Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Pior que isto
e eu me quero pior que isto.
Eu me quero pior que eles.
Porque me quero violento e eles o pacifico.
Escrevo com raiva e penso ainda pior que isto.
quero me esmurrar todo pra ver se caibo
na caixa do meu próprio desejo
mas eu escorro, sempre
no fundo e raso
gosto disso
aos interessados: ainda tenho pena!
só do que não sou eu
vitimizem-se longe de mim
não suporto ouvir nem meu próprio choro
troco de face feito um gatilho
que da arma cinza e pesada solta uma flor!
aos atrasados: o barco partirá comigo.
As minhas sirenes serão mudas.
As minhas sereias desafinadas, espantalhas de medusas!
Se virem de longe minhas mãos acenando
dêem um banho de mar para acordar suas ingenuidades!
Comemoro a fato de ter tido coragem para mentir as horas.
E, finalmente, ir só.
Forcei um atraso. A hora equivocada era um não-convite.
“-Cheguei tarde! ", um lamentaria...
E parto satisfeito olhando o cais cheio...
Gritaria com voz de lavadeira:
“Para mim tu nunca vieste, porque convidei apenas o teu equivoco!"
aos que me chamam de egoísta:
sou o mais multiplicador que conheço:
por saber pouco.
agora , se é para partilhar
comungem longe de mim
detesto ver a alegria dos outros quando dividem as migalhas entre si e pelo chão
porcos afarinhados!
Alegram-se por essa caridade ?
obrigada pela culpa ?
enquanto escondem o pão no alto
da vista daqueles que sào suspeitos
Por que cheiram como vocês!
um egoísta suscita -ismos
porque ama o singular
egocêntrico?
orbitando em mim, queimo-me menos
do que guardando a luz do sol nos meus poros
pela frente e depois pelo verso
depois ainda quando estou bem negro,
(a coloração indivisivel da noite e do lago)
rodo, danço, dissipo o calor do que há em minhas poeiras-lodo!
Mas os tolos, sempre friolentos
- certa necessidade de abrigo-
oportunamente gostam.
Oportunamente!
Quando descobrem que o quente lhe dá mais
do que esses arrepios chamados de vontade!
Egocentrífugo! E posso sê-lo!
Querem formas> massa!
Querem trabalho> o cio
Aos que brincam com a minha amizade:
estão voces mais vulneraveis ainda.
Estão perto!
Embora as armações sejam tortas
-pois o afeto assim capta o maior abandonado-
as lentes são afiadas. E de grau.
Que raiva essa mais feliz!
Confia e sorri.
Branda densidade magmática!
Uma senhora que era puta
mas nunca prostituta, nunca se prostrava!
Cristalizar essa raiva?
Seria congelar orvalhos e colecioná-los!
Quando a graça é a grama molhada...
O matinal.
Minha raiva é do vespertino tardio
do horror à buzina do pão e do sonho
E se uns temem palhaços,
eu temo pipoqueiros das saídas escolares!
querem dados os tecnonarcisistas ?
dardos lhes atiro no espelho
Sorrio, gosto de sorrir
gostando ou não de você
gosto antes daquilo que nos perpassa.
Por que a relação haveria de ser você?
a relação em si me apraz
sou linhas, linhas!
sorrio, sorrio confortável
a maciez letárgica que dá dor nas costas.
Não irei mas sanear pensamentos
em nome do asséptico
nem desligar meu curto circuito
entre volume e superfície.
Quero as minhas cadeias de pensamento!
Derreter grades e forjar pedestais-plataformas
para voar, voar!
Poema de Carlos Juba
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Par
Perfeitas em solidão de astro,
Conjugando-se, agora, em rota irregular
De meteorito errante, sem destino.
Essas vidas embevecidas
No laço breve dos dias e noites,
E és noite, madrugadas
De lua ensolarada,
Iluminando-te o rosto lhano
Sem sonho ou mistério,
Sem quimera ou segredo.
Em tua vida,
Todos têm pele, sabor, carícias,
O sonho insonhado, antes vivido,
Quimera transida de medo e desejo,
Segredo rasgado por leitos e veios,
Ideal feito
De seio e regaço,
De promessa e abraço
Qual árvore de pomos pendidos,
Quase todos colhidos,
Iguarias comuns de raro quotidiano.
Quão diferentes nossas vidas!
Ainda assim se uniram,
Encararam-se e, após o fascínio,
Sobreveio o estranhamento.
Uma que é pura invento,
Teoria sem experimento,
Invenção jamais provada
Pelo vento, pelo mar e os homens,
Conservada como relíquia, dor
No fundo de gavetas esquecidas.
E a tua: (invejo-a!)
A vida sem reticências,
A interrogar vetustas exclamações.
Texto bem acabado,
Muitas vezes revisto,
Escrito na tênue folha marinha das águas.
Tua vida: queimadura, cicatriz,
Gozo e generosidade.
Belo 14 Bis, Zepelin,
Mais uma vez,
Alçando-se aos ares.
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
Enxurrada das almas...
e, mais que ontem, Drummond,
se os olhos aprendessem a chorar
teríamos um segundo dilúvio
e esse teu poema seria levado
pela enxurrada das almas,
e durante, e após o aguaceiro,
restariam gentes,
novas gentes,
à fazer poesia novamente.
Mas não chove;
o tempo é de secura,
não há enchentes
e as ruas são vazias,
apesar das gentes.
((( Zé Carlos Batalhafam )))
Barbitúricos
Barbie diet-coke
Barbie no Carrefour
Barbie de baby-look
Barbie hippie
Barbie punk
Barbie vamp
Barbie vip
Barbie junkie
Barbie robô bip-bip
Barbie na Ferrari
Barbie ao celular
Barbie rastafári
Barbie super-star
Barbie kitsch
Barbie clubber
Barbie chic
Barbie freak
Barbie poser
Barbie usa aplique
BARBIE
Estrela de primeira grandeza em Hollywood
Pisou na calçada da fama e dispensou um grude
- Quem é Ken?
