Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



segunda-feira, 9 de maio de 2011

As rosas não falam…




As rosas não falam…
Composição : Cartola

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão,
Enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim
Queixo-me às rosas,
Mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim.


Um Salvee!…



Descanso

Os cachorros ladram em algazarra,
Os petizes brincam nesse quintal
De gramíneas sedes e estão à calçada
Da esperança. A tarde segue frugal.

Um pomar laranja pleno de graça
Ornamenta a vista fenomenal,
Onde a física é a ótica disfarçada
Em beleza, amor experimental.

Na cadeira feita de vime e trança,
O balanço calmo de uma senhora
Que descansa e sonha como uma criança.

No sossego à tarde ela se demora
Sem nenhuma pressa, esmero ou cobrança
Num domingo longo de uma bonança.


Soneto de Yayá

Ave Maria nossa de cada dia

mães revelam faces
como um farol de esperança

lavam almas na beira do rio
a graça de Deus sobre os ombros

ventres fartos
no momento de se entregar

sagrado, parado
emocional e espiritualmente

entre elas e Deus
filhos assoviando

e não importa se tiver
mais mil momentos como esse
(ou só esse)

é perto daquele momento
em que me tornas real

Poema de Vânia Lopez

Fragmentos dispersos

1.
Depois que se desaprende a engatinhar
quebram suas pernas.

2.
Que raio de sol + fraco!

3.
O artista tem de ser irresponsável.
Para criar é preciso ser malcriado.

4.
Um grito no escuro é luz nas trevas.

5.
escrever escrever
para não passar
em branco

6.
Eu faço de tudo
pra não ter
que fazer nada.

7.
Escrevo bem quando estou faminto
Melhor ainda se deprimido
Escrevo bem melhor quando não existo

8.
Leitura em excesso torna os homens
incompreensíveis.

9.
Uma força bruta te impulsiona para frente
Uma força fraca resiste
Respeite a força fraca
Ela inspira mais confiança

10.
Primeiramente
Os meios
Para qualquer finalidade.

Poema de Andri Carvão

domingo, 8 de maio de 2011

FILHO CAÍDO



Filho que um dia embalou
Amamentou
Filho que sempre amou

Aquele ali caído um dia foi seu filho
Filho que sempre desejou vê-la morrer
Filho que um dia deixou de ser
Quando escolheu a violência como religião
Como ganha pão

Filho caído com 8 buracos no peito
Para ele
Ela era apenas a puta que o pariu
O filho que partiu

Agora ela sentiu alívio
E agradeceu a Deus
Pelo o que aconteceu
Com o filho que seu sacrifício nunca reconheceu

Que se estremeceu
Até morrer na calçada
Até não ser mais nada
Filho que só trouxe dor
E a violência levou


sábado, 7 de maio de 2011

Ai Se Sêsse

Cordel Do Fogo Encantado

Composição : Zé Da Luz


Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse.



Ps: Pura Poesia... coisa linda.


Pele...




Se é coisa de pele,
Então não espere.
Me tome feito prece...
Me rasgue,
Me inunda.
Quero sentir essa fogueira
Ardendo feito um tormento...
Que enlouquece,
Que faz bem para pele.
Bebo toda sua saliva,
Chupo sua língua,
Te faço de escravo...
No final... Te corôo como rei realizado.


((( Camila Senna )))
 
 
 

Pablo Neruda


 Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas pernas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um so mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.

...

 

Fotografia...


Imagem: Camila Senna

Sorriso entre o pai e a filha
Abraços entre amigos e irmãos
Paisagens de união no verão
Do mundo e seus encontros profundos...
Do beijo molhado, do abraço suado
Do olhar de uma mãe para um filho...
Do vento no rosto.
Da formatura esperada e venerada
Da corrida...
Da chegada de uma vida para esta vida...
Das esquinas
Da neblina
E até da partida, que pensa que terá outro encontro...
na verdade era só despedida.

