos moicanos
Os safados
Pixote a lei do mais fraco
De olhos bem fechados
Bonnie e Clyde
Top gun
Butch cassidy
Forest gump
A lagoa azul
Assassinato em gosford park
Veludo azul
Jurassic park
Amores brutos
Beleza americana
Sociedade dos poetas mortos
A outra história americana
O resgate do soldado Ryan
Gladiador
Bom dia Vietnã
Meu primeiro amor
Diários de motocicleta
A maçã
Ladrões de bicicleta
O doce amanhã
Tropa de elite
Trama macabra
Billy Elliot
Os caça fantasmas
A viagem de chihiro
As bicicletas de belleville
Sete homens e um destino
Horror em amityville
Quatro casamentos e um funeral
Os gritos do silêncio
E o vento levou
Óleo de Lorenzo
Procurando Nemo
O pagador de promessas
Jardim secreto
O massacre da serra elétrica
O garoto
Nosferatu
Sonhos
O náufrago
O balão branco
Abril despedaçado
Os doze macacos
As aventuras do capitão tornado
A mosca
A eternidade e um dia
A morte pede carona
Aracnofobia
O exorcista
O clã das adagas voadoras
Short cuts cenas da vida
O homem que matou o facínora
Toy story
Henry & June
Star wars
Nascido em 4 de julho
Madmax
Gêmeos mórbida semelhança
Crash
Eterno brilho de uma mente sem lembranças
A roda da fortuna
Barfly
O reverso da fortuna
Madame butterfly
Quando as metralhadoras cospem
Tempo de violência
O jovem frankeinstein
Época da inocência
Drácula
Piratas do caribe
Calígula
A honra do poderoso prizzi
Control
Papillon
O império do sol
As pontes de Madison
O sexto sentido
Deixa ela entrar
O império dos sentidos
Vestida para matar
O tigre e o dragão
O profissional
Arquitetura da destruição
Atração fatal
Blade runner
Monstros S.A.
A lista de Schindler
E la nave va
Matrix
O passageiro do futuro
O grande lebowski
De volta para o futuro
Chuva negra
Central do Brasil
Água negra
Dogville
A bruxa de Blair
Cemitério maldito
Hair
Entrevista com o vampiro
Dança com lobos
Ligações perigosas
Sobre meninos e lobos
Noivo neurótico noiva nervosa
O último tango em Paris
A mão que balança o berço
O senhor dos anéis
Mulheres a beira de um ataque de nervos
O piano
O corvo
O labirinto do fauno
Estorvo
Lolita
Pacto sinistro
Colheita maldita
Cinema paradiso
As letrinhas ascendem
As luzes acendem
Lá fora na fossa
Caminho da roça
Poema de Andri Carvão
quinta-feira, 7 de abril de 2011
A Chacina de 7 de abril de 2011.
revoada
a primavera desenhada em minha saia
se iluminava
saia correndo pelo quintal
causando revoada nas galinhas
encostava o dedo no arco íris
puxava uma linha
fazia um rabo de cavalo no sol
tudo podia, tudo podia
eu rodopiava
rodeava a barra da saia
com as mãos em concha
ficava caçando os sorrisos
que iam caindo...
rezava um a um
Poema de Vânia Lopez
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Maestria...
Me peguei imaginando um dia sem os meus. Meus olhos inundaram-se de lágrimas. Imaginem aqueles que perderam todos, sem exceção?
Outra coisa que flagrei-me a refletir foram os milagres da sobrevivência, mesmo com tantas tragédias. Vidas foram salvas de tal forma que aos olhos humanos, aos olhos dos normais, era impossível, era delírio. Mas aconteceu. Milagre? Creio que sim, milagre! Quantos nessa vida de meu Deus já tomaram tombos bestas e morreram?
Quantos foram atravessar a rua e morreram? Já pessoas em situações extremas, como a do Japão, passaram a perna na morte e sobreviveram.
Se isso não for milagre divino, não sei bem o que é, não sei qual o mistério. Parece que o Pai maior diz assim: "Ei, você não vai agora não, meu caro, sua missão ainda não terminou, ainda tem muitas lutas regadas de vitórias pela frente". Não adianta, é assim que vejo pessoas que eram para estar a sete palmos daqui e estão ali... Reconstituindo suas vidas, refazendo-se, fortalecendo-se e vencendo.
