Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



terça-feira, 7 de agosto de 2012

Roteiros do Início da Europa (III)

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no lago cismigiu
pela doce mão de ioanna
contarás todos os nomes que essa paris de leste
guardou para ti -

eminescu (o maior), odobescu, maiorescu, caragiale, cosbuc,
losif, creangã, vlahutã, zamfirescu, hasdeu,
balcescu e vasile alecsandri.

(e tu sabes que és o único poeta vivo, aquele que resta,
tu herdaste-lhes o castelo de vlad III)

depois, tranquilo, no bairro radu vodã,
todos os teus novos amigos no intervalo de um jogo do rapid
e a mesma vontade indecisa nos rostos,
a mesma europa aqui, tão próxima da tua mostar solarenga
ou do teu duende verde, além;]

ioanna (tão bela) dir-te-á amor nessa língua,
quando acenderem os luzeiros sobre o dâmbovita;

- onde bartók procurou a canção primitiva, ajustada
a uma dominante trémula, há tanto
e tanto; -

te iubesc


te iubesc


.


Poema de Mario Revisited

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sábado, 4 de agosto de 2012

Roteiros do Início da Europa (II)

.


quando chegares a cork city deixa-te levar
pela alegria do velho irlandês que entoa o «get on bord!»
ao partir do ballygarvan enquanto tu
o cruzas ainda confuso pelo antigo gaélico segredo;

esta viagem deves fazer sozinho;
atravessarás a winthrop street até a contornares e entrares
na contemporânea phonehouse - não deves esquecer os teus
amigos, longe na solarenga Mostar ainda;

no Ryan’s pub junto das docas, uma fresca guiness de espuma tão leve,]
que o rapaz encherá três vezes, esperando um minuto e meio
entre cada gesto, far-te-á compreender como o mundo
não é mais do que aquilo que tu trazes contigo;
e tu não trazes nada, tu és o começo de tudo,
neste aroma céltico.

um texano hippie, de longa cabeleira, notará como trazes
a aliança do anarquismo no fio do teu pescoço; e quando ele
te perguntar «you’re one?», dir-lhe-ás simplesmente
«I just pretend so», porque queres conhecer;
tu queres desaprender tudo o que europa de te ensinou tão mal
sobre si própria, afinal

na outra margem, deves passear ao longo do river lee;
tu sabes bem como te poderias perder nele para sempre
naquelas águas tão escarpadas e miúdas ao mesmo tempo
onde duendes e gnomos banhavam
os seus arcanos mistérios

nem deste por isso, mas entraste já no countryside
onde tudo é tão verde
tão verde e tão espontâneo, que só o lee
te acompanha agora, à tua direita

sente o sangue a circular pelo teu corpo
consegues escutá-lo, correndo;
agora entendes tudo pela tua pele e não pelo pensamento
que é como se deve saber das coisas com amor

a noite começa e acaba cedo aqui,
com belas raparigas tão loiras e de sorriso tão perfeito;
também aqui a europa em copos de plástico pelo centro da
cidade, que morre pelas onze horas logo e
estranhamente

mas tens ainda tempo
e trazes Mostar ainda no coração, sorris orgulhoso,
porque o amor nos torna orgulhosos

e quando pela noite encontrares o ritual celta nos lábios
saberás que tudo fará sentido daqui a muitos anos, que a juventude]
é essa meia consciência;
mas não agora


não agora, em cork city



.


Poema de Mario Revisited

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Roteiros do Início da Europa (I)

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nas ruas de Mostar
podes caminhar de alma lavada e o sol
de toda a europa aquecer-te-á os dedos relaxados
quando tirares um belo cigarro do teu maço
e na ortodoxia do dia claro
o acenderes pronto

belas raparigas não te devem fazer esquecer
como é bom com os velhos amigos de sempre
descansar sob a ponte do Neretva
de toalha na doce erva e rir
de ti próprio e de como eras o mesmo
há tanto tempo;

cortarás um bom queijo, com pão, maravilhosas azeitonas]
que só o mediterrâneo te dá
e o laranja pôr-do-sol fará encantar os olhares
das virgens de Medugorje
sobre ti

tranquilo, deixa que a noite caia
que a europa não seja mais
do que aquela rapariga que veio agora ter contigo

e segue-a como se segue

a um deus





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Poema de Mario Revisited


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uma notícia para meus leitores

