
Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
quinta-feira, 17 de março de 2011
Derramadas...

quarta-feira, 16 de março de 2011
Épico da alma nua
vivem para consumir os momentos
do que ainda não vivi...
sinto o cheiro de sangue
de cada segundo
estendido no tempo
verdes são as horas
longos ais das noites
criam calos dentro de mim
cada hora é parte do corpo
como um dedo
como um dente
o passado escuta a voz
das horas que tirou das almas
(como uma flauta triste sem assinatura)
horas não perdoam
(vivem entre o ponteiro e seu alvo)
sua sombra será sempre maior que o relógio.
Poema de Vânia Lopez
Tudo que transpira
Tudo que respira
Tudo que caminha corre
Ou rasteja
Tudo que se move quiçá imóvel
Tudo que expira
Me inspira
Objeto inanimado ou ser imaginário
Tudo que atinge
Acrescenta
Gênios
Mendigo filósofo
Poeta analfabeto
Cego clarividente
Visão Cinza
Lata rolando ladeira abaixo-assinado
Pró-asfalto contra paralelepípedos
Nevoeiro neblina cerração
Fumaça de ônibus
Fumaça de carro
Fumaça de fábrica
Fumaça de cigarro
Saindo dos olhos
Do yndio navajo
Pares de tênis e sapatos amarrados
Nos fios de alta-tensão dos postes disputados
Por pombas ratos voadores
E outros pássaros de verdade
Coça a nuca
Soca a cuca
Fecha a fuça
Sofá velho na calçada
E os olhos do gato preto
Rasgando as patas nos cacos de vidro
De garrafas verdes em cima do muro
Exorcizando Antigos Demônios
No show de rock
No templo evangélico
No estádio de futebol
No prédio da bolsa de valores
Na feira livre
Gritam
Berram
Esgoelam-se
Não é de admirar que se sintam
Livres
Leves
Soltos
Ninguém se entende porque todos têm razão
Eu sou um poema panfletário
virulento Maiakowhiskiano
rimbaudelaire pós-apocalíptico
tolstóievski de pés acorrentados em outros pés
acorrentados em outros pés acorrentados
em outros pés enfileirados indianamente ad infinitum
quebrando rochas e cabeças a picaretas
num gulag urbano eeeeeeeeeeeeeee
aaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhh foda-se é isso
Ps. Não repare a bagunça
Autor: Andri Carvão
terça-feira, 15 de março de 2011
Convento...
BOSQUE
Para cantar a mulher da minha vida
Há que segui-las de adjetivos para que caminhem corretamente adornadas, do contrário seria pouco para falar daquela que me marcou como quem marca gado: a ferro e fogo. De início dói,mas agora permanece - sabor de eternidade - feito tatuagem que enfeita e veste, e dá o tom de quem a gente é. Palavras são poucas.
Há que usar das mais belas e quentes e frias e tácitas metáforas, assim como é próprio dos poetas que cantam suas amadas. Há que usar rimas, das pobres, das ricas e das medianas, sem discriminação de classe. Afinal, para cantar uma mulher faz-se preciso tanto as flores quanto os diamantes. Palavras, há que casá-las muito bem a fim de construir imagens, ofício da (boa) poesia. Que ao ler a mulher amada tenha um filme à sua frente, claro e sutil,
telas de grandes artistas animando-se a cada linha. Mas por mais que as palavras se façam solenes neste momento, há que tocar àquela que me emprestou seu seio e me entregou seu corpo. Tem de haver um beijo, um enlace.
E, por fim, há que dizer: “ainda que o tempo passe, ainda que sua pele perca o viço, ainda que o seu corpo feneça, ainda assim te amarei, cada vez mais”. Há que reproduzir o momento em que ela me viu pela primeira vez e, desamparado, ela me aninhou em seu colo e deixou rolar a primogênita das muitas lágrimas que ainda estavam por vir.
Texto de Fabiana Esteves.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Resgate
do ateliê abandonado,
junto pedaços da alma
destroços dos dias.
Em retalhos do tempo
onde a memória agoniza,
costuro de volta a vida.
Foram anos e eu não vi.
Mas o tempo está aqui,
colado nos pincéis secos,
na tinta fosca e esmaecida,
na poeira coberta de maresia.
Recolho serenamente
porções de mim mesma,
a alegria das cores,
o gosto de mar e de vento.