Barbie banho de sol
Barbie com poodle
Barbie de baby-doll
Barbie sex-symbol
Barbie Madonna
Barbie city
Barbie hit
Barbie cafona
Barbie flit
Barbie só sai à tona
Barbie de biquíni
Barbie stress
Barbie na vitrine
Barbie topless
Barbie Babel
Barbie pop
Barbie top
Barbie Nobel
Barbie stop
Barbie não cai do céu
BARBIE
Chegou com chofer num inferninho toda de Pink
Sentou cruzou as pernas e agradeceu pelo drink
- Quem é Ken?
Barbie overdose
Barbie de porre
Barbie dá um close
Barbie é um porre
Barbie fashion
Barbie flash
Barbie trash
Barbie neon
Barbie sexy
Barbie botox e batom
Barbie na maconha
Barbie puta que pariu
Barbie zen vergonha
Barbie descobriu Brazil
Barbie MTV
Barbie démodé
Barbie karaokê
Barbie bi
Barbie ilariê
Barbie olha o bem-te-vi
Barbie barbárie
Babe baby
Bi-bi
Trêbada trepada
Barbie vai ter um bebê
Diretamente da Zorra Franca do Paraguay
Para a privada da quitinete do papai
Mamãe serial-killer
Papai drag-queen
Barbie deu um pau na Suzy de robe
Não aceita dividir nem o Ken nem o Bob
Barbie deu outro pau na Suzy sem
Não aceita dividir nem o Bob nem o Ken
Nunca aceita dividir nada com ninguém
Poema de Andri Carvão.
Bragi, deus da poesia
I
Os seus cantos as guerras entoavam,
O deus versos declama poesias;
Evocado nos gelos que inflamavam
Os mais nobres desejos. Fantasia
Dos gigantes vencidos que ensejavam
A fronteira do céu ao vir desse dia.
II
Da presença de Iduna desfrutavam
As maçãs preciosas. Dividia,
A divina, a beleza que esperavam,
Numa caixa guardada que aprazia.
Eternizam os deuses que encontravam
Juventude, a vaidade em primazia.
III
Ao seguirem maçãs, auto-invocavam
Os poetas: Verseja todo o dia
Ao lirismo que faz desse divã
O pensar numa vida, assim vadia.
Resolvendo ficar na tal maçã
Cuidará da verdade luzidia.
Poema de Yayá.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
O poeta...
O poeta é o bem-amado
O rejeitado
O artista.
O Poeta é o afinado
Com o coração desafinado
Que vive sempre despedaçado.
Nesse mundo de vida,
Nesse mundo de morte,
A trilha certa do poeta é a dor, que se encontra com o amor.
Sem lei...
Pois sou da avessa...
Viro a mesa toda vez que preciso.
Da ideologia, não sei...
Por que a minha, eu mesma a criei.
Não faço versos letrados...
Faço versos marcados, que são, para mim, sustento!...
Erudito, em mim, só meu coração.
Meu conhecimento vem da minha vivência.
Da calçada pintada, das experiências cravadas!...
A vida ávida que mora em mim, precisa, anseia... Ser livre!
((( Camila Senna )))
Elétrica 1 ou "Do cotidiano fantástico"
Olho para as cores da paleta. Feia mistura faz brotar quadros patéticos. Não se já falei isso. Mas além de não saber escrever, também não sei pintar. E faço as duas coisas. Elas não tem que ser. Elas já é. Elas já unas no indivisível eu. Elas onde me estouro. Elas onde sou beira. Escrever é a anti-loucura do retroceder. Alquimia de tempo. Contração e descontração para fazer caber no entre criptografadas sombras do que há por trás do pensamento. Só cheguei na sombra. Ainda. Cheiro a malva quente. Tem cheiro de guardado amargo. É como se ela por trás o velho puxasse o velho. A afinidade dos amargos, o segredo do meu corpo rompido pela voz da erva que chama. Leitor, se enlouquecesse ainda mais meu cotidiano você mais me frequentaria? Você é uma criança que gosta de casa de espelhos?
Já começo a inventar motivos para você gostar de mim. Tenho que parar. Não estou disposto hoje a inventar pensamentos. Chutei alegorias. Também quero o claro fluxo. Não quero turvar águas para ser visto profundo. Sujo não é profundo. Vago pelo desejo de ofertar minha fome em troca da sua comida. Tenho que parar. Sem inventos. Vou ver a malva. Ela tem pêlos. Num manual acabo de ler: “ quando chove estas flores choram, ou seja, libera um liquido castanho que faz nódoa na parede e no tecido”, assim falavam sobre os adornos da malva. Fiquei sem entender a parede. Ela nunca falou comigo. Malva é amiga do clima ameno.
Não queria que você me lesse para passar o tempo. Mas escrevo para passar o tempo. Faço pedidos egoístas, é bom saber. Peguei a folha pelo rabo e parecia um camundongo.
Escrever já é a tentativa maga no tempo. A malva coça reto. O velho tá puxando o velho. Amargo guardado com amargo guardado. Isso cura? Arde. A malva é teclado.
É claro o olhar de lis. O clã ri se. Gargalha se se é no it. Sabe que está comigo porque me convidei. Ela gostaria de me ver assim: escrevendo de bruço. Bruxa, teleguiava sementes.
