Manifesto do coletivo Pó de Poesia

O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.


Creia.


A poesia pode.


(Ivone Landim)



domingo, 13 de junho de 2010

CASA NO CAMPO



CASA NO CAMPO
(Poesia dedicada a minha amiga Silviah Carvalho)

Um dia você terá uma casa no campo
Onde poderá ver a paisagem verde
As flores enfeitando seu dia
Brincando num simples balanço

Vai poder correr pela sua varanda
Jogar o chapéu de couro para o alto
Balançar seus cabelos e depois de caminhar a pé
Sentar-se à mesa no fim da tarde para saborear seu café

Um dia você terá uma casa no campo
Com as noites cobertas de estrelas brilhantes
Sentir a brisa fresca que beija as folhas
E pensar porque não escolheu viver assim antes

Um dia você vai sorrir
Em sua casa no campo
Colherá frutas frescas no pomar
Frutas doces como o brilho do seu olhar

Nas manhãs de primavera se encantará
Ouvindo o cantar daquele canário
E como o outro lindo pássaro
Voltará a voar, a sonhar

Um dia você vai brincar no balanço
Na sua casa de campo
E verá aquela vila tranqüila lá longe
E nunca mais se lembrará do seu pranto

Um dia você vai ser muito feliz
Feliz como um simples
E doce acalanto
Na sua casa no campo

LUZES



LUZES
(Dedicado a minnha amiga Ivone Landim)
(Eu sempre quis fazer um haikai pra você, por tudo de bom que você faz pela poesia)

Seus olhos são luzes
Encantam noites e dias
Você é poesia

DIA SEM POR DO SOL



DIA SEM POR DO SOL
(Poesia dedicada a minha amiga Luciene Lima Prado)

É só mais um dia que nasce por trás da serra
Um dia que nasce sem o sol
É só mais um tempo de espera
Sem ver a claridade ao redor do meu farol

É só mais uma manhã que olho as nuvens
Que encobrem o azul anil
Campo aberto onde os pássaros passeiam
Campo sem fim onde meus olhos vagueiam

Em busca de um sorriso sem melancolia
Em busca de um beijo no rosto
De minha própria anistia
De esperança no novo dia

É só mais um dia que nasce sem sol
Um dia que tentarei atravessar
Meus próprios conflitos
Meus desertos através do sal

É só mais um dia sem poesia de amor para escrever
Um dia que findará sem por do sol
Sem anoitecer para me proteger
Sem feixe de luz para iluminar minha vida sem farol

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Viver assim, eu não quero...



Agora veja,
se tem como viver nesse pobreza,
pobreza de espírito
de um ser desunido.

Ser covarde e viver na tempestade
e mal poder
falar a verdade.

Ser comodista
em um mundo
de golpistas
que só querem
a maldade.

Ser brasileiro
sem qualquer dignidade
sem valor da humanidade
que só quer ganhar vantagem.

Ser falso e dançar
conforme a música,
a musica da mentira
desse povo embaraçado
que vive a vida no interesse
se passando por bonzinho
se fingindo bom vizinho.

Ser vaselina
e não ter nem
mesmo a rima
de opinar o que
não desce,
o que engorda
e emagrece.

Ser invejoso
e cobiçar o do vizinho
porque o dele
é bonitinho
e o seu é engraçadinho.

Ser coca-cola
e viver só na pressão,
sem querer dar o seu gás
pra ganhar seu um milhão.

Ter preconceito
nesse mundo colorido
de pessoas de todos os tipos
que só querem o carnaval.

Ser puxa saco
dos otários que se acham
e não tem nada no saco
pra fazer e acontecer.

Ser pessimista
não acreditar na sorte
conformar-se com a descida
e crer que a vida está perdida.
Acaba não tendo a paz prometida.

Ganancioso
querendo sempre mais
que os outros,
se amanhã o que se tem
pode desaparecer.

Ser egoísta
e querer só para si
o que Deus
mandou dividir.

Pessoa fria
que vive em nostalgia
de uma vida calculista
sem dar ou receber.