Poema de Elmira Nunes
O Velho e o Bar
Fêmea vive na butique
Bukowski busca uísque
Macho morre no boteco
Fêmea morre na butique
Velho Buk pratica esporte
Fuma por esporte
Bebe por esporte
Escreve por precisão
Jogo bebida mulher
Um vício circuloso
Sexo sem amor é sexo seguro
Por amor se gasta até o que não se tem
Negócios negócios bucetas à parte
A festa nunca começa pra quem sai de mãos vazias
O mundo mudou e domou todo mundo
Sexo drogas & jazz
Sexo drogas & rock ‘n roll
Sexo drogas & AIDS
Velho Buk
Viveu muito
Sobreviveu demais
Atravessou as décadas de 50 60 70 80 poetando
Mas o suficiente não é o bastante
Só foi se afogar na praia dos anos 90
Virou filme Mosca de Bar
Lenda viva
Continuou dormindo na lata de lixo do beco sem saída
Velho Buk
Uma espécie em extinção
Hemingway sem barba
Hemingway menos conservador
Hemingway que caçava mulheres e não tigres na África
Hemingway do turfe e não das touradas
Hemingway apolítico e apocalíptico e não de Guevara e Castro
Hemingway da batalha diária do homem comum e não da Guerra Civil Espanhola
Velho Buk
Não adiantou nada
Encher a lata
Virar o caneco
Tomar umas e outras até tomar todas
E engolir o gargalo
E vomitar no bem-vindo
E ter pesados pesadelos sobre ele
Velho Buk
Poeta etílico
Cadê o Grande Romance Americano
Que você prometeu? Algo no nível de “Suave é a Noite”
Do marido daquela louca?
Velho Buk
Mais lido do que Sade e Miller
Mas não tão respeitado em larga escalada ou maior degrau
Pelo meio intelectual
Velho Buk
No panteão literário do Macho Americano
Seguindo a tradição de Thoreau, Melville,
London, Hemingway, Miller, Mailer,
Conservadas as devidas proporções
Buk meu velho Buk
Imitada persona imortal
Adultos não sabem brincar a sério
Você passou dos limites
Já pra dentro
A geração perdida sim foi a verdadeira geração beat
Já a geração x não se achou
Presa nas teias da internet
No Gold Book of Old Buk
Pensando com a cabeça de baixo
Contando cavalinhos na hora de dormir
Deu no que deu
O velho morreu
E sempre morreu
Meu velho
Poema de Andri Carvão.
Caminhando...
Ando eu ao relento...
Encantada com a madrugada,
Que muitos dormem e não veem nada.
Olho para cima e vejo as árvores se abraçando...
Olho para o chão, parece miragem, mas não.
Vejo folhas secas e vermelhas...
Que mais parecem filosofar de tanta beleza, de tanta sutileza.
Olho para frente...
Me deparo com o farol do carro que vem vindo...
Dilatando minhas pupilas, parece até luz divina.
Vejo uma pedra e me assento nela...
Me sinto forte como uma cidadela
Mesmo estando com lodo e esquecida, me sinto protegida!
Contei para as árvores...
Contei para as pedras....
Meus segredos, belos segredos,
Porque sei que jamais serão revelados.
Posso morrer, e minha vida um dia contada em forma de poesia...
Jamais será esquecida.
Ficará enraizada nas raízes daquelas árvores...
E esculpida nas fortalezas daquelas pedras...
Com letras que só os sensíveis de alma entenderão.
Tantos caminhos...
Precipícios para alguns.
Tantas trilhas...
Morada para muitos.
Tanto céu...
E debaixo dele muitos ao léu.
Tanto sol, farto sol...
E muitos não emprestam nem o anzol.
O amor está pouco.
E o mar? Não está muito para sonhar.
Então eu busco, incessantemente eu busco...
Um pouquinho de verão...
Verão que abrasa o bosque da minha menina...
Que tem vida corrida por suas esquinas...
Mas que anseia avenida para sua partida.
Quero me aprofundar nesse labirinto em busca da felicidade...
Meu instinto diz: você pode.
Eu digo: eu creio.
sábado, 12 de março de 2011
CASA NA ÁRVORE
Ainda
que nao dorme
que nao livra
em passagem acima das telas recém-preferidas
altivas
frias
à vaga no céu por testemunha
qual em signo que salva dos pecados alados de si
em
pacto
dos lados re-criados
por incêndio
a este fogo,
tão breve
tão sendo.
sopro.
o meu tempo-cruzada à revelia destas preces..
por estradas desfeitas que caminhei
na tarde-escura mais inteira qual à chuva e o declínio
parte.
do mapa que(te) pensei,
ora, não é...
..
à falta
enleios continuados por liberdade de escolha
quando tarde,
por um auxilio de mente e vontade,
quando fim,
cura-me.
e lá, depõe o meu ímpeto de te seguir..
eu sei..
ao campo formado destas guerras
onde mensagem de ti, me salva dos alvos vis
que,
um dia tolo destes,
o teu lado
a mim,
há de sumir..
este.
meu posto por um centeio ao deste campo também..
o meu
pacto-acto de dias livres
em desejo-mais-que-pouco. de um gosto, e(ainda.sendo) teu.
