Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

deve estar sentindo frio

vasculhei o rio por três dias
queimei a igreja
devastei tudo

você cresceu e ficou mais organizado
as piores partes de mim
passando pelos jornais
(as que te amavam)

sem me curvar, tremer ou desesperar
sem me importar com seu tamanho
te calei para sempre dentro de mim

minha alma saiu do cubículo
indomável e destemida
pronta para falar direto com Deus pelo rádio
pronta para comprar uma bolsa de grife
(ou uma alma)


Poema de Vânia Lopez

Calma criançada tem bala pra todo mundo

Pete Townshend nem ficou vermelho:
queria morrer antes de ficar velho!
Mas quem é quem no The Who?
Ácido lisérgico
é doce psicodélico!
Festa na piscina com Keith Moon!
Mas foi Moon ou Brian Jones
quem fez festa na piscina dos Stones?

Jimi Janis Jim – a trinca de valetes –
tri-overdoses aos vinte e sete!

Noel Rosa morreu aos 27 anos!
Brian Jones morreu aos 27 anos!
Bom Scott morreu aos 27 anos!
Kurt Cobain morreu aos 27 anos!
Quem vive 27 horas por dia
merece no mínimo 27 vidas!

Elvis Presley, John Lennon, Syd Vicious,
Michael Hutchence, Ian Curtis não morreram aos 27 anos.
Agora o grito tupiniquim:
Raul Seixas, Cazuza, Renato Russo,
Cássia Eller, Chico Science não morreram aos 27 anos.
Mas todos foram vítimas do Rock ‘n Roll!

John Bonham
virado na porra!
Cerca de 100 espécies de piolho
no rastafári de cheiro verde do vale
de Bob Marley.

Enforcamento com gás na cadeira-elétrica
para Marylin Manson!
Injeção letal e um copo de veneno
para Trent Reznor!

Marylin Monroe foi atriz – já era!
James Dean foi ator – já era!
Todo ator é à toa!
As melhores atrizes são as putas!

Uma Temporada no Inferno com
Jean Arthur Rimbaud e você
vai ver o que é bom pra tosse:
purgante ou laxante, seu xarope?!

Quem Castro(u) Alves?
Quem castrou Álvares de Azevedo?
Jovem azedo!

Fred Mercury – uma foda e meia –
AIDS no cu ao invés de na veia!

O Herói do Nosso Tempo, Mikhail Liérmontov,
partiu dessa para melhor, bateu as botas,
bateu a caçoleta, abotoou o paletó de madeira,
moleu-moleu-antes-ele-do-que-eu, foice e foi-se: foda-se!,
carregando aquela idade maldita no peito e
carregando a mesma idade maldita nas costas,
farto com o fardo da farda que usou e ousou
e só foi endeusado pela juventude
por ter sido mais um bendito poeta maldito!

Quem ou o quê
pensa que é você
pra me dizer
o que não dizer?

A poetisa NÃO! A poeta Sylvia Plath
enfiou a cabeça no forno e PLAFT!
ligou o gás,
sOl pra ver se encontrava a paz...
Tudo por mó de Tédio & Rugas
por cremes/crimes/ciúmes do ex-marido Ted Hughes
que, ao trocá-la por outra,
carregou a pesada cruz de Poeta Culpado
por toda a sua parcela de Eternidade!...
É triste pra cacete, é claro...
Mais triste pra Boceta do Caralho Plath:
apenas 30 anos cravados na pedra da lápide!...
Tédio & Rugas de preocupação:
poetisa parece palavrão!

Torquato Neto, Nara Leão, Elis Regina,
Paulo Leminski, Ana Cristina
César, Gonzaguinha...
No início, o Verbo, no final, só farinha!

Basquiat também empacotou aos 27 anos!
Não foi músico e sua praia não era
o terreno arenoso e o quebrar das ondas
nas rochas do bom e velho rock ‘n roll,
o JuRáSsIcO & m á g i c o ROCK, errou!
De grafiteiro a artista-plástico
foi um pulo maior do que a perna
e por isso se esborrachou.
Negro de corpo e alma apreciava
o Jazz, o Blues, o Reggae, o Soul...
Talvez, se fosse vivo, pintaria
sob influência do Hip Hop e do Rap...
Mas quem sou eu? Onde estou?

