Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



sexta-feira, 20 de julho de 2012

Sarau Donana

Sarau Donana

Aniversário de 4 anos do

Grupo

Pó de Poesia
* Recital com poetas da Baixada Fluminense.
* Exibição de Vídeos.
* Exposição de livros e fanzines.
* Música - Dida Nascimento canta poemas.


Entrada Gratuita

Dia 28/07 À partir das 19:00

Centro Cultural Donana

Rua Aguapeí, 197 - Piam - B. Roxo

quinta-feira, 19 de julho de 2012

"pós.."

tarde..
(tão tarde,)

à temperatura abstracta de alguma suposição
água da sede que descobre o corpo(aos olhos..)

e.
um conto breve..
e: fim,











..






seja à marca da precisão/impulso que se orienta
sejam os passos caídos de uma rescisão qualquer
ou mesmo retrato
tão..
posto
tão hábito fácil de criar-te
de dias
de noites
coincidentes(prementes..)
à letra repente(a que te tenta..)

em partes da cena(cortina) que(nem.) te servirá..














..










qual lado: retrátil.
pretérito de ti:
acto!
sopro-perfeito
ponto preciso
algures
lados
teus
inteiros..







qual sentido da métrica e fim?
qual eclosão de métodos por lembrar-te(assim..?)
das minhas mentiras decifradas
tais ilhas, tais..


preces
de
cada










eu já nem tenho um pacto de lâminas
e as minhas decisões, eu te entreguei
eu já fechei a porta dos meus olhos que te dormem
eu


nem espero ter o que te sei..











breve ilusão
à marca da linha passageira
breve conto fictício, me seria
este,

se
as minhas quedas,






nao te procurassem mais..










..









"eu olho você afundar..
eu vejo os meu ecos te revelarem
eu olho as tuas pálpebras enfileiradas
e são as minhas contendas em queima
eu olho os teus passos sumirem
e as minhas tintas nao me deixam ir
eu olho você afundar, (...)"



















..











tal êxito de compreensão abstracta
minhas verves
minhas. páginas




...


Poema de Azke

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carochas, bicicletas & biplanos - 30