Diante de tudo que vimos pela televisão, diante de tantas tragédias e destruição, você pode ter a certeza: a força de vontade, a humanidade, a união e a educação que aquele povo domina prevalecerão. E são com essas pequenas grandes armas do "saber viver" que os japoneses sofridos, mas jamais vencidos, levantarão tijolo por tijolo, com audácia e maestria, seu mundo. Esse é o dom que paira no Japão, a maestria
Morte primeira de um outro querido
se mover a morte
como um boi pequeno transita
pelas vísceras da cobra
depois de engolido em boca grande:
a morte já se mexia.
intuída num choro sem razão aparente
com o seu suspensório entre o nosso leve abraço :
descia
indigesta
ácida
até
o
fim
do gordo corpo.
eu que mato Deus todos os dias
não sei onde você está
mas sabe onde estou?
na Copacabana que você tanto gostava
mas aquela, avô, também já morreu
e parece que hoje vocês têm a mais fatal coisa em comum.
faltei sua última grande festa
seria um estrangeiro naquela terra preta
onde ninguém celebraria
ficando mais perto da comédia
a cada aperto da desgraça
conteria eu uma gargalhada?
olhariam lancinante
na dança entre túmulos e flores
o tango que você tanto gostava...
seu charuto, seu cachimbo, jazz, whisky e suspensório
seus caros gostos
quando já não podia pagar
foram os cifrões com as árvores queimadas
naquela Mato Grosso de terras suas grandes
do ceifado verde onde se esculpiam cadeiras, mesas e tronos
poderia eu receber maior herança
do que esses amigos-livros deixados ?
do que essa máquina de escrever que datilografa meus olhos todos os dias?
do que seu jazz letárgico condutor de leões?
seu livro de luz ainda não vista?
seu Zeca Malandro de Santa Teresa?
já sentia a solidão como estrela do quase manhã e deserto
agora é mais.
eu nascido de própria placenta
catarei a pá da morte quando bem quiser
e profundamente acredito
que a gente só morre quando quer
resta respeitar a sua decisão de partir
e só.
resta ler seus escritos e conhecer outras multidões suas desconhecidas
para matar saudade daquela turma que conheci.
resta o acaso da sua morte no sono
resta o seu ronco que era um navio chegando
e partindo de outro lugar você foi
sem maiores avisos doentes
como quem some de uma festa
pelo sexo e a moça encontrada
salva é minha dor pela nossa convivência de corpos distantes
porque o cotidiano é que ressente...
Anuncio: é chegada a horda leonina!
com força maior de destruir
tanto maior é o esquecimento
e com essas sementes-páginas que eram suas
já crescem como espinheiros grandes labirintos.
carrego agora a imaginação do teu corpo no meu.
darei a essa leve dor também felicidade
a menor máscara de todas
que é o nariz do palhaço
você morreu:
nasce Lupi.
Do seu coração parado e frio
surge um andar também de suspensórios
que me fará rir de mim mesmo
antes que os outros o faça.
Poema de Carlos Jubah
Clarice: a Lispector.
Irreverência nata, cuja mesma embasbacava e a alguns amedrontava. Ao responder perguntas em entrevistas, primeiro, o olhar verde banhado de breu, marcando fundo os olhos de quem a entrevistava. Pausa... E resposta. Fala intrépida, cortante, sem ponto final. Dona de si, regada de carência transparecida em seu ar de rainha e urgência.
A impressão que atormenta-me é que Clarice tinha uma fera feroz ferida dentro de sua vida, e de muitas vidas que a mesma criou. Sempre com resposta na ponta da língua. Pobre de mim tentar definir o inefável. É como nadar num mar estrangeiro de mais pura beleza, e o máximo que eu consegui dizer foram detalhes óbvios, sentimentos fortes, porém externos.
O que seria da literatura brasileira e do mundo sem Clarice? Menos ricos. Clarice compõe com grandeza junto com outros tesouros da terra Brasil. A pluralidade cultural e a liberdade de expressão através da escrita, sendo uma personalidade marcante no meio. Tenho certeza que seu filho ou sua filha de doze anos já ouviram falar de Clarice Lispector. Uma mulher que em forma de um vulcão em erupção entrou em cena... E quando se foi deixou o grito de sua voz ecoando como música que nunca fica careta.
