
A roda da fortuna

Ventos na primavera

Neruda

O menino do forró

O nu da minha voz
Os quadros acima foram pintados pela artista plástica Gabriela Boechat.
Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)





























I
A espada de Deus está repleta de sangue,
Vibrou sobre a capital do mundo,
Contra sacrílegas Babéis.
O Califa já não dispõe mais de seu harém.
II
Ele sai sereno de sua tenda,
De túnica branca,
E contempla a serpente,
O deserto e o bico das metralhadoras:
Lenda!
Apóia no cajado o peso
De cidades mortas e dos guerreiros de outrora.
Ninguém ousa perscrutar-lhe o coração.
A tenda, o deserto e o cajado
Resumem-lhe a fé, o ser:
Ímpar,
Jamais à venda.
Não imaginam o quanto ele ama,
O quanto os ama
Sob a face justiceira do ódio,
Pois jamais negocia com terroristas.
Lá vem o Pastor...
Hosana!
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.



Certo homem sai à luta todo o dia.
Num bar, engole rápido um pingado
E mais um sonrisal contra a azia
Co’a conta pendurada, no fiado.
Vai correndo, apressado pela via,
Co’o fraco coração atravessado
Por dúvida inquietante, covardia
De enfrentar o que dizem ser-lhe o fado:
Ralar muito em funções de vil salário:
Beber, jogar no bar feito um otário,
Culpar a todos pelos seus azares.
Mas, quando nos balcões das mãos servis,
Não se esquece do bêbado que diz:
“- Bebo em vão pra esquecer os meus pesares...”
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.