Charles Bukwoski é um escritor rude, frontal, cru. O meu primeiro contacto com o escritor foi por acaso. Sabia dum escritor assim mas nunca o tinha lido. Vi o filme Barfly, nos anos oitenta (87), com Michey Rourke (quem mais) a fazer de Henry Chinaski, personagem alter-ego do escritor nos livros e Faye Dunaway. Comecei a interessar-me pelos escritos originais do escritor. Não havia nada tão extremo e rude como ele. Nem Henry Miller, este é outro caso aparte, um escritor brilhante com uma visão acutilante da realidade com romances repletos de sexo para vender e pagar as contas, uma fórmula que o fez viver da escrita. Bukwoski é diferente. Perdedor que passa a vida em bares e a beber, com todo o aspecto de quem faz isso mesmo – igual a milhares sobre milhares de perdedores que desistem do mundo que os rodeia e se refugiam no seu alcoolismo mas ainda com energia para se empenharem nalguma coisa extra, geralmente as coisas erradas para si e para outros. A maior parte das famílias tem familiares assim, que se tenta corrigir ou esquecer que existam. Todas as cidades e aldeias do mundo estão cheias de seres humanos que perdem e se deixam estar onde estão, esperando que os levem e enterrem. Existem e vivem. Estão ai nos cantos dos submundos. Pensamos sempre ser outros que não vemos diariamente mas um dia a vida atropela-nos e olhamos para o lado e vemos um Charles Bukwoski a nosso lado a meter conversa com o claro objectivo de nos cravar uma bebida ou um cigarro. Eles olham para nós e nós olhamos para eles. O que vemos? Um pobre bebedor que vive e dorme e acorda no mesmo bar, a menos que seja expulso ou não possa pagar o que deve. O que vêem quando olham para nós, ali a beber? Eu era assim. Eu comecei assim. Agora sou assim. E largamos tudo e corremos avenida abaixo, são três da manhã e procuramos uma ponte para nos atirar. Eu sou um deles. Um alcoólico, um perdedor, um falhado. Mas ninguém liga a um gajo aos gritos numa das piores zonas da cidade, a não ser a polícia que o trave para curar a bebedeira na prisão. Para eles é mais um bêbedo e menos um problema nas ruas.
Charles Bukwoski descreve sexo gratuito com mulheres ocasionais e prostitutas. A maior parte das pessoas não querem ser apanhadas a ler porcarias dessas. A maioria dos frequentadores do metropolitano não anda com um Bukwoski debaixo do braço. Nunca vi Women, ou Post Office a ser lido, nessas viagens. No entanto, é lido. Por estudantes universitários vestidos de negro ou miúdas em confronto com a sociedade carregadas de piercings? Matronas de idade e peso, divorciadas e a viverem uma nova juventude? Lê-se nos bares? Nas esquinas do negócio do corpo? Quem lê Buk? Isso para mim não me interessa. Eu sei que por mais contra a prostituição que eu seja, não deixarão de existir mulheres a venderem sexo, hoje, amanhã e amanhã. Por mais que eu repudie o público que alimenta a indústria do aluguer do corpo da mulher para a fantasia dos prazeres, na rua e nos seus submundos, que alimentam outros submundos de toxicodependência e alcoolismo e todos os seus efeitos adversos, hoje e amanhã e amanhã, homens e mulheres (não?) de todos os quadrantes sociais, nas sombras da noite continuarão a alimentar esse monstro devorador de vidas que é a industria do sexo à venda nas esquinas e nos antros de má música, más e caras bebidas. Bukwoski anda à vontade nesses mundos e relata-os tal e qual como são. Não é um monstro, é apenas um homem feio de barriga saliente que enfrenta a vida como ela se lhe apresenta. E escreve sobre isso. Não existe em português de Portugal ou Brasil, por exemplo, nenhum escritor semelhante. Temos Kafkas, Nerudas, Dickens e até Henry Millers mas Bukwoski não.
Há gravações no YouTube, de Bukwoski bêbedo a bater numa mulher tão ébria quanto ele. Ler Bukwoski não me faz um apreciador de violência doméstica que repúdio até ao extremo. Ler Buk não nos transforma em Buk. Apenas reconhecemos que há um mundo assim. E aconselho veemente a sua autobiografia parcial: Ham on Rye, onde tudo começa, como Bukwoski se torna Bukwoski. Tudo mergulhado numa franqueza, frontalidade e sinceridade desarmante.
Este é apenas um texto, portanto um ou outro ponto de vista pois há muito mais a considerar. E se pensam que por ser leitor de Bukwoski serei parecido a ele ou o imito, paciência, não se pode ter tudo – leitores que filtrem e interpretem de forma perfeita o que se dá a ler são raros e todos esquimós, e se acharem que através de Bukwoski me conhecem então é semelhante a atravessar o oceano pacífico via Paris. Mas nunca se sabe. Posso estar enganado. Um abraço.

Jul. 12

Autor: Carlos Teixeira Luís

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carcohas, bicicletas & biplanos - 29

Paul Auster, escritor e cineasta. Este é um exemplo de um escritor que conseguiu desenvolver uma literatura americana, bairrista, de grande qualidade e absolutamente legível. E por isso mesmo, como é legível é considerado de menor qualidade em relação a outros autores seus contemporâneos. É o problema dos escritores legíveis. A sua narrativa por vezes minimalista e labiríntica tem uma familiaridade e originalidade reconhecível. O que é um feito. A sua Brooklyn particular faz-nos sentir um certo dejá vu, e para isso eu recomendo menos filmes americanos e mais atenção à escrita do homem em causa. Lá por se passar em Brooklyn grande parte da acção dos seus livros, não quer dizer mais do mesmo.
Não basta ler um livro de Auster, não basta ter lido a Trilogia de Nova Iorque, não basta ter visionado um dos seus filmes. No conjunto há uma obra, pronta a ser explorada como um turista apanhado numa rede de enganos e que se perde para nunca mais querer ser achado. Só assim se apanha o âmago da questão e em seguida entra-se em dúvida, rodopia-se numa roda obsessiva de quarteirão em quarteirão. Paul Auster não é Brooklyn mas habita-a e Brooklyn habita-o. E como leitores atentos, passa a habitar-nos.