Viver assim, eu não quero!
Quero ser sincera doa a quem doer.
Se eu não gosto, não preciso conviver
sem meio-termo pra poder aparecer...
Ser aprendiz e viver sem cicatriz.

Camila Senna

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Sumário dos dias II

















A lua ergueu-se nos espaços
E nada disse.
Foi-se como ontem, hoje,
Sem nenhum murmúrio.
Passou o vento bulindo em tudo,
Causando grave alvoroto,
Tentando soprar as lembranças contra nós,
Mas não lhe entendemos o recado
Após o dia, o verão e o estio.
Passou apenas nos deixando
Uma noite sem nenhum fragor,
Paixão ou volúpia,
Sem anjo a tocar trombeta –
Noite, apenas noite, física,
Insonhada por todos os poetas.

Ao alvorecer,
A manhã trouxe-nos
As mesmas flores de ontem e amanhã:
Desenganadas!
Porém, não houve pesar ou frustração
Pela noite, pelo vento e as flores
Fanadas entre nossos dedos resignatários,
Sem nenhuma poesia.

Pois, como dormimos, acordamos,
Como acordamos, comemos,
Como comemos, repomo-nos,
Pequeninos às nossas funções,
Como nos repomos, produzimos
Como produzimos, amamos,
Como amamos, esquecemos,
Como esquecemos, esquecemos o que esquecemos,
E, então, morremos como nascemos,
Brotando sobre nossos túmulos de granito e cimento
As mesmas flores do amanhã,
Entre armas e sonhos imobilizados.

Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Ficções




Eu quero todos os sonhos
Eu quero toda as ilusões
Eu quero toda as mentiras
Eu quero toda as ficções.

Que venham os reis
Que se intrometam as bruxas
Que apareçam as princezas
Que renasçam os magos.

Vamos brincar de tudo
Que aceitemos as verdades lúdicas
Que trespassam o insosso da realidade
E sejam elas de utilidade pública.

Que o pensamento seja a máquina do tempo
E o chão palco abençoado
Onde nós atores indisciplinados
Captemos ondas de gozo e burilamento

Os personagens que ainda não nasceram
Se despregaram um dos outros
Onde até então se roçavam nus e inconscientes.
Que eles tomem pensamento, corpo e roupa.
E partam para a ação intensamente.

Não os conheço, mas eles já gritam em meu ouvido
Querendo que eu dê-lhes a luz com meus dedos e minha mente
E eu finjo que os ignoro, enlouquecendo-os
E eles me enlouquecendo num só gemido.

São piratas, prostitutas, imperadores,
Gays, padres e doutores.
Monstros, príncipes, bandidos,
Donas de casas, crianças e mendigos.
Anjos, duendes e anônimos,
Fadas, ninfas do bosque e demônios.
Malandros, homens sérios, falsos morenos,
Verdadeira louras, falsas virgens, nós mesmos.

Marcio Rufino




O lugar deve ser a última coisa
que possa nos afastar
sobre o lugar lutamos
sobre o lugar plantamos
sobre o lugar colhemos
e sob o lugar nos plantarão
nos plantarão no brilho dos olhos
lugares com muro nos impedirão de entrar
lugares imprevisíveis nos convidarão a entrar
se cada um escolhe a sua casa
é porque nela sabe quem vai morar
mas moradia no coração de um nômade
é o mundo incerto dos dias
que se constrói de lugar a lugar
jamais aqui, jamais ali,
sempre em outro lugar
no peito, o lar
sem onde partir
sem onde voltar.

Fabiano Soares da Silva

Tentativa de aprisionar o sentir




Eu escolhi a vida
mergulhando
profundamente
nas dores, nas perdas,
nos"nãos".
Esmiucei em
minhas veias
em todos os
meus sentidos
a grandiosidade
do que é o
viver.
Hoje olho sereno
nos olhos de Deus.
Nada é diferente...
tudo é imensamente
natural
tudo está gigantesticamente
vivo
não cabe em palavras.
A grandiosidade
do que sinto
não se dimensiona
em poesia
não sifra-se
em canções
não explode
com pólvora
é genuinamente
puro
e é só meu
só meu
só meu...


