Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



sábado, 11 de maio de 2013

Até que surjas com a alva, querida...

Antes...

busco-te, incessantemente, querida
porque não vens, cobrir-me, agora
com teus beijos, carícias, delícias,
aliviando o amor que aflora

ah...! Verei-te, verei-te, ataviada...
coroada com flores e honrarias,
subir, com majestade, as escadas,
sob vozes: "Deixai subir a rainha!"

haverá na terra, melodia suave
e, no céu, revoada de andorinhas,
E com essa alegria que já não me cabe
Beijar-te-ei e direi-te: "És minha..."


Durante...

Acordai, gorda preguiçosa, vadia
que ronca como uma porca medonha
vai lavar aquela louça na pia
ao meio dia ainda babas na fronha

escovai, urgentemente, os dentes
teu hálito causa-me ânsia de vômito
ah, e tens asseado-te recentemente?
ou lembras a data do último banho?

como enfada-me tua presença
tento descobrir o que vi em ti
saio, se vens, sem licença
quando apareces penso em sumir


Depois...

Sr Juiz, quero nesta partilha
a posse de todos meus bens
pagarei, de bom grado, à três filhas,
a pensão que lhes convém

soltas as amarras, estarei livre
para envelhecer com dignidade
e a alegria que à muito não tive
me espera nas praças de toda a cidade

Ah... só, enfim só! que alegria...
Daria poesia se eu fosse poeta...
Mas, pergunto, agora, nesta cozinha,
quem lavará as minhas cuecas?


Bem depois...

Até que ela era legal, penso assim,
não sei se é saudade ou nova paixão,
mas, será, que, hoje, aquela infeliz,
está feliz com o Ricardão?

...


ByCláudioCHS


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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Sonho


Sonho
Que fujo
De monstros
Medonhos,
De tigres que me devoram
O próprio sonho.

Sonho
Que me cortam
O que tenho
De mais doce,
O fruto,
O sonho,
O pomo,
O que me faz sentir
Ereto, eterno
E todo.

Sonho
Que já não há
Mais festas e momos
E que em nossos
Lábios sôfregos
Resta só o choro,

Uma lápide
Sobre os beijos
Que damos
Sem nenhum recato
No meio da rua
Do nosso anonimato.

Sonho
Que meu sonho
Seca nas rugas
De um velho tardonho,
Enregela-se nas verrugas
De um casal tristonho.

Sonho.
E não há sonho pior
Do que sonhar
Que o próprio sonho
Naufraga em alto-mar,

E acordar sem saber
Se estive a sonhar
Ou se meu sonho
Foi só um sonho
A cismar ao luar.

Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados

domingo, 5 de maio de 2013

Qual de mim sou eu...?

Aqui, o poeta
não é simplesmente
um gênio do conhecimento
dos sentimentos humanos;
na verdade,
não há gênio
(e nem conhecimento),
o que se passa
é que não passo
a palavra
a personagens,
nem empresto a voz
a ilustres heterônimos:
dividem-se, em mim,
dois pólos,
que não se comunicam,
não dividem o espaço;
cada um,
a seu tempo,
preenche-o completamente,
assenhoreiam-se,
dominam-no,
como se não tivera
outro dono.
São pólos inconciliáveis,
incomunicáveis,
incompatíveis de gênio.
Senhores de si
e as vezes de mim,
confundem-me,
são cheios de razões.
Não sei o que sou,
são parasitas...
alimentam-se
da minha consciência
e só percebo
que não são eu
quando se vão,
mas... alternam-se
tão rapidamente
que nem tenho tempo
de ser eu mesmo...
Eu? Desculpem-me:
quem sou eu...?
Não sei...
Só sei que não sou eles
(mas também não sou eu...)
pois no curto espaço
de tempo
em que se ausentam,
sou apenas
o vácuo,
vazio absoluto...
Deus, olha pra mim...
e cura-me!
antes que julguem-me,
e condenem-me...
porque
ninguém
irá
exorcizar
o que não são
possessões,
mas dualidades:
euforia e medo...