Vou ligar o marimbondo condicionador de ar. Zumbido seguro sempre nina. Inseguro é tudo que não é robô. Homem sanguíneo, o que dirá o trocadilho? O meu sangue pesa mais agora. Penso em dormir. Ou durmo para pensar? É taça cheia, taça vazia, taça cheia, taça vazia... até me embebedar. Bêbado, acordo. Vivo trôpego do meu sono. Desperto para a vida justamente no sonho. É lá onde sou impossível e me ultrapasso. O sono é um it de morte aceita. Na vida sou imortal água-viva. Minto. Ainda me falta correntes para ser água-viva. Mas também não sou água morta. Cheira amargo. Sou dono de ostentados aromas. Não desapeguei do olho outro, sei bem. Ando pelo debaixo aquoso como se o substrato me desse arrepio. E cada arrepio é um passo. Cada arrepio, um passo. Cada... Posso ser estrela do mar? Eu respondo: sim. Já chamaram água viva de hermética bruxa, terror dos ginasiais. Só posso ser estrela do mar. E isso facilita, e muito, seu trabalho de voyeur de mim. Quero ver se você ganha do meu eu em olhar pra mim sem piscar o olho. Pronto, já piscou. Que aqui eu sou o dono do tempo.
Texto de Carlos Juba
Noções
Mitologia nórdica
I
Gigantes são formados nesse lácteo
Alvar. Desse arco-íris se dizia
O céu, e abaixo o vapor em forma d’água.
Um polo ao arco terrestre induziria
Num próximo futuro atemporal
À mostra desse rol, geografia.
II
Gigantes continentes viram palco
Da Terra apresentada, alegoria
De Odin, Vili e Ve. Sal do Ymir, astral
De um nórdico valente. Moradia
Enorme desse freixo original
Impuro. Magnetismo que surgia.
III
No eterno inconcebido como tal,
Embla e Aske; a esse casal a primazia.
Criados num castelo com um lauto
Banquete. Nessa arcada se fazia
A “nova”, legendada do casal
Adão e Eva, numa história à revelia.
Poema de Yayá
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
PARAÍSO (Arnoldo Pimentel)
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
+Phylozophya de WC
Me deu um treco
Me deu um troço
Gritei um eco
Cuspi um caroço
2.
Eu faço de tudo
pra não ter
que fazer nada.
3.
Adianto o seu lado
Não ouço um obrigado
Eu preciso de você
Nem me viu nem me vê
Uma mão lava a outra
E juntas lavam a bunda
Do jeito que eu ando
Vou acabar corcunda
4.
As velhas idéias são sempre as grandes idéias.
As novas idéias são apenas faíscas:
demandam certo tempo para pegar fogo.
5.
Sacrifício é o crucifixo
Daquele que pregou até ser pregado.
A décima parte de quem não tem fixo
Já não é um pecado?
6.Você sabe o que eu tenho na língua, além de veneno?
Você não sabe o que está perdendo.
Poema de Andri Carvão
Fogo...
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Pusilânime, fuzila-me! Fuzila-me, pusilânime
Não quero a apoteose da estética rasa,
estou muito além
de ser fosco no brio desajeitado.
Fuzila-me, pusilânime!
*Fuzila-me, pusilânime
Não quero ser marinho
quando me adoço
frequentemente com vulcões.
Pusilânime, fuzila-me!
Poema de Isaac Bugarim.
Phylozophya de WC
Não vale o que come,
não vale o que caga.
E quem não consome
- paga!
Bezerro Bizarro
Aqui relva com água
nunca caga catarro.
Aqui terra com água
não alaga mais barro.
Aqui pedra com água
nunca bate mas fura.
Aqui merda com água
não vira pasta impura.
EU JURO QUE EU
NÃO DISSE NADA
De cima do viaduto
escarram catarro
em riba dos carros.
De cima do viaduto
espirram esporra
em riba dos carros.
De cima do viaduto
mijam e cagam
em riba dos carros.
E o carro que morre.
E o magro que corre.
E o carro que corre.
E o magro que morre.
O Cu do Cúmulo
O cu do cúmulo
não é o óleo (anarco-íris)
do vômito anônimo na avenida.
O cu do cúmulo
não é a trilha sonora de banheiro.
O cu do cúmulo
não são as lembranças
no porão da memória.
O cu do cúmulo
não são as imensas olheiras do sol.
O cu do cúmulo
é morrer!
Morrer, morrer até cair...
Mantenha Distância
Eu sou Cia ltda.
Poemas de Andri Carvão
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Cidade Perfume...
Me pergunto o porquê do encanto.
Fio pra todo lado, asfalto em todo canto...
Deve ser esse monte de ônibus colorido...
Esse barulho de freio, esse gemido.
Talvez seja o contraste brando...
Da mata com o concreto
O que fala assim simples em minha mente,
Calmo, direto.
A certeza da raiz
Da terra escolhida
Dos amigos que eu fiz...
- Finco aqui!
Uma bandeira de trabalho
Por essa gente, esse assoalho
Que faço parte sem querer
Que me encanta sem saber.
É daqui que eu gosto...
Cidade perfume.
Só me resta saber...
Perfume, de quê?
Mitologia Fantástica - Tétrica
Inspirado na mitologia Egípcia
I
Eis um mito originado, Tífon
E o grosseiro funeral de Osíris.
O caixão metrificado do Egito
Na medida do sapato, da íris
Invejosa no tamanho dito,
No traçado das vinganças vis.
II
Era um deus falsificado e Milton
Alegrou-se com seu fim ipsis
In Ipssimus! Uma febre, o tifo
Inspirado no temor. Ides,
Nada mais descomunal. Um rito
Abissal, anti-odisséia de Ulisses.
Poema de Yayá.
atrás das paredes
chegou perto antes de sair
seu casaco encostou-se à bolsa
senti o botão cair
...fiquei em pedaços
o coração alternando
entre ontem e hoje
o céu correndo em meus olhos
e tudo mais
grudado na cabeça...