Poema de Azke.
Beijo
Do beijo silenciado
Do beijo inacabado
Não quero o beijo
de selinho
de canto de lábio
Não quero o beijo
melado, nem babado
nem o de mau hálito
Quero o beijo
de línguas entrelaçadas
com gosto forte
de carne e saliva.
Jorge Medeiros
sexta-feira, 11 de março de 2011
Dominatrix
Minha deusa
Minha rosa
Minha princesa
Eu amo você
Meu amor
Meu anjo
Minha flor
Meu doce
Meu bem
Meu bebê
Meu nenem
Minha fada
Minha ninfa
Minha muçulmina
Minha odalisca
Minha matriz
Minha dominatrix
Extensão
Do meu braço
Puta virgem
Uma santa
Meu mel meu fel
Meu céu
Fulana de tal
Beltrana
Cicrana
Mundana celestial
Mata fechada
Serra pelada
Deserto branco
Trilha estrelada
Minha sereia
Minha vampira
Minha stripper
Toda minha
Minha vaca
Minha aranha
Minha galinha
Minha piranha
Minha mãe
Minha filha
Minha irmã
Minha vizinha
Minha favelada
Minha patricinha
Minha empregada
Minha executiva
Meigo furacão
Ciclone angelical
Doce trovão
Suave vendaval
Minha amiga
Minha colegial
Minha enfermeira
Minha policial
Minha paixão
Meu brinquedo
Meu tesão
Meu segredo
Minha vitória
Minha glória
Minha alma gêmea
Minha alma geme
Gota de orvalho
Grão de sal
Doce veneno
Sangue mensal
Minha nordestina
Minha estrangeira
Minha clandestina
Dona da pensão
O chão que
Você pisa
As nuvens
Não alcançam
Você povoa
Meus sonhos
Você me lava
Feito um vulcão
Poema de Andri Carvão.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Cetáceo
Do barro ao macadame,
Do macadame ao asfalto,
Dos cortiços e casarios aos prédios,
Dos prédios aos arranha-céus,
Das vielas às alamedas
Das alamedas às intermináveis auto-pistas,
Gerei-me, formei-me e cresci incomensurável –
Criança desmamada nos peitos
Da fome e da exploração.
Cresci, bebi e fartei-me na burra de Balaão,
Nas tendas dos vendilhões do Templo,
Na bolsa dos mercadores sefarditas,
Dos italianos, burgaleses, flamengos e alemães,
Na usura dos Beneviste, dos Évora e dos DiNegro,
No ouro do Sudão, na prata de Potosi,
Nas feiras e praças de Antuérpia, Lyon, Frankfurt e Gênova,
Na cavalaria de Oliver Cromwel,
Nos jacobinos decapitados,
No assassinato de Marat,
Na execução de Danton,
No golpe do nove Termidor,
Na bengala brilhante dos Barões,
No Consulado de Bonaparte,
Na Batalha de Trafalgar,
Nos canhonaços de Villeneuve e Nelson,
Nos bolsos endinheirados
De Ford e Rockeffeller,
No esquadro e compasso
De Niemayer, Gropius e Le Corbusier.
Cresci, bebi e fartei-me
Nos Senhores que escravizaram seus servos,
Nos espoliadores dos povos,
Nas marteladas dos operários,
Nas mães que venderam seus filhos
Nos mercados e fábricas,
Nos homens que assistiram passivos
As mães e esposas se prostituírem.
Cresci, bebi e fartei-me
No Congresso Anarquista Internacional,
No luta e no sonho unionista
De Pelloutier, Proudhon, Monatte e Malatesta,
No mito de Geroges Sorel,
No sonho acalentador
De Vladimir, Rosa e Leon
Que agora é espinho e fere.
Hoje, vegetal, enredo-me
Por toda a vida que acorda e adormece,
Que come, bebe, veste, ama e fuma,
Mas jamais se farta,
Pois deseja o que não é desejo,
O não-desejo que brota fora da carne,
Neste vasto cipoal
Que dificulta o trânsito
E contém as mãos, o afago, o beijo,
Insinuando-se por todos os corações
Com tudo que jamais farta; infarta!
Sabes quem sou?
Eu, espasmo dos séculos,
Estorvo dos desuses,
Sempre adverso ao mundo natural,
Uma outra natureza
Intrusa da ordem e do Século
Que impôs aos homens
Seu mandato e regra,
A despeito de tanta labuta, de tanto suor
E do clamor ignoto da populaça?