Mano Brown, com sua verve, veia artística,
27 anos contrariando a estatística!

Por causa do tênis – PAU!
Por causa do sk8 – PAU!
Por causa da camiseta – PAU!
Por causa da bombeta – PAU!
Por causa de drogas ou garotas
- PAU! PAU! PAU!

Adonde se esconde a Posteridade Anônima?

Dívidas são antigas promessas não cumpridas.
Tããããooo compriiiidas.........................................................................
Promessa de Vida: prometo não comparecer
ao meu enterro, no dia 29 de abril
de 2005! Pau no cu de quem tem tempo!
O Tempo não cai do céu.
O Tempo não se come. O Templo é de papel!


Poema de Andri Carvão.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Eco

A pele salgada daquele surfista
parece doce de leite condensado.
Como seu olhar, o mar é narcisista
e, na vista de um, o outro é espelhado.

E embora, quando ele dança sobre as cristas,
goste de atrair olhares extraviados
de banhistas distraídos ou artistas,
é claro que o mar é seu único amado.

Ei-lo molhado em pé na areia: folgado,
ao pôr-do-sol tem um lado a prancha em riste
e do outro usa uma gata e um brinco e assiste

serenamente o horizonte inflamado
e a brisa o alisa e ele enfim não resiste
à beleza e diz "sinistro" e ouve eco ao lado.

Soneto de Antônio Cícero retirado de seu livro "Guardar".

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Medalha Personalidade 2010... Na Categoria Revelação Poética Literária.


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhNn5P1YWP-CPp-qyboMkVcJXU3ak9dwuRB4rAW08yuNWTaO9gtY0hDTj8bW-6nsjRdwqo97stBVmRVPTtoH9GvMuMX-AMI_k6YjFZB5tm7KGcJXHSWSgf1apdEQcbBKegU7XX8mXBiv3Wy/s400/PERSONALIDADE_publ_web2.jpg


“MEDALHA PERSONALIDADES 2010”

Idealizada pela ARTPOP - Academia de Artes de Cabo Frio, a outorga é uma grande homenagem a todos aqueles que brilharam durante o ano de 2010 no cenário cultural e tem como objetivo central, reconhecer e trazer a público as melhores iniciativas culturais tendo como critério: talento, criatividade, empreendedorismo, respeito, companheirismo e apoio cultural.

É a forma que a ARTPOP encontrou, no uso de suas atribuições que trata o artigo 2º de seus estatutos na concessão de láureas, de reconhecer, distinguir e premiar a quem se destaca em nossa sociedade com excelência na gestão de suas carreiras, contribuindo assim efetivamente para o desenvolvimento cultural e conseqüentemente sócio-econômico de nosso país. Após a indicação de 486 nomes à nível nacional, a escolha dos agraciados se deu perante um rigoroso processo de análise por parte do Colegiado Acadêmico e será conferido por mérito próprio de desempenho à 150 homenageados.

A cerimônia foi realizada em evento fechado para os homenageados e seus convidados, totalizando 350 pessoas, na Cidade de Cabo Frio no dia 12 de fevereiro, às 19h, em um dos restaurantes mais charmosos da cidade, o Restaurante Zeppelin. Durante a noite houve um delicioso jantar e os convidados e homenageados puderam apreciar uma excelente música ao vivo com a Banda Black Night. A noite contou com a cobertura da mídia, a presença de Autoridades e convidados ilustres do meio cultural.

 Fonte -  http://academiadeartescabofrio.blogspot.com/

 ...

Carlos Alberto Sousa

Presidente

 ...

Izabelle Valladares

Secretária Geral

 ...

Dyandreia Valverde Portugal

Diretora de Eventos

...



  Recebendo os cumprimentos do Presidente da ARTPOP Carlos Alberto Sousa.

Minha Categoria foi a de "REVELAÇÃO POÉTICA LITERÁRIA", modalidade que reúne os novos escritores da arte inspiradora da palavra ao pensar, criar e dar forma realista as quimeras e utopias ou se alinhando a um pensamento livre, extemporâneo ou surreal que nos sensibiliza ao ler e ouvir.

