Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
No estalar da madeira, na chuva deste Inverno
No estalar da madeira, na chuva deste Inverno
Encontro-te à lareira, tardiamente respostas.
O quadro é uma história
As vagas castigam o molhe, o cais, as rochas.
Na tempestade o farol cede em dúvidas
Como perguntas submersas, um oceano, talvez de nós
Sem guia, ao sabor das ondas
O barco navega à deriva, entre certezas
Há tanto tempo, que nos perdemos por fim
No fundo do mar, na calma de um coral.
Poema de Nuno Marques
Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=239971#ixzz2IhajfAk5
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives
domingo, 20 de janeiro de 2013
RE-CRIAÇÃO
des-membrar
des-estruturar o verbo
des-ordenar a estrutura
des-mitificar
ir além do provável
e - assim - instituído o caos
re-modelar
o imponderável
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Sobre o sentido da vida
Se tiver tempo, vou sentar-me junto ao Tejo ao fim do dia
E contemplar a paisagem, o pôr-do-sol acontecer.
Sim, se tiver tempo, vou olhar a ponte suspensa de Abril
Estendendo-se sobre o rio em direcção ao horizonte
[até onde os olhos não alcançam
E nela, vou ver os carros e os comboios
Durante o breve momento da travessia entre as duas margens
Passarem plenos de sentido
E o sentido que os preenche, é o mesmo que os leva em frente
[sem que o saibam
Aparecem do nada, atravessam a ponte desaparecendo no nada
E eu com eles, enquanto os olho, vivendo
Fazendo a mesma travessia
Sim, vou sentar-me junto ao Tejo ao fim do dia
Olhar a ponte, os carros e os comboios acontecerem comigo
[um pôr-do-sol
E se tiver tempo, talvez pensar sobre o sentido da vida.
Poema de Nuno Marques
Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=239700#ixzz2IMxuG5Dv
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
A HORA DE 50 MINUTOS
sábado, 12 de janeiro de 2013
Dois Estranhos
Desde quando casou
Ela nunca mais apareceu.
Apenas sua imagem viva
Que não era mais a mesma de antes,
Pois aquele sentimento
Que era uma brincadeira
Agora é uma realidade
E como toda verdade,
Reprimida e duvidosa.
Então, toda vez que ela aparece
Ela não é mais aquela
Como eu não sou mais aquele.
Somos dois fantoches indiferentes
Perdidos na paisagem
Marcio Rufino
E QUE VENHA A PALAVRA
em suaves movimentos
sem requintes, nem propósitos
como a fina areia de uma ampulheta
escorre sutilmente e sem pressa
Que a palavra entre como o vento
pelas frestas da janela entreaberta
formando uma fina camada de pó
Que a palavra nos tome de surpresa
e se encaixe no quebra-cabeças
todos os mistérios do não dito
nesse silêncio que cobre distâncias
como tudo que começa sem aviso
sem que sequer se perceba quando
Restos da América
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
pelo sombreado emaranhado, (embreado) desses seus cabelos
como quem acorda, sorri e sonha em ser Cinderela
abstrata em meu sangue
logo aprendeste a desprezar
a presença afiada de uma lembrança
hipnotizou e mudou as listras do tigre
com um grampo recolheu os cabelos no alto da cabeça
atacou-me como uma divina revelação
tocou-me com os olhos
dividiu-me em lados, sentada na varanda desse poema
com as palavras passando entre os dedos
sorriu... só pra mim
sem olhar pra trás, desmentiu meus olhos
sumiu para o passado
deixou o vento sussurrando por aí...
o som mais alto de todos:
o silencio (em cativeiro)
... o resto é a alma fotografada andando de um lado pro outro
Poema de Vânia Lopez
Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=239234&com_id=918787&com_rootid=918787&#comment918787#ixzz2HfLBym2X
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
,abana os ventos
(I)
como se a perfeição existisse,
sem adjetivo, sem palavra,
e envolve-me nesse manto feito teu corpo.