Ao ler Clarice é preciso ter fôlego, pois é um suspirar atrás do outro. Dizem: "meu Deus, que mulher é essa..." Quantas marcas, quantas farpas, quantas palavras que muitas das vezes nos identificamos, aguçando nossas mentes, inquietando nossos sentidos mais reprimidos, aflorando em nós uma vontade louca de desatar nós, sendo tomados por um enigma que impregna. Ser for minha sina ler Clarice, quero seguir assim, sendo arrebatada por puro êxtase.
http://minhaalmaepoesia.blogspot.com/
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terça-feira, 5 de abril de 2011
Lanterninha
Poltergeist
Assassinos por natureza
Koyaanisqatsi
Cortina de fumaça
O céu que nos protege
Cova rasa
A canção de Bernadete
Shine
Um mente brilhante
Pequena miss sunshine
Família rodante
Morango e chocolate
Insônia
Como água para chocolate
A excêntrica família de Antonia
O auto da compadecida
Fantasia
Trem da vida
Festa de família
Psicose
Nascido para matar
Z
Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar
Gata em teto de zinco quente
O incrível exército de brancaleone
Parente é serpente
Indiana Jones
Um drink no inferno
Clube da luta
Tempos modernos
Irmão sol irmã lua
O anjo azul
Nell
A liberdade é azul
Cães de aluguel
Ran
Um sonho de liberdade
A vida de Brian
Luzes da cidade
Os pássaros
Tess
A rosa púrpura do Cairo
O falcão maltês
O livro de cabeceira
9 semanas e ½ de amor
Ensaio sobre a cegueira
Rebobine por favor
Fanny e Alexander
O enigma de kaspar hauser
Perfume de mulher
Taxi driver
Golpe de mestre
Adeus minha concubina
Morangos silvestres
Paisagem na neblina
Edward mãos de tesoura
Carrie a estranha
Mulher solteira procura
O beijo da mulher aranha
Delicatessen
O selvagem da motocicleta
Seven
O carteiro e o poeta
Gilbert grape
Anticristo
Sexo mentiras e videotape
A última tentação de cristo
O touro indomável
O ódio
O gênio indomável
Rastros de ódio
Um estranho no ninho
Tubarão
Marcelino pão e vinho
O poderoso chefão
Chinatown
Inteligência artificial
Apocalypse now
O pagamento final
O bebê de Rosemary
Alien o oitavo passageiro
Jê vous salue Marie
Os bons companheiros
O sol da meia-noite
O colecionador
Os embalos de sábado à noite
O último imperador
Cassino
Os intocáveis
Sem destino
Os imperdoáveis
Linha de passe
Cabo do medo
Scarface
Meu pé esquerdo
Não amarás
Em nome do pai
Não matarás
Um corpo que cai
Fargo
Platoon
Doutor jivago
2001
Laranja mecânica
Coração valente
Coração satânico
O silêncio dos inocentes
A primeira noite de um homem
Os suspeitos
Os últimos passos de um homem
Tomates verdes fritos
Paris Texas
Kids
Despedida em Las Vegas
Trainspotting sem limites
Vestígios do dia
O iluminado
Profecia
Curtindo a vida adoidado
TVSBT
Ditadura do plimplim
VHS DVD
A história sem fim
TV a cabo
TV a gato
DVD pirata blue Ray
Coca
Pipoca
Cinema em casa é de lei
Poema de Andri Carvão
Profissão poeta...
Abril 04, 2011

Hoje...Não!
É um caminho largo...
Não pode ser percorrido
Em um dia, um minuto
Como, se nada!
É muito...
E nem o perfume do
Ramalhete de rosas
Sobre a mesa e,
A música de Jimi Hendrix
Tomando conta da sala
Ajudam para o perdão.
Hoje, não!
Mesmo com tantas
Tentações...
Fecho a porta do quarto
E aumento o volume
Da televisão...
Poema de Sandra Soares
Sina
algo parecido com voar
o calor das conversas ao pé do tapete
não havia hora vazia
tantas lágrimas misturadas ao riso
ficaram na parede da cozinha
tantas pessoas nos cabides da memória
carregavas o amor no cheiro das lembranças
não percebi que tu corrias
porque andaste tão aflito?
mas sabe ainda não pude
ainda não fiz tanta coisa
sequer fui um talvez
ainda não doi profundamente em uma manhã
ainda não adquiri mais espaço
para abrigar viver mais
venho e vou a inumeráveis ventos
mas que acordo foi esse que fizeste?
em que fazes a mão pousar na última lembrança
em que sina te meteste?
onde tudo vira névoa e nada responde
tempo não deslize
me dê tempo sem ruir
ainda não plantei girassóis dentro de mim
permita que meu corpo siga adubo de si
me escorregue aonde vá
não me pare por aí
me leve, me guie
Poema de Vânia Lopez
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Somos mais que uma bunda...