 


 



"A Cultura que grita para ser Cultura, venha sempre ser ouvida e aplaudida de pé".




TUDO ...

"...A poesia em minha vida é tudo, foi a maneira que encontrei de enlouquecer sadia, falo de mim de forma ruim, boa, gostosa...
Se eu não puder morrer, ressuscitar, rodopiar, gozar, para mim não é poesia, é prisão.
As prosas e poesias mais bonitas que tenho, foram feitas nos meus piores dias..."




 Feliz!!!



Trocando um papo com Da Ghama... Que foi também um dos Homenageados na Categoria Destaque Musical. Somos vizinhos eternamente de Belford Roxo. "E viva a Cultura". O mesmo é músico e fundador do Grupo Cidade Negra, cujo o berço foi a casa de Cultura Donana do Músico e Poeta DiDa Nascimento.




Sorriso, sorriso, sorriso... Muito feliz!







Eu AmO esse casal...








Meu amor, meu esposo... (Moisés Barbosa), Eu e minha medalha.



Restaurante Zeppelin - Cabo frio

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhATADJBiZ1MVNcaUlFiilz7su7V3ifBfnvLJlzt1XgGYUWCBookOWc3SB6SMZBA-ND5NKydW37jxiyta_0eANPMALxrHpr612OLs5CnKsVWM3-g0Mtd42Ig1mYk0_wM7_aKru9pHike9c/s1600/OgAAAIf97K9RH9Dje2A2NGDekHJcwJt0JxxrXIHynpT2rchr1mmDZbdSCDRe7sQIRde0bpurc0TQ28VQ32W0HhwEQ2MAm1T1UFVqQKDhqHd3M_xyHz5HP22qyGTb.jpg
 



https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjOq0M16rCCb5bY5KMKDEnSL954IO3wnGgoXYGI0fck72rLlx-YpiuBsnCHBttRkZLt592q-cnW94JPYGfazg7VPuWVusKaRevHofnieTKPolQo-4nUQxChP2LcMfl94640LHEAXhogxEk/s1600/DSC01462.JPG


Banda black Night




https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj58oRfrIXZSWwty3EaKq7yDQXT27dxnT4HG8iNzVtvWOB746d_DHsH2AmdUCtyBptbqVBh2ld5cvj0rA4ftTqTm-cMVN-hQ3FIPLbl4d9FqNqi3ulo7UVJaI_07mnfLpza-IW4QNJmHkM/s1600/DSC01208+-+C%25C3%25B3pia.JPG

O trânsito não me deixou estar presente... rs (Mas valeu mesmo assim, que Deus ilumine nossos caminhos).






Um salve a Cultura!!!  seja em qualquer parte da cidade, do Brasil e do Mundo.

Rosa...

senna


A rosa que destila bálsamo,
Não a tiro do meu quintal.
Ela responde minha alma...
Acaricia-me e trás calma,
Enterrando no canteiro,
Todo meu desfalecimento.



(((Camila Senna )))

.

Nós

Nós



Você é... D(eu)s!


10/02/2011.

Poema de autoria de Milton Filho

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Os grous de Íbicus

Um Poema Mitológico sobre a descoberta dos assassinos de Íbicus.
As Eumênides cantavam, mas os grous (aves que presenciam a cena) da morte de Íbicus, um músico, descobriram os seus assassinos com essa frase:

"Os Grous de Íbicus"

Na trilha do escuro bosque surgiram
Ladrões. Com a música, Íbicus segue,
Num ato perece. As aves que viram
A morte, a pedido, tramam seu blefe.

Os grous a flanar na festa seguiram
Os rudes, de ferros soltos à plebe
Entregues. Dois gritos rompem e guiam
A turba. _Dois réus, dois maus se percebe!

_Confessos, punidos pelos grous! Voam
No enorme e celeste véu a festejar
A justa função de amor dos que doam.

Os versos e cantos de Íbicus entoam
Nas vozes corais brilhantes. Rumam
Ao Sul, grous da excelsa glória a acenar.

Soneto de autoria de Yayá

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Verbo

Na estiva das palavras,
Altercas, xingas, suas,
Imprecas contra o mundo,
Te tentas traduzir.

