Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Roteiros do Início da Europa (III)
no lago cismigiu
pela doce mão de ioanna
contarás todos os nomes que essa paris de leste
guardou para ti -
eminescu (o maior), odobescu, maiorescu, caragiale, cosbuc,
losif, creangã, vlahutã, zamfirescu, hasdeu,
balcescu e vasile alecsandri.
(e tu sabes que és o único poeta vivo, aquele que resta,
tu herdaste-lhes o castelo de vlad III)
depois, tranquilo, no bairro radu vodã,
todos os teus novos amigos no intervalo de um jogo do rapid
e a mesma vontade indecisa nos rostos,
a mesma europa aqui, tão próxima da tua mostar solarenga
ou do teu duende verde, além;]
ioanna (tão bela) dir-te-á amor nessa língua,
quando acenderem os luzeiros sobre o dâmbovita;
- onde bartók procurou a canção primitiva, ajustada
a uma dominante trémula, há tanto
e tanto; -
te iubesc
te iubesc
.
Poema de Mario Revisited
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sábado, 4 de agosto de 2012
Roteiros do Início da Europa (II)
quando chegares a cork city deixa-te levar
pela alegria do velho irlandês que entoa o «get on bord!»
ao partir do ballygarvan enquanto tu
o cruzas ainda confuso pelo antigo gaélico segredo;
esta viagem deves fazer sozinho;
atravessarás a winthrop street até a contornares e entrares
na contemporânea phonehouse - não deves esquecer os teus
amigos, longe na solarenga Mostar ainda;
no Ryan’s pub junto das docas, uma fresca guiness de espuma tão leve,]
que o rapaz encherá três vezes, esperando um minuto e meio
entre cada gesto, far-te-á compreender como o mundo
não é mais do que aquilo que tu trazes contigo;
e tu não trazes nada, tu és o começo de tudo,
neste aroma céltico.
um texano hippie, de longa cabeleira, notará como trazes
a aliança do anarquismo no fio do teu pescoço; e quando ele
te perguntar «you’re one?», dir-lhe-ás simplesmente
«I just pretend so», porque queres conhecer;
tu queres desaprender tudo o que europa de te ensinou tão mal
sobre si própria, afinal
na outra margem, deves passear ao longo do river lee;
tu sabes bem como te poderias perder nele para sempre
naquelas águas tão escarpadas e miúdas ao mesmo tempo
onde duendes e gnomos banhavam
os seus arcanos mistérios
nem deste por isso, mas entraste já no countryside
onde tudo é tão verde
tão verde e tão espontâneo, que só o lee
te acompanha agora, à tua direita
sente o sangue a circular pelo teu corpo
consegues escutá-lo, correndo;
agora entendes tudo pela tua pele e não pelo pensamento
que é como se deve saber das coisas com amor
a noite começa e acaba cedo aqui,
com belas raparigas tão loiras e de sorriso tão perfeito;
também aqui a europa em copos de plástico pelo centro da
cidade, que morre pelas onze horas logo e
estranhamente
mas tens ainda tempo
e trazes Mostar ainda no coração, sorris orgulhoso,
porque o amor nos torna orgulhosos
e quando pela noite encontrares o ritual celta nos lábios
saberás que tudo fará sentido daqui a muitos anos, que a juventude]
é essa meia consciência;
mas não agora
não agora, em cork city
.
Poema de Mario Revisited
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Roteiros do Início da Europa (I)
nas ruas de Mostar
podes caminhar de alma lavada e o sol
de toda a europa aquecer-te-á os dedos relaxados
quando tirares um belo cigarro do teu maço
e na ortodoxia do dia claro
o acenderes pronto
belas raparigas não te devem fazer esquecer
como é bom com os velhos amigos de sempre
descansar sob a ponte do Neretva
de toalha na doce erva e rir
de ti próprio e de como eras o mesmo
há tanto tempo;
cortarás um bom queijo, com pão, maravilhosas azeitonas]
que só o mediterrâneo te dá
e o laranja pôr-do-sol fará encantar os olhares
das virgens de Medugorje
sobre ti
tranquilo, deixa que a noite caia
que a europa não seja mais
do que aquela rapariga que veio agora ter contigo
e segue-a como se segue
a um deus
.
