Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
domingo, 14 de outubro de 2012
sophia
*dedicado a sophia mello breyner
nota de autor:
sofhia mello breyner aquando do seu discurso de 11 de julho de 1964. na sociedade portuguesa de escritores. na entrega do grande prémio de poesia à sua obra livro sexto:
“A coisa mais antiga de que me lembro é dum quarto em frente do mar dentro do qual estava, poisada em cima duma mesa, uma maçã enorme e vermelha. Do brilho do mar e do vermelho da maçã erguia-se uma felicidade irrecusável, nua e inteira. Não era nada de fantástico, não era nada de imaginário: era a própria presença do real que eu descobria. Mais tarde a obra de outros artistas veio confirmar a objectividade do meu próprio olhar. Em Homero reconheci essa felicidade nua e inteira, esse esplendor da presença das coisas. Eu também a reconheci, intensa, atenta e acesa na pintura de Amadeu de Souza Cardoso. Dizer que a obra de arte faz parte da cultura é uma coisa um pouco escolar e artificial. A obra de arte faz parte do real e é destino, realização, salvação e vida.”
Autor: Sampaio Rego
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sexta-feira, 12 de outubro de 2012
M.A
roubando meu equilíbrio interior
um par de sapatos Gucci
esvaziando meu antídoto para você
na boca mentiras letais como balas
contaminando o silencio da violeta
levava consigo meu brilho incrustado em sua sombra
ameaçando vibrar as paredes e as tardes
pelos olhares quietos
tentando escapar inteiro (pela metade)
como eterno fugitivo em meus braços...
tem o direito de ficar calado...
tem o direito a um advogado...
(só espere até minha mãe saber...)
Poema de Vânia Lopez
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quinta-feira, 11 de outubro de 2012
&
atirei-me para aqui em vida & nada mais do que apenas existir
jornal & chinelos
salsichas vinho & aguardente
a melancolia dos bairros
cães gatos & velhas
sombras nuas em vestidos com flores & rabanetes no cabelo
salamaleques no poema e muitos sorrisos & corpos que se perfumam em carne mutuamente
atirei-me do 7º andar do poema & já ia aleijado
não percebo nada disto & ainda aqui estou
todo o poema em duplo de nada sentido com E comercial ou &
fim do poema & fim do sentido
cachaça & gelo
mulher & o fim de tarde estendido mas não como um lençol
a morte & os impostos bateram à porta e não atendi, conduziam um ford capri dos anos setenta e foram espancados à saída do prédio por um grupo de fedelhos
noite & silêncio – uma dupla divina
set. & 2012
Poema de Carlos Teixeira Luís
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quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Cansaço I
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terça-feira, 9 de outubro de 2012
[...e tantas são as auroras por onde se espraia o sol
e tantas são as auroras por onde se espraia o sol,
quão perto o sorriso teu acorda orquídeas adormecidas.
Mira aqueles pássaros que migram noutros céus,
em viagens sem regressos,
olvidam-se as dores que escurecem tardes.
Fala-me do amar, fala-me desta morfina que resiste,
que esconde sílabas, silêncios, distâncias,
afasta-a de mim.
[… e quando o mar me envolve, resto-me como náufrago,
qual perene é o murmúrio, mor o sussurro relembrado …]
E no ocaso que se aproxima neste páramo meu,
por onde me morro,
recolhe-me,
apenas.
