Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Verbo
Altercas, xingas, suas,
Imprecas contra o mundo,
Te tentas traduzir.
Na estiva das palavras,
Labor sempre penoso,
Tu queres existir,
Monumentalizar-te.
Na estiva das palavras,
Tu queres transgredir,
Sacar das mãos anéis,
Os signos mutantes.
Na estiva das palavras,
Tu sangras e respiras
Retórica e sofismas
De luta interminável.
Na estiva das palavras,
Gritaste: “- Crucifica-o!”
Também martirizado
Na ambígua cruz da história.
Na estiva das palavras,
Sem dúvida verteste
Sentenças incontáveis,
Doutrinas e linguagem,
Loquazes paladinos,
Astutos e prolixos,
Que sabem como o gárgula
Usar bem a garganta,
Lançar verboso líquido
A tantos corações
Logrados no artifício
Das fábulas e máximas.
Na estiva das palavras,
Disputas e recreios,
Embate de discursos,
Nas sendas do ideário,
Travaste arrebatado,
Filósofo ou poeta,
Retórico ou sofista,
Em dúvida inquietante
Pensando respondê-la
Com séria metafísica,
Com fé e ideologia
Em busca de ti mesmo,
Do mundo que circunda
Teu frágil coração
Com vasto palavrório
De púlpito e sermões;
De tudo que te aflige,
A própria realidade
Que buscas na linguagem -
Perfeita relação,
Total homologia
Da imagem co’o real,
Da coisa co’a palavra,
Idéias e juízos
Que fazem de ti mesmo
Homílias e quimeras,
Mentida ficção
De que és um novo Adão.
E agora: que fazer?
Ser dono das certezas
É coisa de descrer!
Tu jogas co’infinito...
Na estiva das palavras,
Aspiras ao eterno,
Restando só de nítido
Um ritmo e sentido
Cativos de si mesmos,
Embora sempre queiram,
Suando gente alheia,
Enfim tornar-se livres,
De si até ser livres,
Do que não nos cativa,
Do que mantém cativo,
Do que não grita vivo
No dorso do argumento,
No braço da palavra,
Na luta do operário,
Na estiva do poeta.
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Estevão
Hoje mesmo pesa em outras costas;
Culpas teus algozes a um desgaste
Pífio e vadio, e assim te mostras.
Tantas as pedradas de arremate,
Raiva descabida, lambe-botas
Ágeis que impuseram xeque-mate.
Saibas desse amor de quem tu gostas!
Ombros dos umbrais aos quais quedaste,
Coro de mortais inomináveis,
Nesses, os que esquecem a “Livre Haste”.
Grande sofrimento o qual passaste,
Dessas aflições abomináveis;
Átrio insistente de um contraste.
Soneto de autoria de Yayá.
VIDA ENCANTADA
Poema Desconcertado

Quisera Deus que eu escrevesse estas palavras para me expressar
Mas, na verdade, escrevo para me desabafar.
Como um fantasma obsessor
Tu ressurges do nada para me confundir
como uma dor que se finge de orgasmo só para me iludir.
Eu pisava em nuvens com o asfalto protegendo a minha cabeça
Quando aparecestes conduzindo meus olhos.
Tu eras tão exuberante quanto uma aquarela
e eu me via tão comum quanto uma telenovela
quando eu gostei do teu jeito de andar
do teu jeito de não me notar.
Eu era um peixe falastrão passeando por praias mudas.
Na ânsia de ter o que se quer
todo homem é meio Jesus e meio Judas.
Desse vinho queria eu beber até a última dose
e era em ti que eu refletia toda a minha neurose.
Questionando os vaidosos que arrogantemente somos
não sei se ainda guardas as marcas de meus dentes em teus ombros.
Nesse romance mal interpretado de personagens mal explorados
Tu permitias que eu me perdesse entre frases feitas,
pessoas mal resolvidas,
pensamentos bobos,
coisas mal ditas.
E eu só queria,
pelo menos uma vez na vida,
que os nossos corpos
fizessem parte dos vários pares de corpos que rolam na noite
Mesmo com toda dor que isso pudesse causar,
Mesmo com toda camisinha que disso pudesse cuidar.
Caindo na boca de toda essa gente.
Ao mesmo tempo igual
ao mesmo tempo tão diferente.
Pois teu jeito entrou na minha cabeça
como um espermatozóide enlouquecido
penetrando o óvulo umedecido
que fecundado gerou um abismo
onde eu insisto em afundar.
Caindo na boca de todo esse pessoal.
Ao mesmo tempo tão diferente
e ao mesmo tempo tão igual.
Na simples aventura de amar,
sinto que meu sentimento vale ouro.
Acredito que fomos feitos para nos encontrar,
mas não feitos um para o outro.
Um sentimento que pareça bastante verdadeiro
não quer dizer que seja totalmente sincero.
Um pensamento que se apresente muito mentiroso
não quer dizer que seja absolutamente hipócrita.
Hoje,
por não ter resistido ao fascínio,
grito a minha histeria,
me condenando ao ócio eterno
e entregando minha carne a pernilongos.
Na verdade, não te culpo por não ter me achado.
Sua grande crueldade foi não ter me amado.
Marcio Rufino
Todos os direitos reservados