Poema de byClaudioCHS


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domingo, 28 de abril de 2013

"em porta,"

habita-me! agora, e à alvorada em falha da tua mão
da tua venda.. toda criada a partir desta parte convulsão
ou aparente sentido de te trazer à tona: ilha, minha ilha
minha terra de planagens desfeitas e ilusões à revelia

cálida, breve, cipreste, tão.. penitente de distâncias..
tão exercício da divina providência que te trouxe a mim
ao meu erro parecido, minhas glórias e ditas-infâmias
ora, sou. este lado em disparate, porem é por ti, que vim

hoje, e sempre.. onde me for à resistência de te tentar
hoje, e amanhã. posto repente que te denota terra e mar
eu trafego este conto sonhado, aos meus livros trocados

eu entrego à palavra do teu corpo, auditório de pele e voraz
mesmo que te neguem estes ensaios, estes pactos de paz
são os meus espaços deitados ao teu arbítrio ilícito, imediato..





então,
deixa-me entrar!(ora, me convida..)



Soneto de Azke


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terça-feira, 23 de abril de 2013

Não há nada que possa ser feito...

Não há nada
que possa ser feito
Se há, não sei como
Não há nada a dizer
se há, não consigo expressar
Não há nada a buscar
se há, não sei a quem pedir
Não há luz e nem caminho
se há (e sei que há)
não vejo porque estou
na escuridão de mim mesmo
Mas lanço meu grito silencioso
E aonde estiver Deus
ou alguém que encontre meu escrito
que abra e leia: socorro...


Poema de byClaudioCHS


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domingo, 21 de abril de 2013

(abra-me) minhas orações são como cinzas na boca...

agora que você tarda
vou despir do cabelo o coque.
o mar, as velas, as nuvens, as pedras das ruas,
o fundo das próximas horas.
o fundo do rio que pego na minha mão
e ele... corre através de meus dedos e se (es) vai

me deixa a paz com palavras capazes de encher os lábios.
uma casa.

tento segurar-te para que se contenha.

o que não ouso dizer
eu me fundo.
escrevo sobre a água
a noite eterna.

uma fagulha...
eu caio na chama.



Poema de Vânia Lopez


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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Mulheres brilharam no Sarau Donana de março






                                     A poeta e agitadora cultural Ivone Landim apresentou o Sarau          


Mara Ribeiro falou de sua Associação de Mulheres Negras Candaces

                                                       Ramide Beneret


                                                                  Marcio Rufino


                                                    Ivone Landim é homenageada por Marcio Rufino



                                                                       Doris Barros

                                   Doris Barros, Katia Nardi, Ivone Landim e Cássia Cabral


A cantora Jussara Gomes e o músico Bruno Oliveira


                                                            O músico Rodrigo Araújo


                                                 Mulheres dançam o jongo


                                               Ramide Beneret, Valnei Ainê e Dida Nascimento


                       
  Camila Senna




                                                            Ivone presenteia as mulheres



Março foi o mês da mulher e o coletivo Pó de Poesia e o Centro Cultural Donana realizaram na noite de sábado do dia 30 o Sarau Donana - Coisas de Mulheres. As poetas Kátia Nardi e Claudia Valéria Mikelloti foram as poetas especialmente convidadas e junto dos poetas do coletivo Ivone Landim, Marcio Rufino, Camila Senna, Ramide Beneret, Doris Barros e dos ilustres visitantes Matheus José Mineiro e o grande Wellington Guarany do Poesia de Esquina deram o tom da poesia nesta noite abençoada por uma doce chuva. A magistral cantora Jussara Gomes e os músicos Bruno Oliveira e Rodrigo Araújo abrilhantaram e encantaram a noite com grandes clássicos da MPB e a Associação Palmares contribuiu com um show de capoeira e de jongo.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

EDEN / JAMES (Arnoldo Pimentel)



EDEN

Tenho amigos que viveram entre sem tetos.
Sei que aprenderam e ensinaram,
E o quanto ainda ensinam e fazem sorrir.

Houve um tempo
Em que a minha janta era sopa de legumes,
Eu almoçava e jantava sopa de legumes.
Todos os dias, durante quatro anos seguidos, foram assim.

Nem por isso eu deixei de gostar de sopa ou de legumes.
Nem por isso eu me sentia menor.
Sei que dali tirei muito coisa boa que até hoje existe em mim.

Numa noite eu queria ver,
As 2:30 da madrugada, o que existia
Ao Leste do Eden.
Trabalhei até as 2:00 da madrugada

Mas consegui ver o que existia
Ao Leste do Eden.
Acho que  James nasceu ali.