Poética Hermética
Poética do deserto
Poética do vazio
Grito silente
Silêncio ensurdecedor
Pode ser que sim
Pode ser que não
Pode ser que seja
Que seja então
De qualquer jeito
De qualquer forma
De qualquer modo
De qualquer maneira
Tudo tem um porém
Nada também
Mas apesar dos pesares
E apesar de tudo
Sigilo absoluto
Um dia dança
Outro dia se dana
Quando não se lasca
Se fode
Até que um dia
Talvez
Você tenha vez
Mas também talvez
Não tenha talvez
E ao invés de
De vez em quando
De quando em vez
Num estalar de dedos
Num piscar de olhos
Numa fração de segundos
Num átimo
Falo ou me calo?
Falo agora,
Me arrependo depois.
Mas falo!
O ser humano é falho.
Identidade secreta:
Poeta!
Para se separar
O diamante fino
Da pedra bruta,
Uma tonelada e meia
De engenho e arte.
Quem se habilita?
Eu acredito piamente
Eu acredito cegamente
Eu acredito até a loucura
Que vale a pena
A poesia é a infância da Humanidade.
Poema de Andri Carvão.
domingo, 3 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
Só
Cansado de tráfego,
Na lívida alcova,
Após o trabalho,
Tu queres prazer.
Amor tu desejas,
Amor, entretanto,
Tu queres sentir
Vibrando no corpo.
Que corpo, que amor
Se todo o fervor
Gastaste nas ruas,
Real sacrifício
De um corpo arruinado
No estuo do sangue?
Tesão vem de pílulas,
Amor das revistas.
Consome, criança,
Porção que te cabe.
Não sofras, não ames,
Encenas tão bem
Tesão e teus casos,
Amor infinito:
Teatro do ser.
Cartório haverá
Que te restitua
O eterno desejo
De amar para sempre –
Clangor corporal.
Por isso não chores
(De fato, não choras!)
A raiva de agora,
Teu pênis caído
É mero detalhe
De amor velho e gasto,
De um corpo abatido
Do dia e semana.
Agora, porém,
Chegou teu remanso:
O fim-de-semana
No rádio a canção
Renova teu ânimo
Seduz com promessas
De um sábado à noite
Repleto de amor.
A vida é a arte
Do encontro já diz
Ditado da moda.
Então, sai à luta,
Criança inconstante.
Nas ruas e bares
Conversas e danças,
Teu copo de uísque
Com outros tilinta,
Pois ébrio de amor
Almejas estar
Nas ilhas de amores,
Ainda que dure
O parco momento
Do orgasmo comprado.
E à noite sozinho,
Depois do motel,
Transido de frio,
Calado em perguntas,
Tu lanças um grito
E escutas somente
Silêncio e sigilo
Dos corpos alheios
Entre ecos profundos.
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
Poema Insólito
Ninguém! Num improviso
Resolve-se, contudo,
O credo e o seu benzido.
Nessa arte do vale tudo
Que liga esse sorriso
Suspenso e meio confuso
A um décimo inaudito.
Agir nesse impreciso
Requer esforço e estudo.
Deboche que não é visto;
Cuidado é sobretudo.
Poema de Yayá
sexta-feira, 1 de abril de 2011
O abandono
www.jorgexerxes.wordpress.com
Texto de Jorge Xerxes
Me dei o amor...
SERÁ? (Samantha Barreto)
mas me arranca montes e montes deles.
Não entendo esse tamanho poder.
Talvez eu seja obrigada a acreditar,
que estamos mesmo destinados a ficar juntos.
Pois então, se me pertence, por que não fica de uma vez?
Por que não fica, e me tira essa dúvida.
