Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
domingo, 28 de novembro de 2010
Tempero ideal
Mesmo não estando em dezembro
Desfruto do degustar
os sabores, os saberes,
a simplicidade, a felicidade
do tempero familiar.
Jorge Medeiros
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Flor de Cravo...
Meus pés alvos tenho-os banhado com unguento
Para tirar todo o odor da inveja e da peleja.
As velas que velam contra mim,
Que o vento forte as apague, desviando-as de mim.
Quando eu olhar para a vida
Que meus olhos sejam margaridas.
Plantando flores e colhendo amores.
Traçando o gozo íntimo inefável.
Minha boca é rubra de seda
Cuja língua é gentileza mas sabe ser fel com grandeza.
Rejeito todo o olhar envenenado de fúria.
Estou a caminho dum regaço, me faço flor de cravo.
E Toda boca, todo olhar, toda mente, que tenha por mim afronta.
Fique muda, fique cego, e perca a memória.
((( Camila Senna )))
Tecelã
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Poema Pardo
que não vim do útero da senzala
e não tive uma afro infância
Dizem que as linhas dos meus versos
não foram traçadas pela chibata
que estou fora do Queto
Dizem que minha Aruanda
é minha Atlântida imaginária
Por isso trago a escrita nômade
parda e ordinária...
Dizem que sublimei o odio do sinhô
que meus versos sincretizam
sem o purismo e a virgindade da
raça...
Dizem que meu Okê Cabloco
não tem as flechas de Oxossi
E que a Mãe Oxum é por demais
açucarada...
Dizem que meu São Jorge não é
aceito pela espada de Ogum
Logo não terei uma afro velhice
morrerei sem pátria, pálida ,parda
e nômade...
Contudo Oxalá editou meus versos
domingo, 21 de novembro de 2010
O Quarto Azul

Em câmera lenta
subo a pequena escada
chego ao corredor estreito
de onde avisto uma intrigante
porta encostada.
Numa triste submissão
a uma força superior
caminho sem pensar em nada
em direção à porta encostada.
Porta feita de madeira marrom.
Marrom que lembra minha infância.
Não sei se querida.
Não sei se partida.
Não sei se perdida.
Empurro a porta.
Vejo um quarto.
O quarto é azul.
Um azul de vários azuis.
Azul-céu.
Azul-mar.
Azul-noite.
Azul-piscina.
Dentro do quarto
há uma cama.
Sobre a cama
há uma pessoa nua.
Por cima da pessoa
havia várias moscas a voarem.
Não sei se desnorteadas.
Não sei se mal-amadas.
Sentei do lado da pessoa nua
e ela me falou de coisas
que pensou, que falou,
que comeu, que bebeu,
que desejou, que amou.
E sem saber ela me conduziu a planetas desconhecidos,
me apresentou a seres bizarros,
me fez cheirar aromas finos,
provar pratos requintados.
Foi quando notei que eu também estava nú.
E que as moscas haviam se transformado em estrelas
que cairam exaustas no chão.
E a cama já não era mais cama.
Mas um pequeno barco a vela.
Vela que era pura seda,
puxada a vento que não existia.
E o quarto virava pura água.
Não sei se de mar, ou de rio.
Só sei que virou o barco,
nos fazendo nadar.
Nada
era eu
Paralisado diante daqueles acontecimentos.
E o que eu vivia se tornava puro sonho.
O que eu sentia se transformava em raiva.
Raiva que até hoje não passa
por eu ter conseguido me salvar daquele doce naufrágio.
Naufrágio que me fez esquecer o quanto eu sou real.
Mas tudo foi extinto como um vulcão.
E minha amada pessoa nua
agora era um personagem de ficção.
E meu saudoso quarto azul
um delírio de um jovem garotão.