Jorge Medeiros
(- 23-03-2009)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Leve a devanear...




Vento me trouxe cheiro de mato.
Céu encantado...
Flor dama-da-noite a se abrir, me fazendo luzir.
Sou pássaro que voa de noite, sem querer dormir.
Desejando atrair a sutileza da natureza que é perfeita.
Com pureza no olhar, a fixar o orvalho que caia amiúde.
Me fazendo extasiar com o luar sobre a terra, e sua plenitude.
Mistério da vida...
Inspiração para alma...
O encanto no ar...
A silhueta das montanhas...
E as nuvens branquinhas a tocá-las.
O silêncio era tanto...
Que pude ouvir meu coração pulsar.
Fiquei leve a devanear...

Camila Senna

domingo, 6 de junho de 2010

FLOR DO MEU AMOR



FLOR DO MEU AMOR
(Poesia inspirada no quadro da artista plástica Gabriela Boechat)

Talvez eu não tenha
Nascido na claridade do dia
Mas a flor que te ofereço
Tem a mesma cor dos meus olhos

É tão frágil como meus lábios
Tão doce como a paz
Que procuro em seus olhos

Tenho passado por dias de tormenta
Anos de solidão
De aflição
Sem que ao menos olhem
Meu coração

Mas mesmo assim ofereço essa flor
Sinônimo do meu amor
Da minha esperança em igualdade
Da minha esperança em poder andar livre
Pela minha cidade

Minha esperança em entrar no ônibus
E não ser obrigada a viajar de pé
E se sentar não ser arrancada
Arrastada
Mesmo que todos os bancos estejam vazios

Minha esperança de ter realmente os mesmos direitos
Os mesmos defeitos
Minha esperança de não viver mais
À margem da vida
De não ser sua ferida

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Solidão




eu queria ver
não só o escuro
e as cores
do mundo
queria virar
de lado,
na cama,
e ver um corpo
pulsante
e etéreo,
com sexo frágil
ou forte,
me olhando
nos olhos dizendo:
tô aqui,
não vou embora.

Jorge Medeiros
(23-05-2010)

A melodia da Vitória...



Construí um Castelo.
 No mesmo, havia um Príncipe e uma Princesa.
 Só tinha dor...
 Mas as algemas se arrebentaram...
 E o castelo foi libertado.
 Restaurado e autorizado.
 A não mais padecer...
 E só querer crescer.
 Não tinha amor...
 O rio que outrora era seco, transbordou.
 Não tinha alegria...
 Mas a andorinha trouxe de volta o canto para nosso encanto.
 Não tinha paz...
 Mas a vontade de ser tenaz, nos trouxe sinais de chuva.
 Chuva essa, que movimentou as águas paradas...
 E nos deu uma guinada na estrada malvada.
 O Castelo está erguido, e não mais ferido.
 Restituído ele foi.
 O Príncipe e a Princesa...
 Era um casal normal, que almejava ser vital, nesse mundo de meu Deus...
 Queria os seus na luz, e não no breu.
 E os incrédulos que os serviam e conheciam...
 Passaram a crer em demasia, que um ser pode ter ousadia e ouvir a melodia.
 A melodia da Vitória!