Gosto muito dos seus filmes, produzidos ou realizados, em parceria com Wayne Chang, Lulu on the Bridge, com o habitual Harvey Keitel, Mira Sorvino, em volta de um saxofonista que leva um tiro, o seu Smoke, com o excelente William Hurt, Harvey Keitel, Forest Whitaker, e muitos outros, gente que se junta à volta duma loja de tabaco, este filme tem um prolongamento na espécie de documentário de bairro, que é Blue in the face, destaco uma participação de Lou Reed a falar do que gosta em Nova Iorque, e muito mais.
Há uma América que salta dos seus livros para o mundo, autêntica mas que não deixa de sonhar.

Paul Auster é casado com Siri Hustvedt, de ascendência norueguesa também ela escritora singular e de grande profundidade. Diferente de Auster como da noite para o dia. Os seus escritos são reflexivos e por vezes muito perto do ensaio. Um caso de um casal dedicado á Literatura e de grande talento. A História não repetiu muitos exemplos destes como se sabe. Mas este texto é sobre Paul Auster. Apenas para acrescentar que devia ser obrigatório ler este escritor. Experimentem. Comecem pela Trilogia de Nova Iorque, ou Loucuras de Brooklyn ou qualquer outro. Em Portugal são todos editados pela casa Edições Asa, agora no grupo Leya. Aposta do ex-editor da Asa e agora editor-responsável pela Porto Editora, Manuel Alberto Valente, homem de livros e autores, como antigamente.

Jul. 12

Autor: Carlos Teixeira Luís


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quarta-feira, 18 de julho de 2012

dia zero

o tempo vai mudar – sinto. sinto porque sinto. sempre senti tudo na vida. e o tempo deu-me razão – sinto – talvez me corra nas veias algum sangue de nostradamus. ou então sangue cigano. e a sina não se encontra na leitura das mãos mas na forma como a vida me entra pelos olhos. pelos ouvidos. pela pele. pelo cheiro. pela boca com que beijo os corações que batem ao pé do meu – sentir é saber – eu sei. sei pelo o olhar. o pestanejar. o tossir. o mover do pescoço para o lado esquerdo. quando o normal é virar para a direita. a mão que entra no bolso. o olhar para o chão. o sorriso que não o é. o sim de não assentimento. o limpar os óculos. e todas as palavras que não servem para coisa nenhuma nem os cinquenta dicionários que guardo na memória de um relógio que nunca parou de trabalhar. que bate um tic tac que é um coração a rasgar a carne. tentando chegar à superfície para respirar – tudo o que me transmitem serve para fazer do amanhã uma certeza inalterável – sei tudo o que sinto. sei que sinto e não sei dizer como o sinto. nem porque o sinto – e o corpo reclama a paz. o vento. o perfume. o futuro incerto. o dia sem fantasmas. e tudo o que parece sombra é afinal o sol a crescer num horizonte que está por detrás de mim – e sinto. e sinto mãos. e sinto os sinos a tocar. e as velas a gotejar cera por um pavio que ainda arde e a luz trémula corre por uma brisa que não é certeza – sinto. sinto se estou só. sinto ainda mais se estou só com os meus eus. e por não estar também sinto. e tudo o que é sentir é arrastar à força o amanhã para hoje. e o sofrimento vivido duas vezes. e o choro ouvido duas vezes. e a dor contínua entre o que sinto pela antecipação e a dor feita certeza porque finalmente está no centro do corpo – e a razão satisfeita. orgulhosa de tanto saber – sinto. sinto a história que construí à minha volta como se fosse uma corda de enforcado – chegam os amigos. os inimigos. os cães. os pássaros e até os deuses de uma mitologia que não serve para nada – resta-me a certeza de que o hoje é a verdade. sou hoje porque vim de ontem e o ontem chegou não sei de onde. talvez do corpo que me trouxe ao mundo e deu rigidez ao que sou. porque sou e nada posso fazer para que não o seja – sinto. sinto um corpo que teima em ver defeitos até nas dobras da pele que cobre a carne que sempre me cheirou a podre – mas não pedirei nada a ninguém. nem ajuda. nem mar. nem água. nem sequer um ombro para chorar – nunca o fiz. nunca o farei – os amigos servem para rir. para ser o que não sou. para dizer que tudo vai bem. para enganar o copo de vinho fermentado em pipos de madeira protegidos pelo sarro da vida – gosto da morte. nunca percebi o motivo porque os homens choram os homens que optam por morrer – morrer é descansar. morrer é sossegar os amigos. morrer é deixar um abraço de felicidade em quem conhece o sofrimento de um homem enganado pelo tempo – jamais pedirei conforto. nunca o fiz e nunca o farei – aos amigos não os quero nem no funeral. a terra cairá da pá do coveiro e no final. depois de bem calcado. talvez um punhado de ervas aromáticas resolva a existência do meu cheiro em vida

