Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



domingo, 27 de março de 2011

O Despertar de Eva No princípio a única existência era ela Que tinha no seu inicio outro nome outra biografia outra era Nesse princípio tudo meninice Inocência, peripécia Cirandinha de gênese Mas Lilih sofreu um feitiço dos tempos E no útero da terra foi gerada a dualidade A saudade e o pesar E é a amizade que ampara as sombras Da luz da física e da ciência E a serpente se enroscou no conhecimento No príncipio a única existência era ela um fluir sem par Era a mãe dos irmãos do único luzeiro Apenas um estalar de dedos E todos sabiam o que fazer Mas um meteoro recriou o ser E fecundou a fêmea E as raças entraram em batalha E Eva ainda chora seus filhos Ivone Landim Dedicado ao poeta Marcio Rufino.

Eureka & Torvelinho

Eureka

Um punhado de terra
Caindo por entre os dedos.
Um pouco de água
Escorrendo pelos vãos dos dedos
De Deus
- EUREKA! –
E Deus criou o Macaco
A sua imagem e semelhança
E de sua costela primitiva
Partiu sua companheira inseparável:
Lilith!
De galho em galho
É natural que
Seguindo o conselho de qualquer bruxa
Experimentassem aquela fruta.
E o Tempo se encarregou do resto.
O Tempo sempre se encarrega de tudo.
Só o tempo dirá!
A Evolução é o que nos tornou
Imperfeitos.

Torvelinho

Não vomito meus poemas como se fosse um jorro de palavras
Rumino, rumino e cuspo palavra por palavra
Palavras supérfluas
Palavras super fulas

Pra onde quer que eu vá
Não vou saber voltar
Pra onde quer que eu vá
Não vou querer ficar
Só o sol
Ascende o dia
Duas luas
Era tudo o que eu queria

l ar
lu
lug

De tanto abaixar a cabeça se acaba de cabeça para baixo.

Não estamos todos no mesmo barco
Somos náufragos
Atracados cada um a sua própria tábua de salvação
Nós e a vela
Destroços de uma mesma mísera embarcação

Somos homens e ratos
Somos homens e sacos de batata
Somos todos farinha do mesmo saco
De estopa roído rasgado
E forrado de migalhas
Em meio às fezes

Somos de lua
Uivamos
Morremos na praia
Gripamos
Escalamos montanhas
Quedamos
Sós SOS sós
E mal-acompanhados
Somamos as perdas
Estamos salvos

Poema de Andri Carvão
O que desceu dos olhos
agora, nesse instante
puro, não são lágrimas
de um pierro perdido
no fim de carnaval
0 que choro agora
são toneladas imensas
de amor acumulado.

Jorge Medeiros
(08-03-2011)

APOCALYPSE (TRILOGIA) (Arnoldo Pimentel)



Não quero passar
O resto do tempo
Sob a terra umedecida
Tendo a lápide
Os dizeres:
Não sei de onde vim
Não sei pra onde vou
Nada sou



Se você não preparar seu coração
Ficará como eu
Num deserto de sal
Deserto sem sol
Sem clamor
Banhado pela dor
Perdido
Habitado pelo medo
Medo de ser esquecido
Esperando o fim
No abismo sem fim


APOCALYPSE 3.3

A dor ainda queima meu corpo
Apesar do tempo
Apesar do arrependimento
Que mesmo cortando o horizonte
Ainda não chegou
Nem mesmo o sangue
Que derramei
Amansará minha dor
A navalha ainda está acesa
E minha garganta está próxima
Do furacão que a cortará
Assim as rochas que protegem
Meu coração, e são frágeis
Irão desmoronar no meio da brisa
Iluminadas pelo luar da doce ilusão
Que o tempo levou
Pelo tempo que acabou



MANIFESTO DAS FULANAS DE TAL.