Camila Senna

Sumário dos dias














Por onde passaste e te perdeste
Num mar de procelas borrascosas?
Nem mesmo tu sabes protegido
Por quatro paredes que te encerram.
Lá fora o dia é sem precedentes.
Não há nada igual e os homens catam
E contam calados as ruínas
Dos corpos imotos, sem desígnios,
Co’a comprida vela esfarrapada
De um lenho repleto de naufrágios.
Quiseste transpor o bojador
E êxito lograste em tão extensa
E arriscada empresa, porém não
Transpuseste a dor da solidão,
De quem pelo mar, expatriado,
Regressou sem fé, feito em pedaços.
Calecut alguma divisaste
Ao fim da jornada para a glória;
Viste tão somente um breu profundo
De abismos e pântanos sombrios,
Que é a própria máquina do mundo;
Mares em que não discernes céus
De amorosa estrela cintilante
Que a Deusa averruma no horizonte,
Pois toda a alma nasce sempre imensa
Até se encontrar co’o mar e ver
O quanto é miúda e sem destino,
Até defrontar-se co’as metrópoles
E ver-se sem alma na rotina.
E agora de volta para casa,
Anonimamente conduzido,
Melhor compreendes o que foste,
O que és e serás na tempestade
Íntima de ser que se procura
Sempre no maralto da cidade.

Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

PARALELAS DA SUA VOZ



PARALELAS DA SUA VOZ
(Poesia inspirada no quadro e na música Nu da Minha Voz)
(Dedicada a Sérgio Salles-Oigers)

Eu também não tenho mais voz
Mas vejo o colorido da sua voz
Que se espalhada pelos quatro cantos
Em busca de um céu com ou sem prantos

Sua voz que invade nossas casas
Por entre os olhos da liberdade
Liberdade de poder cantar
De poder amar

Sua voz que faz dos acordes do violão
Muito mais que apenas uma ilusão
Muito mais que perfume de jasmim
Que sonhos sem fim

Sua voz que faz uma paralela com a poesia
Paralelas que se encontram
Que se misturam todos os dias
Para sua voz não poder calar
Para sua voz nos encantar

Autor: Arnoldo Pimentel

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O Monstro Teimosia



A vida é uma ilha flutuante
Sem porto fixo, sem norte.
Quanto mais se nada em sua direção
Mais ela foge.
O desejo vive nessa ilha.
Sedento, faminto, leproso.
Cego, banguela, horroroso.

Do alto mar já se vê o Morro do Pensamento
Onde as asas de Deus protegem a todos nós.
Atrás do morro vive um monstro bonzinho
Que estrangula
Mas só aperta e não machuca.

É o monstro Teimosia
Animal feroz que come as próprias patas
Para escapar da armadilha.
As patas são digeridas e defecadas.
Depois renascem firmes
Com as garras ainda mais afiadas.

E em todo esse emaranhado
Minha mais nobre atitude
Foi em cada lugar que passei ter deixado
Um pouco de meu pecado e de minha virtude

Monstro Teimosia que conta o irrevelável.
Monstro Teimosia que se transforma em noite
E nos banha de prazer e mistério.
O beijo que não se deu.
O sexo que nunca aconteceu.

Com o vento eu corro, pulo e rastejo.
Em qualquer brejo, em qualquer engenho.
Eu sopro em qualquer lugar
Mas ninguém sabe de onde eu venho.

E em todo esse emaranhado
Minha mais nobre atitude
Foi em cada lugar que passei ter deixado
Um pouco de meu pecado e de minha virtude.

Teimosia inexorável, soberba, sonhadora.
De gosto louco, bêbado, exótico.
Conivente com monstros depravados
Que se acariciam
Em frente à gigantesca tela plana de cinema erótico.

E quando as ondas duramente retardadas
Do mar Cáspio do meu riso
Baterem nas pedras moles da minha segurança
Eu vou me banhar num fumegante rio
Para que muito além do meu calcanhar
Seja meu corpo todo uma bonança.

Teimosia que não quer eu seja o sapo que se transforma em príncipe
Mas que que eu seja o sapo que devora auroras.
Teimosia que não que que eu seja o cão
Que se faz de anjo de luz para iludir e enganar
Mas o cão que ladra para a luz da lua
Para acalentar o sono e sonhar.

E em todo esse emaranhado
Minha mais nobre atitude
Foi em cada lugar que passei ter deixado
Um pouco de meu pecado e de minha virtude.