Será você, minha lagosta
terça-feira, 29 de março de 2011
VENTO COM NUVENS (Arnoldo Pimentel)
VENTO COM NUVENS
Autor: Arnoldo Pimentel
Esse poema faz parte da Trilogia do Dia Nublado, a cena da moto é inspirada na liberdade poética do
meu amigo e parceiro Sérgio Salles-Oigers
Xeque-Mate
O cavalo em disparada
O mensageiro das más notícias
Numa mão bandeira na outra
Espada e cabeças cortadas
Meu reino por um cavalo
O príncipe virou um sapo
A carruagem abóbora e a princesa
Perdeu o cabaço na escadaria
O cocheiro é um homem
Um rato um saco de batatas
Ou farinha do mesmo saco
A tartaruga é uma lesma
E a lesma um bicho-preguiça
O bobo da corte é o povo
Maltrapilho enrolado em
Bandeiras rasgadas empunhando
Machados e enxadas
Castelo de cartas e de areia
Rolam os dados na roleta
E o tempo na ampulheta
As torres tomadas incendiadas
E tombadas os jardins de ossos
Cachorros magros e raivosos
O trono de ouro e o cetro
De ouro e a coroa de ouro
E o coração de pedra e a alma na lama
Por uns parcos trocos trinta
Tostões o conluio dos bispos
Os conchavos políticos
A armadura de lata e pena
Vermelha no capacete de lata
Rubro o tapete em chamas
De sangue a rainha está nua
O rei está morto viva o novo rei
O dízimo mais os impostos
Poema de Andri Carvão
Poetas...
Em cinco minutos...
Vi o mundo.
Minha visão panorâmica filmou
Os gestos, os afetos e os incrédulos.
Olhando para o nada,
Eram risos vazios
Sem entender por que sorria.
Menos de poesia.
Essas vozes ecoavam em minha cabeça
Feito filme de terror.
Esperando o banal...
Menos poesia, para eles: "abissal".
Coxixavam: como assim, poesia?
"Gente doida,
Mulheres malucas,
Coisa mais brega,
Periferia de merda"!
Somos poetas!
Você não sabe, mas a poesia liberta!
Desfaz o preconceito fazendo-nos enxergar o mundo...
Para uns, "mundinho"; para nós, poetas, mundo indizível.
Teve uma pessoa poesia
Que ao invés de torcer o nariz
Vibrou e nos deu um SALVE de alegria.
Parece nada, mais ganhamos o dia.
Calmaria
Dorme o mar imorredouro,
Vela o sono o firmamento.
Some a nuvem com o vento,
Desce a terra sem estouro;
Gira a vaga e o cata-vento.
Cada feito tem seu tempo
Cada flor, o seu tesouro.
Poema de Yayá
segunda-feira, 28 de março de 2011
Carta-Deixada
letrado, incorrecto.
inerte conceito por in.recuperação
meus redarguidos dados, incompletos
exceptuados..
deixados à in.razão em partes da soma destes erros
qual preço eleito por inserção de cena
à mesma im.presença
à sempre-resenha de lutas-antes ou prévias-quase de identificações
tão dissendentes,
em relevo-sêlo por tentativas
sempre ílicitas,
revestidas,
vãs..
na condição humana de se re-querer
ou, arbítrio.
lado.
lado continuado em
ilusão e lado. reticente
(apenas, parte da mente)
qual prévia da minha ilusão e
mente-cárcere-de-ti.
- vi-me.
alívio em altura imediata por inserção
eu entreguei-te o ouro dos sóis..
à nudez da tua cama. sem chama em frame que te recupere:
inteira.
a maneira sem letra da qual eu nao ouso me confessar..
à
cena.
tão percutida e.de paragens incautas, em
um voto
devoto. da cruz. do.
amém..
e
te digo.
exímio ponto perdido que te conto..
por um palco sempre-incurso, o
meu discurso
retirado
(além, além...)
peculiar de discórdia, à hora-re.volta por onde me sei
é
casa. da manhã, da história onde meu corpo ao pó, te forma
cai e me consola, por:
nunca mais te ver..
eu sei
saudade nunca é à verdade que supus..
na prima ordem qual diária da artéria repetida por teu pulso
(meu outro conselho pra descartar..)
ah, carta..
verifica meu anseio quando me tomar pra registro
me
queima.. com as incisões das preces re-vindas dos templos dela
e me aquece quando não mais ter, o.
fim.