Autor: Sampaio Rego

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restos de bolacha

eram tranças tremulando
o babado da saia brincava de vento
a paineira carregadinha
provinha sombra que o sol não alcança
o céu era o esconderijo de Deus
os olhos faziam pausa
para uma joaninha passar
o rio era música baixinha
para brincar de ser feliz por nada
o final do dia continuava no sorriso
com que minha avó me acolhia
restos de bolacha até o quarto
colcha de crochê beirando o chão
o travesseiro quentinho
aguardando os sonhos de menina


Poema de Vânia Lopez

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terça-feira, 17 de julho de 2012

"perfil"

só.
por este tempo..
à névoa da têmpora sem o brilho-crente e/ou desigual..

este exemplo. por intuito..(e forma)

quisera dar-lhe às asas, e. roubar-te: o sol.






e,
já refém do barco suposto, a tempestade..

ao alvitre de coleccionar os modos à sensação
serve-me, à perdida noção!! e guia-me aos olhos..


poderiam estes espasmos, consultarem-te?
à comum impressão de letargia e psicodélico confronto..
poderiam? às avessas re-voltas em sequestro de ar teu, a..
decifrarem-te.. a devastarem o canto além da tua vez?





pois,






te seja à carta que não quis ver
te seja às costas dos lapsos em mãos e solução
e
te seja à hora


do blefe
do preço.
do ensejo que te toma em febre
pois,






à página. te é.













por meu exemplo de glórias
minha conduta em exceção
por rescindir-me
já, aqui..
tempo.





à palavra que define um ponto
e





breve sonho.
e de ti, então,







a separar..



Poema de Azke

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carochas, bicicletas & biplanos - 28

Vamos a livros. Leio o que quero. Livros maus de propósito e bons também. É preciso ler um mau livro para se dar mais valor a um livro bom. Assim como um poema. Gosto de ler maus poemas. Depois leio os meus poetas e fico extasiado.

Não gosto de livros com grandes capas a ilustração a ouro e capa rija de pele para durar século e meio. A não ser a Bíblia. Nem Camões. O meu exemplar de Lusíadas, funcional e que está comigo no trabalho é uma edição de bolso que me custou 1 euro. Gosto de livros em edição paperback, baratos, que se podem comprar nos aeroportos e nas bombas de gasolina. Livros que se podem pôr a chávena de café em cima, enquanto se conversa e se faz outra coisa. Livros que não se lamenta que caiam ao chão ou se encham de areia. Mas não gosto de livros com folhas dobradas nem manchados de gordura. Isso não. Gosto de usar um livro, estimá-lo e sempre mantê-lo em condições que o possa emprestar. Detesto livros mal colados. Servem para se deitar fora e não se deita fora livros. Teoricamente. O livro caro porque a capa é boa é como as antigas aparelhagens monstruosas que serviam para ouvir música sofrível a todos os níveis. Gastar muito dinheiro num livro corrente não faz sentido. Seja a divina comédia ou um policial de agatha christie, por sinal gosto de ambos. Mas não sou contra as capas duras, nem os livros grandes. É só que eu gosto de ler na rua, no metropolitano, em viagem, no carro, no banho, na sanita, na cama, na mesa, em todas as refeições, na praia, na piscina, no futebol, no concerto, no bar, na discoteca (detesto discotecas mas houve sempre um período em que se frequentava para se ganhar uma dor de cabeça e ficar com os pés amassados das pisadelas), na igreja só em visita, pois não frequento igrejas religiosamente, no deserto, na montanha, em fuga, sentado e em pé, a correr e parado, acordado e a dormir (um exercício cansativo mas na fronteira entre acordado e desperto é possível). Claro que o livro de cartão e papel vai sendo reduzido até acabar em tablets e outras formas de livro, virtual e como objecto mas sem papel, pois as árvores não aguentam mais e eu gosto de árvores mais do que livros ou equiparável. Não sei como vai ser amanhã mas hoje contento-me em ser barato no meu gosto por livros.