Marcio Rufino
Todos os direitos reservados.
Não entro mais
em mim mesmo
pois fico assustado
com as estranhezas
as quais vejo...
Pensar consome
as entranhas ...
Prefiro namorar
com a impessoalidade...
Corro para meu quarto
e admiro a geografia
que o decora,
as cores são
de um vermelho intenso,
quase um sacrilégio...
As janelas possuem vitrais
como os das catedrais...
Gosto do recolhimento
de monge
que apura
cada sutil toque
que a natureza propicia.
Abro as janelas
a ventania traz gotículas
de chuva-de-vento
e acaricia
minha pele
nua e crua.

Jorge Medeiros (07-11-2008)

É só esperar o outro dia...

 

Tem sempre um dia, em que o sol não nasce.
As flores não se abrem.
A lua se esconde.
O sorriso sai sem graça.
A tristeza te ameaça.
A brisa leve, sobre a poetisa se esquiva.
Coração abatido fica.
As palavras saem sem rima.
O corpo não se anima.
Olhar tristonho regado de lágrimas persiste.
Sentimento fragilizado sobre o céu nublado insiste.
Rua vazia na escassez de poesia, que é ironia.
Alma melancólica esperando primavera, que é fantasia.
O que me resta, é esperar o outro dia,
e crer que minha alegria vai fazer moradia.
E a mulher audaciosa, vai voltar cheia de energia.

Camila Senna

terça-feira, 1 de junho de 2010

A todo tempo
há a procura
e o alvo se dissipa
nas estradas
e no caminho...
não há a certeza...
A cada instante
há a despedida
nos olhares que encontro
há ausência...
a cada segundo
tudo se esvai...
O que insiste
em ficar
-no canto-
do olhar, presa,
imóvel,
é a lágrima,
que, imperdoável,
não me liberta
a alma
e não me deixa
partir...

Jorge Medeiros
(01-05-2010)

domingo, 30 de maio de 2010

Marcio Rufino representa o Pó de Poesia na 3ª edição do sarau "Cidade Atravessa".


O poeta abre o evento lendo o Manifesto do Pó de Poesia composto por Ivone Landim.


O sarau Cidade Atravessa é um evento realizado pela editora Confraria do Vento em parceria com a Casa das Rosas e o Projeto OX toda segunta sexta-feira de cada mês. Atendendo a um convite do grande poeta e xará Marcio-Andre, tive a honra de participar deste importante evento na noite de 21 de maio de 2010. Antes de ler dois poemas de minha autoria fiz questão de ler o Manifesto do Pó de Poesia de autoria de nossa poeta, professora de Literatura, arteterapeuta e ativista cultural Ivone Landim. O evento teve também a participação de outros poetas como Reynaldo Bessa, Beatriz Bojo, Alex hamburguer, Luiz Roberto Guedes, entre outros, além da exibição o curta Cidade-Resposta de Marcio-André. Uma entrevista do escritor Paulo Scott com o escritor e fundador do CEP 20000 Guilheme Zarvos fechou brilhantemente o evento.

Assista o vídeo

De emocionar...





Ao som de uma flauta doce, me distancio da terra.
Minha alma se inunda de paz.
Me deixando levar por movimentos suaves, me dedico a lua.
Que como corpo celeste se insinua, o céu azul da cor de anil se encontrava, e as estrelas que tem luz própria, me irradiava.
As minhas asas imaginárias estavam lá, prontas a voar.
Na essência daquela noite na relva, quero me aprofundar.
A natureza é mesmo divina, me fez sentir um clima de emocionar.
E mais alto ainda, eu queria voar.
Elevei meu pensamento que corria ingênuo pelo ar,
recitei um verso, dizendo: ser infinito este luar.
Ah, como é bom flutuar.

Camila Senna

Procissão

sigo uma procissão
descompassada
onde não há
cânticos conhecidos
não há rezas certeiras
ou costumeiras.

é apenas um ir
indo pelo ir
pela exigência
do passo
pra um caminho
que desconheço.

a ladainha
da vida
segue
contínua
permaneço
na procissão..
até quando?...