Na estiva das palavras,
Labor sempre penoso,
Tu queres existir,
Monumentalizar-te.

Na estiva das palavras,
Tu queres transgredir,
Sacar das mãos anéis,
Os signos mutantes.

Na estiva das palavras,
Tu sangras e respiras
Retórica e sofismas
De luta interminável.

Na estiva das palavras,
Gritaste: “- Crucifica-o!”
Também martirizado
Na ambígua cruz da história.

Na estiva das palavras,
Sem dúvida verteste
Sentenças incontáveis,
Doutrinas e linguagem,

Loquazes paladinos,
Astutos e prolixos,
Que sabem como o gárgula
Usar bem a garganta,

Lançar verboso líquido
A tantos corações
Logrados no artifício
Das fábulas e máximas.

Na estiva das palavras,
Disputas e recreios,
Embate de discursos,
Nas sendas do ideário,

Travaste arrebatado,
Filósofo ou poeta,
Retórico ou sofista,
Em dúvida inquietante

Pensando respondê-la
Com séria metafísica,
Com fé e ideologia
Em busca de ti mesmo,

Do mundo que circunda
Teu frágil coração
Com vasto palavrório
De púlpito e sermões;

De tudo que te aflige,
A própria realidade
Que buscas na linguagem -
Perfeita relação,

Total homologia
Da imagem co’o real,
Da coisa co’a palavra,
Idéias e juízos

Que fazem de ti mesmo
Homílias e quimeras,
Mentida ficção
De que és um novo Adão.

E agora: que fazer?
Ser dono das certezas
É coisa de descrer!
Tu jogas co’infinito...

Na estiva das palavras,
Aspiras ao eterno,
Restando só de nítido
Um ritmo e sentido

Cativos de si mesmos,
Embora sempre queiram,
Suando gente alheia,
Enfim tornar-se livres,

De si até ser livres,
Do que não nos cativa,
Do que mantém cativo,
Do que não grita vivo

No dorso do argumento,
No braço da palavra,
Na luta do operário,
Na estiva do poeta.

Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Estevão

Diga-me que as pedras que levaste
Hoje mesmo pesa em outras costas;
Culpas teus algozes a um desgaste
Pífio e vadio, e assim te mostras.

Tantas as pedradas de arremate,
Raiva descabida, lambe-botas
Ágeis que impuseram xeque-mate.
Saibas desse amor de quem tu gostas!

Ombros dos umbrais aos quais quedaste,
Coro de mortais inomináveis,
Nesses, os que esquecem a “Livre Haste”.

Grande sofrimento o qual passaste,
Dessas aflições abomináveis;
Átrio insistente de um contraste.

Soneto de autoria de Yayá.

VIDA ENCANTADA



                                                       VIDA ENCANTADA

Agora escrevo meu sangue
Tudo que passou
Atravessou o peito
E o mutilou

Fiz a barba às pressas
Com meu corpo ainda despido
E marcado pelo tempo
Que ainda não chegou

O espelho esmagou
Minha solidão
Com a peste do cacete
Que deixei sobre a mesa do café

Os arrepios são sinais
Das imagens
Que vivem bailando
Nas ruas onde ando

A praça é meu destino
Quando preciso me exilar
Minha caverna para hibernar
Na embriaguez que me naufragou
Que minha alto-estima aniquilou

O inimigo está lá fora
Entre as sombras que
Assombram meus dias

Pronto para me abocanhar
Louco para me torturar
Quando eu sair pela porta
Para justificar a merda de vida
Embriagada que vivo a levar