Meu nome é Cetáceo –
Rara jóia de Caim e de Nimrode,
Ouro nos dedos do feliz burguês,
Frio cálculo da razão e da mais-valia
À imagem e semelhança
Do rito que sacrificou o mito
Nos altares embebidos de sangue e miséria.
Eu, Sodoma e Gomorra, Mamon,
Babel, Tebas de cem portas, Big Apple!
II
Já os primeiros raios de sol
Batem nos olhos do monstro,
E ele arfa, bufa.
Da madrugada de tiros e sirenes,
De álcool e tranqüilizantes
Nasce mais uma alvorada,
Não de galos ou pássaros,
Mas de um sol bestializado,
Para uma manhã metálica,
De cobre e fiação elétrica,
De asfalto e condução
Que já vai lotada para o centro
Desde às seis horas da manhã,
Repleta de gente mal-dormida,
Babando no ombro alheio.
O cetáceo não dorme
Apenas se lembra que é mais um dia
Para quem tentou dormir
E urra da tv e do rádio:
“- Oi, bom dia, estamos aqui
Na 101,5 mais uma vez juntos,
É hora de acordar. Faz sol lá fora
E o dia promete ser quente.
Meu nome é tua cara, teu lábio e tua tara
E eu tenho um recado para você
Que me leva no trem, no carro, ou a pé
Desde a infância até o escritório:
- Todos em mim, todos em mim,
A trabalhar, a trabalhar,
A produzir, a produzir!
A matar e a odiar,
A reclamar e a adoecer,
A se encarar e se espremer,
A esperar e a bocejar
Nas filas, peças de dominó,
A xingar e a calar,
A temer e a acreditar,
A praguejar e a aceitar,
A beijar e a escarrar,
A odiar depois de amar,
A comer e vomitar,
A chorar e trabalhar,
A sorrir sem ter o que,
A dormir ante a TV,
A caminhar e viajar
Com o cotovelo
Na cara de outrem,
Bicando o calo alheio,
Pedindo licença
A pernas, bundas e pés,
Enquanto tenta amar
E chegar ao trabalho.
Vamos seguindo aqui
Nas entranhas do monstro
E não se esqueça:
- Cuidado nos cruzamentos
O trânsito está complicado
E a impaciência é grande,
Atenção ao sinal:
- Vai ficar amarelo, agora, vermelho,
Podeis prosseguir. Marchai!
Marchai para os consultórios!
Marchai para as repartições!
Marchai para os escritórios!
Marchai para as viaturas!
Marchai para os guichês!
Marchai para os bancos!
Marchai para as estações!
Marchai pelas avenidas!
Marchai para os aeroportos!
Marchai sem qualquer porto!
Marchai por aí louco e torto,
Reto e morto,
Rei deposto,
Marchai para o posto
E enchei o tanque e o coração
De álcool e mau gosto,
Marchai para vossos lares!
Marchai para mim, em mim, de mim,
Marchai, marchai, marchai, marchai,
Marchai, marchai, marchai, marchai
Marchai, marchai, marchai, marchai,
Marchai, marchai, marchai, marchai,
Devorai!!!
Os próprios filhos
E a carne irmã,
A própria vida
Assim mesmo:
Putrefata e malsã,
Vagando a esmo
A trabalhar, a trabalhar,
A produzir, a produzir,
A execrar, a execrar
Quem não quer profissão
Para alimentar de sangue e cifras
O imenso coração do cetáceo!
Cansai, cansai
Dormi, dormi...”
Mas insone o poeta diz:
“- Não tenho lugar aqui!”
Ao que logo o monstro replica:
“- Tolo, eu sou todo o lugar
E lugar nenhum,
Consciência e desdita
Que aferroam todo o dia.
Dormi, dormi, meu filho dileto,
E continuai a berrar esse canto contra mim
De todos os becos e guetos.”
III
Em cada casa e beco,
Um carcereiro dita as horas de sono.
Não respeita as queixas dos insones,
Qualquer anseio ou fome,
Nem os desejos dos amantes,
Brada feroz e o corpo
Levanta-se autômato, zumbi,
Estica os braços pálidos, de cera,
Passa as mãos por cara cadavérica,
Na frente do espelho
Que busca refletir imagem esmaecida,
A boca bafienta,
Enquanto a escova passa pelos dentes
E o corpo evacua medo
E os detritos do dia anterior.
Olhos baços, no entanto,
Insistem em tremeluzir,
Enquanto bebe café, lê o jornal,
Pega a pasta e a marmita
E mergulha nas tripas do Cetáceo.
