Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Elemento Terra





Sou filha da Terra
Gaia que me pariu!
Sou forte, dou flores e colho frutos
Quando entra setembro renasço...
Feminina, virgem, esfinge...
Devoro a vida ardida
Regozijo a ferida e me torno outra
Igual à que já foi... Só que melhor!

Ane Alves

terça-feira, 11 de novembro de 2014




Teus dedos piano
Navegavam em meu rosto
Simbolavam em meus cachos,
Cordas de contrabaixo.
Teus lábios flauta
Me sopravam segredos
Sabor de Violoncelo.
Respirava teu orvalho sustenido
que me fazia gargalhar pela manhã.
Flutuava com vestido de idílio
para celebrar os bosques com Pã.
Chegavas de mansinho
E pousavas, passarinho, dentro dos meus olhos
como se o mundo tivesse mudado de lugar
e tua alma só tocasse esse órgão.
Voaste para junto do longe
Nas alturas de meu amparo.
Com a luz do sol embebida
e a pele dourada
Cravei minha boca na tua língua
"ouço o som de tua saliva"
(paula beatriz albuquerque)

sábado, 1 de novembro de 2014

Ácido-Drama



Do melodrama que escreveram para mim
Nenhum dos papéis concebidos me couberam.
Eu, artista inconstante, voluntarioso e disperso
Não quis ser o vilão que persegue gratuitamente;
Tampouco o herói que se auto afirma inutilmente;
Muito menos o mocinho choroso e impotente;
Nem o clown  sem graça, previsível e inconsequente.
Antes preferi ser algo único e inédito
Seguindo a improvisação
Do meu pensamento e do meu coração.
Isso me fez derrubar cenários;
Incendiar cidades imaginárias;
Destruir castelos de nuvens;
Ferir até pessoas amadas.
E mesmo pagando com o alto preço da solidão
Tive o gozo de ver num átimo
O meu drama de meloso ficar ácido.
E na trama rocambolesca deste folhetim efêmero
Criar na desconcertante literatura da vida
Um novo Gênero. 

Marcio Rufino

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Palavra Andarilha, Drummond e Pânico no útero brilham no Sarau Donana de outubro

                                                            Ivone Landim

                                                          Mayara Landim


                                                           Ivna Landim


                                                      Jorge Medeiros


                                                             Camila Senna


                                                                      Marcio Rufino


                                                               Doris Barros



                                                               Luiz Fernando Pinto

           
                                                            Marcelo de Almeida


                                                          Ingrid Landim


                                                          Paula Beatriz Albuquerque



                                                              Solange Maria Frazão

                                                                        People


                                                              Banda Pânico no Útero


 Ivone sendo prestigiada por sua linda prole seus filhos Ingrid, Mayara e Yuri e seus netos Ivna, Iago e Maria.



                                                            Naldo Calazans


                                                                   Alan Salgueiro


                                                            Vicentinho Freire


Felipe Mendonça




Depois de algumas décadas lecionando Literatura e militando em importantes movimentos lítero-culturais da Baixada Fluminense como Desmaio Públiko, Pó de Poesia e Fulanas de Tal - sendo os dois últimos criados por ela - finalmente a poeta, escritora, educadora e fanzineira Ivone Landim brinda seu público com seu primeiro livro de poesias Palavra Andarilha, editado pela Maple editora. O lançamento aconteceu neste último sábado do dia 25 de outubro no Sarau Donana, apresentado pelo coletivo Pó de Poesia todo último sábado do mês no Centro Cultural Donana em Belford Roxo. Emocionada e emocionante, Ivone foi merecidamente homenageada por seus companheiros dos coletivos Pó e Fulanas, além de familiares e parentes. Sua filha, a dançarina Mayara Landim recitou seu poema Hoje. Sua neta Ivna cantou duas canções à capela para prestigiar a avó. A noite também foi marcada por momentos de grande destaque artístico como a participação do ator meritiense Marcelo de Almeida que brindou a platéia do Donana com uma irrepreensível atuação ao interpretar o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. Com uma presença marcante Marcelo interpretou pensamentos, idéias e poemas do grande bardo itabirano. A performance era parte de seu espetáculo "Esta noite sonhei com Drummond" com o qual percorre palcos de todo o Brasil. Depois foi a vez do ator e poeta Luiz Fernando Pinto do Coletivo Peneira, que mensalmente apresenta o Sarau do Escritório na Lapa, declamar seus poemas para o público. O roqueiro People encerrou a noite cantando e tocando com a banda Pânico no útero, encerrando a noite com chave de ouro.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

MONTE ALEGRE



MONTE ALEGRE
Aos meus irmãos Cláudio Rangel, José Luiz, Fábio e nossos irmãos de infortúnio.