Jul. 12

Autor: Carlos Teixeira Luís


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carochas, bicicletas & biplanos - 27

Rolling Stones. Agrada mas também chateia. Já lá vão uns anos, penso que Junho de 1990, quando tu ó Mick te abanaste como um macaco no estádio José Alvalade, o antigo, o que tinha a pala de cimento a cair, podia ter caído naquela noite tendo em conta o barulho que fizeram os então desconhecidos Gun na primeira parte, o público só rejubilou, naquele frenesim de concerto de multidão possessa com o seu quê de religioso e demente, quando o guitarrista solou um pouco do Satisfaction, já lá vão uns anos, quando te vi a abrir o concerto com as tuas mãos grandes numa espécie de dança e o resto da trupe parados a tocar e mais os bonecos insufláveis, um deles um cão que Mick decide picar os testículos com uma forquilha insuflável, tudo parte do espectáculo, no fim o corredor da bancada central onde estava arrumado tilintava com as muitas latas de cerveja espalhadas, valeu a pena ver e ouvir e cantar os velhinhos palhaços do rock na sua representação de estilo-junkie que perpetuam faz décadas, embora fosse a digressão à volta dum álbum sofrível e falhado mas o reportório dos glimmer-twins tudo aguenta e suporta, e não é que fizeram cinquenta anos de concertos, começando na estreia em 12 de Julho de 1962 no Marquee de Londres até agora em pleno século XXI, o século das naves espaciais e das viagens intergalácticas, pensávamos nós nessas décadas anteriores, pode ser que ainda venha a ser, por enquanto é o século da queda de todas as utopias – as que restavam, que não eram muitas e o século das grandes crises económicas, de valores, até aos limites não conhecidos e até se inventar novas expressões para classificar situações extremas nunca antes vividas, esperem que as expressões não tardam, e os rolling stones continuam, o que é uma espécie de milagre que agrada mas também chateia.

Jul. 12

Autor: Carlos Teixeira Luís


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domingo, 15 de julho de 2012

[poema 12]

.


algures alguém em extremo desencante (assinalável) propício
resvalado em céus da boca ou alturas desmedidas de vício

que esse alguém torcido (em letras) procurasse às cautelas
dos ímpares o par muitas plumas e a rodos amor dentro delas

que no fim acerado grotescamente metade hélice e metade fera
voasse aos confins e voltasse algarismo locomotiva (mário) ou quimera


.


Poema de Mario Revisited

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sábado, 14 de julho de 2012

Cântico

Malgrado digam:
Tudo o que cantas
Não inspira,
Não me importo.
Vivo assim:
Dentre tantas mentiras,
Escolho uma ou duas
Que, ao menos,
Façam sentido pra mim.
Por isso, amigos,
Se quiserem,
Me acusem de poeta cínico
Ou de ter partido
As asas do querubim.

Malgrado digam:
Tudo o que cantas
É mentira!
Não me importo.
Em verdade tudo transformo
Ao som da lira,
Porque gosto
De verdades mentidas
E gozo
Ao ver aqueles
Que ainda crêem
Em coisas absolutas
Na vida.