Logo nas alamedas e avenidas
Que se estendem para além
Do horizonte coberto por prédios
E espetaculares arranha-céus
É conduzido com todos às obrigações diárias
Sem nenhum desejo para sentir,
Sem nenhuma palavra para negar,
Sem memória que recorde do corpo, o ser,
História e sentido que restaurem
O fio partido, algo que um dia
Chamaram de espírito e utopia.
E a despeito de tantas discussões,
De algaravias e de mortes,
Do jogo e das apostas,
Das drogas e das mulheres,
Do sexo e das certezas
Cuspidas e fumadas,
De tanto arroto e bocejo,
De tanto riso e bravata,
De tanta fumaça e loucura,
De tanto susto e silêncio
Dos lares contíguos,
Amontoados dos subúrbios,
Das mães que oferecem o peito mesquinho
Do consenso geral
Aos filhos do próximo século,
Sois corpo, nada mais do que corpo
Insuspeito!
O Cetáceo sorri e se regozija.
Exibe as magníficas
E complicadíssimas entranhas,
Os caminhos a seguir,
O tempo a cumprir,
Os papéis a assinar,
O status desejado,
A vida mais que determinada.
Ele tripudia, mostra sua escória,
Os filhos desejando o próprio ventre,
Devorando-se entre tiros e abutres.
Sorri sardônico, porque sempre
Haverá uma mulher ou um menino
A nos oferecer sexo e cigarros.
Eleva-se à mais alta
Das protuberâncias do seu estômago,
A mais ingente de todas as babéis
Para contemplar magnífica visão:
O bonde fiel aos trilhos,
O homem fiel à vida,
A vida fiel ao corpo,
O corpo fiel à maquina,
A máquina fiel ao monstro.
“- Que magnífica visão!”
O cetáceo rejubila-se,
De Wall Street manda-nos um beijo,
Da Ilha de Manhattan saúda a todos
A lutar pela ração diária das vitrines,
Dos anúncios e das meretrizes,
Pois ainda que uma mulher
Solte os cabelos e se jogue pela janela,
Que uma criança nasça
Coberta de sangue e avenida
Ou um velho corra nu pela auto-pista
Tudo sempre será o que foi:
Tráfego e Multidão.
“- Que magnífica visão!”
IV
À noite, as casas e os prédios
Recebem seus suarentos habitantes.
Os armários recebem cintos e gravatas.
“Boa noite, caro ouvinte,
Caro ouvinte-telespectador,
Boa noite de sono e traqüilizantes
E não se esqueça:
Amanhã, tem mais,
Amanhã, eu volto
Para de novo cuspi-lo
Em dias que insistem em nascer –
Dormi, dormi...”
V
Mas no outro dia,
Em qualquer dia,
05, 07, 11 ou 16,
23, 19, 21 ou novamente 11;
Em qualquer mês,
12, 10, 03 ou 04,
07, 09, 02 ou 08;
Em qualquer ano,
98, 2004, 95 ou 72,
Novamente em 98,
2001, 93 ou em 2002,
O corpo travado
Sem cronologia ou calendário
Não acorda nem levanta.
A cidade está em chamas;
Nero a incendiou.
O corpo está em chamas;
Roma incendiada,
E os aviões arremetem
Contra o edifício,
Despencam sobre nossas cabeças.
Homens-bomba escondem-se
Na garagem dos prédios,
No subterrâneo dos sonhos.
“É hora de acordar.
Acordai! Marchai!”
Já não podeis.
“Marchai, autômato!”
Já não quereis,
“Marchai, corpo!”
Já não sois.
“Há algo de errado”,
A programação se encerrou
Sem aviso.
“Há algo de errado,
De muito errado mesmo...”
Esta forma extrema,
Escura, crisálida,
Recusa...
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
quarta-feira, 9 de março de 2011
de brincar. Mas como numa odisseia sob o sol era preciso
subtrair-se aos perigos da corrente voraz e cíclica das
estações. De monstros marinhos, de corsários temerários,
de uma iara mimosa e de peitos de leite que se escondia
atrás de misteriosos escolhos. Como seria fácil a vida
debaixo do azul, este azul todo disperso numa gratuita
tessitura em que os pássaros de cada dia entoassem o pif-
pif de doces antigas flautas. As mãos ávidas tirando o
sono dos olhos ainda pregados à superfície do sonho. A
boca de dentes cariados se abrindo imensa para sorver
num gole a manhã láctea e morna. E depois a água mais
suja — mais pura — envolvendo engenhosamente o rosto
de uma máscara fina e reluzente. As pontas dos dedos
para sempre engelhadas sob a infinitude das unhas, que
crescem como um tubérculo rebelde — sabe-se lá que
outras coisas brotarão? O café com leite ainda está ali,
esfriando na mesa quase eterno. A tarde será como um
longo cochilo. E à noite o menino novamente envelhece-
rá, como uma árvore, como a capa de um livro ou um
quadro pendurado na parede do quarto.