,sempre soube das pedras perdidas pelo mar,
das montanhas submersas, inóspitas,
isoladas,
quais armadilhas de navegante
,as visões.
...
(II)
,abana os ventos, abana-os em rodopios, revira-os,
que quebrem os mastros libertando as velas gastas,
e,
no final, que o barco se arpoe mar adentro.
,revela-me o dia,
(III)
...
um dia,
a cada segundo, em cada momento,
faz-me recordar o que sempre quis
esquecer,
este esquecimento de mim.
(IIII)
,[e envolve-me nesse manto feito corpo teu],
só.
Poema de Francisco Duarte
Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=239208#ixzz2HboYzL2u
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives
Biscoito recheado de arte
sábado, 5 de janeiro de 2013
Canções Estrangeiras
Não preciso que falem
A mesma língua que a minha
Para me fazer entender
Pois nas armadilhas sentimentais
Que a nossa mente cria
O coração emana sutilezas
Surpreendentes e magníficas
É por isso que existem
As canções estrangeiras
Para nos lançar a lugares míticos
Mitigando interesses, iras e conflitos
Pois não precisa entendimento
Para a frenética persuasão dos sentidos
Marcio Rufino
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
,e chovem estrelas
(I)
e como o som dos violinos,
abarca,
o que as mãos e os braços não cingem.
,tem anos que começam assim,
ímpares ou não,
com som
,e chovem estrelas, meteoros cansados
que me arrepiam,
sem arrependimentos,
apenas me esqueço, apenas me precipito, apenas
possíveis futuros reaparecem, entorpecidos.
,e, se me recordo desfraldam-se as velas,
morrer-me-ei então, pela viagem, pelo tempo,
“-mais uma vez”.
(II)
seja-me a visão única do horizonte,
clara, sem promontórios distantes ou rochedos submersos,
“-nessa única vez”,
(III)
,que me seja permitido, ir,
além.
Poema de Francisco Duarte
Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=238787#ixzz2H09VWrBg
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives
sábado, 29 de dezembro de 2012
A guerra dos sessenta anos
Tomé conserta sapatos na bancada reluzente de velhice ; de madeira centenariamente enrugada , na pobreza artesã de pai para filho ; tachas no canto da boca , em riso sardônico e metálico . O silencio : ensurdecedor , o martelo malha um solado no pé de ferro - bem poderia ser a cabeça da desgraçada, martela- lhe o cérebro na ira cotidiana ; mãos odiadas e hábeis,trazem o projeto em couro até a realidade .
Um polimento em graxa preta e aziaga, lustra uma guerra de sessenta anos de de pequenos ódios e grandes silêncios . Anjinha vive de luto ; por quê ? Ninguém sabe, nem ela nunca disse. T o m é coloca os cadarços no sapato preto , agora devolvido á bancada , alinhado entre os outros em luzidia e caprichosa submissão . Levanta a gola do casaco, a proteger-se do inverno da indiferença : o ódio conjugal inoxidável em sua frieza , aço resfriado de tantos anos ; nem discutem mais , um grita á cada vez de seu canto e o grito paira no ar e sai pela janela ganhando o campo de futebol em frente, sensações grisalhas arremetem contra a grama e as andorinhas.
O balde de cólera que nunca enche ,sempre a receber cada gota de fúria contida ; a comoção virou cebola velha ,dependurada sobre o fogão de pedra .Hoje , a gota d’água:
_ Não tem feijão para o almoço de hoje – resmunga a Anjinha colérica , em riso maroto de ruindade antiga e bem curtida.
Tomé levantou da bancada , tomou da velha mala de madeira de desenho em xis na tampa retangular e pegador enferrujado , de repente acolhendo mudas de roupa e sapatos , despojos da vida de infelicidade medida em dedais , copos e baldes . Olha distraído o fundo ensebado do seu chapéu ; o suor e o nome do fabricante em arabesco amarelo ; coloca-o inclinado sobre a fronte , abre a porta , caminhando em direção a lugar nenhum , cruza o campo de futebol, interrompe a pelada em sua marcha ; a rapaziada estática , em muda indignação ,contempla o velho desempenado em passo acelerado e inédito sorriso , de alma leve e flanante , no ocaso da tarde de domingo .