Poema de Mario Revisited
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uma notícia para meus leitores
dir-me-ás sempre que nunca o vento me levou tanto
a descendência do teu moinho sublinhada pelo
pólen, e, só hoje, suavemente sublinhada quando é
a madrugada um vinagre amputado de braços, ou
dir-me-ás sempre que a água é um fio que gosta
de atirar as flores para o céu, ou que gosta
de perder-se com pequenas charruas dentro
dos setembros com sol, e até ao parto desse espelho
agarrado pela noite ou até a esse parto num ramo
de onde alto sairá o mar e que quis sempre dar-to
Hoje serei a noite, debaixo do sol, a dançar, e, hoje,
dir-me-ás sempre que nunca o vento me levou tanto
a descendência do teu moinho sublinhada pelo
pólen, e, só hoje, suavemente sublinhada quando
a madrugada ia levando o sol como o pedias,
e dir-me-ás sempre que o sol é o última planeta do
nosso sangue que se vê em pecado até os rios que
chegarão à Sesimbra numa corrida de fundo para
as rosas, e que chegarão num loureiro de hálito
diferente doado ao vento, doado e quase como uma
boina para um instante de seda, Meu amor
As gôndolas nas grandes luas de Plutão será brevemente
editado em Espanha. E, só graças a vocês, isso foi possível.
Hoje, eu sou um poeta feliz por isso, e também curioso
para ver a musicalidade que o tradutor irá imprimir…
um abraço a todos
Deixei-vos um poema, que é dos últimos que escrevi.
E isto é um privilégio, penso eu
http://www.bertrand.pt/ficha/as-gondo ... uas-de-plutao?id=13053296
Poema de Francisco Eugênio Seixas Trigo
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quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Declaração
a antónio josé forte
eu bric-à-brac na ilharga em imenso escroque
cingido por três varandas a dar para uma rua de noite
muito confiante pelo mapa-múndi à tiracolo
porque cor-de-rosa em extremo;
ela (e não outra) apenas dedicada ao poeta inútil
e aos seus versos sem unidade e desde há muito prometidos
por ocasião das vespas (K.320);
(que esta ninguém a esperava assim tão baixa num poema
fabricado a toques-de-asa)
isto ou o que for
para glória da poesia local e bastantes plumas a rodos eméritas]
sirva de exemplo ou guilhotina
quer para árvore dextra (mário) ou
_____________________a muito azulada estrumpfina.
.
Poema de Mario Revisited
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quarta-feira, 1 de agosto de 2012
[...sejam-me símiles à espuma do mar
sejam-me símiles à espuma do mar olhares teus,
quais santelmos anunciadores de bonança.
Segrego-me de aluviões, remoinhos, tormentas,
ameaças,
e quedo-me pelos sargaços distantes de terra
que me abrigam.
Pelo alto mar habito-me entre um mastro e o vento,
revejo a praia deserta
onde se espraiavam ondeares teus,
onde as mãos entrelaçadas eram âncoras fundeadas.
Sentir-te-ei sempre quão perto este mar é de mim,
mesmo que numa breve noite se afoguem sonhos,
mesmo que numa breve noite me olvide para sempre de mim.
Que seja.
Poema de Ricardo Pocinho (Transversal)
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terça-feira, 31 de julho de 2012
santos, anjos e bicicletas
-
anjo da guarda
minha companhia
guardai a minha alma
de noite e de dia
-
anjo da guarda
minha companhia
guardai a minha alma
de noite e de dia
-
anjo da guarda
minha companhia
guardai a minha alma
de noite e de dia
Autor: Sampaio Rego
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Origami
Fico observando o sol indo deitar-se sentindo o carinho da noite nos cobrindo como amantíssima mãe. Percebo que já estávamos embriagados pelo orgulho e dormiremos o sono do absinto eterno e só despertaremos quando os sonhos escancararem as suas janelas para que dentro deles possamos saltar.
Deixo que o vento me varra por dentro e por fora, me arremessando nas pedras desalinhadas e pontiagudas que me vincavam e me marcavam em dobraduras. Quem um dia não se sentiu um origami nas mãos do destino, que me julgue e me condene a voar esse vôo solitário.
Estou aqui como em vestimentas de pássaro colorido ensaiando seu primeiro vôo no abismo, salve-me antes que eu me atire para bem longe de ti!