Os momentos correm como o vento
E o tempo escorre por entre o vão da porta...
Mas tem uma máquina, a máquina do tempo que para qualquer
doce
amargo
lento
forte momento...
Fotografa, retratando o retrato da vida de todos...
Deixando transparecer até sentimentos...
Assim é a fotografia, como a poesia...
Eterna, eterna...


((( Camila Senna )))


Até o fim de mim...



Acendo um cigarro
Pego a caneta
E escrevo
Meu laço.

Laço vão
Sem chão.
Laço puído,
Sem trilho.

Será que você acha...
Que não posso ter pão?
- Te digo que posso,
Não vou morrer sem chão.

Sua loucura de esquerda
Não quebra minha destreza.
Seu orgulho suave
Não estilhaça minha impetuosidade.

Pois já lhe disse: “vou até o fim de mim”.
 
(((Camila Senna )))


Ode sem rima

preciso de livros não escritos
numa linguagem totalmente nova
sem saber qual a próxima linha...

simples letras acendendo o caminho
ardendo de ilusão
menos direta, mas com o mesmo efeito
num peito verso
a palavra é como música

prefiro morrer de emoção
me assustar por todas as suas profundezas
voltar a ti meu único eu
que o papel seja o palco
da palavra nua

até a palavra ser um oceano
o salmo se unir ao papel
(vasto e aparentemente sem fim)

em dias de silencio

Poema de Vânia Lopez

Predestinados...




Esse olhar de quem quer
Fazendo jeito que não quer!
Já não me engana, deixa de besteira e vem...
Vem pro meu regaço que eu te mostro o paraíso encantado!

Para de ciume!
Eu já disse que eu estava separada para você,
E você para mim!... É que a vida deu voltas...
Até chegarmos aqui!

Eu te quero como uma menina emaculada,
Te desejo como se não houvesse mas nada!
Com sua presença quietinha,
Transformou minha pesada jornada.

Houveram momentos difíceis,
Mas quando somos predestinados um ao outro,
Não tem calabouço que sufoque,
Não tem espinhos que incomode!

Cheguei para ilustrar sua vida vazia,
Você chegou para dar sentido aos meus dias!
E nessa troca de energia,
Hoje, temos uma linda família!


((( Camila Senna )))



Durante a chuva

Há duas horas rodando, a chuva tamborila sobre a minha cabeça, a cidade é

um aguaceiro só. Sinal ligado, carro frio, vidros embaçados, mesmo com o

aquecedor dando tudo. Chove. Somem os buracos, os guardas de trânsito e os

meus passageiros. Nem um ponto onde parar pra tomar um café e papear com alguém.

Água sobre todas as coisas e intenções. Na frente do restaurante chinês, alguém acena,

apenas um vulto e a esperança de pelo menos, levantar o calcanhar da merda. Uma

mulher, morena, esguia, um casaco que não dissimula o corpão bem modelado. Ordena

aeroporto. Desligo o sinal. Finalmente ocupado, uma promessa de boa corrida, desde

que pinte um retorno, com um tempo desses. O retrovisor interno me oferece uns olhos

congestionados e duros, uma firmeza que se estende a um queixo decidido e belas

pernas, ainda molhadas de chuva, casaco aberto, mas jeito de pé atrás. Uma voz

tranquila pergunta se pode fumar; claro, o meu coração é de jesus e o pulmão da souza

cruz, há vinte e seis anos, respondo, em troca de um riso e do clique do isqueiro, um

zippo novinho, iluminando olhos negros, de uma beleza diferente, meio escandalosa;

algo de safadeza e orgulho, batidos num liquidificador, com meio copo de campari e

uma rodela de limão galego. Seguimos, rastreados pelo temporal em evolução.