Hoje serei a noite, debaixo do sol, a dançar, e, hoje,
dir-me-ás sempre que nunca o vento me levou tanto
a descendência do teu moinho sublinhada pelo
pólen, e, só hoje, suavemente sublinhada quando é
a madrugada um vinagre amputado de braços, ou
dir-me-ás sempre que a água é um fio que gosta
de atirar as flores para o céu, ou que gosta
de perder-se com pequenas charruas dentro
dos setembros com sol, e até ao parto desse espelho
agarrado pela noite ou até a esse parto num ramo
de onde alto sairá o mar e que quis sempre dar-to

Hoje serei a noite, debaixo do sol, a dançar, e, hoje,
dir-me-ás sempre que nunca o vento me levou tanto
a descendência do teu moinho sublinhada pelo
pólen, e, só hoje, suavemente sublinhada quando
a madrugada ia levando o sol como o pedias,
e dir-me-ás sempre que o sol é o última planeta do
nosso sangue que se vê em pecado até os rios que
chegarão à Sesimbra numa corrida de fundo para
as rosas, e que chegarão num loureiro de hálito
diferente doado ao vento, doado e quase como uma
boina para um instante de seda, Meu amor



As gôndolas nas grandes luas de Plutão será brevemente
editado em Espanha. E, só graças a vocês, isso foi possível.
Hoje, eu sou um poeta feliz por isso, e também curioso
para ver a musicalidade que o tradutor irá imprimir…

um abraço a todos
Deixei-vos um poema, que é dos últimos que escrevi.
E isto é um privilégio, penso eu

http://www.bertrand.pt/ficha/as-gondo ... uas-de-plutao?id=13053296


Poema de Francisco Eugênio Seixas Trigo

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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Declaração

.

a antónio josé forte



eu bric-à-brac na ilharga em imenso escroque
cingido por três varandas a dar para uma rua de noite
muito confiante pelo mapa-múndi à tiracolo
porque cor-de-rosa em extremo;

ela (e não outra) apenas dedicada ao poeta inútil
e aos seus versos sem unidade e desde há muito prometidos
por ocasião das vespas (K.320);

(que esta ninguém a esperava assim tão baixa num poema
fabricado a toques-de-asa)

isto ou o que for
para glória da poesia local e bastantes plumas a rodos eméritas]
sirva de exemplo ou guilhotina

quer para árvore dextra (mário) ou
_____________________a muito azulada estrumpfina.


.


Poema de Mario Revisited

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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

[...sejam-me símiles à espuma do mar


sejam-me símiles à espuma do mar olhares teus,
quais santelmos anunciadores de bonança.

Segrego-me de aluviões, remoinhos, tormentas,
ameaças,
e quedo-me pelos sargaços distantes de terra
que me abrigam.

Pelo alto mar habito-me entre um mastro e o vento,
revejo a praia deserta

onde se espraiavam ondeares teus,
onde as mãos entrelaçadas eram âncoras fundeadas.

Sentir-te-ei sempre quão perto este mar é de mim,
mesmo que numa breve noite se afoguem sonhos,

mesmo que numa breve noite me olvide para sempre de mim.

Que seja.

Poema de Ricardo Pocinho (Transversal)

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terça-feira, 31 de julho de 2012