NÓS, FULANAS TEMOS O PRINCÍPIO FEMININO,NA CONSTRUÇÃO DO UNIVERSO.
SOMOS UM NÚCLEO DE CRIAÇÃO EM TODAS AÇÕES.NOSSOS ÚTEROS A PARTIR DA DOR E DO SOFRIMENTO FABRICAM GUERREIRAS E GUERREIROS...GERAMOS TODAS
PERIFERIAS DOS SERES E DAS COISAS.
SOMOS FULANAS
SOMOS MUITAS E ESTAMOS POR TODOS OS LUGARES.
ESTAMOS EM TUDO QUE FLUI,EM TUDO QUE TRANSFORMA,QUE TRANSCENDE E RETORNA.
ESTAMOS ALINHADAS AO PRINCÍPIO MASCULINO E COM ELE NÓS ESTABELECEMOS O EQUILIBRIO DAS FORÇAS, DAS ENERGIAS E VIBRAÇÕES DO COSMO.
INICIO, MEIO E FIM DE NOSSA HITORIA CÓSMICA E HUMANITÁRIA.

ALINHAMOS ARTE E DIVERSAS CULTURAS.
SOMOS COSTUREIRAS E BORDADEIRAS DE NOSSAS ALMAS,E DE NOSSOS CORPOS.
SOMOS HOLÍSTICAS.
CANTADEIRAS DA CANÇÃO DA INTEIREZA.
TEMOS DÚVIDAS E CERTEZAS.

SOMOS FULANAS DE VÁRIOS RÍTIMOS.
DE VÁRIAS VOZES.
DOS INTERVALOS DO TEMPO DA GESTAÇÃO.
SOMOS PINTORAS DA IMAGEM QUE SURPREENDE NOSSA CRUA REALIDADE.
SOMOS FLORESTA QUE ABASTECE NOSSOS FILHOS E NOSSOS SONHOS,
SOMOS ÁGUA E VENTANIA
CALMARIA E MARESIA
SOMOS REVOLTA E CONSAGRAÇÃO

NÓS, FULANAS, SOMOS O PRINCÍPIO QUE GERA E QUE AGREGA.
TEMOS O PODER DE DESTRUIR E DE CONSTRUIR VIDAS.
NÓS FULANAS, REIVENTAMOS O QUE JÁ ESTÁ ULTRAPASSADO,PARADO E ESTAGNADO.
AREJAMOS PENSAMENTOS ESTÁTICOS E BLINDADOS
SOMOS AS FULANAS DOS ESPINHOS E DAS FLORES DE AÇO
TEMOS EM NÓS UM GRANDE OCEANO DE DIVERSIDADE
E EM NOSSOS COLOS EMBALAMOS A HUMANIDADE

SOMOS FULANAS DE TAL E VAMOS VIRAR A MESA
NÃO QUEREMOS FAZER PARTE DA ALIENAÇÃO E SÓ FICAR COM O PÃO DE CADA DIA
NÃO QUEREMOS DAR AS COSTAS PARA A NECESSIDADES DAS FUTURAS GERAÇÕES

NÓS FULANAS, ESTAMOS UNIDAS PELA JUSTIÇA, PELA RESPONSABILIDADE
NO PROTAGONISMO SOCIAL
ESTAMOS EM TODAS AS QUEBRADAS ARMADAS DE CORAGEM E DE DISPOSIÇÃO PARA
DEMOLIR SE PRECISO FOR O IMAGINÁRIO CULTURAL QUE APRISIONA A GEOGRAFIA DAS MULHRES

NÓS, FULANAS DE TAL DAMOS UM SALVE PARA TODAS AS FRENTES DE RESISTÊNCIA
NA LUTA PELOS DIREITOS DAS MULHERES,POIS ESTAMOS ESCREVENDO NOSSOS
PRÓPRIOS CONTOS DE OPERÁRIAS, PROFESSORAS,MÃES,TIAS, AVÓS, CIENTISTAS,
ESPOSAS,PARAQUEDISTAS,ARTISTAS,JARDINEIRAS,PRESIDENTAS,POETAS, PARTEIRAS,ARTEIRAS E TAL...

SOMOS FULANAS REZADEIRAS DO CAMINHO DO BEM
EM DEFESA DA CULTURA E DOS DIREITOS
SOMOS FULANAS E FAREMOS A TRANSGRESSÃO CONSTANTE E NECESSÁRIA DO AMOR



IVONE LANDIM/03/01/2011

sábado, 26 de março de 2011

Decepção de Primavera

Hoje estou aqui olhando as luzes da rua
Nevoeiro fino acolhe a noite sombria
Nem a lua no céu, nem uma estrela nua
Para dar algum brilho a esta noite fria

Espero por luzes, na escuridão embora.