Conto de André Albuquerque
Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=238452#ixzz2GT9fj81R
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Nesta data especial
poderia escrever lindas mensagens
para muitos a quem amo
mas meu coração e pensamento
teimam em brigar comigo
e só me fazem mirar você.
Jorge Medeiros
Por isso não tenho condições
de tentar poetizar,
acho que minhas palavras
não fariam jus a você e ao sentimento
que me domina o peito...
utilizo então as palavras de uma amiga:
HOJE É VOCÊ
Hoje, no tempo do agora,
e no espaço, até,
que ficou para trás
da hora em que estamos,
é você.
Os ziguezagues da vida
nos afastaram do encontro.
E os vaivéns do destino
nos aproximaram do depois.
Em outras eras, talvez,
(se é que elas existem)
acho,
fomos amantes-amados.
Os dois de nós dois.
Sem interferências.
Corpo e alma se unindo
e corações se abrindo.
Os dois seres num só,
amando-se em todas as horas.
Na hora lilás
do crepúsculo que desce
ou, e mais ainda,
no descortinar
das madrugadas que sorriem
luz,
na silenciosa papoula
do sol,
quando todos os sentidos
despertam
em ânsia de amar...
Deveria ter sido você
mas não foi.
Hoje é.
E agora, eu sou...
MARIA FEIJÓ
(Essa é em especial pra vc, e vc sabe de quem me refiro. Não se zangue, não dá pra escolher o que sentir...não tem jeito, e o que sinto é por vc... o máximo que pode fazer é ficar em silêncio... como sempre esteve)
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Perdido
E do carrossel orgiástico dos puteiros.
Sarau Donana África-Brasil de Consciência Negra
O poeta Marcio Rufino apresenta o evento
Ivone Landim
Ramide Beneret
Camila Senna
Anderson Leite Lima
O poeta Henrique Souza
O poeta Cau Bastos
Valnei Ainê
André Luz Gonçalves
Chico Reis
A produtora cultural Ane Alves
A bela educadora Joseane Ainê admira o evento
Roda de capoeira
Roda de samba
Fanzine do Pó de Poesia homenageando os poetas negros
O poeta Marcio Rufino pouco antes de começar o evento
O público de Belford Roxo prestigia o sarau
Idem
A poeta e professora aposentada Dona Luíza presta sua homenagem à Semana de Consciência Negra
Marcio Rufino e o cantor, compositor, músico, artista plástico e gestor do Centro Cultural Donana Dida Nascimento
Na noite de sábado do dia 24 de novembro de 2012 aconteceu no Centro Cultural Donana no bairro Piam em Belford Roxo o Sarau Donana Especial África-Brasil de Consciência Negra com o coletivo Pó de Poesia e convidados. O evento apresentado pelo blogueiro que vos escreve - o poeta, ator, escritor e educador Marcio Rufino - também contou com a batuta de outros poetas integrantes do coletivo cultural como Ivone Landim, Dida Nascimento, Ramide Beneret, Camila Senna e Anderson Leite Lima, o mais novo integrnate do grupo; que leram poemas de poetas negros que têm na questão racial sua principal temática como Solano Trindade, Conceição Evaristo, Cuti e Éle Semog. Esta plêiade de poetas, inclusive foi a grande homenageada do fanzine do Pó de Poesia deste mês.
Como convidados especiais contamos com as participações dos músicos Valnei Ainê, André Luz Gonçalves e Chico Reis. Para encerrar a noite com chave de ouro tivemos performances de capoeira e samba de roda com artistas da Associação Palmares. O cenário do sarau foi os quadros pintados por Dida Nascimento. A chuva que caiu nesta noite só serviu para abrilhantar e abençoar ainda mais o Sarau Donana que encerrou suas atividades de 2012 e agora só volta em fevereiro de 2013.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
,escuto-me
quero saber-me assim quieto, em sossego,
neste meu inóspito e distante desaconchego,
seja da canção cendrada,
seja-me da noite iluminada,
que seja deste meu sonho em desassossego.