Arnoldo Pimentel

JAMES

Olho ao meu redor
Para ver quem eu sou e me encontrar
As árvores estão na paisagem
Com os galhos virados para o infinito
Assim como minhas mãos e meu coração
Em busca das benções de Deus
O rio percorre o leito estreito
No âmago do canyon
Para encontrar a liberdade a céu aberto na pradaria
Olho no meu interior
E vejo as pessoas que eu amo
E as pessoas que me amam
E vejo seus corações
Onde sempre estarei

Arnoldo Pimentel

Onírico Mutante



Meus sonhos são todos fragmentários
Onde personagens e ambientes
Mudam constantemente
Em momentos inesperados e fantasmagóricos.

Tudo se dilui e se refaz
Num sentido dinâmico e sagaz
Criando mosaicos virtuais
Com contornos reais.

Disso tudo só fica a angústia
De ser eu o mesmo nesta seara
Mutante, volúvel e anárquica

Doce e dolorosa como uma diáspora
Que me faz ser único numa apatia
Onde tudo que é concreto se evapora.

Marcio Rufino
Imagem: Ana Luisa Kaminski

sábado, 13 de abril de 2013

"plantio,"

jaz o templo-calendário
outono afixado de condutas
jaz. às cenas de culpas
ao espaço considerável

qual um sonho/algo irreal
alheia fé que cheguei a crer
um presságio que não se vê
tal insone/máximo graal

ah! elegia de consumir-te..
qual fruta criada e fértil em verso
ah, devassidão que te espero..

ah, minha lima, bela Circe..
qual chuva afiada, projétil de sexo
ah, confissão.. eu. (já)não te nego!






³
²

¹





da forma como vejo, tal: lapso de água
à parede que me apregoa e me previne(acalma..)
à letargia.. dessa letra absurda, perante
após.. em novos conselhos ditados(de antes..)

eu entrego-te à minha letra em lâmina fria
qual demonstração oriunda de tolas-mentiras
eu elejo-te: face. de todas as faces e(a) mais
qual um ponto perdido que do teu corpo, (tanto)faz

eu te re-conheço.. minha amada providência!!
qual mensagem da maçã, de corpos e ventos
ao alheio palheiro de brados que me deixei queimar

ah, eu.. te desejo. em partes e (plenas)exigências
qual margem da invenção(livre) em cópula-exemplo
ao apreço, o meu terço e este pecado de te versar..




Sonetos de Azke

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sábado, 6 de abril de 2013

,noites, porque não dias inacabados?

(I)

,lava-me as mãos
como as de um judas,
ou satanás que seja,

mas deixa os meus lábios secos, gretados,
como a terra que hoje calco,

fala-me da voz em gritos, da praia que se perde
pela foz,
a sul,

neste nordeste de hoje, à míngua, à fome,

reduz-me, sem inspiração, ou tino,

ou verve,

à vista um farol que não existe, que definha,
e que se esconde pelo mar,
cousas assim, 

negações, tantas tormentas, alguns sonhos
encrespados,
suores,
noites, porque não dias inacabados?

,e relembro-me das cinzas, dos incensos,

das vertigens em pétalas vermelhas,
sangue,
das palavras que fogem, morrem
ainda no ventre,
afogadas, pisadas por outras maiores,
e fui por aí, ultrapassando horizontes como um cometa louco,
símile a um cavalo

com o freio nos dentes, rangendo,

repara nos nadas que cercam as margens,
tanta a inundação, as vísceras
inchadas,
os visos enrrugados sem unções, sem viços,

que os vícios não resistam, nem se acobardem,
promete-me,
a oliveira, a mirta, o alecrim,

o verbo,

mas rasga-me os fragmentos
desta rododáctila saciada
de regressos sem trevas,

sem as porras das sombras enfileiradas,

reconstruo o outro que não me larga.

E canso-me do páramo, do firmamento,
do ocaso,

destes círculos cortados pela metade,
das viagens que se prometem sem finais,
tantas as miçangas guardadas
tantas as cores que me acorrentam,

que depois fogem sem deixar traço,
perenes as peregrinações,

não há viagens sem final,
nem provectos começos,

perguntar-te-ei por um mar de sargaços,
por um adamastor escondido, em fuga
dirás,

ou pelos crepúsculos que me ardem
a memória,
quão perto dos pássaros que regressam,

senti-los-ei sem carícias,
enquanto a sica me penetra no silêncio.

Digo-te, lava-me apenas as mãos,

e deixa-me sonhar com as sílfides
que me empurram,

assim,

tão perto de tão longe.

(II)

,nós mesmos, no dia acabado, gasto,
nós mesmos distantes de um qualquer
cabo de tormentas,
[apenas, nós mesmos].



Poema de Francisco Duarte

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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Reação...