Poema Desconcertado




Quisera Deus que eu escrevesse estas palavras para me expressar
Mas, na verdade, escrevo para me desabafar.
Como um fantasma obsessor
Tu ressurges do nada para me confundir
como uma dor que se finge de orgasmo só para me iludir.
Eu pisava em nuvens com o asfalto protegendo a minha cabeça
Quando aparecestes conduzindo meus olhos.
Tu eras tão exuberante quanto uma aquarela
e eu me via tão comum quanto uma telenovela
quando eu gostei do teu jeito de andar
do teu jeito de não me notar.
Eu era um peixe falastrão passeando por praias mudas.
Na ânsia de ter o que se quer
todo homem é meio Jesus e meio Judas.
Desse vinho queria eu beber até a última dose
e era em ti que eu refletia toda a minha neurose.
Questionando os vaidosos que arrogantemente somos
não sei se ainda guardas as marcas de meus dentes em teus ombros.
Nesse romance mal interpretado de personagens mal explorados
Tu permitias que eu me perdesse entre frases feitas,
pessoas mal resolvidas,
pensamentos bobos,
coisas mal ditas.
E eu só queria,
pelo menos uma vez na vida,
que os nossos corpos
fizessem parte dos vários pares de corpos que rolam na noite
Mesmo com toda dor que isso pudesse causar,
Mesmo com toda camisinha que disso pudesse cuidar.
Caindo na boca de toda essa gente.
Ao mesmo tempo igual
ao mesmo tempo tão diferente.
Pois teu jeito entrou na minha cabeça
como um espermatozóide enlouquecido
penetrando o óvulo umedecido
que fecundado gerou um abismo
onde eu insisto em afundar.
Caindo na boca de todo esse pessoal.
Ao mesmo tempo tão diferente
e ao mesmo tempo tão igual.
Na simples aventura de amar,
sinto que meu sentimento vale ouro.
Acredito que fomos feitos para nos encontrar,
mas não feitos um para o outro.
Um sentimento que pareça bastante verdadeiro
não quer dizer que seja totalmente sincero.
Um pensamento que se apresente muito mentiroso
não quer dizer que seja absolutamente hipócrita.
Hoje,
por não ter resistido ao fascínio,
grito a minha histeria,
me condenando ao ócio eterno
e entregando minha carne a pernilongos.
Na verdade, não te culpo por não ter me achado.
Sua grande crueldade foi não ter me amado.

Marcio Rufino
Todos os direitos reservados



Ando a dois passos a sua frente...
e não há mais com quem andar.
Ando sem saber o que é amor próprio...
há perigo a quem vier...
estou sempre a margem do rio,
a margem da boca,
a margem do amor e do calor,
a margem de tuas entranhas,
a margem da vida...
sou inteiramente um marginal sem escrúpulos,
amo sem pensar,
satisfaço com prazer...
e onde estou?
Deitado entre teus seios
no meio da noite...
mas quem é você?
a angústia de um tempo impossível,
as lágrimas que nunca chorei,
lembranças de uma história curta.
Ando a dois passos a sua frente
mas teu cheiro me acompanha,
teu olhar desorienta
e me afogo na confusão dos sentidos...
na longa noite a tua espera, perdição,
em sua noite de sono, outro dia amanheceu...

Fabiano Soares da Silva
Todos os direitos reservados

As notas do meu universo




A noite tem um sol,
para colorir estrelas,
e elevar seus tons.
E no céu
a Lua ecoa seu canto,
solitário de dar .
E da terra um grito e mi,
da natureza ,
condenada por um ser nela vivente.
Que pensando só em ,
não ouve a música da noite,
não pensa na dor da Lua,
e toca trombetas em ,
para destruir a natureza.
Mas a harmonia do universo,
composta pelo criador,
afinar-se-á por novos dias.
E trará para a triste terra,
músicos de sintonia,
que farão uma guerra,
por uma nova sinfonia.

Giano Azevedo
Todos os direitos resrvados

Cálice




sossega. a paz é assim mesmo. inversa.
a lua que encontra todo dia seu outro lado.
o oposto de si e o igual. o gêmeo.
o espelho retorcido.
o bruxo. o adivinho. o enigma.
a face obscura da lucidez. véus. diadorim.
a iluminura do eterno. a visão do cego.
a luz. a luz. a luz.
a poesia exata que exala o lodo.
asas. anjos. o rosto do corpo.
o último galo da terra.

sossega. a paz é assim mesmo. diversa.
a mãe dizendo que a filha morreu. e não há mais saída.
o livro dos prazeres sem Clarice.
a roda da vida ao contrário
versos desinventados.
a Mascarada que sorri. tão feia. tão linda. desarvorada.
unhas pintadas como leopardos. Ela - a foice que ceifa.

sossega. a paz é assim mesmo. perversa.
pra bom entendedor nenhuma palavra.
basta.
nesse momento nenhum pássaro é possível.
nenhum cheiro de fruta ácida. nenhum tudo.
nenhum invento de manhãs sem sono.
nem tardes mansas. nem noites mornas.
uma flor nascendo. somente.
um perdão sem medo.
um inverno caloroso.
qualquer humanidade.
qualquer deus.

dorme. a paz é assim mesmo. sossega.