Conheço bem a esta solidão intensa
Que derruba o sonho e apaga a luz da alma
Faz do meu olhar espada de um gume imenso
No perder de vista desta impossível calma

Eu esperava flores nos jardins lá fora.

Poema de Paola Rhoden.

Herança

Por que chorais
Mar seco ausente,
Sem úmido elemento?
Por que chorais
Como se quisésseis
Com vossas lágrimas
De marítima saudade
Restituir-lhe vigor e força?
Por que protestais
Se não podeis
Arrancar-vos as pernas e os braços,
Se há vice-reis
Por onde vão tantos passos?
Se seguis tão escasso,
Perdido e sem grei?
Vede bem:
A cidade já foi inundada
(E acho que sempre esteve)
E da enxurrada,
Após fevereiro e março,
Após Cabral e Gama,
Restou um simples sargaço,
O sapato roto, sem cadarço –
Nau sem amarras,
Em vossos pés encalhada,
Carcaça de beira de estrada.
Quem sabe uma escama,
Algo que vos proclama
Brasileiro?
Rio de Janeiro?
Sem paradeiro?
Desterrado panorama
Que vos amalgama
A camas e mucamas...
Restou a avenida Beira-mar,
O Forte,
A rua Luís de Camões,
O Paço,
O amigo Bonifácio,
O Real Gabinete Português,
Tanta tez
Suada, salgada
E todo este lugar
Banhado pelo mar.
Restou um corpo sem rotas,
Soçobrada frota,
Restou a memória,
Algo que errático
Perdeu a trajetória,
Algo que afro ou asiático
Em vós se agarra feito
Alga e algo
Que não consigo definir,
Heráldico,
Luz e visgo
De chão alagadiço...
Vede,
Litorâneos
Ou suburbanos,
Extemporâneos
Ou ibero-americanos,
Estamos todos
Impregnados
Do Eldorado castelhano,
Da alga e sal
Do mar lusitano.

Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Ou tônus?

abre o portão de madeira
tomando
fôlego
vem

com o rosto pintado
de azul
e estrelas que nadam
no seco do preto
ele é o que beija
antes de esfriar

cobre
prata
lua
cobre
o chão de folhas
secas
o pisar estala

nas tardes
de 5:30
agora tão agora
depois de esperados doze meses
ele volta
com a calma solar
cravejada nos olhos

depois de tudo que foi evaporado no verão
volta
trazendo o cheiro
das flores geladas
que se dão devagar

no vento brando que cavalga a areia do tempo
o vidro da ampulheta
onde um grão sempre conta
e conta para outro grão
conta
que quando estiverem bem unidos
quando o de baixo não suportar mais o peso dos outros
quando o que sobra cair para os lados
quando tudo tiver que virar de ponta cabeça
ele volta

dizem as folhas secas
que antes de tudo ser cinza
só o outono
faz
cair
e azulando o olho do mundo
beija seco a terra
antes de gelar
faz cair
sem chorar o verde
só o seco sucumbe
conformado
aos seus gentis afagos de ventania

Poema de Carlos Jubah

quinta-feira, 24 de março de 2011

A Pouca Elipse Nau

Uma Bad Trip

O Fim do Mundo vai acabar comigo
O Fim do Mundo vai acabar com você
O Fim do Mundo vai acabar com tudo
O Fim do Mundo vai acabar

Uso e abuso das minhas drogas
A vida é uma droga
O mundo é uma droga
A vida é uma droga maior do que a droga do mundo
A vida carrega o mundo nas costas
E ainda sobra espaço para outros mundos
Espaços infinitos por todos os lados

Uso e abuso das minhas drogas
Para o bem da droga do planeta
Para o futuro da droga do Universo
A humanidade extinta
Torço para que existam outros seres
Em outros mundos afastados muito mais avançados
Os seres visíveis estão com os dias contados

Rejeita a carne humana
Seu leão
Rejeita a carne humana
Tu oh tubarão
Rejeita a carne humana
Seu jacaré
Rejeita a carne humana
Oh bicho de pé
Carne humana dá indigestão
Nos vermes

A droga do mundo é dos insetos
A droga do mundo pertence aos vermes
Aos micróbios aos vírus
Os microrganismos dominarão a droga do mundo