Este texto também está publicado no meu blog,
www.comtexturas.blogspot.com
e na coletânea Cartilha, minha primeira reunião de poe-
mas em livro, publicada sob o pseudônimo José Antonio
Reis e disponível no site Clube dos Autores, no link
http://www.clubedeautores.com.br/book/40015--
CARTILHA
Boa leitura!
Autor: João Lima
Quarta e sono
Ligo o som
Coçam-me os pés.
Sambo só,
Canto o tom
Suo na tez.
Vou que vou,
Nessa dor
Síncope dez.
Terça é gorda,
É o calor
Máximo! Festa.
Trio do bom
Rio cantou.
Quarta já chega.
Cinzas, coro,
Reza o povo
Fé brasileira.
Poema de Yayá
terça-feira, 8 de março de 2011
carne quase morta
não digo que isto me doa
nem que me seja novo não saber dor isto que me dói
— o que me dói é teu corpo:
este amontoado de gordura e carne que respira e vibra
este sangue lácteo que me espana o rosto como um leque
... tua mão está me riscando a coluna agora ou é uma foice?
são teus pés aqueles dois mísseis?
eu não queria saber a dor
pois nunca ma prometeram senão apenas prazer
mas o que é isto? toda esta dor que eu não reconheço
este corpo violado que se transforma em carne quase morta
não me disseram que seria assim, destrinchando...
— tens certeza de aquilo são teus pés?
eu só queria o sonho
(esse sonho aí que chacoalhas quando gemes tão alto
e que precipitas do alto de minha cabeça como se jogasses boliche)
tu não me respeitas: agrides-me com teu corpo
minha fantasia te implora piedade e tu a mastigas
minha fantasia te implora “não me mastigues” e tu a engoles
ah, por que dói tanto? engoles-nos a ambos?
sim. são teus pés. vês?
são tuas mãos. teus olhos.
este emaranhado de arame que me prende
e que me escalpela
são teus músculos.
quer que te conte o que eu queria? que te diga palavra por palavra?
... quando menino, eu gostava escondido cada parte de teu corpo como quem segreda
eu apalpava tua pele cinza, lambia teus braços — tua garganta era minha caverna
desde menino eu quis o teu corpo de homem
mas eu nunca soube teu corpo assim: Arma
eu queria ser teu homem para não ter de ser homem
pois só assim eu saberia esta dor prazer
e este prazer felicidade.
... entendes que te digo tudo
e que nada me resta na boca exceto certa forma de mudez?
— desde menino
meu único desejo
era gozar de meu prazer e de minha Morte
sob o arco obscuro de teu corpo.
Poema de Sodine Üe
o dia tem que terminar
descalço o eu
(a única mãe)
que o corpo teme
o céu declama a alma
ajeita a sombra
enquanto a outra metade
...espera
(na pele e no silencio)
Poema de Vânia Lopez
11 ou n – Dos momonísios, serpentes e outras -inas
Só não falo porque coma é virgula em língua outra. Do mais estou carnavalesticamente afônico em que pese a cuica de outrem. Em que pese a busca outra de algum senso de raiz no sambar , ou algo que o valha como antigo e muito próprio para transferir emoções a fato tal ponto que a fantasia vire algo de realmente(?) fato caricaturizado do largo de algum outro algo que além de não saber morrer, ainda brilha como solução certa de existir e desviar a espontânea atenção que no mudo enxerga tal esforço, tal mania narcisa-mártir que em jocoso pede uma privada larga de algum apartamento antigo entre a copahorrenda e o centro. Peço licença sem desculpas. Me chateiam as frases longas e sobretudo vìrgulas, mas hoje não dá. Os pronomes oblíquos que começam frases? Hoje eles serão a fita inaugural enquanto as metáforas se afogam no raso rio. Do quê? Carnava...e o ridículo é soro encontrado em teste de qualquer gosto. Valha. Ou não. Vai? Vá... é tão curto. Se fosse cobertor era ineficiente frio. És de escola de samba? Conseguiste abstrair o dinheiro do tráfico que faz o pó sambar? Conseguiu acolher o carisma da quadra sem pensar na vontade de poder do sobressalto comunitário a sofrer pena pela policia da morla bastarda? Raiva do dito de origem. Raiva do dito dado como exatamente dado e culturalmente improvável o intransponível. Rate aoiva desse topete ao vento e de todos os bailes passsadistas. A pérola mora dentro de uma ostra armada. Escrevo quando o que é coelho e devorado está dentro do coyote. Foi soprado às zebras o coiote. E ela se arrepiaram tanto que suas listras subiram num aglutinar facial e viraram mascaras. Logo as zebras eram cavalos mascarados: de nada se pareciam com o focinho arguto