santos, anjos e bicicletas

houve tempos em que acreditava em deus - era criança. e por cada pai nosso rezado. ao cair na cama os sonhos apareciam feitos de fé. o sol despertava com tanta força dentro do corpo que o pecado era não aproveitar a esperança da água baptismal – acordar sem pecado e crescer para pecar - hoje não acredito em nada e quando digo nada é mesmo nada - deus foi desaparecendo com os ciclos contínuos do nascer e morrer dos dias. e com ele os santos milagreiros. o advogado dos dentes. o dos cravos. o das causas impossíveis. o da memória. a da trovoada e mais uns quantos que por nunca ter precisado deles acabei por abandonar – mais tarde acabei por esquecer os anjos. o primeiro foi o anjo da guarda. ao deitar costumava rezar sempre três orações. três vezes a mesma. por ser pequena e ficar com medo de que uma significasse pouca fé para um anjo que se queria sempre alerta aos perigos diários que um catraio sempre é capaz de fabricar – confesso que na altura tinha medo de zangar o anjo da guarda. era um anjo importante. aparecia em todos os livros da catequese. e mesmo nas igrejas estava sempre presente na maior parte das telas pintadas a óleo. preenchia as paredes ao lado de todos os santos e na minha igreja estava mesmo ao lado da nossa senhora. num dos altares mais importantes de oração – ainda me recordo de ouvir dizer em casa um provérbio que sempre me deixou a pensar: ao menino e ao borracho põe deus a mão por baixo – eu queria ter este deus por perto. queria ter o meu anjo da guarda a meu lado. precisava deles. precisava de crescer devagar e em segurança. não os podia zangar. porque zangados podiam atirar-me abaixo da bicicleta que um dos meus amigos me emprestara. e se então partisse a cabeça destruía a esperança de que o meu pai. mais tarde ou mais cedo. acabasse por me realizar o sonho de ter uma bicicleta só minha. uma onde eu pudesse pedalar para lá dos montes da minha cidade. eram altos para a idade que não imaginava sequer que tinha. mas não me saía da cabeça nunca poder subir ao cimo daquelas colinas com a minha bicicleta – mas as pernas não paravam de crescer e eu sempre a rezar. sempre a fazer o correcto. sempre a tentar ser justo. sempre a ver os defeitos e nunca a valorizar as virtudes. queria ser todos os dias melhor. queria crescer. queria ser livre. queria ser dono da minha vontade. queria ir onde o corpo me quisesse levar – não adianta rezar quando deus não te quer ouvir – nunca caí abaixo da bicicleta. mas também o meu pai nunca caiu abaixo daquele medo que hoje sei que era amor – acabei por morrer de tristeza. ainda hoje estou morto desta tristeza – talvez para os filhos o melhor seja mesmo morrerem a pedalar de felicidade – aos meus filhos dei-lhes bicicletas. sei que tudo é ainda igual ao meu tempo. a única coisa que mudou foi o tamanho dos montes. hoje são muito mais difíceis de transpor. as estradas são mais perigosas. mais artimanhas. mais curvas. mais tudo que por ser mais velho já não tenho a certeza do que seja – mas nem tudo é pior. em contrapartida vou atrás a empurrar. a pé. mas feliz por os ver em cima das minhas bicicletas


-

anjo da guarda

minha companhia

guardai a minha alma

de noite e de dia

-

anjo da guarda

minha companhia

guardai a minha alma

de noite e de dia

-

anjo da guarda

minha companhia

guardai a minha alma

de noite e de dia

Autor: Sampaio Rego

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Origami

Como em um dia de descuido que aventa por entre meus pensamentos, essa tarde em que decidi desistir de tudo. Estou como uma folha pousada na beira do canal, dentre tantas misturadas na calçada. É um dia comum, com nuances de céu avermelhado crepuscular e as ondas soçobram seu vai e vem manso lambidas pela brisa preguiçosa. Minha alma não está mais intacta, fora despedaçada, bem como, foi partido ao meio o nosso acordo de não nos magoarmos.
Fico observando o sol indo deitar-se sentindo o carinho da noite nos cobrindo como amantíssima mãe. Percebo que já estávamos embriagados pelo orgulho e dormiremos o sono do absinto eterno e só despertaremos quando os sonhos escancararem as suas janelas para que dentro deles possamos saltar.
Deixo que o vento me varra por dentro e por fora, me arremessando nas pedras desalinhadas e pontiagudas que me vincavam e me marcavam em dobraduras. Quem um dia não se sentiu um origami nas mãos do destino, que me julgue e me condene a voar esse vôo solitário.
Estou aqui como em vestimentas de pássaro colorido ensaiando seu primeiro vôo no abismo, salve-me antes que eu me atire para bem longe de ti!

Autor: Lápis sem ponta

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segunda-feira, 30 de julho de 2012

rosa sacra

tua unha vestida ergue ruínas
pede o silencio e a faca
um altar e o pecado de desejar

qualquer paixão que houver
entre o rubi da boca
e o momento exato da tua nuca, fora de qualquer mapa

dá-me um murmúrio escrito
para que eu siga como um barco em La Paz

sem qualquer nome, mulher de sempre
leve abismo

teu ventre uma oração cantada
o sol contornando o ombro
no final, o verbo

dá-me um lugar, um duelo de cor
entre a penumbra e a luz
para a alma estar de joelhos
tira-me a carne, os ossos
finda a cobiça da noite por tua pele
no abandono de uma prece

Poema de Vânia Lopez

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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Enquanto apenas lembrança