Ando a dois passos a sua frente...
e não há mais com quem andar.
Ando sem saber o que é amor próprio...
há perigo a quem vier...
estou sempre a margem do rio,
a margem da boca,
a margem do amor e do calor,
a margem de tuas entranhas,
a margem da vida...
sou inteiramente um marginal sem escrúpulos,
amo sem pensar,
satisfaço com prazer...
e onde estou?
Deitado entre teus seios
no meio da noite...
mas quem é você?
a angústia de um tempo impossível,
as lágrimas que nunca chorei,
lembranças de uma história curta.
Ando a dois passos a sua frente
mas teu cheiro me acompanha,
teu olhar desorienta
e me afogo na confusão dos sentidos...
na longa noite a tua espera, perdição,
em sua noite de sono, outro dia amanheceu...
Fabiano Soares da Silva
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As notas do meu universo

A noite tem um sol,
para colorir estrelas,
e elevar seus tons.
E lá no céu
a Lua ecoa seu canto,
solitário de dar dó.
E da terra um grito e mi,
da natureza ré,
condenada por um ser nela vivente.
Que pensando só em sí,
não ouve a música da noite,
não pensa na dor da Lua,
e toca trombetas em fá,
para destruir a natureza.
Mas a harmonia do universo,
composta pelo criador,
afinar-se-á por novos dias.
E trará para a triste terra,
músicos de sintonia,
que farão uma guerra,
por uma nova sinfonia.
Giano Azevedo
Todos os direitos resrvados
Cálice

sossega. a paz é assim mesmo. inversa.
a lua que encontra todo dia seu outro lado.
o oposto de si e o igual. o gêmeo.
o espelho retorcido.
o bruxo. o adivinho. o enigma.
a face obscura da lucidez. véus. diadorim.
a iluminura do eterno. a visão do cego.
a luz. a luz. a luz.
a poesia exata que exala o lodo.
asas. anjos. o rosto do corpo.
o último galo da terra.
sossega. a paz é assim mesmo. diversa.
a mãe dizendo que a filha morreu. e não há mais saída.
o livro dos prazeres sem Clarice.
a roda da vida ao contrário
versos desinventados.
a Mascarada que sorri. tão feia. tão linda. desarvorada.
unhas pintadas como leopardos. Ela - a foice que ceifa.
sossega. a paz é assim mesmo. perversa.
pra bom entendedor nenhuma palavra.
basta.
nesse momento nenhum pássaro é possível.
nenhum cheiro de fruta ácida. nenhum tudo.
nenhum invento de manhãs sem sono.
nem tardes mansas. nem noites mornas.
uma flor nascendo. somente.
um perdão sem medo.
um inverno caloroso.
qualquer humanidade.
qualquer deus.
dorme. a paz é assim mesmo. sossega.
Tanussi Cardoso
Todos os direitos reservados
Um tango no escuro

o último a sair, faça o favor,
desligue o interruptor
quero mergulhar num baú de noites escuras
quero enxergar a cor do som
quero sentir a vida em braile
é no escuro que os brinquedos dançam
pondo medo nas crianças
me deixe dançar com meus medos,
com meus brinquedos,
minhas crianças...
me deixe assustar os monstros
debaixo da minha cama.
e quando o escuro for assustador
quando tudo latejar dor
e quando nada parecer bom
eu danço um tango com a solidão
Beatriz Provasi
Todos os direitos reservados
Jogatina

Algo me diz
que tudo é permitido.
O que antes era proibido
agora passeia nas ruas
olhando vitrines,
ninguém esconde.
A vaca agoniza
mas o seu algoz
chupa-lhe a teta,
sem essa de mutreta
nesse jogo da sorte
quem governa é a morte,
festejando o seu poder
num banquete de cartas
- Quem está no jogo?
Façam suas apostas
a roleta precisa cumprir
o seu papel de girar.
Brasil Barreto
Todos os direitos reservados
Jura Silente

Tua mão cálida
cruzando a minha mão...
Forte imagem afagando o pensamento!
Tempo e espaço
espargindo luz e fé.
Braços-promessa
traçando a cruz de Santo André
num Xis perfeito
ou num explícito juramento.
Mãos incógnitas
juntinhas,
quase sem jeito,
porém assaz harmônicas
com melodioso arpejo
guarnecendo
a dimensão indefinível
dos nossos desejos...
Mãos de paz e claridade
quais seresta e luz sertaneja.
Mãos-verdade!...
Assim seja!
Rubenio Marcelo
Todos os direitos reservados
Poema Seco