Não quero ficar assim,
para sempre...
Gritaria ao corpo:
"Atenção! É hora de reagir!"
e isto, por si, já seria reação
mas, reação, é a última coisa
que encontraria, agora, em mim
Como mover-me?
queria encontrar
meu controle remoto
ou ser o artista, escondido,
que ministra os fios do boneco
do teatro de marionetes
Que leveza, a do boneco!
Que inveja dos seus movimentos!
Não são voluntários, mas move-se!
Não tem movimentos próprios,
reconheço,
mas tem quem o movimente!
E este é meu sonho
de consumo daquilo
que me consome
neste momento:
movimentar-me...
Não lamento isto
como o caos universal
ou como se fosse o mais
infeliz dos mortais.
Não posso dizer isso,
Deus não merece ouvir
isso
de mim,
porque tenho sorte,
alterno estados:
deito, levanto,
choro, me alegro,
calo, falo,
apaga-se a luz,
ascende-se a luz,
raciocino, travo,
movimento-me, paro,
sou um ser pensante,
sou uma ameba,
mas neste liga, desliga,
ascende, apaga,
tenho a felicidade de
poder viver, experimentar
momentos de alegria extrema
e doeu-me a consciência,
agora,
no meio deste
texto-lamento-poema-justificativa
reação-desejo de reação-divagação
ou sei lá, o que é
o que seja,
se é que é alguma coisa,
mas...
pelo menos estão vendo-me
de longe,
pensando que estou
trabalhando,
porque o barulho
dos dedos batendo
nas teclas
é alto, frenético,
sugere que
estou sendo produtivo,
o que é uma beleza.
Mas vão-se, assim,
os dedos,
bailando sobre o teclado,
porém, queria, mesmo,
era levantar-me...
doem-me as costas,
a coluna,
três horas e meia
sentado,
na mesma posição,
olhando para a tela,
olhos estalados,
dormência sem sono,
mente apagada,
e o gerente
do corpo, que,
coitado, ele mesmo
já velho e cansado,
doente, precisando de cuidados,
acordou com o sinal fraco
que veio pela rede neural
e, já (semi) acordado,
com recursos rudimentares,
imprimiu
um relatório meia-boca
e identificou o
(possível novo) problema:
dor na coluna cervical,
região lombar,
próximo a bacia.
E agora esse pobre
órgão chamado cérebro,
que já está até cinza,
coitado, de tão velho
(tudo bem, tudo bem,
sempre foi cinza,
mas agora está, pelo menos,
um pouquinho mais escuro,
pode ser...?)
nas pequenas pausas,
entre tosses e espasmos
de suas crises asmáticas,
sua voz rouca e cansada,
tenta mover o corpo
como um todo,
antes que o sinal de aviso
da coluna
torne-se um (novo)
mal irreversível.
E envia
seus comandos:
-"Corpo, mova-se...!"
-"Corpo, levante-se..(arfh..!) (cof!)(cof!)..."
-"Vá tomar uma água..!"
-"Vá ao sanitário, estique as pernas...(arfhh!)..."
Comandos...
bom.. (...)
valorizei muito
a boa vontade do cérebro
ao dizer que envia "comandos"...
pobre coitado,
não delega funções
pois já não manda: pede.
O tom de sua voz
não é de quem ordena,
mas pede favores,
suplica...
Bom... mesmo assim,
me vi feliz
no ato de escrever
tudo isso aqui,
porque vamos assim,
uma hora não vamos,
e outra hora vamos,
mesmo que no tranco,
e outra hora, ainda,
vamos como se
nunca tivéssemos
deixado de ir.
Mas posso dizer: sou feliz.
Pois lembrei-me nesta hora
dos deitados e/ou sentados
permanentemente,
dos que nunca levantaram-se
ou já andaram, mas, (clinicamente)
jamais andarão novamente...
e assistidos pela mão de terceiros
vão-se, quando muito,
empurrados ou empurrando-se
a si mesmos
em muletas
ou cadeiras-de-rodas.
Eu queria, agora, ser
um ser
abstrato
e poder encontrá-los,
ao mesmo tempo,
na beira de cada leito
e cobri-los, a todos, com um beijo
Mas...
não posso,
sou humano,
preso ao meu espaço,
preso ao meu tempo...
Mas, quem me dera...
que essa Áurea Celeste
que já me ouviu,
que estou sentindo-O tão
próximo de mim,
que já salvou-me tantas vezes...
possa encontrar, agora
e envolver
com seu amor,
cada um que traz
dentro de si,
um gemido,
mesmo que
contido,
calado,
escondido...
Já volto,
vou esticar as pernas e beber uma água...