Poema de Vânia Lopez.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Dois poemas de Carlos Juba
Até amanhã.
serei hospedeiro de micro fauna
até amanhã
lá depois de abrir portas e janelas
e para sempre fechar
desabrigarei minha memória
ordem de despejo à memória!
chorarás no vazio
no vento ressequido
racharás tuas vísceras até o pó
não lamentes tanto:
até o pó é algo que voa
Esperneia!
enquanto pernas tens
já te sedo em semi-sonho
te alimento de larva onírica
com minhas colheres furadas
cai mais no chão
do que em ti
para desculpar
sem querer
minha maldade proposital
lembras do homem de Vitrúvio em quadro que me deste?
uma pena
teus olhos estarem ausentes
para ver
a árvore que irei amarrá-lo
a dor do homem que esquadrinhado na moldura
( e como tu entendias de molduras !)
sem poder a fuga
queimará da própria inércia
e do meu fogo
prefiro queimar o que está preso
por gostar menos de matar
do que deixar morrer
lenha para isso?
tuas roupas que ainda me restam:
o fogo de fibra
alimentado com o pó
da furada colher
caído no chão
e sem ainda levantar vôo no vento
logo quererás ser
outro bicho que puder
caber no mundo sem jaula
já me traio
o que salva é a falta de propósito
já confundo minha memória com teu tu
hospedagem maldita!
confundem-se o cheiro de musgo da pensão e dos corpos suados pensionistas...
tudo fede a velho
e os vermes se otimizam por não terem narizes
Avise:
hoje não tem refeição!
já te dei a comida eterna :
o dispêndio de energia.
ouça tua barriga roncar
até o obssessivo som metal badalar incessante
dia
noite
e dia nublado
como os tiros imaginários e eternos
de velhos generais de velhas guerras
que já loucos
não dormem sem ser Napoleão
tateaste o vazio da liberdade?
já estende a fibra dos teus braços
para alcançar o fio solto que te presenteará
com tua última eutanásia?
desalojo
desospedo
tu
teus porcos
teus cães
num chute só
amálgama pobre!
erás tudo num só
e isso era motivo de garbor!
então vá de uma só vez!
não, não vá!
agora não...
falta uma coisa ainda
um selinho apenas...
pra carta grande:
meu chute.
despacho
desalojo
desospedo
e aviso:
hoje não tem refeição!
só eu como.
estás pronto para a epifania da eutanásia?
amanhã!
(que já é hoje - longa morte tua descrita)
como na Antiga hecatombe grega!
serão mortos cem bois
e quatrocentas patas
no susto que apaga
se flexionarão
para os corpos de pêlo curto ruírem.
e acredites (já rio) :
não há ruínas em paz
hoje
fechadas as portas
tu não és tu : é mais aquilo
perguntarás o que terei feito
com o cheiro forte dos corpos...
direi o cheiro das fezes das coisas vivas
como incômodo maior
que o cheiro na anunciante inspiração
e respiração
do húmido putrefato
gestação da vida
através de placentas mortas
envoltório próprio dos coveiros
( sim! tu és um coveiro insistente!)
insatisfeitos que o outro morra
sem levar deles
nada que os recordem
acredite:
até os coveiros são vaidosos.
Morres hoje
que é amanhã
e depois
porque não sabes morrer.
Deixaste para mim tarefa
que hoje completo
com serena execução.
olha bem...
observa com aquilina cautela...
por debaixo do capuz...
vês uma luz pequena com dentes?
é o meu sorriso
que te mata
sem precisar de consolo
desalojo
desospedo
desamo tudo para caber espaço
e hoje
que é amanhã
o exílio-pensão-cortiço
de mal aguentar
o próprio cheiro
pelo bem
fecha as portas
e aviso:
hoje não tem refeição!
eternamente
só eu como.
A DOR EMBRANQUECE
A dor embranquece.
não é preciso chorar
se o fim são os outros olhos
vejo entre a porta aberta
alguém espiado por um longo caminho
bate à porta
no impacto de assustar
mal sabendo ser esperado
nada assusta
só dôo
sem nada doar
apesar da gentil recepção
Ah! Se soubessem a dor que mora na gentileza!
Habita mais dor na gentileza
do que na crueldade.
A crueldade é desinteressada
por anterior ser sempre
à qualquer motim que a deflagre.
Para quem ama o tudo
e detesta o nada
ser gentil
é pedir pelo mar passagem
quando se navega em armada
de força sabida.
É pedir com sorriso
e doer.
Dói a dor que doa compaixão
aos tocados pela gentileza
como bruma
mas ela é vento...
Vento!
Um vento condensado
para que se passe
entre duas nuvens
sem chover.
um vento empurra nuvens
mas não arrasta raios
de teimosia imanente
que o chão entre águas
tenta tocar
e quando toca
toca fogo
beija incinerando
muda os estados
abrupto
não volta sem avisar
sendo ele o descarrego de si
finda o corpo no próprio beijo
flameja à exaustão nula:
é energia
gentil com as nuvens
cruel com o chão
como tudo que remenda o contradito
e levita ao inverso
falo de raios
e hoje é sol
em quais curvas andei
então a criar
nuvens em mim?
hoje é sol
só até enquanto
a água não pesa
são gentis os raios
para quem na mata escura
caminha sem lampião
será para os vagalumes carentes
o relâmpago um deus?
cruel e gentil como um deus
que mais Deus é
quanto mais gentil for
estando sem ser
até vir o trovão
denúncia para os que ouvem
e mais nada conseguir disfarçar
Autoria: Carlos Juba
Poema
De leitura e angústia,
Ante o cânone, ante incompreensível estro,
Ante confuso mundo, de tão claros enigmas,
Eu não sabia,
Mas o poema sempre esteve ali,
Qual ferida ou queixume,
Qual fruto ou negrume.