Poema de Azke
Com vi-te de amar
ao dizer
que talvez tenha encontrado
outro rei desgovernado.
certa forma incerta
ainda alegra meus pensamentos
e mora na calma
o saber
que não é a memória de ti
és tu próximo
e para
tu
o convite
de conversar a vinho
quando puder e quiser
porque pelo que não é sabido
aquela tarde de hoje intui
o que ainda não sei
do teu
mas meu
Dionísio
ainda quer te ouvir
e falar
para um
que não é mais aquele
mas o outro
ainda quisto encontro
com a naturalidade sã do mar
fazendo onda
a saber :
meu corpo leve te quer
sem só por isto
queiras ler
quer como quer o mundo
antes enganado
pensava
amando um todo
que era não ter
Sim, antigo amor e novo quê,
mataram as paixões!
E o que fica são nossas vontades
apesar de.
A rocha antes submersa
depois da maré:
morreu.
(entre paixões suicidadas
de 21 de maio a a-gosto)
Em que pese
o que é de aquário
e não pesa
o jogo do post mortem
das re(l)ações
idealizadas
cá estou
com a coragem branda
de te chamar
depois de tudo claro
depurado
eletrificado para dentro
do mesmo dentro
antes oco
que transborda no agora
falo a mudez dos loucos
que já serenidade
passado o outono do cair
sim.
eu sou um sim
dito apenas
não
ao desamor
intolerável
no mesmo
estreito:
agora.
o que tens e quem sou
é desmedido
como acaso qualquer
e já nem ligo
aquilo de solar
rosa e abóbora
nada afirmado pela repetição
mas pelo que há de lua
a tocar
mais ainda profundamente
assim me parece
tudo ter sido
um trágico ensaio
nem sabes
não que importe
mas intuí no corpo
a tua chegada
como quem rastreia um cheiro
antes de lá no mar
e à beira
encontrar
repetindo
sim
ainda te adimiro
mesmo unguando
teus cortes na minha vaidade
agora
cuidadosamente
dela cuido eu
sem mais ferir tanto
alguém
matadas as moralidades
pelo triunfo do amoral
acredito eu nos novos outonos?
sim.
e gosto
porque te gosto
na lucidez de agora
sem precisar.
Poema de Carlos Jubah
domingo, 27 de março de 2011
Eureka & Torvelinho
Um punhado de terra
Caindo por entre os dedos.
Um pouco de água
Escorrendo pelos vãos dos dedos
De Deus
- EUREKA! –
E Deus criou o Macaco
A sua imagem e semelhança
E de sua costela primitiva
Partiu sua companheira inseparável:
Lilith!
De galho em galho
É natural que
Seguindo o conselho de qualquer bruxa
Experimentassem aquela fruta.
E o Tempo se encarregou do resto.
O Tempo sempre se encarrega de tudo.
Só o tempo dirá!
A Evolução é o que nos tornou
Imperfeitos.
Torvelinho
Não vomito meus poemas como se fosse um jorro de palavras
Rumino, rumino e cuspo palavra por palavra
Palavras supérfluas
Palavras super fulas
Pra onde quer que eu vá
Não vou saber voltar
Pra onde quer que eu vá
Não vou querer ficar
Só o sol
Ascende o dia
Duas luas
Era tudo o que eu queria
l ar
lu
lug
De tanto abaixar a cabeça se acaba de cabeça para baixo.
Não estamos todos no mesmo barco
Somos náufragos
Atracados cada um a sua própria tábua de salvação
Nós e a vela
Destroços de uma mesma mísera embarcação
Somos homens e ratos
Somos homens e sacos de batata
Somos todos farinha do mesmo saco
De estopa roído rasgado
E forrado de migalhas
Em meio às fezes
Somos de lua
Uivamos
Morremos na praia
Gripamos
Escalamos montanhas
Quedamos
Sós SOS sós
E mal-acompanhados
Somamos as perdas
Estamos salvos
Poema de Andri Carvão
APOCALYPSE (TRILOGIA) (Arnoldo Pimentel)
NÓS, FULANAS TEMOS O PRINCÍPIO FEMININO,NA CONSTRUÇÃO DO UNIVERSO.
SOMOS UM NÚCLEO DE CRIAÇÃO EM TODAS AÇÕES.NOSSOS ÚTEROS A PARTIR DA DOR E DO SOFRIMENTO FABRICAM GUERREIRAS E GUERREIROS...GERAMOS TODAS
PERIFERIAS DOS SERES E DAS COISAS.
SOMOS FULANAS
SOMOS MUITAS E ESTAMOS POR TODOS OS LUGARES.
ESTAMOS EM TUDO QUE FLUI,EM TUDO QUE TRANSFORMA,QUE TRANSCENDE E RETORNA.