Marcio Rufino
Todos os direitos reservados
sábado, 20 de novembro de 2010
MEU CARRO E EU (Arnoldo Pimentel e Rodrigo Souza)
Arnoldo Pimentel e Rodrigo Souza
Não importa a velocidade que está o carro que dirijo
Se o pára-brisa estará rachado ou não
No fim da estrada que percorremos
O que importa é se estaremos vivos
Mesmo indo pela contramão
Mesmo que as placas digam para não avançarmos
Nós as ignoramos porque podemos tudo
Nós ultrapassamos as barreiras, excedemos as emoções
Mas que no fim da estrada estejamos vivos
Para contar minha história
Para alguém filmar uma curta metragem
Ou escrever um livro, um panfleto
Sei lá o que, para esquecerem no banco do trem
Depois da viagem
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
ASA DELTA
ASA DELTA
Se o sol brilha
Quero você ao meu lado
Quero você inteira
E não em pedaços
Se o céu é cinza
E a chuva é fria
Quero te abraçar
E te aquecer
Tudo esquecer
Você é a asa delta
Onde me agarro
E salto num vôo livre
Enchendo meu vazio
Sobre as praias do Rio
Se é noite
Quero amar você
Até adormecer
Sem ver o sol nascer
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Nova têmpera...
Se pensa que vou ser igual a você!
Não mesmo...
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Quando chegar o tempo
de seu mestruo
cuidarei de voce com
mais carinho para que
entenda que seu sangrar
não é dor nem sofrimento...
Assim quando seu mestruo chegar
serei um homem com tamanha
sabedoria que você pensará
num dèja vú de há seculos
Vou ver em voce uma enxurrada
de possibilidades de muitas vidas
No tempo de seu mestruo
Terei tambem tempo de ser
eterno e cíclico como você...
(23/03/07)
Fui criada para ser efêmera
passageira nas lembranças
Fui criada para ser admirada
junto as outras
Pertencer ao imaginário periférico
Fui criada para não penetrar
no meu convivio
Teria que ser superficial
No tempo e fui
Hoje não sou apenas fulana de tal
Transcorro no imaginário da poeta
Sou voz memória insana
Surpreendo meu criador
Pois renasço de dentro de cada
sapato alto esquecido na esfera
de uma instalação qualquer
E no ritmo do meu poema dou
meu grito-Existo...
Musicado por Dida do Nascimento
(Inspirado na Instalação do artista plástico
Domi Júnior do Projeto do Imaginário Perférico
em +-2004 em Tres Corações N I.O nome da
obra era -Fulana de Tal).
Vivi sempre debaixo da mesa
Ali estava toda minha existência
E toda minha sabedoria
Eu e as cadeiras retorcidas
coexistíamos na periferia de meus
sentimentos
Eu era qualquer uma fulana de tal
E o teto da mesa
Era meu céu de copos coloridos
A cair sobre mim
Alienados dançavam na minha dor
O meu mundo de fundo guardava
No salto alto de um sapato esquecido
Lembranças alegres dos discos
E quando todos saiam
Eu calçava-os
Eu reinava
Sob e sobre todas as coisas
Sem nenhuma amargura
No doce do tempo infinito
Eu virava a mesa
Musicado por Dida Nascimento
Meu corpo se depreende
Do igarapé que há em mim
Entre as cenas na tela
Da saudosa tribo dos "cherokees"
É a tinta da terra que se
acorda para guerra
Com a máscara do tempo
assisto num sobressalto
movimento brusco que
envermelha a pele/ Infortúnio
de um planeta suspenso
Os dentes agarram a faca
É o extermínio atravessado
na boca
O cavalo é mensageiro
Galopa e anuncia o derradeiro
golpe
Os ancestrais jazem no Campo
Santo
A tribo que se vai é a minha
E as estrelas enfeitam e findam
Uma geração de almas
Há penas por toda parte
Sangues e penas e gramas e
memórias nas mãos que
seguram os filhos da terra
O último suspiro na mira
É o orgulho da raça
Rastro do vermelho dos
"Cherokees" que apagam seus
rostos da Grande Mãe
A tela atrai os raios de justiça
Desistindo do brilho que há
no fim dos Povos Indígenas