Deu o tempo e a técnica se fez no sofrimento:
- Fiat! disse algo dentro de mim
E, entre o fulgor e a escuridão, tímido, na penumbra,
Entre utopias deglutidas,
Poentas brochuras
E defuntas armas e canções
Contra os donos da ordem e do tempo,
Algo fundo revelou-se,
Fosso, abismo,
Exasperado grito
Ou simples pomo pendido.
Deu a hora e me precipitei,
Colhi o poema,
Trinquei os dentes nele
E o apreciei deveras,
Vociferado, em profundo negror
Com a boca esfaimada do mundo.
Senti sumo acre,
Sabor amaro,
Iniludível
E abismal.
Gostei
E não senti qualquer contentamento!
Hoje, ofereço-o,
Oceano ou ruína,
Fruto
Ou salto no abismo,
A quem quiser
Algo diferente do ópio, da fuga, da nuvem
E do frenesi diário e intenso,
Para sempre infenso
Às águas que afluem da memória.
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
deve estar sentindo frio
queimei a igreja
devastei tudo
você cresceu e ficou mais organizado
as piores partes de mim
passando pelos jornais
(as que te amavam)
sem me curvar, tremer ou desesperar
sem me importar com seu tamanho
te calei para sempre dentro de mim
minha alma saiu do cubículo
indomável e destemida
pronta para falar direto com Deus pelo rádio
pronta para comprar uma bolsa de grife
(ou uma alma)
Poema de Vânia Lopez
Calma criançada tem bala pra todo mundo
queria morrer antes de ficar velho!
Mas quem é quem no The Who?
Ácido lisérgico
é doce psicodélico!
Festa na piscina com Keith Moon!
Mas foi Moon ou Brian Jones
quem fez festa na piscina dos Stones?
Jimi Janis Jim – a trinca de valetes –
tri-overdoses aos vinte e sete!
Noel Rosa morreu aos 27 anos!
Brian Jones morreu aos 27 anos!
Bom Scott morreu aos 27 anos!
Kurt Cobain morreu aos 27 anos!
Quem vive 27 horas por dia
merece no mínimo 27 vidas!
Elvis Presley, John Lennon, Syd Vicious,
Michael Hutchence, Ian Curtis não morreram aos 27 anos.
Agora o grito tupiniquim:
Raul Seixas, Cazuza, Renato Russo,
Cássia Eller, Chico Science não morreram aos 27 anos.
Mas todos foram vítimas do Rock ‘n Roll!
John Bonham
virado na porra!
Cerca de 100 espécies de piolho
no rastafári de cheiro verde do vale
de Bob Marley.
Enforcamento com gás na cadeira-elétrica
para Marylin Manson!
Injeção letal e um copo de veneno
para Trent Reznor!
Marylin Monroe foi atriz – já era!
James Dean foi ator – já era!
Todo ator é à toa!
As melhores atrizes são as putas!
Uma Temporada no Inferno com
Jean Arthur Rimbaud e você
vai ver o que é bom pra tosse:
purgante ou laxante, seu xarope?!
Quem Castro(u) Alves?
Quem castrou Álvares de Azevedo?
Jovem azedo!
Fred Mercury – uma foda e meia –
AIDS no cu ao invés de na veia!
O Herói do Nosso Tempo, Mikhail Liérmontov,
partiu dessa para melhor, bateu as botas,
bateu a caçoleta, abotoou o paletó de madeira,
moleu-moleu-antes-ele-do-que-eu, foice e foi-se: foda-se!,
carregando aquela idade maldita no peito e
carregando a mesma idade maldita nas costas,
farto com o fardo da farda que usou e ousou
e só foi endeusado pela juventude
por ter sido mais um bendito poeta maldito!
Quem ou o quê
pensa que é você
pra me dizer
o que não dizer?
A poetisa NÃO! A poeta Sylvia Plath
enfiou a cabeça no forno e PLAFT!
ligou o gás,
sOl pra ver se encontrava a paz...
Tudo por mó de Tédio & Rugas
por cremes/crimes/ciúmes do ex-marido Ted Hughes
que, ao trocá-la por outra,
carregou a pesada cruz de Poeta Culpado
por toda a sua parcela de Eternidade!...
É triste pra cacete, é claro...
Mais triste pra Boceta do Caralho Plath:
apenas 30 anos cravados na pedra da lápide!...
Tédio & Rugas de preocupação:
poetisa parece palavrão!
Torquato Neto, Nara Leão, Elis Regina,
Paulo Leminski, Ana Cristina
César, Gonzaguinha...
No início, o Verbo, no final, só farinha!
Basquiat também empacotou aos 27 anos!
Não foi músico e sua praia não era
o terreno arenoso e o quebrar das ondas
nas rochas do bom e velho rock ‘n roll,
o JuRáSsIcO & m á g i c o ROCK, errou!
De grafiteiro a artista-plástico
foi um pulo maior do que a perna
e por isso se esborrachou.
Negro de corpo e alma apreciava
o Jazz, o Blues, o Reggae, o Soul...
Talvez, se fosse vivo, pintaria
sob influência do Hip Hop e do Rap...
Mas quem sou eu? Onde estou?
Mano Brown, com sua verve, veia artística,
27 anos contrariando a estatística!
Por causa do tênis – PAU!
Por causa do sk8 – PAU!
Por causa da camiseta – PAU!
Por causa da bombeta – PAU!
Por causa de drogas ou garotas
- PAU! PAU! PAU!
Adonde se esconde a Posteridade Anônima?
Dívidas são antigas promessas não cumpridas.
Tããããooo compriiiidas.........................................................................
Promessa de Vida: prometo não comparecer
ao meu enterro, no dia 29 de abril
de 2005! Pau no cu de quem tem tempo!
O Tempo não cai do céu.
O Tempo não se come. O Templo é de papel!
Poema de Andri Carvão.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Eco
parece doce de leite condensado.