“Minha anti-Lolita foi uma comoção de saias,que iniciou (sem querer) na vida dos homens, quem tinha o medo de ser homem sem nenhuma causa de ter o medo de ser homem ;deu-me um convívio de formação (também sem querer) belo, árido, terrível,espinhoso,terno,maravilhoso.
Deixou-me interiormente andrajoso e vagabundo, perdido no mato sem cachorro, em terras sem mato e sem cachorro, muitas vezes.Minha anti-Lolita de hoje,apenas belo monumento sob a cinza dos anos ,mesmo enquanto apenas lembrança, excita e intumesce uma vida que apenas quer ser vivida em paz e recolhimento de quem muito já sofreu e já se deu ao mundo e quase nada o mundo lhe deu, em tépida indiferença; vida morna de sentimentos frios, onde esbarrei na flor da minha obsessão , na alegoria então desbotada dos vinte e seis anos de minha vida ,que seria obsessão aos cinqüenta , aos setenta e cinco, (sim , com certeza será) porque fui tardiamente atirado ao aprendizado de ser homem, com todos os seus afetos de medo, alegria,tristeza ou de simplesmente ficar á espreita de mim mesmo.
Enquanto comoção , forte demais para mim e para si mesma, passou , avassaladora como chegou.Hoje, apenas grata recordação num recesso da mente, onde guardo os rebotalhos da existência,tal uma roupa velha,sapatos de destino incerto,bonecos mutilados, livros sediciosos á minha impaciência,recordações de vocação ao pó que não juntam poeira, porque constantemente manuseadas , reviradas pelo pensamento crítico que um dia não o foi ; por isso mesmo, feito passageiro da stultifera navis , embarcado sem bilhete de retorno , sentindo-se desgraçado e maravilhoso , vivo como nunca dantes .
O telefonema de um vizinho , avisou-me de sua morte ,numa tarde de frio aziago e sonolento,enquanto eu via na TV,National Kid exterminar os Incas Venusianos. Falou que ninguém até o momento reclamara o corpo ; do caixão e flores comprados numa cota entre vizinhos . Ah , sim : morrera de infarto, o segundo. Agradeci , liguei para uma sua irmã em Mato Grosso que enviou dinheiro para o traslado do corpo .
No aeroporto, ao lado de um avião ,penso na vida e na sua morte: uma tapa na cara a lembrar-me da própria finitude .Da carcaça podre do verbo, ergue-se a árida certeza : o ataúde aguardando transporte, ladeando o avião em transito para lugar nenhum.Ventos conhecidos de outras paragens, abraçavam-se e rolavam pela pista , como filhotes de cães , agitando a grama ao redor . MP,1966. “

NOTA: Texto por mim encontrado , entre as páginas do diário do professor Manasses Paletakis , após minha mudança para o apartamento onde residiu durante sua longa vida de solidão plácida e erudita , até suicidar-se aos noventa anos, atirando-se no vão da escada interna do prédio, estranhamente com um charuto havana aceso entre os dedos e um exemplar de Tabela Periódica, de Primo Levi, num dos bolsos internos do seu casaco, junto a um bilhete de suicídio ; informação prestada á polícia, pela senhora R.S, vizinha de pavimento e suposta amante do falecido , conforme insinuação do síndico do prédio, em depoimento também prestado na Delegacia do Bairro de C.


Autor: André Albuquerque

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quarta-feira, 25 de julho de 2012

sílabas em seu fino véu e gesto acabam de cair...

dar-te-ia um exílio
uma casa com nuvens e sol
um lar para tua alma
pernoite com café da manhã
comprando o jornal
e o hoje em letras minúsculas

e tu voas amor de todo tempo
um evangelho resguarda tua pele
tua unha veste os caminhos
(como um quadro de Frida)

dar-te-ia uma rede
para caçar moinhos de vento
esses, que escapam de seus olhos
o mais obstinado perfume
urrando o inferno de tua boca
com uma faca entredentes
suspirando um céu de intensidades

dar-te-ia o tempo
mas é um mero gracejo em movimento
mal se dá conta que cabe em uma bolsa
como um poema bupreste

mas tu... tu eras homem eterno
e te queimei sem luto
e teu rosto sereno de tempo algum
recolhe desatinos
despertando em mais uma manhã do meu peito
como quem espera o chamado de um voo

Poema de Vânia Lopez

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terça-feira, 24 de julho de 2012

Poema 23

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à elsa



essa mulher em extremo primavera
de pólen e totens à ilharga cingidos imenso
que disfarçadamente acende colibris
plantados no ventre;

ela (e não outra) que me traz feliz e irreverente
até ao artelho do coração e há muito casulo
e uma certa rotina (extenuante, valiosa) que ao poeta
não lembra;

essa mulher, finalmente, na gare propícia,
acenando adeus, de olhos tingidos por muitos eucaliptos avessos;

ela (e não outra)
disfarçadamente sinceríssima // pronta

essa mulher em extremo

primavera


.