Engarrafamos umas tres vezes; não basta a chuva, ainda existem as murrinhas que

parecem hibernar com o tempo frio e ficam bestando, sob um sinal de trânsito. Digo

um palavrão, peço desculpas, quando lembro que graças às murrinhas consigo espaço

nessa cidade louca e fica bem ser educado com uma mulher tão gostosa, tão perto e tão

distante de mim. À nossa frente, a avenida que leva ao aeroporto, um grande

piscinão,

de um lado a outro. Os maloqueiros já na espreita, sob as marquises, esperando os

carros estancarem, para a aproximação com olhar caridoso e risinho sádico, cobrando

vinte paus pelo auxílio luxuoso do empurra e da flanela esfarrapada para enxugar

sabe

Deus o que, além do meu bolso. Coço a cabeça, olho pra trás, tal um culpado desse

aguaceiro todo; sugiro pegar uma transversal, ela sorri dessa vez com a boca e os

olhos, negros, brilhantes, profundos como o rio do inferno, um dar de ombros como

resposta. Rodamos uns dois quilômetros, até esbarrar noutro rio de chuva, já com o

aeroporto à vista. Engato uma ré, mas ela pede pra parar. Pergunta o preço da

corrida,tira o dinheiro da bolsa, pega um revólver 38 do bolso esquerdo do casaco,

coloca

na bolsa, abotoa o casaco, passa o dinheiro, agradece, sai do carro e caminha pela

divisória das faixas de trânsito. A chuva diminui um pouco. Na calçada, as árvores

erguem seus galhos nus, como quem implora.

Conto de André Albuquerque.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Soneto inglês para Alice

Eis a Gênese do Universo em expansão:
No início, tudo era silêncio e escuridão,
Até o momento crucial da Grande Explosão.
De ponta cabeça em seu sótão (meu porão),
Um buraco negro se abriu e eu fiquei sem chão;
O sangue subiu feito lava de vulcão;
A luz artificial feriu minha visão.
Um ser de máscara branca, uma assombração,
Um ser, ou algo, de veste alva – neve? algodão? –,
Me fisgou com afiadas garras de gavião
Do confortável lar macio e quente até então,
De onde, expelido, uivei danado como um cão!
- Todos nós passamos por isso, coração...
Será esta a nossa primeira recordação.

Poema de Andri Carvão

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Novas litanias a Satã

Ó tu terrível pai dos desgraçados,
Deus de todos que vagam derrotados,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Pai que por ser tão pródigo e ubíquo,
Fez do homem tanto santo quanto iníquo,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Primordial senhor de todo o andrógino
Que hoje afliges o devasso e o misógino,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Ó fé sem nenhum culto ou liturgia,
Inspiraste a mais negra litania,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Ó tóten ignoto da memória,
Cúmplice do ladrão, de toda escória,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Deus de quem elabora, vil, as farsas
E em transe bebe o sangue dos comparsas,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Pai do que afoga as mágoas na cachaça
E vive um dia-a-dia de desgraça,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Quem põe a quase todos de joelho
Diante de sinistro escaravelho,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Aquele que nos leva, em ânsia e febre,
A tudo dissipar num lance breve,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Ó tu, Pai da cobiça que me aferra
E nos conduz à luta, à inveja e à guerra,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Cão feroz que devora nossa entranha,
Mercador que co’a vida faz barganha,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Pai daqueles que clamam por Jesus,
Mas somente ao inferno fazem jus,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Senhor de quem se assola no cigarro
E ao mundo só oferece o seu escarro,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Sugeres o poeta e até o asceta
E imprimes tua marca à toda meta,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Terror que nos enreda em fortes súcubos,
Paixão que nos persegue até o túmulo,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Moral que leva mesmo os mais notáveis
À fome e à desmesura incontroláveis,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Tu cuja mão engendra os artifícios
De vidas que se perdem entre edifícios,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Deus do acaso, incidente eventual,
Jantas conosco, cúpido e letal,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Tu que tudo vês, nossa atroz miséria,
Malgrado vida pródiga e venérea,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Caído como tu do firmamento,
Fui expulso também do pensamento,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Satã, ouve, portanto, esta oração,
Com que cubro meu corpo em ablução,

(Tem pena, Satã, desta carne deletéria)

Que aqui devoto a ti, toda a semana,
Pai e razão da enorme angústia humana,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Origem do que chamam ser humano,
Tudo que torna nosso mundo insano,

Tem pena, Satã, desta carne deletéria.

Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

(uma mulher sempre sabe)

escoro o corpo no vestido
em qualquer acostamento

ânsias de espiar tua pele
quebrando as costelas... imaginando

cato desperdícios
afogo os ais no alvejante

sofro no silencioso
disparo pecados

despropósito é gentileza
alta literatura em auto-ajuda

a alma retruca
contornando tua sobrancelha

narro o plantão da cama
cada turno das mãos

renovo as datas que resmungam
um pensamento inteiro no travesseiro

não deixo mais minhas lembranças...

(só não gosto das boazinhas)

Poema de Vânia Lopez

Diário de batalha

Encontrei muitos iguais a mim
Que pensei ser meus inimigos.
Eram mestres!
Espelhos que refletiam meu exército interior.
A surpresa maior
Foi perceber, estupefato, em minha solidão,
Um campo de batalha que sempre esteve vazio.
Eu, estrategista cego e crudelíssimo,
Ignorava minha própria estupidez.
Ignorava, principalmente, a mim mesmo,
O pior e mais arguto dos inimigos.

Poema de Milton Filho

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Mulher-Gato

Mulher-Gato

“olha meu cabelo! olha o meu sapato! olha aqui o meu rabo! E pode acontecer que às vezes a gente não tem vontade de ver rabo nenhum”]
Lygia Fagundes Telles, in As Horas Nuas.


Fechada a porta, o fio escuro percorre o corredor, até alcançar teus sapatos. Couro úmido, passo desleixado. Teus pés incautos encontram uma ponta de cauda. Não fosse a luz baixa, um par de olhos. Jamais um gato.
Ouça o ruído de minhas entranhas. Dentro desta carne, vibra uma máquina: ao puxar a corda, um miado desfaz seu enigma. Estou aqui, sobre a poltrona. No fim do percurso, reconhece seu autor: és o homem face ao mistério domesticado. Na minha boca, o silêncio dispersa a tensão de uma corda: notas agudas cercam as tuas pernas.
Quando a luz das lâmpadas te abrirem as retinas, outro corpo apagará mais uma vez meus vestígios.

Texto de Plynio Nava

CELA 4X4


É muito maior que até onde
Alcançam meus braços
Mais infinita que o próprio espaço

Que a própria solidão
Que invade a vida
Daqueles que não tem nem mesmo
Um pedaço de pão

Minha cela é menor que o 4x4
Do meu quarto
Mais sombria que meu desabafo

Que o escarro do poder
Quando tortura um corpo
Politicamente depravado

Minha cela é apenas
O meu doce querer
De ser livre
Enquanto aqui viver
E ser livre depois
Que morrer

domingo, 1 de maio de 2011

Do Gênesis ao Juízo

Paraíso Perdido

Tarzan e Jane
O grito e a corda
Chita foge com King Kong
Fazendo macaquices
Fazendo macaquinhos

Adão do barro
Eva da costela
Do barro

Adão e Eva
Adão e a maçã
Eva e a cobra

Perdidos
No Paraíso
No Paraíso
Perdido

Epigrama

Cessa o canto
do pássaro
e o pássaro
deixa outro pássaro
para a posteridade.

O Homem Nasce Só Vive Só Morre Só

Na imensidão da terra
Um formigueiro humano
Na imensidão do mar
Um cardume humano
No infinito céu
Um enxame humano

Ambição

Enxergar o invisível
Escutar o silêncio
Poupar palavras

Matar a excelência
Respirar a essência
Misturar-se a ela

Patativa do Rosário

Mendigo filósofo
Poeta analfabeto
Cego clarividente

Quem caminha na escuridão
Procura a luz
Ou a perdição?

Quem segue uma linha de pensamento
Filtra
Ou pensa com a cabeça
Alheia?

Poema de Andri Carvão