Como seu olhar, o mar é narcisista
e, na vista de um, o outro é espelhado.
E embora, quando ele dança sobre as cristas,
goste de atrair olhares extraviados
de banhistas distraídos ou artistas,
é claro que o mar é seu único amado.
Ei-lo molhado em pé na areia: folgado,
ao pôr-do-sol tem um lado a prancha em riste
e do outro usa uma gata e um brinco e assiste
serenamente o horizonte inflamado
e a brisa o alisa e ele enfim não resiste
à beleza e diz "sinistro" e ouve eco ao lado.
Soneto de Antônio Cícero retirado de seu livro "Guardar".
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Medalha Personalidade 2010... Na Categoria Revelação Poética Literária.

“MEDALHA PERSONALIDADES 2010”
Idealizada pela ARTPOP - Academia de Artes de Cabo Frio, a outorga é uma grande homenagem a todos aqueles que brilharam durante o ano de 2010 no cenário cultural e tem como objetivo central, reconhecer e trazer a público as melhores iniciativas culturais tendo como critério: talento, criatividade, empreendedorismo, respeito, companheirismo e apoio cultural.
É a forma que a ARTPOP encontrou, no uso de suas atribuições que trata o artigo 2º de seus estatutos na concessão de láureas, de reconhecer, distinguir e premiar a quem se destaca em nossa sociedade com excelência na gestão de suas carreiras, contribuindo assim efetivamente para o desenvolvimento cultural e conseqüentemente sócio-econômico de nosso país. Após a indicação de 486 nomes à nível nacional, a escolha dos agraciados se deu perante um rigoroso processo de análise por parte do Colegiado Acadêmico e será conferido por mérito próprio de desempenho à 150 homenageados.
A cerimônia foi realizada em evento fechado para os homenageados e seus convidados, totalizando 350 pessoas, na Cidade de Cabo Frio no dia 12 de fevereiro, às 19h, em um dos restaurantes mais charmosos da cidade, o Restaurante Zeppelin. Durante a noite houve um delicioso jantar e os convidados e homenageados puderam apreciar uma excelente música ao vivo com a Banda Black Night. A noite contou com a cobertura da mídia, a presença de Autoridades e convidados ilustres do meio cultural.
Fonte - http://academiadeartescabofrio.blogspot.com/
...
Carlos Alberto Sousa
Presidente
...
Izabelle Valladares
Secretária Geral
...
Dyandreia Valverde Portugal
Diretora de Eventos
...
Minha Categoria foi a de "REVELAÇÃO POÉTICA LITERÁRIA", modalidade que reúne os novos escritores da arte inspiradora da palavra ao pensar, criar e dar forma realista as quimeras e utopias ou se alinhando a um pensamento livre, extemporâneo ou surreal que nos sensibiliza ao ler e ouvir.
"A Cultura que grita para ser Cultura, venha sempre ser ouvida e aplaudida de pé".
"...A poesia em minha vida é tudo, foi a maneira que encontrei de enlouquecer sadia, falo de mim de forma ruim, boa, gostosa...
Se eu não puder morrer, ressuscitar, rodopiar, gozar, para mim não é poesia, é prisão.
As prosas e poesias mais bonitas que tenho, foram feitas nos meus piores dias..."
Feliz!!!

Um salve a Cultura!!! seja em qualquer parte da cidade, do Brasil e do Mundo.
Rosa...
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Os grous de Íbicus
As Eumênides cantavam, mas os grous (aves que presenciam a cena) da morte de Íbicus, um músico, descobriram os seus assassinos com essa frase:
"Os Grous de Íbicus"
Na trilha do escuro bosque surgiram
Ladrões. Com a música, Íbicus segue,
Num ato perece. As aves que viram
A morte, a pedido, tramam seu blefe.
Os grous a flanar na festa seguiram
Os rudes, de ferros soltos à plebe
Entregues. Dois gritos rompem e guiam
A turba. _Dois réus, dois maus se percebe!
_Confessos, punidos pelos grous! Voam
No enorme e celeste véu a festejar
A justa função de amor dos que doam.
Os versos e cantos de Íbicus entoam
Nas vozes corais brilhantes. Rumam
Ao Sul, grous da excelsa glória a acenar.
Soneto de autoria de Yayá
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Verbo
Altercas, xingas, suas,
Imprecas contra o mundo,
Te tentas traduzir.
Na estiva das palavras,
Labor sempre penoso,
Tu queres existir,
Monumentalizar-te.
Na estiva das palavras,
Tu queres transgredir,
Sacar das mãos anéis,
Os signos mutantes.
Na estiva das palavras,
Tu sangras e respiras
Retórica e sofismas
De luta interminável.
Na estiva das palavras,
Gritaste: “- Crucifica-o!”
Também martirizado
Na ambígua cruz da história.
Na estiva das palavras,
Sem dúvida verteste
Sentenças incontáveis,
Doutrinas e linguagem,
Loquazes paladinos,
Astutos e prolixos,
Que sabem como o gárgula
Usar bem a garganta,
Lançar verboso líquido
A tantos corações
Logrados no artifício
Das fábulas e máximas.
Na estiva das palavras,
Disputas e recreios,
Embate de discursos,
Nas sendas do ideário,
Travaste arrebatado,
Filósofo ou poeta,
Retórico ou sofista,
Em dúvida inquietante
Pensando respondê-la
Com séria metafísica,
Com fé e ideologia
Em busca de ti mesmo,
Do mundo que circunda
Teu frágil coração
Com vasto palavrório
De púlpito e sermões;
De tudo que te aflige,
A própria realidade
Que buscas na linguagem -
Perfeita relação,
Total homologia
Da imagem co’o real,
Da coisa co’a palavra,
Idéias e juízos
Que fazem de ti mesmo
Homílias e quimeras,
Mentida ficção
De que és um novo Adão.