Na rua tinha uma espécie de sinalizador
A padaria ficava em frente a uma oficina mecânica
 E às vezes os tanques de guerra passavam por lá
Eu precisava saber a hora de atravessar a rua e pegar o ônibus à noite
Confesso que demorei um pouco para assimilar quando essa hora chegou
Durante uma tarefa de rotina nosso jeep capotou
O chefe da equipe dirigia o veículo e foi liberado
Nós fomos presos, o chão da cela era frio
As paredes pareciam nos espremer
Todos os relógios pararam
Só restou a vela acesa no canto
Que dava para o Monte Alegre
Não havia cobertor
Não havia cama ou colchão,
Alguns dias não são esquecidos

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

FAROL DE SÃO TOMÉ OU É PRECISO PARAR DE CHORAR



FAROL DE SÃO TOMÉ OU É PRECISO PARAR DE CHORAR
Dedicado aos amigos Fabiano Soares da Silva e Rosilene Ramos

Passam das dez horas
E o toque de silêncio
Avisa que é hora de apagar as luzes

Minha luta contra o regime opressor é eterna
Assim como minha busca em compreender Deus

Quase todas as camas estão vazias
E forradas com lençóis brancos
Vou deitar-me numa lá no canto
E ouvir o rádio baixinho para tentar dormir

Muitas músicas são proibidas
Aqui, quase tudo é proibido,
Por isso, ouço o rádio no volume mínimo,
Para que os guardas não possam ouvir
E vir com seus paus de barraca

A carceragem fica junto ao muro dos fundos
E sempre cabe mais um
Eu já estive naquelas celas, sei muito bem com o é

Eu tenho um livro de poesias
De uma poetisa amiga minha
Em um de seus versos ela diz
“Que é preciso parar de chorar”

Todas as noites aqui são escuras
E os dias não existem
Este lugar está cheio de fantasmas
Em noites de tempestade eles são visíveis
Eu sei, sempre os vejo.

Arnoldo Pimentel

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Favela..



Eu vi,
vi comigo ninguém pode
a espada de Ogum
a patroa na janela
os becos e vielas

alguns escuros
outros acesos de baseadas sentenças

Vi fios emaranhados
com bandeirinhas do Brasil
a beata e seus pés de Aleluia!
A criança russa
de mãos negras

recebi carinho
de mais um cachorro
dessas minhas ruas,
dei boa noite à todo mundo!


Camila Senna

 

Romã



Invadindo meus quartos,
me vi na lembrança esquecida
com dentes e purpurinas,
me vi no medonho céu
de raízes sem espaço

foram linhas cruzadas
nas remosas culpas
da vida

pensei: meu Deus!
se eu tivesse crido
naquilo, e naquilo!?

Mas sempre acreditei em sonhos,
durmo acordada
no romã barulho das caladas
da noite.

Camila Senna.

domingo, 7 de setembro de 2014

METRÓPOLIS

Tem um relógio que marca as horas,
Eu sigo em fila, em fila indiana,
Pelo túnel, que se estreita.
Tenho família
Tenho hora pra trabalhar,
Pra acordar e pra dormir.
Tenho hora pra ir ao shopping,
Tenho hora pra ir à igreja e adorar a Deus
E tenho hora pra morrer.


Arnoldo Pimentel





















































































sexta-feira, 5 de setembro de 2014

PAISAGEM DA LUA



      Eu morei no Brooklyn. Morei um bom tempo no Brooklyn. Tenho muitas fotos dessa época. Fotos das esquinas e com amigos que convivi. As fotos são todas em preto e branco. Gosto de fotos em preto e branco, acho que são mais reais, mesmo sabendo que talvez a realidade seja melhor na paisagem da lua. Tenho fotos de pessoas com sacolas atravessando a rua e fotos nos bares com amigos e nossas cervejas. Às vezes eu ficava perto da ponte, são muitas pontes, mas havia uma ponte diferente, era a ponte sobre as águas na parte do rio perto da curva onde enterram corações, onde enterram histórias e astronautas doidões. De um lado do rio ficava a estação de trem, parecia a estação onde se tocava gaita, de tão isolada que era. Do outro lado ficava a parada do ônibus que partia às cinco da manhã para Manhattan e só retornava as sete da noite. A parada do ônibus ficava na porta do bar onde eu e meus amigos bebíamos nossa cerveja ouvindo Joan Baez e declamando poesia. Numa noite dois parceiros cantaram uma música de autoria deles:  "Ela é minha Joa Baez, Eu sou Bob Dylan dela". É a última lembrança que tenho do bar na parada do ônibus, do tempo que eu não sei se volta mais.
       Eu morei no Brooklyn tantas vezes que nem lembro mais. Ainda passeio por lá algumas vezes, mas não tiro mais fotos, agora é tudo em cores e as fotos não são reais.
Arnoldo Pimentel

sábado, 16 de agosto de 2014

Pó de Poesia + Poesia de Esquina = Sarau Fora de Área




























Nos dias 15, 22 e 29 de julho e 5 de agosto Os coletivos poéticos Pó de Poesia e Poesia de esquina se uniram para promover uma série de encontros na Casa Rosa do Sesc Tijuca onde propunham oficinas de linguagens artísticas e culturais que tinham a poesia como principal vertente. Os encontros, que fizeram grande sucesso com seus participantes produzindo obras ligadas a poesia e às artes Plástica, culminaram com o grande sarau Fora de Área na noite de 9 de agosto que na platéia contou com muita gente; incluindo poetas que estão produzindo o que há de melhor na poesia contemporânea. No palco, a apresentação das poetas Viviane Salles (Poesia de Esquina) e Ivone Landim (Pó de Poesia) deram o tom da festa. A exibição do filme Donana de Cacau Amaral - centro cultural de Belford Roxo responsável pelo lançamento de bandas como Cidade Negra e Negril  e que atualmente abriga o Sarau Donana, apresentado pelo Pó de Poesaia - e a entrevista com o autor do best-seller Cidade de Deus Paulo Lins deram um charme especial à intervenção. No resto foi muita poesia com os poetas dos dois coletivos, poetas de outros coletivos e independentes presentes na platéia. Além das instalações feitas com obras artísticas dos participantes das oficinas, aconteceu um grande show com Dida Nascimento e sua banda que encerrou o encontro.