Jorge Medeiros

(15-05-2010)

UMA FADA NA NOSSA NOITE



UMA FADA NA NOSSA NOITE
(Poesia dedicada a poeta Sarinha Freitas)

Eu fui apenas abrir o portão
O céu estava escuro
A noite estava nublada
No céu havia um deserto sem nada

Eu apenas abri o portão
Esperando ver do outro lado
A praça vazia
Descobrir que nem vida existia

Eu apenas abri o portão
E uma fada apareceu
Uma esperança nasceu

Uma fada vestida de humildade
Uma estrela que iluminou e trouxe vida em nossa noite
Uma fada esculpida de amor e amizade

Autor: Arnoldo Pimentel

sábado, 29 de maio de 2010

CANÇÃO PARA NÃO MORRER, CANTIGA PARA NÃO MATAR

Dissolver a luz nas migalhas de enxofre,
quando quente
glorificar os parafusos que sustentam a prateleira
no perpetuar dos sonhos absortos sob a língua que não mais trepida,
mas que esconde com a palma de sua mão
o sangue que esvai pela hélice do ventilador
por roer o mórbido encarniçado
numa apostólica alegoria de carnaval.
Uma mão sem dedos acena,
sorri com seus nervos à espera dos
comichões promocionais
e entre suas indecifráveis linhas
o sapato cai,
o gato cai,
a faca cai
e o desespero sobe
--- Zé Pilintra avança com a sua bicicleta de dez marchas ---
o infinito pertence ao passado e ao futuro a agonia.
Adormece o anzol entre a massa encefálica de seu travesseiro de almas,
transparente-aparente-ardente o fel que se faz do excitar de suas entranhas,
sua voz = minha cruz
seus desejos = minhas vontades
seu gozar = minha vez de lamber o corrimento das feridas.



do livreto "Os Covardes Também Cantam Canções de Amor"
de Sergio-SalleS-oigerS
₢.2000 - Gambiarra Profana / Folha Cultural Pataxó

Desespero romântico



















Só, na penumbra,
Depondo um caule seco
Na tigela,
Uma questão me ressumbra
Sob a luz da vela:
Que nos resta
Senão o espinho
E esta vazia cela?

Haverá fortaleza,
Haverá natureza
Que suporte isso
Neste terreno cediço?
Franca beleza
Que não perca o viço?

Ó louca lua,
Vermelha e nua,
Dize-me ao menos
O que é o ser
Nesta vida de somenos?
Dize-me que são
Estas falanges
De gente morta e exangue?

Dize-me quem são,
Tu que, súbito,
Demudada e lenta
Surges rubra,
Sanguinolenta,
Carnívora
Nesta atmosfera
De corpo e sangue.

Dize-me o que é
Esta gente langue
Que volta pra casa
Silente e estanque
Seguindo num bonde
Que chega aonde
De paludes sombrios?

Dize-me o que é,
Sob esta atmosfera
De pântano e fera,
Tanta gente que espera
Ouvindo o carrilhão
Vibrando da catedral
E de abissal região!

Dize-me que são
Os mares e marés,
O sol e as estrelas.
Sobretudo as estrelas!
Essa louca vontade
Que tenho de vê-las,
De tê-las
E compreendê-las.

Fala-me do quark
E do quartzo,
Tu que surges
Na janela do meu quarto,
Tu que a tanto nos observas
Como a um filho
Após o parto.

Dize-me quem és,
Filha de Théia,
Irmã gêmea da Terra,
Que pelo céu erra
Desnuda e atéia!

Dize-me o que são
Tanta forma e estrutura,
Tanto véu de loucura
Que em si tudo enclausura.

Dize-me o que são
Tanta vida
Ao rés desse chão
E esses corpos no escuro
Que alheios caminham
À própria matéria
Contra toda a sorte,
À espera da morte
Em solitária clausura.

Dize-me o que são
Tanta nau naufragada,
Tanta onda cansada,
Tanta vida afogada,
Tanta gente sem glória,
O Ser, o Tempo e a História!