ESTAMOS ALINHADAS AO PRINCÍPIO MASCULINO E COM ELE NÓS ESTABELECEMOS O EQUILIBRIO DAS FORÇAS, DAS ENERGIAS E VIBRAÇÕES DO COSMO.
INICIO, MEIO E FIM DE NOSSA HITORIA CÓSMICA E HUMANITÁRIA.
ALINHAMOS ARTE E DIVERSAS CULTURAS.
SOMOS COSTUREIRAS E BORDADEIRAS DE NOSSAS ALMAS,E DE NOSSOS CORPOS.
SOMOS HOLÍSTICAS.
CANTADEIRAS DA CANÇÃO DA INTEIREZA.
TEMOS DÚVIDAS E CERTEZAS.
SOMOS FULANAS DE VÁRIOS RÍTIMOS.
DE VÁRIAS VOZES.
DOS INTERVALOS DO TEMPO DA GESTAÇÃO.
SOMOS PINTORAS DA IMAGEM QUE SURPREENDE NOSSA CRUA REALIDADE.
SOMOS FLORESTA QUE ABASTECE NOSSOS FILHOS E NOSSOS SONHOS,
SOMOS ÁGUA E VENTANIA
CALMARIA E MARESIA
SOMOS REVOLTA E CONSAGRAÇÃO
NÓS, FULANAS, SOMOS O PRINCÍPIO QUE GERA E QUE AGREGA.
TEMOS O PODER DE DESTRUIR E DE CONSTRUIR VIDAS.
NÓS FULANAS, REIVENTAMOS O QUE JÁ ESTÁ ULTRAPASSADO,PARADO E ESTAGNADO.
AREJAMOS PENSAMENTOS ESTÁTICOS E BLINDADOS
SOMOS AS FULANAS DOS ESPINHOS E DAS FLORES DE AÇO
TEMOS EM NÓS UM GRANDE OCEANO DE DIVERSIDADE
E EM NOSSOS COLOS EMBALAMOS A HUMANIDADE
SOMOS FULANAS DE TAL E VAMOS VIRAR A MESA
NÃO QUEREMOS FAZER PARTE DA ALIENAÇÃO E SÓ FICAR COM O PÃO DE CADA DIA
NÃO QUEREMOS DAR AS COSTAS PARA A NECESSIDADES DAS FUTURAS GERAÇÕES
NÓS FULANAS, ESTAMOS UNIDAS PELA JUSTIÇA, PELA RESPONSABILIDADE
NO PROTAGONISMO SOCIAL
ESTAMOS EM TODAS AS QUEBRADAS ARMADAS DE CORAGEM E DE DISPOSIÇÃO PARA
DEMOLIR SE PRECISO FOR O IMAGINÁRIO CULTURAL QUE APRISIONA A GEOGRAFIA DAS MULHRES
NÓS, FULANAS DE TAL DAMOS UM SALVE PARA TODAS AS FRENTES DE RESISTÊNCIA
NA LUTA PELOS DIREITOS DAS MULHERES,POIS ESTAMOS ESCREVENDO NOSSOS
PRÓPRIOS CONTOS DE OPERÁRIAS, PROFESSORAS,MÃES,TIAS, AVÓS, CIENTISTAS,
ESPOSAS,PARAQUEDISTAS,ARTISTAS,JARDINEIRAS,PRESIDENTAS,POETAS, PARTEIRAS,ARTEIRAS E TAL...
SOMOS FULANAS REZADEIRAS DO CAMINHO DO BEM
EM DEFESA DA CULTURA E DOS DIREITOS
SOMOS FULANAS E FAREMOS A TRANSGRESSÃO CONSTANTE E NECESSÁRIA DO AMOR
IVONE LANDIM/03/01/2011
sábado, 26 de março de 2011
Decepção de Primavera
Nevoeiro fino acolhe a noite sombria
Nem a lua no céu, nem uma estrela nua
Para dar algum brilho a esta noite fria
Espero por luzes, na escuridão embora.
Conheço bem a esta solidão intensa
Que derruba o sonho e apaga a luz da alma
Faz do meu olhar espada de um gume imenso
No perder de vista desta impossível calma
Eu esperava flores nos jardins lá fora.
Poema de Paola Rhoden.
Herança
Mar seco ausente,
Sem úmido elemento?