Poema de Ricardo Pocinho
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TECITURA DE PALAVRAS
como se perdem os afetos mal cuidados
como se perdem os sonhos abandonados
As palavras se perderam no vácuo
e em seu lugar um vazio tamanho
Palavras que não se mostram
omissas em sentires obscuros
perdidas em ternuras escondidas
Palavras difusas
Palavras cortantes
Palavras amáveis
Palavras indóceis
Palavras sentidas
Palavras confusas
Palavras vibrantes
Palavras profusas
a palavra que de súbito me tome
e de mim se aposse com vontade
presa fácil em sua teia de veludo
(06.10.12)
domingo, 7 de outubro de 2012
apalavrar
- - está louco. já não reage à medicação. não consegue abandonar a obsessão de que um dia todas as palavras terão sentido – façam o favor de internar este pseudoescritor. não esqueçam. colete de forças e sala branca por tempo interminável até que faça outra avaliação do seu estado mental –
sempre que junto palavras invento-lhes uma nova vida. ricas. poderosas. fortes. elegantes. viajadas. a falar francês. inglês. bem vestidas. reconhecidas e sempre a apontar para mim – mentira. tanto quero dizer e no fim do parágrafo o que sobressai é apenas o ponto final – também eu tenho que por um ponto final nesta forma de escrever. tenho que largar as palavras tal e qual como elas me erguem do chão. não posso senti-las de uma forma e depois entregá-las ao leitor de outra. têm que partir sem erosão. sem polimento. sem brilho. sem maquilhagem. têm que partir do que sou. do que sinto em silêncio. quando encostado ao pulmão coloco as pernas em cima do coração. para facilitar a circulação sanguínea. incham-me os pés e com os pés inchados as palavras incham também. e fico com os canais lacrimais entupidos e eu não sei escrever sem chorar – se as palavras fossem choro era fácil. uma música. uma voz e a liberdade do corpo era a grândola vila morena – se as palavras fossem gaivotas era fácil. um dia de sol. um pouco de vento e a liberdade eram asas – se as palavras fossem peixes era fácil. um oceano. uma onda. e a liberdade eram barbatanas – se as palavras fossem saudade era fácil. um dia de sol. uma foto na mão e a liberdade era o passado – se as palavras fossem vento era fácil. uma criança. uma praia e a liberdade era um papagaio de papel – se as palavras fossem um homem era fácil. um papel. um poema e a liberdade eram as metáforas – não há liberdade para as palavras que escrevo. elas são eu. e eu estou preso a cada palavra – eu sou a prisão das palavras e as palavras as grades da vida
Autor: Sampaio Rego
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FEITO COMO
um boi trôpego
de partida
no esparramo do asfalto quente
...
espanando o poeiriço cinza
de tardes espartanas
um espantalho
meio espantadiço
simulacro de crucifixo
um triste querubim
dos roçados do sem-fim
um vergalhão
corroído pelas ferrugens
prestes a permitir
a demolição do edifício
um osso fraturado do ofício
de doar centenas
de vezes
o coração
Felipe Rey
Imagem: Sr. do Vale
CIDADE DOS HOMENS
( Para o amigo Erick Moraes )
Cidade dos homens :
O calendário vestido
em quarta-feira e Cinzalha .
...
As avenidas fumam petróleo enlatado______
pescoços braços e pernas batem cabeça
num trânsito regido
pelo dragão da maldade .
Quando anoitece
várias estrelas faltam ao trabalho
( vento sopra uns trombones de chuva próxima )
e os trens retornam aos subúrbios
levando quem não se acaba de morrer .
Adiron Marcos
Eu quero desacelerar minha vida
Eu quero diminuir meu passo
Transar bem devagar
Morte lenta
Eu quero deixar esse frisson
Que cansa meu corpo
Que não liberta mais
Vou ler alguma coisa antiga
Aprender a escrever
Ler sonetos
Parnasianar
bem devagar
sem farinha
pedinha
pó.
Mas por enquanto falta métrica.
Monique
Máquina de Seduzir
Me fintou num instante
Com olhos intrigantes
Num convite sedutor
A mergulhar-te fundo
Pela porção Afrodite
Que se despia lentamente
Tinha íris cor de mel
O corpo de contornos delineados
Pelas curvaturas ousadas
Um passear a caminhar-te
Pelo dorso, cada pedaço de pele
Passo a passo entorpecido
Explorando tuas arestas
Nas fendas mais distantes
Entregando-me inteiro
As tuas cálidas mãos
Que inquiriam o íntimo
Usando-me
Desnudo a tua frente
Namorando clandestinamente
Sendo tragado num único gole