E agora: que fazer?
Ser dono das certezas
É coisa de descrer!
Tu jogas co’infinito...
Na estiva das palavras,
Aspiras ao eterno,
Restando só de nítido
Um ritmo e sentido
Cativos de si mesmos,
Embora sempre queiram,
Suando gente alheia,
Enfim tornar-se livres,
De si até ser livres,
Do que não nos cativa,
Do que mantém cativo,
Do que não grita vivo
No dorso do argumento,
No braço da palavra,
Na luta do operário,
Na estiva do poeta.
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Estevão
Hoje mesmo pesa em outras costas;
Culpas teus algozes a um desgaste
Pífio e vadio, e assim te mostras.
Tantas as pedradas de arremate,
Raiva descabida, lambe-botas
Ágeis que impuseram xeque-mate.
Saibas desse amor de quem tu gostas!
Ombros dos umbrais aos quais quedaste,
Coro de mortais inomináveis,
Nesses, os que esquecem a “Livre Haste”.
Grande sofrimento o qual passaste,
Dessas aflições abomináveis;
Átrio insistente de um contraste.
Soneto de autoria de Yayá.
VIDA ENCANTADA
Poema Desconcertado

Quisera Deus que eu escrevesse estas palavras para me expressar
Mas, na verdade, escrevo para me desabafar.
Como um fantasma obsessor
Tu ressurges do nada para me confundir
como uma dor que se finge de orgasmo só para me iludir.
Eu pisava em nuvens com o asfalto protegendo a minha cabeça
Quando aparecestes conduzindo meus olhos.
Tu eras tão exuberante quanto uma aquarela
e eu me via tão comum quanto uma telenovela
quando eu gostei do teu jeito de andar
do teu jeito de não me notar.
Eu era um peixe falastrão passeando por praias mudas.
Na ânsia de ter o que se quer
todo homem é meio Jesus e meio Judas.
Desse vinho queria eu beber até a última dose
e era em ti que eu refletia toda a minha neurose.
Questionando os vaidosos que arrogantemente somos
não sei se ainda guardas as marcas de meus dentes em teus ombros.
Nesse romance mal interpretado de personagens mal explorados
Tu permitias que eu me perdesse entre frases feitas,
pessoas mal resolvidas,
pensamentos bobos,
coisas mal ditas.
E eu só queria,
pelo menos uma vez na vida,
que os nossos corpos
fizessem parte dos vários pares de corpos que rolam na noite
Mesmo com toda dor que isso pudesse causar,
Mesmo com toda camisinha que disso pudesse cuidar.
Caindo na boca de toda essa gente.
Ao mesmo tempo igual
ao mesmo tempo tão diferente.
Pois teu jeito entrou na minha cabeça
como um espermatozóide enlouquecido
penetrando o óvulo umedecido
que fecundado gerou um abismo
onde eu insisto em afundar.
Caindo na boca de todo esse pessoal.
Ao mesmo tempo tão diferente
e ao mesmo tempo tão igual.
Na simples aventura de amar,
sinto que meu sentimento vale ouro.
Acredito que fomos feitos para nos encontrar,
mas não feitos um para o outro.
Um sentimento que pareça bastante verdadeiro
não quer dizer que seja totalmente sincero.
Um pensamento que se apresente muito mentiroso
não quer dizer que seja absolutamente hipócrita.
Hoje,
por não ter resistido ao fascínio,
grito a minha histeria,
me condenando ao ócio eterno
e entregando minha carne a pernilongos.
Na verdade, não te culpo por não ter me achado.
Sua grande crueldade foi não ter me amado.
Marcio Rufino
Todos os direitos reservados

Ando a dois passos a sua frente...
e não há mais com quem andar.
Ando sem saber o que é amor próprio...
há perigo a quem vier...
estou sempre a margem do rio,
a margem da boca,
a margem do amor e do calor,
a margem de tuas entranhas,
a margem da vida...
sou inteiramente um marginal sem escrúpulos,
amo sem pensar,
satisfaço com prazer...
e onde estou?
Deitado entre teus seios
no meio da noite...
mas quem é você?
a angústia de um tempo impossível,
as lágrimas que nunca chorei,
lembranças de uma história curta.
Ando a dois passos a sua frente
mas teu cheiro me acompanha,
teu olhar desorienta
e me afogo na confusão dos sentidos...
na longa noite a tua espera, perdição,
em sua noite de sono, outro dia amanheceu...
Fabiano Soares da Silva
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As notas do meu universo

A noite tem um sol,
para colorir estrelas,
e elevar seus tons.
E lá no céu
a Lua ecoa seu canto,
solitário de dar dó.
E da terra um grito e mi,
da natureza ré,
condenada por um ser nela vivente.
Que pensando só em sí,
não ouve a música da noite,
não pensa na dor da Lua,
e toca trombetas em fá,
para destruir a natureza.
Mas a harmonia do universo,
composta pelo criador,
afinar-se-á por novos dias.
E trará para a triste terra,
músicos de sintonia,
que farão uma guerra,
por uma nova sinfonia.
Giano Azevedo
Todos os direitos resrvados
Cálice

sossega. a paz é assim mesmo. inversa.
a lua que encontra todo dia seu outro lado.
o oposto de si e o igual. o gêmeo.
o espelho retorcido.
o bruxo. o adivinho. o enigma.
a face obscura da lucidez. véus. diadorim.
a iluminura do eterno. a visão do cego.
a luz. a luz. a luz.
a poesia exata que exala o lodo.
asas. anjos. o rosto do corpo.
o último galo da terra.
sossega. a paz é assim mesmo. diversa.
a mãe dizendo que a filha morreu. e não há mais saída.
o livro dos prazeres sem Clarice.
a roda da vida ao contrário
versos desinventados.
a Mascarada que sorri. tão feia. tão linda. desarvorada.
unhas pintadas como leopardos. Ela - a foice que ceifa.
sossega. a paz é assim mesmo. perversa.
pra bom entendedor nenhuma palavra.
basta.
nesse momento nenhum pássaro é possível.
nenhum cheiro de fruta ácida. nenhum tudo.
nenhum invento de manhãs sem sono.
nem tardes mansas. nem noites mornas.
uma flor nascendo. somente.
um perdão sem medo.
um inverno caloroso.
qualquer humanidade.
qualquer deus.
dorme. a paz é assim mesmo. sossega.