Homem madeira
Podre por dentro
Expelindo a podridão por todos os vãos
Olhos ouvidos boca nariz umbigo pau cu buceta poros
E armazenando ainda mais
Para mais tarde

Já que eu não posso destruir o mundo
Já que eu não posso acabar com tudo
Já que eu não posso comigo
Já que eu não posso com você
Eu não preciso de nada
Eu não preciso de ninguém
Eu não preciso de mim
Eu não preciso de mim
Eu não preciso de mim eu não preciso de mim

Poema de Andri Carvão

quarta-feira, 23 de março de 2011

TREM DA ILUSÃO

                                                            TREM DA ILUSÃO

             Hoje é só um dia que o trem não irá enfeitar sua vida.  O dia amanheceu sem alegria,  a chuva embaça a janela por onde seus olhos procuram o céu para saber se está claro para poder sonhar com seu trem no quintal. Hoje a chuva embaça seus sonhos de liberdade no apito que invade o espaço cortando o ar com a delicadeza de sua voz. Seus olhos já estão embaçados como a janela pelas lágrimas que escorrem pelo rosto, pelo desgosto.
             Nesses dias de chuva o pequeno quintal de sua casa passa ser como um horizonte longe demais, então sua sala seria o lugar para seu  trem. Se tivesse um trem de brinquedo, pegaria a máquina e tiraria a poeira com um pequenino espanador, pegaria uma flanela e daria um brilho para ficar bonita como uma princesa de aço, limparia o vagão de lenha e depois os vagões de carga, que seriam dois e por fim os três de passageiros, sim, seria um trem grande, bonito, vistoso. Armaria a estrada de ferro pela sala, emendando pedaço com pedaço, sem pressa, passando a estrada por trás da estante, do sofá, das poltronas e pelo meio da sala, ali seria como o deserto, uma pradaria sem fim, cercada de nada por todos os lados, pelos fantasmas da sede e da solidão, pela noite fria e pelo dia escaldante, com o sol brilhando com toda sua beleza e sua força, assim os passageiros iriam sentir toda a solidão que existe no deserto, no deserto dos lobos, das pessoas, dos poetas, até a caixa d’água, sim, ele não esqueceria a caixa d’água no meio do deserto, ela iria matar a sede do trem e das pessoas, sua sede de brincar, sua sede de amar cada pedaço do trem, sua sede de viver cada minuto da sua infância, depois de matar a sede todos iriam seguir viagem pelo meio da sala, meio do nada, do quadro pintado ao seu redor,  medo de ficar só.Depois de algum tempo de viagem, iriam avistar o povoado, o trem apitando, as pessoas se aglomerando na estação, estação onde chegavam sonhos, de onde partiam sonhos, estação de todos, estação de ninguém, estação de trem, mas não havia trem, apenas uma sala vazia, vazia como sua infância, por onde perambula, por onde só pode ficar com seus pensamentos de um dia ir adiante. Seu olhar só quer fitar os pingos da chuva, tentar enxergar quando passar, para saber se ainda poderá viver, poderá brincar, brincar com seu trem feito de madeira, pedaços de madeira, feito de imaginação, feito de coração, então quando a chuva passar, correrá para o quintal, nem mesmo esperará a terra secar, e montará seu trem com os pedaços de madeira, com os pedaços de sua história, que um dia há de se montar e se mostrar.
             O menino ficou ali observando a chuva pela janela embaçada, as nuvens negras que escondiam o sol, que cobriam o céu, os raios que cortavam sua esperança, como a realidade adulta corta os sonhos de criança. A noite caiu, não tinham estrelas, olhou mais uma vez pela janela, sentiu o frio do desencanto e resolveu entregar-se ao sono, deitou-se desejando sonhar com um dia de sol, que enfeitaria seu quintal para poder sentir alegria no seu coração e montar seu trem de madeira, seu trem feito de ilusão.

segunda-feira, 21 de março de 2011

o acolheu como filho

vai ter que ir lá para ver!
irá se sentir atropelado por um trem
abraçado por trovões

mas há algo enterrado lá
...naquele espelho
que quero que seja meu...

farei uma cabana de salgueiro
ao pé do espelho
e meu espírito entrará
(como uma serra a me abrir)

Poema de Vânia Lopez.

domingo, 20 de março de 2011

cenas das portas

meu bem saiu
o barulho dos passos
corre nas pessoas
(no corpo e na cabeça)

deixo aqui um bilhete e uma planta
que rego desde que te conheci
e um chá quente esperando por você
vou manter a poesia acesa
e o portão cerrado
nessa saudade interminável

vou me refugiar no batom
calar teu nome
na porta da frente

não vou te amar
do jeito que quer que eu te ame
(vou estar com frio... pegando fogo)

Poema de Vânia Lopez.