do coiote. Lamento: não basta tomar banho pelado de cachoeira e masturbar-se com o dedo de Oxum. Estou do dente do coiote que te fala, E sgada anterim. Sou um bom hálito. Do escovado em madrugada em contrário e acordado em chocolate flavôr. Destesto as plumas das inocentes. Ou serão putas hoje ou nunca mais? Então serão puta no nunca porque quando puta... há de se sorver o tempo para o bezunto de mel proposital. Mordem o pote os ursos e as crianças. Muitos desencorajosos de roubar se vestem piratas. Uma piada pela metade mal contada. E de piadas a inocência está farta do que já foi roubado. Agora-ontem-já? Onde a henfil-graúna gralha? Onde eu também não posso morrer . Onde eu não posso morrer sem antes muita coisa. Eu vou ajudar as crianças a botarem uma tachinha no poltrono Piaget. Hemos de descobrir que eles não precisam dar cabo a jornada pensando no melhor. A tentativa há de ser por eles cantada. É o velório precoce do herói. E a libertação temprana da moça viúva que nunca viu o putrefato cônjuge mas já se quer no suor dos sentidos a sensual liberdade. Se fossem essas linhas de caligrafia eu comeria o caderno e vomitaria a cola da brochura. Vomita-se a cola do uno: e o que se tem é um coletivo favorável. O que há de ser o todo sem o singular. A coletividade como solução anti- solidão humana me assusta primeiro, porque ela é cinematicamente colorida; depois me enoja. Sim. É tudo grave. É tudo grota-sarah-vaughan. Quando nos preteridos não é o renegado rouco ópero-Évora-cesáriano. O presente é hesitante mas nasce de parto normal. Vamos ao com saudo exorcista, a cabeça já dói. Criptografo a fluxo hoje turvo. Gozosamente me traio. Escrevo no trunco porque estou eufórico e ainda não sem gritar em caricatos caracteres. Saúdo o exército da florescência travesti.. Amo saias que velam o viril moral escondido e falicamente diferenciado da permissividade tatuada do seguro feminino a ser preenchido. Pena... À vivacidade do trans! À comunicação que espera a bizarra acolhida! : o trans nos lembra do que é sexual para além do platonismo anti-arte no barato; cristão e a suspensão da sensualidade pelo ideal ascético; além do corpo... Ao quisto! : que na profusão do desejo treme o ferro quente do epilético temido se há no pungente o negar que escarra a moral 3D. Chamar Spielbergs e Camerons para o que além da superfície: movimentam o ver que na insistência vê o atrás. Falta falar sobre o atrás. Escrever com o atrás. Ah! Se os de redação vestibulenha ouvissem,,, Chamem os poetas. Os amigos dos poetas. E provem que o quer ser entendido é só a projeção dos teóricos que ainda vêem o belo e sobre ele falam sem ter em si o crivo e o suspiro fatal da criação. A vontade de representação a embarcar na intensidade que sem interesse... acontece. Destoaram em tudo a minha multiplicidade defendida. Escrevo de mosaico turvo, me foram as garantias no tudo poder ser de Momo. Do peneirado sobra um suco que tem gosto de não-finalidade. A arte como despretensão estética que transvalora a reatividade cotidiana em opções singulares de vivência... E os nossos 7 % de crescimento ante a ocular gula mundial! Se o mundo do aberto capital e a eurocêntrica referência já dão hoje em lugar algum mais brilhoso: o prova do jeitinho parco brasileiro a consertar pelas cochias o espetáculo falido: prova da nossa amorosidade vendida em tabuleiros de pimenta e brancas saias . Viste o meu bareback com a etimologia? Pois já alimento teu pequeno pires curioso. Vou abrir o livro e registrar o que meu olho comeu. Não te disse ainda , mas para os pseudo narcisos, os mártires valorais, tenho uma verde parreira amarga. E pouco desdobra a bestialidade que se apresenta em quatro. Não pela sua força de viver o um de cada multidão, mas pela gana miserável de ser equivocadamente outros que não são para sermos no disfarce.. Meus confetes, serpentinas minhas...: que tudo pule! Mas que pule a melindrosa e eu troque a piteira comezinha pelo narguilê onírico. Pelo que não houve existindo: a única maneira de ser tocado pelo acaso sem susto. Irredediável trabalho herculano se fossem doze ou três : é um ofício organicamente depurativo. E isso leva tempo. Fui pelos becos. Me ventou o poder comprar que Lula trouxe ao c, ao d, ao e, ao a...: menos ao z.