Tanussi Cardoso
Todos os direitos reservados

Um tango no escuro




o último a sair, faça o favor,
desligue o interruptor
quero mergulhar num baú de noites escuras
quero enxergar a cor do som
quero sentir a vida em braile
é no escuro que os brinquedos dançam
pondo medo nas crianças
me deixe dançar com meus medos,
com meus brinquedos,
minhas crianças...
me deixe assustar os monstros
debaixo da minha cama.
e quando o escuro for assustador
quando tudo latejar dor
e quando nada parecer bom
eu danço um tango com a solidão

Beatriz Provasi
Todos os direitos reservados

Jogatina




Algo me diz
que tudo é permitido.
O que antes era proibido
agora passeia nas ruas
olhando vitrines,
ninguém esconde.
A vaca agoniza
mas o seu algoz
chupa-lhe a teta,
sem essa de mutreta
nesse jogo da sorte
quem governa é a morte,
festejando o seu poder
num banquete de cartas
- Quem está no jogo?
Façam suas apostas
a roleta precisa cumprir
o seu papel de girar.

Brasil Barreto
Todos os direitos reservados

Jura Silente




Tua mão cálida
cruzando a minha mão...
Forte imagem afagando o pensamento!
Tempo e espaço
espargindo luz e fé.
Braços-promessa
traçando a cruz de Santo André
num Xis perfeito
ou num explícito juramento.
Mãos incógnitas
juntinhas,
quase sem jeito,
porém assaz harmônicas
com melodioso arpejo
guarnecendo
a dimensão indefinível
dos nossos desejos...
Mãos de paz e claridade
quais seresta e luz sertaneja.
Mãos-verdade!...
Assim seja!

Rubenio Marcelo
Todos os direitos reservados

Poema Seco




Saio intacto do poema
Não restou nenhum verso em meus sentidos
Nenhuma rima ardendo no meu peito.
Fujo da noite em meu barco sem rota,
nu, vazio.
Nenhum vento me leva,
lua magra.
Ínfimo, inconcreto, busco um nome.
Sou um ponto perdido, sempre além.
Não, não quero poesia que me abrigue.
Quero só a poesia que me nega,
lira cega.
Quero a semente impura da canção
brotando bela e dura em uma pedra.

Pedro Ernesto de Araujo
Todos os direitos reservados

ÁGUA NA BOCA

                                                          ÁGUA NA BOCA

Ficarei com água doce na boca
Quando sentir o olor na entrada da caverna
Enfeitada de flores
E frutos do seu mar que irão me alimentar

Em suas paredes saciarei minha sede
Com seu suco sabor de luar
Em meu eclipse vou derreter
Para mergulhar através de você

Minha loucura
É explorar cada essência sua
Flagrâncias de sândalo à alfazema
Numa noite mágica sem cinema

No meu mergulho
Sentirei a caverna estremecer
Em cada pedaço de luar
De tanto que vou amar

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Estética Central e Pó de Poesia



Olá amigos!

Convoco vocês a comparecerem na sessão especial Festival Estética Central, que será realizada domingo, 13/02, às 19 horas, no Centro Cultural Donana.


Em sua segunda edição, o Festival Estética Central
percorreu o Rio de Janeiro com seu núcleo móvel, produzindo filmes a
cada parada. Numa dessas paradas, a Kombi do Festival estacionou no
Donana, permanecendo durante um dia inteiro do mês de dezembro.


Agora, com filmes prontos e muita história pra contar, o Estética Central retorna para projeção das obras.


Haverá a participação especial do grupo Pó de Poesia, composto por poetas da Baixada Fluminense.


Pra completar, discotecagem do músico Vagner Vieira e pipoca com guaraná!

Serviço:

Entrada franca

19 horas

Centro Cultural Donana

Endereço: Rua Aguapeí, nº197, Piam - Belford Roxo