Ao fogo brando

A manta que se veste,
A sopa que se esquenta,
O outono que se esquece
Do inverno que aparenta.

À tarde, que se aquiesce,
Acresce. O que se inventa
Encaixa ao que parece
Ao forno uma polenta.

Quem dera que estivesse
À venda o que apascenta;
E o fogo, meio indolente,
Unisse a referência.

Poema de Yayá.

Bagunça Organizada

Albinos e Daltônicos
Poema a quatro mãos
com Paulo Cruz


Borboleta amarela...
Estrela preta...
O sol é incerto e a noite, certeza.
O dia é uma noite clara.
A noite é um dia escuro.
E se o dia é uma noite clara...
E se a noite é um dia escuro...
- E o meio-dia?
- E a meia-noite?
A noite cai e o sol se impõe.
Borboleta preta!
Estrela amarela!

Amigo Secreto

Meu amigo imaginário
não tem um pingo de imaginação.

A Outra Face

O reverso
da moeda
é o troco.

Catedral Interior

praias paradisíacas
paraísos artificiais
regiões inóspitas
eu
meu retiro espiritual

Cinco Pontas

Eu queria entender
de estrelas do mar
de estrelas do céu
para desengatar
a estrela cadente
da estrela do mar

Competição Desleal

Dia a dia
no pódio
os frutos da discórdia
e as sementes do ódio.

Aos Vermes

§
deus me defenda
do imposto de renda
deus me defenda
da calcinha de renda
deus me defenda
antes que eu me renda

deus não se ofenda
minha alma não está a venda
é uma oferenda
uma mera merenda

§
a água devora a rocha
a criança devora o ancião
a máquina devora o homem
pombo correio devora pomba da paz

corvos devoram espantalho
planta carnívora devora animal vegetariano
a serpente devora a si mesma
os sapos também comem rãs

na cadeia alimentar dos seres livres
decifra-me ou devora-te a ti mesmo
a lei do antropófago
é pôr no do outro


Andri Carvão.

a Culpa

eis-me por calor insistente..

à reles.. cena da mente
e
derruba-me por sonho quisto
nunca visto
antes.
da imagem retirada,
um quadro fixo, mas impostor
porém,
da estiagem lasciva dos meus espaços-olhos,
visão de corpo
tal posto
minha obsessão resfriada
em grito cego
pois, sendo
à meada..
do repto.
do “um” curso que não volta
por ora, eu penso que sei
mas,

eis-me, por conselho deixado pra mim..

é cedo
qual pátio da vénia-desespero, que
eleva-me..
canta-me honras ao contos dos vis
sendo-me o oposto do que prego
e,
ofereço-me à segregação do meu interesse
próprio,
quando não mais vier o lado do canto que eu quero
quando
apartar-me, em letra reparada
antes versada,
mas, ainda palavra
que.
à espera,
te fiz..

jogue-me. às redes por um fim de tarde..
oh!
afronta-me por temores que não soube declarar
e.ainda assim, me impeço

de cair.



..






por um nada que consome o fogo
sendo ao todo começo pensado
sendo fim, ao termo-outro que tentei-me à paginar
oh, tolo tempo paginado!
tolo conto sem memória de um dia em prévias de fim!!
tolo! tolo pacto de ilusão à queda, quando,
à peça tragédia, é parte.
da parte.
em casa-criada da época acima de mim.

então,
leve-me. estaca por recomeço,
meu preço, é este:



tudo.


http://www.youtube.com/watch?v=VlHka4gJP_k


Poema de Azke.

sábado, 19 de março de 2011

Sobre a arte de esquecer

Na janela, a gota desliza e (delgada) pára num ângulo da moldura, um ato

suicida falho, por excesso de sentido. O cinza-céu desloca-se, revoluteia,

evolui em espaço alheio e negro, nuvens chocam-se entre si e tudo o que

resta fazer é contemplar à janela,um pensamento em suspensão no alto

do cérebro, em profunda e livre queda, no calmo abismo do esquecimento,

oblívio/alívio de viver entre tantas lembranças do que não vi nem fui.