O z é o marginal alado. O z são as crianças sem bigode. Não o poético de mendicância. Não ao floreio sujo das portas em templos sacros onde a catarses do povo médio carioca. Não à poesia que pede. Não a poesia que pergunta se você gosta de poesia. Porque isso, este aquilo escrito, aquilo: aquilo não se gosta. Aquilo é: como as fezes são. Expurgadas, necessariamente vitais e mal quistas. Escrever não com floreios sistematizados dos sentidos em reconhecidos símbolos: escrever é se senão se enfezar caso não escrito o quisto, ou o a ser afastado expurgo. Escova-se o dente de bife à rolê e feijão, passa-se o sabonte no suvaco, esfrega-se o pé com marítima esponja, hastes algodoeiras na escuta... e uns escrevem. Uns são depois pelas letras e gozam com o cheiro de páginas mouras quando pessoa. E outros no claro olhar de lince, Clarice... Bebem. E nunca se embriagam, Que o claro não entorpe: só confunde pelo em si tão desprezado o entorno. A lente grave da bruxa faz do armário um ser robusto de apego e pó. Faz do espelho o desafio de passar em sala vazia e figurar só o cheiro. Espelho em sala vazia não guarda corpo imagético se algo louva o instante e se presentificava. O presente não sabe. O presente não tem pés. Contra o espelho é o vampiro induplicável: morde o pescoço e é um. E de certa mereceria um agradecimento. A mordida nos desvirtua da rostidade e do nosso gosto afeito a sujeitos. Espelhos de imagens concubinas falidas e melindrosas molduras. É já perdida a importância dos pomos. Ajeito o cabelo ao olhar no poço a superfície. Uma das desgraças mais mal fazejas: quando troca-se o espelho pela água lisa de cima do poço. Hoje te dei coisa nova mas não espero tua distinção. Me roubei o que eu tinha atrás do pensamento. E te dei qualquer coisa por cima das minhas – inas. –Inas, meninas... -Ina xilocaína que encontra a próstata em massagem póstuma.. – Ina do desaconselho que a moral abomina. Antes os que filosofam tinham que se vestir e ritualizar em magos. Antes comtemplar era sobretudo fugir do vadio olhar e dar medo. Brota aí o ascetismo: nas bruxas alquímicas e gargalhadas. E é dada uma vez que já era e o gargalhar vira mutismo: e esse mutismo quando confessado em cantos infanto-sensuais já é a invenção do pecado. Fixa-se uma circular de Lutero na porta: o bom e o mau não são como antes. O bom pode cobrar e o mal pagar em dinheiro. Resplandece o trevo dos de burgo. Eis que um de burgo diz: que se queimem os altares! Há algo a ser descoberto! Hão regras a serem provadas! Há a tentativa e o erro a serviço de uma comprovação que é sobretudo vontade de verdade! Chutam os santos dos altares! E vestem em miniaturas de véu a verdade. Mataram Deus a favor da divinização da verdade? Sim, digo aos crentes. O que sobra disso é algo de petróleo e país do futuro. Resta disso meu gargalhar íntimo cada vez que os de águia-pilgrim despencam em si e entortam as pernas. Sobram nossas bolsas urgências importantes, as desmerecedoras de tanta celeuma. Resta no aqui viver violentamente calmo e convencer gentilmente o presente a não fugir. Ele ápode, ele que não sabe.... E quantos tombos abraçar o acaso economiza? Compartilharam o parco sinismo dos foliões! Nada contra o ritual exagerado de Momonísio. Mas que fosse todo o dia o jorro. Que fosse todo dia o dia do branco do gozo! Há o embrião-tempo que é o presente! E antes, antes!? Há a feitura do pós beira. anterior à toda gênese. : O frêmito Orgasmo: o acaso: o eletrochoque de tempo que empurra o ápode presente. Ele que mutilado só salta a choques. Que apesar de muito riso lá continua... Que apesar de pena e piteira a melindrosa melancolia continua.... E faz lembrar, varridos os salões, que acompanhado do nada sabido ele samba. Apesar de no bailar solto do it Acompanhemos o ritmo entre o que é calor e água de chuva nossa a subir! Despeja o pingar salgado que é cheiro: dança sem pés. Segue o compasso, balança a cabeça num gesto de improviso: não está sim, nem é não. Ele que não sabe. E suas muletas... A maioria dos gordos momos tem a miséria na barriga!
O carnaval é mutilado presente em rota fantasia de saci : imos e voltamos em pequenas oscilações de cinzas e ventania. Pula sem muletas o presente de gorro vermelho. Cai.
Derruba o acaso cachimbo e fumaça.
Texto de Carlos Juba


