Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



terça-feira, 2 de março de 2010

O mendigo que suicidou-se com um prato de comida


                    Com o rosto calado, ele vivia sua vida sem vida. Ausente no amor, ausente no tempo, e sempre, sempre presente na dor. Dor que se fazia carinhosa ao afagar seus cabelos negros tornado-os esbranquiçados. Dor que levava a noite, matava o dia e banhava o homem com a fria-ácida melancolia dos destroços de janeiro-dezembro.
                   ___ Ah, Luz! Oh, Luz! Onde estás? Por que partistes? Por que me deixastes aqui a morrer de amor?
                   Com as mãos calejadas e os pés vendendo feridas, ele sonhava com o tempo em que sonhava. Que poderia haver alegria nos cegos olhos paralíticos; na alma do louco que chora à seco; na voz do desafinado que canta os frutos de uma vida perdida, de uma vida não vivida.
                   ___ Ah, Luz! Oh, Luz! Onde estás? Por que partistes? Por que me deixastes aqui a morrer de amor?
                   O ser que rumina dores; pelo silêncio de sua voz feriu os tímpanos do marciano que se bronzeava no Alasca. Pela frieza de seu olhar fez chorar o galã da novela “das oito” fazendo-lhe morrer de desidratação.
E por seu desejo de amar
fez asa sua mão virar
partindo para um outro mundo,
mundo o qual era seu
por seu nome não estar.

Um comentário:

ventosnaprimavera disse...

Linda demais essa poesia, com toda a dor de uma vida não vivida,de sonhos apenas sonhados, mutilados pela própria vida sem vida.