Por que chorais
Como se quisésseis
Com vossas lágrimas
De marítima saudade
Restituir-lhe vigor e força?
Por que protestais
Se não podeis
Arrancar-vos as pernas e os braços,
Se há vice-reis
Por onde vão tantos passos?
Se seguis tão escasso,
Perdido e sem grei?
Vede bem:
A cidade já foi inundada
(E acho que sempre esteve)
E da enxurrada,
Após fevereiro e março,
Após Cabral e Gama,
Restou um simples sargaço,
O sapato roto, sem cadarço –
Nau sem amarras,
Em vossos pés encalhada,
Carcaça de beira de estrada.
Quem sabe uma escama,
Algo que vos proclama
Brasileiro?
Rio de Janeiro?
Sem paradeiro?
Desterrado panorama
Que vos amalgama
A camas e mucamas...
Restou a avenida Beira-mar,
O Forte,
A rua Luís de Camões,
O Paço,
O amigo Bonifácio,
O Real Gabinete Português,
Tanta tez
Suada, salgada
E todo este lugar
Banhado pelo mar.
Restou um corpo sem rotas,
Soçobrada frota,
Restou a memória,
Algo que errático
Perdeu a trajetória,
Algo que afro ou asiático
Em vós se agarra feito
Alga e algo
Que não consigo definir,
Heráldico,
Luz e visgo
De chão alagadiço...
Vede,
Litorâneos
Ou suburbanos,
Extemporâneos
Ou ibero-americanos,
Estamos todos
Impregnados
Do Eldorado castelhano,
Da alga e sal
Do mar lusitano.
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Ou tônus?
tomando
fôlego
vem
com o rosto pintado
de azul
e estrelas que nadam
no seco do preto
ele é o que beija
antes de esfriar
cobre
prata
lua
cobre
o chão de folhas
secas
o pisar estala
nas tardes
de 5:30
agora tão agora
depois de esperados doze meses
ele volta
com a calma solar
cravejada nos olhos
depois de tudo que foi evaporado no verão
volta
trazendo o cheiro
das flores geladas
que se dão devagar
no vento brando que cavalga a areia do tempo
o vidro da ampulheta
onde um grão sempre conta
e conta para outro grão
conta
que quando estiverem bem unidos
quando o de baixo não suportar mais o peso dos outros
quando o que sobra cair para os lados
quando tudo tiver que virar de ponta cabeça
ele volta
dizem as folhas secas
que antes de tudo ser cinza
só o outono
faz
cair
e azulando o olho do mundo
beija seco a terra
antes de gelar
faz cair
sem chorar o verde
só o seco sucumbe
conformado
aos seus gentis afagos de ventania
Poema de Carlos Jubah
quinta-feira, 24 de março de 2011
A Pouca Elipse Nau
O Fim do Mundo vai acabar comigo
O Fim do Mundo vai acabar com você
O Fim do Mundo vai acabar com tudo
O Fim do Mundo vai acabar
Uso e abuso das minhas drogas
A vida é uma droga
O mundo é uma droga
A vida é uma droga maior do que a droga do mundo
A vida carrega o mundo nas costas
E ainda sobra espaço para outros mundos
Espaços infinitos por todos os lados
Uso e abuso das minhas drogas
Para o bem da droga do planeta
Para o futuro da droga do Universo
A humanidade extinta
Torço para que existam outros seres
Em outros mundos afastados muito mais avançados
Os seres visíveis estão com os dias contados
Rejeita a carne humana
Seu leão
Rejeita a carne humana
Tu oh tubarão
Rejeita a carne humana
Seu jacaré
Rejeita a carne humana
Oh bicho de pé
Carne humana dá indigestão
Nos vermes
A droga do mundo é dos insetos
A droga do mundo pertence aos vermes
Aos micróbios aos vírus
Os microrganismos dominarão a droga do mundo
Homem madeira
Podre por dentro
Expelindo a podridão por todos os vãos
Olhos ouvidos boca nariz umbigo pau cu buceta poros
E armazenando ainda mais
Para mais tarde
Já que eu não posso destruir o mundo
Já que eu não posso acabar com tudo
Já que eu não posso comigo
Já que eu não posso com você
Eu não preciso de nada
Eu não preciso de ninguém
Eu não preciso de mim
Eu não preciso de mim
Eu não preciso de mim eu não preciso de mim
Poema de Andri Carvão