Pela tua janela de Vênus
Que tomava tudo
Feito conhaque
Causando palpitações
De puro êxtase
Na tua boca levemente úmida
Entreaberta, Escorria veneno mortal
De víbora serpente
Enfeitiçando o lugar
Como se Pedisse:
"Atreva-se"
Nem parecia mulher
Era anjo ou demônio
Surrupiando almas
Possuindo tudo
Fazendo gozar
Sem ao menos perceber
O quanto é imensa
Essa coisa mágica
Vestida de mulher
Allima
aldeia velha
despenco
como um barranco
aberto em beira de estrada
pelos pastos ressecados
meus desejos, os bois magros
nosso projeto, aquele ipê
derretendo amarelo
idéias que piscam no escuro
erodir por completo
aos urubus minha carcaça
que reste somente o ipê
amarelo como um farol
em nossas insustentáveis
pastagens
Lucas Viriato
sábado, 6 de outubro de 2012
soneto incompleto
para o poeta Marcio Rufino
então de cobra caninana
eu sinto o cheiro verde da cana
e você gosta do verde do mato
eu me chamo Dona Leopoldina
e o vosso nome é Donana
tinha uma pedra de turmalina
no meio do caminho ou profana
gambiarra acendida que alumia
a Baixada como ode que Pode Poesia
fazer nessa nossa Cidade uma arte soberana
Felipe Rey
ESTRANHA COISA
Era preciso tecer a teia
de ardis e malícias
Era preciso de mais que dois olhos
para antever os vieses da vida
para dissipar os véus da dúvida
Era preciso urdiduras e tramas
desfeitas em manhãs claras
descosturando o véu da ignorância
Era preciso engolir o espanto
a revelar segredos inconfessos
Era preciso coragem e fé
para sair do luto e da profundidade das coisas
Era preciso aventurar-se no desconhecido
descortinando novos e refrescantes sentires
Mas essa coisa morna que em mim habita
que me aprisiona numa gruta escura
Essa coisa que comigo mesma se confunde
Essa coisa que me invade e me tira o ar
...
Ah, essa coisa que me divide e me parte em duas!...
Ianê Mello
Réptil Poeta
Para o poeta Felipe Rey
Serpenteia em minha mente
Ainda mais
Em tua língua-caneta
Escreve em meu coração
Os versos pertubadoramente suburbanos
Cujas cores das tintas mimeticamente mudam
Assim como tua alma-pele
Ora cabocla, ora negra,
Jamais sem gosto, jamais sem cor, jamais sem graça
Jamais gratuita, jamais despresível, jamais esquecível.
Máscula camaleonice
Cobra Norato
Saindo das páginas molhadas de Raul Bopp
E seduzindo toda a cidade
Rei dos honrados rastejantes
Pois és da estirpe dos que rastejam através da poesia
E encanta com sua mais autêntica idiossincrasia
Pois então tome seu trono
E reine no bares
Ou em outros lugares
Nas rodovias
Nas Avenidas
Até mesmo na periferia
Nos grandes centros
Nos saraus do Rio de Janeiro
Ou quiçá do Brasil inteiro
Sem se importar
Em que terreno pisas
Pois o chão do poeta
Ao invés de estrelas
É feito de sonhos.
Marcio Rufino
O BAILE
entre confetes e serpentinas
e mais caras descoloridas
todos com suas más caras
e o baile anuncia um carnaval
mas não é fevereiro
nem feriado nacional
numa parede cheia de espelhos
as máscaras vão protegendo
e quebrando inibições
eu por minha vez
descubro a minha tez
descortinando os teus doirados pêlos
como sempre fiz em outras ocasiões
então quem cheira essa felicidade
repentina nos salões
endoida a dançar até dormir
bebendo o último gole de gozo seu, moça
sem te tomar sem carinho sem carícia à força
devolvemos nossas máscaras emprestadas
porque agora nossas fantasias serão realizadas
Felipe Rey
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Sarau Donana do mês de setembro
A grande poeta e líder do movimento Pó de Poesia Ivone Landim se diverte no sarau
Os artistas Naldo Calazans, André Luiz Gonçalves e Ivone: altos papos
A platéia curte os artistas que se apresentam no sarau
Vicente Freire, Dida Nascimento e André Luiz
Naldo e Dida
O poeta Cezar Ray
Os artistas se divertem
Dida solta a voz com André Luiz na percussão
André Luiz, Camila Senna, Ivone, nosso convidado especial Euclides Amaral e Cassia Cabral
O Sarau Donana realizado na noite de sábado do dia 29 de setembro foi um sucesso. Amigos do lendário grupo Desmaio Públiko - coletivo de poesia que agitou a cena cultural da Baixada Fluminense nos idos da década de 1990 - confraternizaram com a trupe do Pó de Poesia numa festa contagiante que teve as participações especialíssimas do escritor e músico Euclides Amaral e da Banda Seu Mathias e Panela Zen.