Autor: Lápis sem ponta
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segunda-feira, 30 de julho de 2012
rosa sacra
pede o silencio e a faca
um altar e o pecado de desejar
qualquer paixão que houver
entre o rubi da boca
e o momento exato da tua nuca, fora de qualquer mapa
dá-me um murmúrio escrito
para que eu siga como um barco em La Paz
sem qualquer nome, mulher de sempre
leve abismo
teu ventre uma oração cantada
o sol contornando o ombro
no final, o verbo
dá-me um lugar, um duelo de cor
entre a penumbra e a luz
para a alma estar de joelhos
tira-me a carne, os ossos
finda a cobiça da noite por tua pele
no abandono de uma prece
Poema de Vânia Lopez
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domingo, 29 de julho de 2012
Um Haikai
Bruma e Bruna
Das duas
Uma
.
Poema de Mario Revisited
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sexta-feira, 27 de julho de 2012
Enquanto apenas lembrança
Deixou-me interiormente andrajoso e vagabundo, perdido no mato sem cachorro, em terras sem mato e sem cachorro, muitas vezes.Minha anti-Lolita de hoje,apenas belo monumento sob a cinza dos anos ,mesmo enquanto apenas lembrança, excita e intumesce uma vida que apenas quer ser vivida em paz e recolhimento de quem muito já sofreu e já se deu ao mundo e quase nada o mundo lhe deu, em tépida indiferença; vida morna de sentimentos frios, onde esbarrei na flor da minha obsessão , na alegoria então desbotada dos vinte e seis anos de minha vida ,que seria obsessão aos cinqüenta , aos setenta e cinco, (sim , com certeza será) porque fui tardiamente atirado ao aprendizado de ser homem, com todos os seus afetos de medo, alegria,tristeza ou de simplesmente ficar á espreita de mim mesmo.
Enquanto comoção , forte demais para mim e para si mesma, passou , avassaladora como chegou.Hoje, apenas grata recordação num recesso da mente, onde guardo os rebotalhos da existência,tal uma roupa velha,sapatos de destino incerto,bonecos mutilados, livros sediciosos á minha impaciência,recordações de vocação ao pó que não juntam poeira, porque constantemente manuseadas , reviradas pelo pensamento crítico que um dia não o foi ; por isso mesmo, feito passageiro da stultifera navis , embarcado sem bilhete de retorno , sentindo-se desgraçado e maravilhoso , vivo como nunca dantes .
O telefonema de um vizinho , avisou-me de sua morte ,numa tarde de frio aziago e sonolento,enquanto eu via na TV,National Kid exterminar os Incas Venusianos. Falou que ninguém até o momento reclamara o corpo ; do caixão e flores comprados numa cota entre vizinhos . Ah , sim : morrera de infarto, o segundo. Agradeci , liguei para uma sua irmã em Mato Grosso que enviou dinheiro para o traslado do corpo .
No aeroporto, ao lado de um avião ,penso na vida e na sua morte: uma tapa na cara a lembrar-me da própria finitude .Da carcaça podre do verbo, ergue-se a árida certeza : o ataúde aguardando transporte, ladeando o avião em transito para lugar nenhum.Ventos conhecidos de outras paragens, abraçavam-se e rolavam pela pista , como filhotes de cães , agitando a grama ao redor . MP,1966. “
NOTA: Texto por mim encontrado , entre as páginas do diário do professor Manasses Paletakis , após minha mudança para o apartamento onde residiu durante sua longa vida de solidão plácida e erudita , até suicidar-se aos noventa anos, atirando-se no vão da escada interna do prédio, estranhamente com um charuto havana aceso entre os dedos e um exemplar de Tabela Periódica, de Primo Levi, num dos bolsos internos do seu casaco, junto a um bilhete de suicídio ; informação prestada á polícia, pela senhora R.S, vizinha de pavimento e suposta amante do falecido , conforme insinuação do síndico do prédio, em depoimento também prestado na Delegacia do Bairro de C.
Autor: André Albuquerque
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quarta-feira, 25 de julho de 2012
sílabas em seu fino véu e gesto acabam de cair...