Malgrado digam:
Tu és louco!
Teu canto
É nada ou pouco,
Não me importo.
Torno-me os versos
O meu reverso
E os ofereço a todos
Sem esperar nada,
Nenhum troco
Ou que percebam
O próprio engodo.

Malgrado digam:
Tudo o que cantas
Está morto
Ou morrendo está,
Com isso me rejubilo,
Por saber
Que componho um hino
A todos fraterno,
Que nos deixa isentos
E desnudos do fardo
De sermos eternos.

Malgrado digam:
Vives da rapina
Do dia-a-dia,
Transformas a poesia
Na nossa ruína,
Não me abato;
Escrever só nos lancina
E nos inocula
Com o mundo
E a estricnina.

Malgrado digam:
Tudo o que cantas
Faz-me sentir
Num exílio,
Não há encanto,
Nada de sublime
No teu canto,
Não me espanto.
Não há como atingi-los
Sem antes
Cometer-se um crime,
Expor numa vitrine
Tudo o que nos reprime
Para a quebrarmos
Beligerantes.

Malgrado digam:
Só amas o chão,
O parco instante,
Não me importo.
A terra, o céu,
O sol radiante,
O corpo vão,
Tudo o que vês
Perecerá
Nesta láctea via
De fluidez.

Malgrado digam:
Tudo o que cantas
Te vai mandar
Para o inferno,
Não me importo.
Sei que nada é fixo
Ou sempiterno
E que, como todos
Que se persignam
Com crucifixos
Ou que não crêem
Na parasceve,
Em breve,
Me tornarei pó, lodo,
Enquanto cantam
Os rapsodos.


Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados

Uma morte azul

... comprimir – lhe o pescoço em meio aquele azul estonteante , o céu como se fixado por um prego, a brisa marinha hesitando sobre um mar que seria até macio em seu azul e poemas,perceber a vida esvaindo-se e a entrega do corpo ao próprio destino , ao fim comum e desejado por nós, por ela principalmente, que não mais desejava a angústia medida do saco plástico e meus polegares a constringir - lhe a traquéia . Transfigurada , consoante ao azul maravilhoso que nos protege e envolve de cima a baixo ; o mar , arremate final da pequena morte ensaiada em tantos quartos de hotel dispersos pelo mundo , luxuriante forma adiada de morrer sucumbindo ao orgasmo convulso, á estripulia de sensualidade (o que é um nome?),a camisola de seda meticulosamente dobrada,creme sobre o corpo perfeito e macio,
- Por que não três gotas de Chanel número cinco ?.
Mesmo não sendo um homicídio (que de certa forma era) , antes suicídio consumado a quatro mãos (duas da bela assassina de si mesmo) nem assim o queria plágio :
- Não sou a Marylin
Gostosas e tépidas mãos do seu mais louco amante, disposto a ir onde os outros recuaram por não compreender que aquele morrer era um supremo gozo , inigualável porque definitivo em seu impacto de vagalhões de prazer a submergirem o seu corpo, azul da cor do mar, entre aquelas tão pequenas ilhas, onde tudo isso poderia ser um filme (nós e apenas o sol por testemunha) mas o sol não era nada, apenas figurava naquele equador , no esvair-se da vida comum para a liquidez que dissolvendo, acrescenta-nos ao todo maior.Então lembrei da primeira vez que me ordenou o suplício,aquela pequena introdução á asfixia, em meio ao gozo, sacudida e inundada por mim , aríete e fonte , a serviço do tesão infinito, multiplicado á cada compressão do pescoço sedoso, luzidio ,untado,perfumado e cheirando a sol , minhas mãos deslizando na mesma cadencia em que lhe percutia o interior, a caminho do prazer oceânico , seguido do largo e profundo sono dos amantes .
Então , que o mar te receba , azul em todo resplendor que um veranico poderia nos oferecer ; agora toda inércia e serenidade, atingiste o teu nirvana ; percebo o sangue nos meus braços lanhados por tuas unhas que apenas eu sei resultado do prazer supremo , não do medo nem do tolo apego á vida que sempre censuraste , pois toda maneira de amor vale a pena ; entre nós, a vida tangenciando a morte anos e anos ,em que te completava e seduzia, pelas mãos mais fortes e precisas já vistas nas tuas andanças pelo mundo . Descobri a proximidade de viver e findar-se , no momento do gozo , onde morremos para nós mesmos e para o mundo na brevidade casual e humana que nunca te satisfez. Escolheste hoje, o gozo supremo , sob este céu sem nuvens e um sol agora meio escorregadio para a curva do horizonte,deslizando,como indo ao teu encontro, no cemitério marinho .
Ligo o barco ,faço- o descrever um adeus em larga e preguiçosa parábola ; sigo sem olhar a esteira do meu caminho , vezo e sina de vida breve .