Poema de Mario Revisited

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carochas, bicicletas & biplanos - 32

Oh, a música Jazz. Será uma filosofia? Bem, na verdade não existe um género chamado música jazz. Desde que o termo foi inventado o conceito alterou-se e irá continuar a modificar-se. No fundo, continua a ser música de improvisação, seja com que instrumentos. Ensinamos às crianças de que um grupo de músicos composto por um baterista, um pianista, um baixista, um ou mais saxofonistas ou trompetistas, são um grupo de jazz. E se tocarem Bach pela partitura? Ou se tocarem música para filmes, para baile, apenas música, serão sempre um grupo de jazz? Não, a menos que improvisem e trabalhem qualquer tema, desmontando e montado-o de novo. Mesmo que seja um baterista, um baixo eléctrico, uma guitarra eléctrica e um vocalista cabeludo. A grande qualidade da música jazz é que é progressiva, mutante, sempre em movimento, intemporal, sem barreiras, sem credos, multirracial, sem fronteiras, aberta, livre e o que mais possamos pensar. Coltrane nunca gravou ou deu um concerto repetindo uma faixa sequer. Miles Davis nunca parou de se modificar até morrer, melhorando ou apenas fazendo diferente. Sonny Rollins continua a fazer isso sempre que grava ou dá um concerto, se é que ainda o faz mas transforma-se constantemente por décadas. Dexter Gordon nunca deixou que o alcoolismo lhe barrasse a criatividade e para o fim ficou saborosamente lento mas sempre brilhante. Um grupo de jazz pode ter músicos de qualquer idade, de qualquer cultura, interpretando qualquer tema, usando a linguagem reconhecida por todos, a melodia, a harmonia e o ritmo, enfim a linguagem da mãe das artes – a música. Se não é uma filosofia, improvise-se uma filosofia e já. Mas claro já foi inventada e não foi hoje. Transformemo-la mais uma vez. Um pouco eu, agora tu e depois os outros. Repetimos o ciclo tantas vezes quanto o sol se põe e nasce novamente.
Jul. 12

Autor: Carlos Teixeira Luís

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carochas, bicicletas & biplanos - 31

Li, não acabei, não sei se vou acabar e não gostei. Refiro-me ao livro: O Último Segredo do jornalista José Rodrigues dos Santos. Segredos que não são segredos, simplesmente não são oficiais no cristianismo católico, explorados numa intriga infantil com personagens - caricaturas mal desenhadas. E por amor de Deus, as vezes que o autor repete a expressão: “promontório”, numa página chegou a três - sempre que a intriga se passa numa cidade diferente e com o raio da elevação, lá vem a expressão. Outra expressão é: “traça”, não o insecto mas o perfil dos edifícios que identifica a corrente de arquitectura utilizada. Isso são pormenores, apenas uns breves exemplos mas há muito mais e contribuem para não se levar a sério o livro e mais, acaba por ser um livro chato e com nada de novo. Jesus foi judeu? Ora qualquer religião protestante ou testemunhas de jeová pregam isso há décadas. Assim como a “santíssima” trindade não ter base na Bíblia ou no cristianismo primitivo assim como outros aspectos. Falta um enredo que use estes aspectos de investigação, aliás toda ela documentada, o autor ou não fosse jornalista, apresenta as referências donde tirou as suas teorias. E esta é a única qualidade do livro – a investigação. Devia-se ter ficado por aí. Mas não, temos uma peça ingénua de acção e suspense ao virar da página de cariz juvenil e naif. É isto que o faz ser muito lido? Então as pessoas gostam, nada em contrário mas eu não gostei. E ainda não cheguei ao fim porque não quero chegar ao fim. Livro posto de parte. Devolvido ao dono que me emprestou. Tragam-me Raymond Chandler (um clássico de referência, melhor não há, opinião pessoal), Stieg Larsson (li os 3 livros da saga Millenium em 2 curtos meses num frenesim que não conhecia há anos, agarra literalmente a nossa atenção, tem esse mérito e tendo em conta que a saga são 3 livros num total de 2000 páginas) ou Crichton (investigação misturada com ficção, mundos desconhecidos (quer a moda dos dinossauros, de que não sou grande apreciador ou outros exemplos de intriga internacional sempre com um suspense viciante, vão lá experimentar) tudo menos isto. Claro que há muitos outros autores de referência, centenas e este escritor-jornalista tem outros livros bem conseguidos e bem trabalhados. Mas este enfadou-me. Bem, gostos são gostos. Um abraço.

