Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



sábado, 14 de maio de 2011

vou te tratar como um poema

me empreste sua lembrança
que vou sair pelo salão
no vestido mais brilhante
feito das luzes dos postes

passear pelos olhares
manter o gelo no ponto
chamar a música com os pés
(como se fosse uma roda gigante)

me empreste sua lembrança
que minha alma brilha no seu brinco
apaixonada e descuidada
me tire de dentro do vestido
como pensamento repentino
antes que me esvaia no toalete...

vem, que você... é mais bonito
que minha memória.

Poema de Vânia Lopez

Translúcido poema

Que mal há,
em mirar-te,
assim de soslaio,
translúcido poema?

Eu que , por desdém,
nem te quis comprar...

Possibilito então,
um adendo, o mote sutil ,
e depois...

Não seja ateu
o meu olhar!

Poema de Nina Araújo

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Fluxo Bélico

Rimbaudelaire
Toltóiévski
Viva a França
Mamãe Rússia

Ernest Hemingway
John dos Passos
e. e. cummings
motoristas de ambulância
em frentes de batalha

A orelha de Van Gogh
O nariz de Gogol
O braço de Blaise Cendrars
Feijoada completa

Fogo morto
Água viva
José Lins
Clarice Lis—

Nabokov escrevendo no carro
A biografia das borboletas
Nabokov perdendo partidas
De xadrez para ninfetas

Castelo de Axel
Castelo de Otranto
Castelo de Merlin
Castelo de Âmbar
Castelo dos Destinos Cruzados
Castelo Mal-Assombrado
Castelo de Rilke
Castelo de Kafka
Castelo de Areia
Castelo de Cartas

SafoVII a.C. gerou Casanova1725
que gerou Sade1740 que gerou Byron1788 que gerou
Baudelaire1821 que gerou Rimbaud1854 que gerou
Wilde1854 que gerou Gide1869 que gerou Lawrence1885
que gerou Miller1891 que gerou Céline1894 que
gerou Bataille1897 que gerou Nabokov1899 que gerou Bukows-
Ki1920 gerou Pedro Juan Gutierrez1950 xxxxx
Uma elite miserável
que gerou o Anônimo do século XXI
que escarrou cobras e lagartos
espumou chuvas e trovoadas
e chutou o pau da barraca

Poema de Andri Carvão

Capítulo

“Capítulo”








carta
causa
e
vaga
por
ávidos factos e/m consequência

(incauta)

evidência
(pausa...)

sendo
a
água.

a
venda
e o ar...

do ensejo retrato por um fixo testemunho de corpos sob o enleio-preço e.ao final

do
inicio
de ti
que
não te houve

a restar
e
aqui.

o que te deixo por tudo do sopro de mim.








...













Acto ø - “Subida”








a
imagem
mensagem
adversidade
a
vontade
(vontade)
vontade

a
escala perfeira
tala re-feita
o braço por armar
o fácil
a destruir
o
raso
rastro
e
ir

acima do céu por e.evidência...

por uma colheita vista
mais que pretendida,
dita.
à margem dos lagos e todos os mares
teus
ou
das
tuas tranças
em alivio de mente
imagens
soltas
(tantas)

e fixo.

o meu raio-rumo pertencido.
em alvorada declarada
e tempestade de lâmina
farta
a
predispor
a
levantar-se ao ar,
e dos sonhos
e dos sonhos
ou
do
que haver a presença
de ti
a presença

eu
entrego
(apenas.)

o
meu passo de ida e frente em presente do sempre e.do sempre ao calor e.interno de ti a te pertencer(pretensão...)

por
um detalhe ao imerso
ao anexo
do
verso
a saber

(a saber)

ter
a saber
e tudo
e
de ti

qual inteira de curvas inclinadas ou até mesmo ao custo versado que eu dispuser em discurso desuso ora.pra te procurar

deixe,


a letra pra depois...














Poema de Azke

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Prazer...




Nascida no Estácio de Sá
Ariana de março
Poeta sem berço
Casada por livre e espontânea vontade.
Mãe, por ser abençoada.
Mulher por natureza e puro ímpeto.
Sou ponto.
Sou vírgula,
Sou reticências...
Sou revoltada interrogação?
Sou loucura serena, intensa e quente exclamação!
Sou todo esse palavreado andarilhando o mundo...
Sou luz e vago no breu
Meu sorriso largo mascara a ausência, a carência...
Sou todo esse barulho dos meus versos desnudos...
Sou urgência!
Prazer...

((( Camila Senna )))



terça-feira, 10 de maio de 2011

Esquilos

Senti tua rubra passada ali,
All Start contemplando os esquilos.
que a tarde galgou inocente.

A sombra expandida dos teus cabelos,
atiçou a minha lente.

Senti a penumbra das copas,
lembrei dos dedos talhando emoções..
O canivete suiço, e dois corações,
que sequer se ligam mais.

e então..

Senti a minha paz
e o meu olho virou árvore
que devora vulto.

Poema de Nina Araújo

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Carlos Drummond de Andrade

http://24.media.tumblr.com/tumblr_lklnbzzZJ91qi4y9ko1_500.jpg

 
 
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.


Carlos Drummond de Andrade
((((((( (ps: olha o cheiro que o Drummond está me dando… rs ) ))))))))





Garoto de Aluguel...





Baby !
Dê-me seu dinheiro que eu quero viver
Dê-me seu relógio que eu quero saber
Quanto tempo falta para lhe esquecer
Quanto vale um homem para amar você
Minha profissão é suja e vulgar
Quero pagamento para me deitar
Junto com você estrangular meu riso
Dê-me seu amor que dele não preciso

Baby !
Nossa relação acaba-se assim
Como um caramelo que chegasse ao fim
Na boca vermelha de uma dama louca
Pague meu dinheiro e vista sua roupa
Deixe a porta aberta quando for saindo
Você vai chorando e eu fico sorrindo
Conte pras amigas que tudo foi mal
Nada me preocupa de um marginal



...