Conto de André Albuquerque


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sexta-feira, 13 de julho de 2012

mnemosine

mas na verdade eu queria mesmo era falar contigo. dizer apenas um olá. um bom dia. um como está passando? e os sorrisos? encantados como sempre – e então quando tomamos um cafezinho naquele botequim feito de palavras? estou ansioso para te mostrar dois verbos novos que encontrei a fazer uns arrumos à vida que já passou - irias gostar de os conhecer - estavam amarrados a dois adjetivos que nunca adjetivaram coisa nenhuma – confesso. eram tão maus que nunca os levei à rua. acabaram por ficar esquecidos - o tempo passou e agora tudo é diferente. estou mais velho. e o cheiro das palavras já não é igual - no passado estava mais à procura de coisas novas e agora quero achar tudo que é velho dentro de mim e não encontro - não guardei nada da vida. os beijos foram esquecidos. os abraços perdidos. as pessoas foram morrendo dentro de mim. e a saliva presa ao céu da boca rodando de um lado para o outro e eu sem encontrar um lugar digno para poder cuspir esta azia que me vem de dento de uma moela seca - e o verbo era é agora o começo de uma história - era uma vez um abril - era uma vez um dia com uma nuvem tão louca que sugou toda a água do mundo. e todos os peixes se fizeram pássaros. e todas as flores se fizeram sonhos. e tudo que era mundo era afinal um pontinho num espaço que nenhum mês do ano sabia que existia - era uma vez eu e mais tu e mais os teus amigos e os meus amigos e os teus vizinhos e os meus e o teu mundo e o meu mundo e tudo é mundo e nós somos mundo e em cada pedaço de mundo. um mundo mais completo - nunca esquecerei mais nenhum segundo do mundo - escrevo cada sorriso. escrevo cada momento. escrevo mundo



* comentário a um texto da vânia lopez que. carinhosamente. faz o favor de ser minha amiga preenchendo os silêncios da escrita com palavras de incentivo ao meu louco amadorismo de tentar escrever
Autor: Sampaio Rego

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quinta-feira, 12 de julho de 2012

basta um olhar atirado ao peito

falar do voo de uma ave é algo sagrado, entro por portas em um feriado na Irlanda do Norte. colho o ontem com os olhos, onde bem ali adormecia em seus braços. onde dois braços é uma multidão colorindo o deserto de verde. estendo uma mesa ampla com castiçais, tempero a alma, tudo sonha... do mar a cada noite ao piano roxo. vá menino! colha minhas lágrimas, ensine-as a migrar ao teu peito com a força de uma rosa. me aninhe junto à sombra de tudo que cala. oferte-me as mãos para que me abandone atravessando o dia. faça do oceano nossa horta, cuide que sua alma floresça no frio, onde quero ser enterrada viva... pétala por pétala.

Autor: Vânia Lopez

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quarta-feira, 11 de julho de 2012

carochas, bicicletas & biplanos - 26

Estranho certas atenções. Sobretudo porque sei que no fundo não as mereço. Todos sabemos essas coisas. O que merecemos ou não. Mesmo com perturbações na avaliação, se tivermos baixo amor-próprio ou o oposto. Escrever sobre essas coisas é um prazer perverso que também tem de sofrimento, por isso o chamo assim.