Autor: byCláudioCHS



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sábado, 30 de março de 2013

Mulheres

Extrapolam a pele
Exprimem-se em redes densas
Figuram e transfiguram
Solidificam e se desmancham
Compreendem toda a essência
Da existência,
Da sapiência,
Dos gritos e dos silêncios.
Mulheres
Trazidas ao mundo
Pra clarear horizontes
Pra injetar luz
A um ser que só tinha
membros, tronco e um falo.

              Jorge  Medeiros
               (29\03\2013)

"o credo"

à autofagia da insolução imediatista
causa. e arbítrio revogado, acto fértil
auto-estrada da minha própria dívida
oh! asa vã em costume de excessos

à cada linha tênue que te livra de mim 
por resolução, é queda da minha venda
em tardio e oposto lado de ter(e) assim
qual longe.. qual fome e à mesma cena

por espelho redundante que te despe
à demanda e ao açoite em penitência
pagã cortina que te deito, à fé de febres

tal um livro desdito em mentira amena
ao suave toque dos teus lados carnais
é. minha! opção de regresso que te refaz




oh,
carta que te cubra de mim,
 (...)



Soneto de Azke

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OS QUE VÃO MORRER TE SAÚDAM


Remoção...
Remoção...
Balas de borracha, spray de pimenta,
Gás e porrada
No cidadão.

Arnoldo Pimentel

quinta-feira, 28 de março de 2013

Fanatismo I

os pecados cometidos
durante sua vida inteira

serão todos redimidos
por um santo de madeira

a fiéis, cruéis, vendidos
cada qual a sua maneira

o paraíso é resumido
num livro de cabeceira

Autor: Acento agudo

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Ants

Hoje estou cansado
Dói-me o corpo da realidade compressora sobre a carne
E dói-me a cabeça com o peso destes pensamentos sólidos.
Estou cansado 
Não pelo que fiz hoje 
Mas pelo que tenho agendado para fazer amanhã.

Se soubesse que ia morrer esta noite 
De certo andaria folgado e leve
Por não ter nada para fazer amanhã. 
O que me cansa são os dias programados 
A repetição no pensamento, antes de acontecer a repetição dos dias
E cansa-me mais a certeza de pensar nisto
Do que tudo o que tenho para fazer e que sei que não farei
E esta certeza aleija-me o corpo como culpa de faltar com a vida.

Quisera o destino que fosse humano 
E que tivesse pensamentos sólidos 
Sobre qualquer coisa que cheira a céu e a divino 
Quando deveria ser formiga, feliz por não pensar repetições 
E por andar sempre junto à terra. 

Ando farto de ser deus do meu destino por cumprir.

Hoje estou cansado da realidade de não ser formiga.
Estou sentado numa cadeira a ver formigas 
A passarem encarreiradas na labuta automática de não pensarem amanhã
Nem no segundo seguinte, nem na morte a consumir-lhes o tempo.

Estou sentado na cadeira que me persegue para onde eu for
E cansado de fugir dela 
Cansado de ser eu e ter pensamentos sólidos 
Agarrado à vida e a coisas vagas como amanhãs com cheiro de morte.
Cansado 
De ver formigas.

Poema de Nuno Marques

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domingo, 24 de março de 2013

Momento ou poema de vida (inteira)

E eu, dividido e disperso no tempo.
Dia por dias, passados e futuros, que me imprimem fotocópia.
Imagino-me na totalidade, repartido por folhas diversas
Respeito instruções, a vida fora do corpo, de uma gráfica universal
Sigo à risca e metodicamente o manual do sapiens republicado
Onde à nascença foi carimbado o meu nome.

Para amanhã, já me dei à luz
Alimentei-me de rotina para morrer ao fim do dia
Mas hoje, sem a asma que sei que sentirei amanhã pela manhã
Sem o ar de frete que me trazem outros na cara na fila do trânsito
Sem trabalho, sem almoço, sem cigarros, sem mais trabalho a tarde toda
Sem o embrulho no estômago… jindungo no cu de todos os meus eus
Sem luzes agarradas aos faróis na fila de volta a casa
Sem banho, sem jantar, sem bola na TV, sem cama e sem sono
Hoje, sem nada do que me fará ser eu amanhã.