uma casa com nuvens e sol
um lar para tua alma
pernoite com café da manhã
comprando o jornal
e o hoje em letras minúsculas
e tu voas amor de todo tempo
um evangelho resguarda tua pele
tua unha veste os caminhos
(como um quadro de Frida)
dar-te-ia uma rede
para caçar moinhos de vento
esses, que escapam de seus olhos
o mais obstinado perfume
urrando o inferno de tua boca
com uma faca entredentes
suspirando um céu de intensidades
dar-te-ia o tempo
mas é um mero gracejo em movimento
mal se dá conta que cabe em uma bolsa
como um poema bupreste
mas tu... tu eras homem eterno
e te queimei sem luto
e teu rosto sereno de tempo algum
recolhe desatinos
despertando em mais uma manhã do meu peito
como quem espera o chamado de um voo
Poema de Vânia Lopez
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terça-feira, 24 de julho de 2012
Poema 23
à elsa
essa mulher em extremo primavera
de pólen e totens à ilharga cingidos imenso
que disfarçadamente acende colibris
plantados no ventre;
ela (e não outra) que me traz feliz e irreverente
até ao artelho do coração e há muito casulo
e uma certa rotina (extenuante, valiosa) que ao poeta
não lembra;
essa mulher, finalmente, na gare propícia,
acenando adeus, de olhos tingidos por muitos eucaliptos avessos;
ela (e não outra)
disfarçadamente sinceríssima // pronta
essa mulher em extremo
primavera
.
Poema de Mario Revisited
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carochas, bicicletas & biplanos - 32
Jul. 12
Autor: Carlos Teixeira Luís
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carochas, bicicletas & biplanos - 31
Jul. 12
Autor: Carlos Teixeira Luís
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segunda-feira, 23 de julho de 2012
[...leva-me pela mão até onde as roseiras bravas
leva-me pela mão até onde as roseiras bravas
tapam as trilhas empedradas. Leva-me
até ao rio que dizias nascer no salso mar,
onde as lágrimas ficavam à superficie,
e um solitário arco-íris escondia os cintilantes refúgios lá longe.
Leva-me assim.
Deixa este corpo exausto, tão singrado sem rota,
arrojar-se do cendrado promontório
sentindo os aljôfares da fria noite.
Leva-me assim.
Quão longe hoje sou dos nossos sonhos pela excelsa
primavera algures no tempo,
e se conseguisse regressar-me um segundo que fosse,
pedir-te-ia:
- leva-me até onde as roseiras bravas libertaram
o aroma teu, que ainda hoje me inunda.
[Leva-me contigo, assim, só].
Poema de Ricardo Pocinho
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domingo, 22 de julho de 2012
P.S.Na foto acima constam apenas alguns integrantes do Grupo Pó de Poesia.
sábado, 21 de julho de 2012
"perante.."
quimera-pulsante de tentativas ilícitas
qual ilíada representada mil vezes, nunca vista
algo em demanda por insolução e atraso
e
qual..
este término de cena im.presente
(lago-raso..)
qual retrato cadente, premente e desigual
à curva da manhã por abstenção do sol
à pena da letra que te define
que te releva e
entrega-te o nome.
qual percepção anunciada
horas e horas e..
..nada.
(nada..)
abre-te, volúpia! é deste lado em fé e consequência!!
cobre-me aos relapsos actos quais nao te falharei mais
corta-te aos exemplos por indecisão em linhas finais
pois é tarde.. tão tarde, quanto à tuas outras evidências
minha (tola)asa nivelada nao te segue, nem à parte de chão
a minha contenda de adstringir-te em metade, não mais te é
qual corpo conforme, qual hábito das somas, ou: o que houver
não é a minha morada e nao é a minha lima que te diz não..
é o meu erro! em tempo de chegada, em preço quase fixo
ilusão intitulada.. lâmina de conselhos desviados, palco-livro
cai à metade.. cai à tua mesma proporção e eu ainda vejo..
pois te é a noite dos meus olhos avessados, ah, eu.. insisto
um passo de cada vez.. um pouco da vénia acima da que te sirvo
não é um ponto qualquer, à minha exceção, prece ou emprego..
é a tua porta que nao quero entrar, mas..
também nao posso sair..
(não.consigo.)
Poema de Azke
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[...por vezes não sinto o que sinto
por vezes não sinto o que sinto,
tento esquecer-me.
Esperguiço-me num mar chão, ondula-se o corpo
que voga pela mansa maré,
como se para sentir tivesse de saber, ser,
ser-me-ei apenas, tão longe tantas as vezes de mim,
ser-te-às assim, tão perto tantas as vezes foste de mim.
Quando o nosso sangue estremecia,
e o grito trespassava as paredes amarelecidas pelo sol de verão,
um corpo único metamorfoseado
renascia da promessa, da saudade,
das despedidas que sangravam pelo outono,
[… verão mar, outono terra …]
Que eu me esqueça da poesia que nos cobria,
que eu me esqueça de sentir o que sentia então,
que seja profecia também,
mas,
que no final da rota inversa que seguimos,
as mãos se voltem a tocar, sem tempo,
[… mar terra …].
Poema de Ricardo Pocinho (Transversal)
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