Che Guevara

"Os poderosos podem destruir uma ou duas rosas, mas jamais deterão a primavera".

As rosas não falam…




As rosas não falam…
Composição : Cartola

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão,
Enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim
Queixo-me às rosas,
Mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim.


Um Salvee!…



Descanso

Os cachorros ladram em algazarra,
Os petizes brincam nesse quintal
De gramíneas sedes e estão à calçada
Da esperança. A tarde segue frugal.

Um pomar laranja pleno de graça
Ornamenta a vista fenomenal,
Onde a física é a ótica disfarçada
Em beleza, amor experimental.

Na cadeira feita de vime e trança,
O balanço calmo de uma senhora
Que descansa e sonha como uma criança.

No sossego à tarde ela se demora
Sem nenhuma pressa, esmero ou cobrança
Num domingo longo de uma bonança.


Soneto de Yayá

Ave Maria nossa de cada dia

mães revelam faces
como um farol de esperança

lavam almas na beira do rio
a graça de Deus sobre os ombros

ventres fartos
no momento de se entregar

sagrado, parado
emocional e espiritualmente

entre elas e Deus
filhos assoviando

e não importa se tiver
mais mil momentos como esse
(ou só esse)

é perto daquele momento
em que me tornas real

Poema de Vânia Lopez

Fragmentos dispersos

1.
Depois que se desaprende a engatinhar
quebram suas pernas.

2.
Que raio de sol + fraco!

3.
O artista tem de ser irresponsável.
Para criar é preciso ser malcriado.

4.
Um grito no escuro é luz nas trevas.

5.
escrever escrever
para não passar
em branco

6.
Eu faço de tudo
pra não ter
que fazer nada.

7.
Escrevo bem quando estou faminto
Melhor ainda se deprimido
Escrevo bem melhor quando não existo

8.
Leitura em excesso torna os homens
incompreensíveis.

9.
Uma força bruta te impulsiona para frente
Uma força fraca resiste
Respeite a força fraca
Ela inspira mais confiança

10.
Primeiramente
Os meios
Para qualquer finalidade.

Poema de Andri Carvão

domingo, 8 de maio de 2011

FILHO CAÍDO



Filho que um dia embalou
Amamentou
Filho que sempre amou

Aquele ali caído um dia foi seu filho
Filho que sempre desejou vê-la morrer
Filho que um dia deixou de ser
Quando escolheu a violência como religião
Como ganha pão

Filho caído com 8 buracos no peito
Para ele
Ela era apenas a puta que o pariu
O filho que partiu

Agora ela sentiu alívio
E agradeceu a Deus
Pelo o que aconteceu
Com o filho que seu sacrifício nunca reconheceu

Que se estremeceu
Até morrer na calçada
Até não ser mais nada
Filho que só trouxe dor
E a violência levou


sábado, 7 de maio de 2011

Ai Se Sêsse

Cordel Do Fogo Encantado

Composição : Zé Da Luz


Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse.



Ps: Pura Poesia... coisa linda.


Pele...




Se é coisa de pele,
Então não espere.
Me tome feito prece...
Me rasgue,
Me inunda.
Quero sentir essa fogueira
Ardendo feito um tormento...
Que enlouquece,
Que faz bem para pele.
Bebo toda sua saliva,
Chupo sua língua,
Te faço de escravo...
No final... Te corôo como rei realizado.


((( Camila Senna )))
 
 
 

Pablo Neruda


 Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas pernas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um so mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.

...

 

Fotografia...


Imagem: Camila Senna

Sorriso entre o pai e a filha
Abraços entre amigos e irmãos
Paisagens de união no verão
Do mundo e seus encontros profundos...
Do beijo molhado, do abraço suado
Do olhar de uma mãe para um filho...
Do vento no rosto.
Da formatura esperada e venerada
Da corrida...
Da chegada de uma vida para esta vida...
Das esquinas
Da neblina
E até da partida, que pensa que terá outro encontro...
na verdade era só despedida.

Os momentos correm como o vento
E o tempo escorre por entre o vão da porta...
Mas tem uma máquina, a máquina do tempo que para qualquer
doce
amargo
lento
forte momento...
Fotografa, retratando o retrato da vida de todos...
Deixando transparecer até sentimentos...
Assim é a fotografia, como a poesia...
Eterna, eterna...


((( Camila Senna )))


Até o fim de mim...



Acendo um cigarro
Pego a caneta
E escrevo
Meu laço.

Laço vão
Sem chão.
Laço puído,
Sem trilho.

Será que você acha...
Que não posso ter pão?
- Te digo que posso,
Não vou morrer sem chão.

Sua loucura de esquerda
Não quebra minha destreza.
Seu orgulho suave
Não estilhaça minha impetuosidade.

Pois já lhe disse: “vou até o fim de mim”.
 
(((Camila Senna )))


Ode sem rima

preciso de livros não escritos
numa linguagem totalmente nova
sem saber qual a próxima linha...

simples letras acendendo o caminho
ardendo de ilusão
menos direta, mas com o mesmo efeito
num peito verso
a palavra é como música

prefiro morrer de emoção
me assustar por todas as suas profundezas
voltar a ti meu único eu
que o papel seja o palco
da palavra nua

até a palavra ser um oceano
o salmo se unir ao papel
(vasto e aparentemente sem fim)

em dias de silencio

Poema de Vânia Lopez