Delírio passado ou verborreia inútil
Nasci em partos complicados e criei-me igual todos os dias
E nem num apenas, me mandei a merda e fiquei a dormir.
Noites, insónias suadas
E guilhotinas suaves para encadernar vida em pensamentos.
Lição futura ou cáustica previsibilidade.
Crio-me de novo, cómodo, e de novo e para o ano inteiro
Amamento-me e cresço nos lençóis surrados da preguiça de os mudar hoje

E eu, tantos
Já sou tantos, antes e depois, que agora, não sei qual sou realmente
Que importa, sou todos, uns iguais aos outros
E de todos, não quero ser nenhum de mim
Convoquei-os, mesmo àqueles que já esqueci
Reunião, assembleia-geral, eu com os meus eus reunidos à minha volta
Todos intimados a escrever sobre quem sou.

O tempo não existe
E eu, momento, folhas brancas.
Folhas brancas
Ou uma vida inteira.

Poema de Nuno Marques

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sábado, 23 de março de 2013

Poema da vida inteira


Outrora, qual a Aquiles,
Quase me devoraste,
Escamandro furioso,
Procela borrascosa – desmesura.
Espremeste-me contra paredes,
Pegaste-me pelos gorgomilos,
Exigindo-me tudo o que não tinha,
Tudo o que perdi ou vendi,
Tudo o que sempre exigiste de todos:
Venalidade!
Enquanto três bocas
Choravam ruidosamente.
Nestas horas, roubaste-me
Até meu corcel negro,
E quando pedi ajuda, decretaste:
“ – Não sei se é verdade... te vira, rapaz!”
Grande artista da esquiva e da omissão,
Quase me arrancaste todas as lágrimas,
Fazendo-me sinistros convites ao mar.
Terrível alquimista,
Transformaste todo meu mar e sal
Em pedra, todo meu céu e lume em lodo.
Entretanto, estou aqui:
Mil vezes amado, desprezado,
Mil vezes perdido e sem caminho,
Mil vezes sem profecia ou futuro
A te encarar nos olhos... vivo!
Com os ombros curvos
De quem muitas vezes baixou a cabeça,
Em cadeira, de quem quebrou
Orgulhosa cerviz.
Hoje, estou aqui te encarando,
A esboçar um sorriso,
Sem perigo de virar pedra.
Outros choram, lamentam-se,
Preferem puxar o gatilho da melancolia,
Embriagar-se da memória dos que partiram.
Comigo não é assim:
Já não sinto sede ou fome
Na língua seca, no estômago enjoado.
O esquecimento é o bálsamo
Que ofereces a esta esponja ressequida.
Hoje, vozes compungidas
Calaram-se em meu peito,
Aguilhões a me ferirem
Já não fazem mal
À carne afeita à dor.
Agora, admiro tardes iluminadas e frescas
Que tanta luta ensombrou, esfriou,
Que tanto arrependimento transformou
Em noite e tempestade...
Sinto-me faltoso, por isso humano, completo.
O futuro não mais me inquieta: vivido está!
Perdido está!
O passado dia-a-dia julga-me,
Mas vou sempre sorvendo as velhas mentiras
Que imobilizam toda a culpa
E as revoluções deixadas por fazer...
O presente reduziu-se a um zéfiro suave,
À profunda aceitação.
Este momento sem perspectivas, metas,
Ou pegadas encapsula-me.
Sou duro, carne de pescoço.
E agora?
Pergunta que já não cabe mais:
Agora estou completo, perdido,
Perdido...


Felipe Mendonça -
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terça-feira, 19 de março de 2013

"perjúrio,"

(não.)eu nao quero. nem a parte que te corrompe. nem ontem..
eu não tomarei este lado. ora, nem mesmo alvo por explícito!
não deitarei à relva da noite que te ouve, nem ao palco do ar fictício
da morada refém em desigual referência ou alta que te comprem

eu não abrirei os teus olhos mais.. eu sequer, posso te sentir
ao crime que te referi, ao prêmio da minha carne, é: tão.. tarde
ah, eu.. preferia ter-lhe o retrato em branco, à vénia única de ti
mas, hoje/amanhã e depois eu não tentarei a porta que te abre

cai. peça da minha virtude!! tão impulso de reter-me ao chão..
prévia da minha mão.. minha mesa de frutas e o único pão
tal registro da letra que te corre o ventre, da pena que te quer

cai. peça da minha íliada preparada pra perder.. do pecado e fé.
terra de contos quaisquer.. à linha de partes e curvas e frentes..
ao exercício de mentir-te mil dias, mil vezes.. mil letras, e. sempre


Soneto de Azke

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