Tanussi Cardoso
Todos os direitos reservados
Um tango no escuro

o último a sair, faça o favor,
desligue o interruptor
quero mergulhar num baú de noites escuras
quero enxergar a cor do som
quero sentir a vida em braile
é no escuro que os brinquedos dançam
pondo medo nas crianças
me deixe dançar com meus medos,
com meus brinquedos,
minhas crianças...
me deixe assustar os monstros
debaixo da minha cama.
e quando o escuro for assustador
quando tudo latejar dor
e quando nada parecer bom
eu danço um tango com a solidão
Beatriz Provasi
Todos os direitos reservados
Jogatina

Algo me diz
que tudo é permitido.
O que antes era proibido
agora passeia nas ruas
olhando vitrines,
ninguém esconde.
A vaca agoniza
mas o seu algoz
chupa-lhe a teta,
sem essa de mutreta
nesse jogo da sorte
quem governa é a morte,
festejando o seu poder
num banquete de cartas
- Quem está no jogo?
Façam suas apostas
a roleta precisa cumprir
o seu papel de girar.
Brasil Barreto
Todos os direitos reservados
Jura Silente

Tua mão cálida
cruzando a minha mão...
Forte imagem afagando o pensamento!
Tempo e espaço
espargindo luz e fé.
Braços-promessa
traçando a cruz de Santo André
num Xis perfeito
ou num explícito juramento.
Mãos incógnitas
juntinhas,
quase sem jeito,
porém assaz harmônicas
com melodioso arpejo
guarnecendo
a dimensão indefinível
dos nossos desejos...
Mãos de paz e claridade
quais seresta e luz sertaneja.
Mãos-verdade!...
Assim seja!
Rubenio Marcelo
Todos os direitos reservados
Poema Seco

Saio intacto do poema
Não restou nenhum verso em meus sentidos
Nenhuma rima ardendo no meu peito.
Fujo da noite em meu barco sem rota,
nu, vazio.
Nenhum vento me leva,
lua magra.
Ínfimo, inconcreto, busco um nome.
Sou um ponto perdido, sempre além.
Não, não quero poesia que me abrigue.
Quero só a poesia que me nega,
lira cega.
Quero a semente impura da canção
brotando bela e dura em uma pedra.
Pedro Ernesto de Araujo
Todos os direitos reservados
ÁGUA NA BOCA
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Estética Central e Pó de Poesia

Olá amigos!
Convoco vocês a comparecerem na sessão especial Festival Estética Central, que será realizada domingo, 13/02, às 19 horas, no Centro Cultural Donana.
Em sua segunda edição, o Festival Estética Central
percorreu o Rio de Janeiro com seu núcleo móvel, produzindo filmes a
cada parada. Numa dessas paradas, a Kombi do Festival estacionou no
Donana, permanecendo durante um dia inteiro do mês de dezembro.
Agora, com filmes prontos e muita história pra contar, o Estética Central retorna para projeção das obras.
Haverá a participação especial do grupo Pó de Poesia, composto por poetas da Baixada Fluminense.
Pra completar, discotecagem do músico Vagner Vieira e pipoca com guaraná!
Serviço:
Entrada franca
19 horas
Centro Cultural Donana
Endereço: Rua Aguapeí, nº197, Piam - Belford Roxo
3rinta e 6eis
nosso amor morreu essa noite
meu amor
compraria flores bonitas
para o funeral
mas nosso amor foi assassinado
pelo olhar frio dos faróis
se misturou ao tom da rua
como se grafitado no chão
não é o fato de estar morto que o mata
é o fato de que só faltam 36 segundos
para que seja um dia qualquer...
Poema de autoria de Vânia Lopez.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Presto
aos pedaços. Logo será janeiro.
Posso farejar o amarelo das amendoeiras
de então (amarelas como teu cabelo)
e a praia, os bares, a ferrugem, nossas costas
e braços liquefeitos. Tanto faz a solidão,
a companhia: tudo são doenças tropicais,
incuráveis. O verão virá, forasteiro,
no vôo tonto, nupcial dos cupins
em volta das lâmpadas. Janeiro
está próximo, pressinto seu peso, a alegria,
o tremor, a sezão, o óleo,
a girândola veloz dos relógios
a nos golpear no ventre. Girassóis
em bando assestarão suas lâminas
em direção aos táxis
enquanto os rios, erráticos, desaguarão
à porta dos edifícios da Senador Vergueiro.
Poema de Eucanaã Ferraz retirado de seu livro "Rua do mundo".
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Creio...
Não olho nem para baixo,
Que é para não impressionar.
Sou sensitiva,
Sou geniosa,
Mas sou de alma genuína.
Embebedar-me dessa água pura,
Livrar-me do duro fardo hereditário!...
Pois quero o contrário, quero paz!
O mesmo exalava um perfume tranquilizante.
Colocarei o colar azul com muita estima,
Creio: vai-me trazer sorte e a rima íntima da vida.
Trilhar o chão de terra sentindo cheiro de mato.
Visualizar uma nova Era... Era da primavera intelectual,
Tirando o alvoroço da minha mente e corpo, adornando meu emocional.
((( Camila Senna )))