Jul. 12

Autor: Carlos Teixeira Luís

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segunda-feira, 23 de julho de 2012

[...leva-me pela mão até onde as roseiras bravas


leva-me pela mão até onde as roseiras bravas
tapam as trilhas empedradas. Leva-me

até ao rio que dizias nascer no salso mar,
onde as lágrimas ficavam à superficie,
e um solitário arco-íris escondia os cintilantes refúgios lá longe.

Leva-me assim.

Deixa este corpo exausto, tão singrado sem rota,
arrojar-se do cendrado promontório
sentindo os aljôfares da fria noite.

Leva-me assim.

Quão longe hoje sou dos nossos sonhos pela excelsa
primavera algures no tempo,

e se conseguisse regressar-me um segundo que fosse,
pedir-te-ia:

- leva-me até onde as roseiras bravas libertaram
o aroma teu, que ainda hoje me inunda.


[Leva-me contigo, assim, só].


Poema de Ricardo Pocinho

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domingo, 22 de julho de 2012

O passado não registrou
em minha alma
referências certeiras
elas se perderam
no espelho empoeirado
da sala de estar.

          Jorge Medeiros
O CENTRO CULTURAL DONANA tem a honra de convidar a todos, amigos e afins, a participar da comemoração do 4º aniversário do Grupo Pó de Poesia, que acontecerá no dia 28\07\2012 as 19 horas no endereço do centro cultural aqui citado. Contamos com sua valiosa presença.


P.S.Na foto acima constam apenas alguns integrantes do Grupo Pó de Poesia.

sábado, 21 de julho de 2012

"perante.."

qual..

quimera-pulsante de tentativas ilícitas
qual ilíada representada mil vezes, nunca vista
algo em demanda por insolução e atraso
e

qual..

este término de cena im.presente
(lago-raso..)
qual retrato cadente, premente e desigual


à curva da manhã por abstenção do sol
à pena da letra que te define
que te releva e


entrega-te o nome.







qual percepção anunciada
horas e horas e..
..nada.
(nada..)




abre-te, volúpia! é deste lado em fé e consequência!!
cobre-me aos relapsos actos quais nao te falharei mais
corta-te aos exemplos por indecisão em linhas finais
pois é tarde.. tão tarde, quanto à tuas outras evidências

minha (tola)asa nivelada nao te segue, nem à parte de chão
a minha contenda de adstringir-te em metade, não mais te é
qual corpo conforme, qual hábito das somas, ou: o que houver
não é a minha morada e nao é a minha lima que te diz não..

é o meu erro! em tempo de chegada, em preço quase fixo
ilusão intitulada.. lâmina de conselhos desviados, palco-livro
cai à metade.. cai à tua mesma proporção e eu ainda vejo..

pois te é a noite dos meus olhos avessados, ah, eu.. insisto
um passo de cada vez.. um pouco da vénia acima da que te sirvo
não é um ponto qualquer, à minha exceção, prece ou emprego..



é a tua porta que nao quero entrar, mas..
também nao posso sair..
(não.consigo.)


Poema de Azke

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[...por vezes não sinto o que sinto


por vezes não sinto o que sinto,
tento esquecer-me.
Esperguiço-me num mar chão, ondula-se o corpo
que voga pela mansa maré,

como se para sentir tivesse de saber, ser,
ser-me-ei apenas, tão longe tantas as vezes de mim,
ser-te-às assim, tão perto tantas as vezes foste de mim.

Quando o nosso sangue estremecia,
e o grito trespassava as paredes amarelecidas pelo sol de verão,
um corpo único metamorfoseado
renascia da promessa, da saudade,
das despedidas que sangravam pelo outono,

[… verão mar, outono terra …]

Que eu me esqueça da poesia que nos cobria,
que eu me esqueça de sentir o que sentia então,
que seja profecia também,

mas,

que no final da rota inversa que seguimos,
as mãos se voltem a tocar, sem tempo,

[… mar terra …].


Poema de Ricardo Pocinho (Transversal)

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