Só há bem pouco tempo é que descobri um certo tema recorrente em todos os meus escritos. Todos. E não sou eu. Não escrevo sobre mim, mesmo que o faça na primeira pessoa, como acontece na maioria das vezes. É sempre sobre outro eu que não exactamente eu. E quando coloco esses textos em locais virtuais sujeitos a comentários, esses mesmos comentários, leituras e interpretações levam o sentido do texto a paisagens novas nunca sonhadas por mim. Isso dá-me um certo prazer, embora nem sempre, ler o que outros lêem daquilo que escrevo. Confesso que brinco muito com a realidade e a memória, partindo do real para o pressuposto, do normal para o absurdo, daqui para ali e a viagem de volta. E o real tem tanto de improviso e impossível que não precisa ser inventado. Tudo existe para ser observado. Saibamos como.

Jul. 12


Autor: Carlos Teixeira Luís

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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Poema dos três cachimbos

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essa intercalar voz rouca de telefonista
o meu nipónico desejo por às terças a rodos cintilante
e aquele propício segurança do parque de estacionamento
em aceradas e concretas suspeitas de


.
Poema de MarioRevisited


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Ela dança...


Cigana colorida
Coloca a tristeza retalhada de chita
Na ponta da saia
E sai...
Sai sorrindo,
Cantando,
Deixando a fênix renascer.
Não se encolhe, se espalha
Mesmo com a alma cicatrizando,
Ela persiste e dá um novo verso ao rosto.
Encanta, diz sim!
Sente cheiro de alecrim
Mesmo estando numa relva com frio e apaixonada,
Paixão daquelas febris, perigosas...
Com o coração explodindo feito estopim.
Ela dança, se permite, se encanta...
Mesmo carregada de lembranças!

Ela dança!...


((( Camila Senna )))

sexta-feira, 6 de julho de 2012

[...descansam as amendoeiras do inverno


descansam as amendoeiras do inverno
com alguns pássaros escondidos pelos ramos vazios,

vazias as mãos que seguram todas as águas por momentos,
vazio o dia que se atormenta ao se esconder,

vazio o beijo, dir-me-às,

e como é bela a amendoeira em flor pelo inverno,
renova-se,

vazia a nudez dos nossos corpos, dir-te-ei.

Salso o mar que as brumas esvaziam,
quão distantes as cousas por escrever,
talvez o amar, talvez a saudade,

cruel olvidar que se adianta a tudo, eu sei.

[… e hoje, amanheceram-se repentinos os ventos a norte,
apenas eles conseguem despentear as ondas,

apenas eles me acordaram distante,
que eu crepite, que eu arda...]
 
Poema de Ricardo Pocinho (Transversal)
 

"Acesso.."

vê. é a parede que te forma o desenho em par abstracto(se for..)
assim, ao tempo. e descaso retrátil, em obtuso erro (ao)que te compreende o provocar
ao olhos, o exemplo.
em leito privado qual, conto. e(este..) fim!
vê. esta linha que te devolve à canção inteira de um outro dado/supor
(suponha..) às vezes insanas da história mais breve que um dia, te absorveu
suponha os teu passos em lados opostos. e livres. de ti
em derredor
e
queira..
minha linha desfeita ao que te aguarda o exercício
queira ocupar-se de gravuras
a um. ensaio de presságios
qual ímpeto que te (ora/ou-outra..)serviu
à luta mais eleita(a: aceita de ti.)
ou império..
convulsão e entrevista acima da minha tola/total impressão
e conforto
seja-te(lei) ao total esboço que(,sim!) darei o exemplo
oh minha,








magdalena..





















desde ao castelo de ar
árido controle deste credo e período composto
se for..
a ser-te. aos poucos
minha febre que te desnivela o veto
minha boca calada da toda mentira privada de ti
minha letra criada
em chamas
em queda e lápide de forma que te aprende
tal(à)
esta





fé..









e,
nada te compara ao lado em outro ponto qualquer
(nada! do que te ser/ter em outro corpo, que não



o teu.)

 
Poema de Azke