Em 21-01-2011. André Albuquerque

Caim e Abel

Me espere um pouco
Que chego já.
Do que eu mais célere
Quem é no passo?

Somos todos irmãos!

Me espere um pouco;
Só eu que falto
Chegar no ponto,
Irmão do asfalto.

Somos todos irmãos!

Me espere um pouco
Que chego em riste.
Será que existe
Quem tem mais passo?

Somos todos irmãos!

Me espere um pouco,
Só eu que falto.
Será que existe
Alguém mais rápido,

(Somos todos irmãos!)

Menos incauto,
Singrando autos,
Irmão do passo
Com mais compasso?

Somos todos irmãos!

Me espere mais;
Passante sou
Também da pressa,
Quem vai depressa

(Somos todos irmãos!)

De lanche e pasta
Sem fé, desejo,
Minguado tejo
Correndo só

(Somos todos irmãos!)

Por nós, cabrestos
No passo lesto,
Pela cidade:
Palimpsesto.

Somos todos irmãos!

Me espere um pouco;
Passante sou
Também do medo
Do denso breu.

Somos todos irmãos!

Um pouco mais
Me espere, amigo.
Deveras corro
Tão só contigo,

(Somos todos irmãos!)

Nós dois, contíguos,
Passo após passo,
Irmão sem paço,
Sem mãe, regaço.

Somos todos irmãos!

Me esperem todos:
Moídos rostos,
Puídos, rotos,
De si cansados.

Somos todos irmãos!

Me esperem mais,
Vou já chegando,
Entanto vem,
Passo ante passo

(Somos todos irmãos?)

(Me esperam todos?)
Quiçá correndo,
Quiçá sem fôlego,
Mais um de pasta.

(Somos todos irmãos?)

(Me esperam todos?)
Tomar-me vai
Lugar – nem meu,
Nem teu: de breu!

Somos mesmo irmãos?

Assim que somos
Irmãos do acaso,
Do meu atraso,
Do lesto passo.

Somos todos irmãos!

Assim que somos
Caim e Abel,
Perdidos passos,
Irmãos sem pai.

Somos todos irmãos!

Espero todos
No breu do mundo,
Mas quem me chega?
Só vejo a sombra

(Somos todos irmãos?)

De um outro irmão,
Que só vagueia,
Expropriado,
Enigmático,

(Somos todos irmãos?)

Sem passo ou rumo,
Irmão do breu,
Sem um lugar
No nosso mundo.

Somos irmãos.

Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.

SONETO A SUA BELEZA (Silviah Carvalho)



Seus olhos têm o brilho das estrelas do céu
Seus lábios o doce néctar da flor na primavera
Suas mãos a maciez da pluma, o véu
Um toque seu, só um toque... Quem dera!

O seu dorso inspira o amor ardente
O seu cheiro é a fragrância que fica no ar
A sua voz é o som que seduz minha mente
O seu corpo é fonte do meu desejo de amar

Nos seus braços aconchego minha ilusão
Que faz carícias nos meus pensamentos
E iludo-me em solitários momentos...

Buscando um lugar no seu coração...
Disfarço palavras doando-te meu tempo
De tanto querer-te, tornaste meu tormento

sexta-feira, 18 de março de 2011

O Japão Chora...



Depois de criar esta imagem/símbolo da tragédia no Japão, enviei para muitos amigos e amigas do Orkut.
 Uma delas, a Poeta Márcia Sá, reenviou a um amigo poeta no Japão,
que inspirado pela imagem escreveu este poema.

Meu coração muito sangra
Por isso nada agora me alegra
O pesadelo que invade a terra
É cortante feito lâmina de serra

by Kazuo.Tokio.15.03.2011...


O poeta Kazuo



Fonte: Mural dos Escritores




quinta-feira, 17 de março de 2011

Derramadas...




...
Por um momento,

Não se ouvia mais palavras.

Elas estavam no coração...

Sendo derramadas num beijo...

Que jorrava paixão.
...


((( Camila Senna )))