(II)
da saudade.
surdo, mudo, e nada muda,
nem o desassossego,
nem os passos tidos por perdidos,
distâncias.
,escuto-me.
,morrem-me as saudades de tão gastas,
de tão repetidas,
esfarelam-se,
e quando regressam impiedosas,
agito-me, revolto-me, rendo-me,
,como se a lua só tivesse uma face,
,como se a lua só tivesse uma fase,
e só escuridão pernoitasse no meio.
(III)
,o meu mar jamais será umbroso,
reflete o azul do céu,
reflete-me,
e repito-me no desassossego que quero em sossegos,
“- deixa-me vogar pelas vontades das ventanias”.
[, o sal seca-me, engelha-me, arrasta-me].
Poema de Francisco Duarte
Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=237725#ixzz2FMF8gI5E
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives
domingo, 16 de dezembro de 2012
Imaginei uma guerra enquanto as armas descansam
Tenho a chuva de Novembro nos braços
E um frio sem ciúme do sol a namorar-me os ossos.
Revolvo com os dedos o bolso da farda
Para te encontrar entre a lama e os cigarros só mais uma vez
Inventar o momento, tocar-te o rosto, sentir-te o cheiro
E perguntar-me se ainda te lembras de mim.
Imaginei que vinhas, ainda esta noite antes do fim
Imaginei que vinhas antes das balas, enquanto as armas descansam.
Imaginei uma guerra entre as guerras reais a que sobrevivo.
Matei todas as bestas dentro de mim e nem lhes soube os nomes
Todas as palavras que não souberam dizer coragem
Todas as lágrimas trancadas nos olhos até ao fim da dor
Todas as horas inúteis queimadas no fumo dos cigarros
Matei todas as acções imperfeitas para me tornar perfeito
E enterrei tudo, sete palmos abaixo da minha memória.
Matei todas as bestas dentro de mim e pergunto-me se ainda te lembras
Se ainda me reconheces, depois da guerra.
[...]
Poema de Nuno Marques
Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=237637#ixzz2FDI6q51h
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives
Poesia depois da queda
Minha poesia
Saltou de cima da estratosfera
Sem rima, nem métrica
Sem roupa de astronauta
Muito menos paraqueda
E se espatifou
Na Av. Presidente Dutra
Perto dos travestis e das putas
Minha poesia
Pulou do espaço
Sem jump, nem isca
Se partiu em pedaços
Quase caindo
Por cima dos parasitas
Minha poesia
Vadia
Esquartejada
Rolou asfalto a fora
Sem rítimo
Nem metafora
Sem charme
Nem a menor graça
Parecia ter comido
A poeira da via láctea
Minha poesia
Dividida
Caiu sem gozo
Nem dor
Parecia ter sido cuspida
Por uma espaçonave
Ou um disco voador
Minha poesia
Esquisita
Baixou sobre o planeta
Mais imprecisa
Que uma certeza
Mais certeira
Que uma dúvida
Mais suave
que uma maldição
Mais densa
Que uma benção
Minha poesia
Lá de cima
Viu a gigantesca
Bola verde e azul
Sem deixa, sem arte
Dentre as várias partes
Parte dela foi rolando
Até a Joaquim da Costa Lima
A outra até a Av. Brasil
Minha poesia
Voraz
Veio despencando, despencando
Atravessou paraísos e umbrais
Sem se preocupar
Com seus rins
Nem com seu corpo
Atropelou anjos e querubins
Almas penadas
E espirítos de porco
Minha poesia
Suicida
Caiu e cai
Provando cada vez mais
Que nunca foi minha
É da disponibilidade
Da casualidade
Espiritual
É da vontade
Do movimento
Social.
Marcio Rufino
dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on">




