Saio intacto do poema
Não restou nenhum verso em meus sentidos
Nenhuma rima ardendo no meu peito.
Fujo da noite em meu barco sem rota,
nu, vazio.
Nenhum vento me leva,
lua magra.
Ínfimo, inconcreto, busco um nome.
Sou um ponto perdido, sempre além.
Não, não quero poesia que me abrigue.
Quero só a poesia que me nega,
lira cega.
Quero a semente impura da canção
brotando bela e dura em uma pedra.
Pedro Ernesto de Araujo
Todos os direitos reservados
ÁGUA NA BOCA
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Estética Central e Pó de Poesia

Olá amigos!
Convoco vocês a comparecerem na sessão especial Festival Estética Central, que será realizada domingo, 13/02, às 19 horas, no Centro Cultural Donana.
Em sua segunda edição, o Festival Estética Central
percorreu o Rio de Janeiro com seu núcleo móvel, produzindo filmes a
cada parada. Numa dessas paradas, a Kombi do Festival estacionou no
Donana, permanecendo durante um dia inteiro do mês de dezembro.
Agora, com filmes prontos e muita história pra contar, o Estética Central retorna para projeção das obras.
Haverá a participação especial do grupo Pó de Poesia, composto por poetas da Baixada Fluminense.
Pra completar, discotecagem do músico Vagner Vieira e pipoca com guaraná!
Serviço:
Entrada franca
19 horas
Centro Cultural Donana
Endereço: Rua Aguapeí, nº197, Piam - Belford Roxo
3rinta e 6eis
nosso amor morreu essa noite
meu amor
compraria flores bonitas
para o funeral
mas nosso amor foi assassinado
pelo olhar frio dos faróis
se misturou ao tom da rua
como se grafitado no chão
não é o fato de estar morto que o mata
é o fato de que só faltam 36 segundos
para que seja um dia qualquer...
Poema de autoria de Vânia Lopez.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Presto
aos pedaços. Logo será janeiro.
Posso farejar o amarelo das amendoeiras
de então (amarelas como teu cabelo)
e a praia, os bares, a ferrugem, nossas costas
e braços liquefeitos. Tanto faz a solidão,
a companhia: tudo são doenças tropicais,
incuráveis. O verão virá, forasteiro,
no vôo tonto, nupcial dos cupins
em volta das lâmpadas. Janeiro
está próximo, pressinto seu peso, a alegria,
o tremor, a sezão, o óleo,
a girândola veloz dos relógios
a nos golpear no ventre. Girassóis
em bando assestarão suas lâminas
em direção aos táxis
enquanto os rios, erráticos, desaguarão
à porta dos edifícios da Senador Vergueiro.
Poema de Eucanaã Ferraz retirado de seu livro "Rua do mundo".
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Creio...
Não olho nem para baixo,
Que é para não impressionar.
Sou sensitiva,
Sou geniosa,
Mas sou de alma genuína.
Embebedar-me dessa água pura,
Livrar-me do duro fardo hereditário!...
Pois quero o contrário, quero paz!
O mesmo exalava um perfume tranquilizante.
Colocarei o colar azul com muita estima,
Creio: vai-me trazer sorte e a rima íntima da vida.
Trilhar o chão de terra sentindo cheiro de mato.
Visualizar uma nova Era... Era da primavera intelectual,
Tirando o alvoroço da minha mente e corpo, adornando meu emocional.
((( Camila Senna )))
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Pombais
eis que vejo os pombos.
Vez ou outra
fazem festa nas rações
dos domesticados
cães e gatos.
Com a proximidade
alçam vôo longo...
Misturam-se na multidão
que os espremem.
Creio que partem
por seus sonhos.
À um mundo distante
de paz e esquecimento!
Mas logo percebo o engano.
Eles voltam ao lar.
E já nem sei
a quem deveras
pertencem os beirais, as casas.
Só sei que estão sempre lá
nos pombais.
Os mais antigos moradores
da grande cidade.
Poema de Rosângela Ataíde.
Boca de lobo/Olho da rua
Cuidado com o cão!
Cuidado com o ladrão!
Eu sou um mal-intencionado
mas o que vale é a intenção.
E
já que estamos todos aqui
eu proponho um suicídio em massa.
E que passe o que passa!
E
já que estamos todos aqui
eu proponho um suicídio coletivo.
Televisionado e ao vivo!
Estamos todos
quase prontos
para o subsídio.
Paciência!
: mercado informal ou indigência.
Quadrilhas
puxador de fumo
que puxou cana
por puxar carro
chupa e assovia ao mesmo tempo
camisinha furada
pneu furado
papo furado
não valem um tostão furado
carta virada
é carta marcada
carta marcada
é só mais uma carta fora do baralho
beco sem saída
casa abandonada
terreno baldio
depósitos de carros e corpos
Quebre a Rotina do Território Alheio
galo ou relógio
trabalho ao sol
olho por olho
gato por lebre
olho gordo
defenda seu território
com unhas e dentes
e ruja
galo ou relógio
trabalho ao sol
dente por dente
tintim por tintim
dente podre
defenda seu território
com muros e grades
e mije
galo ou relógio
trabalho ao sol
sacuda o vizinho
acuda o vizinho
língua ferina
Poemas de Andri Carvão