O que dizes?
Nada dizes!
Apenas sussurras
Por sobre as marquises:

- Intrusa, irrompida vida,
Ainda recente ou finda,
Inunda logo a avenida
E tua cela vazia...

Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.

A arte de Gabriela Boechat


A roda da fortuna



Ventos na primavera



Neruda


O menino do forró


O nu da minha voz

Os quadros acima foram pintados pela artista plástica Gabriela Boechat.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Me encontrar...



Quero me encontrar...
Despedir-me de tudo que me afugenta a alma.
Me encontro presa em um casulo.
Observo meus dias passando.
E o relógio é meu pior inimigo.
Sinto fome de amor, paz e brilho nos olhos...
Minha alma tem gritado por socorro
Se existe inferno, me encontro nele.
Renunciei-me...
Abri mão de tudo que um dia sonhei.
A menina imatura cresceu, eis aqui uma mulher.
Ainda menina, só que madura.
Quero encontrar um caminho um lugar em busca de mim mesma.
Quero sentir-me viva, pronta, no ponto, desejo me possuir com toda exatidão.
O ímpeto do meu ser anseia liberdade...
vento no rosto...
gargalhadas sinceras...
espontaneidade...
Olhares sedentos sempre em busca de si mesmo, do outro, da vida.
Ao amanhecer, quero sol no meu jardim.
E que a as flores voltem a sair...
E a vida que anseio, venha fluir em mim...

Camila Senna.


O Poeta Divino Márcio Rufino...





Escrevi esse poema para meu amigo Márcio.
Que brilha como o sol...
Que rima com um verso...

Talentoso é esse menino, o Poeta Márcio Rufino...

Cativo das letras e dos livros...
Como é audaz Márcio Rufino, que é poeta desde menino.

Autor de valor...
Todos deveriam ler.
Os poemas que ele escreve nunca mais irão esquecer...
Porque ele é poeta de verdade e merece aparecer.
Não para se engrandecer, mas para sua obra e sua alma
mais nobre ainda ser...

Talentoso é esse menino o Poeta Divino Márcio Rufino.

Camila Senna. 

terça-feira, 25 de maio de 2010

Primavera em pleno outono faz sucesso no Donana


O poeta Arnoldo Pimentel autografa seu livro "Ventos na Primavera".


Poetas na penumbra: Dida Nascimento, Fabiano Soares da Silva, Rodrigo Souza, Sergio Salles-Oigers, Arnoldo Pimentel, Henrique Souza, Vicente Freire, Marcio Rufino e Rômulo Pimentel


Os poetas Jorge Medeiros, Ivone Landim, Felipe Mendonça e Marcio Rufino


O poeta Marcio Rufino é o mestre de cerimônias


A poeta Ivone Landim


O poeta Jorge Medeiros


O poeta Sergio Salles-Oigers também homenageia Arnoldo


O poeta Rômulo Pimentel


O poeta Fabiano Soares da Silva


O poeta Henrique Souza


O poeta e ativista cultural Vicente Freire


A artista plástica Gabriela Boechat


O poeta Arnoldo Pimentel

Próximo de completar dois anos, o Pó de Poesia acaba de parir seu primeiro rebento. Trata-se de “Ventos na Primavera”, primeiro livro solo do nosso companheiro, o maravilhoso poeta Arnoldo Pimentel, editado pelo grupo Gambiarra Profana em parceria com a editora Pataxó. Tendo na capa uma belíssima ilustração da artista plástica Gabriela Boechat, o livro foi realizado de forma elegantemente artesanal e tem participações afetivas de poetas do Pó de Poesia e da Gambiarra Profana como Marcio Rufino, Ivone Landim, Sergio Salles-Oigers, Fabiano Soares da Silva entre outros.

O lançamento foi um grande sucesso na noite de 22 de maio de 2010 no Centro Cultural Donana em Belford Roxo. Contou com a apresentação de Marcio Rufino e com a presença de poetas da baixada fluminense e de outras regiões do Rio - como o poeta Xandu - que homenagearam o poeta lendo seus poemas. O evento contou também com uma mostra de curtas- metragens do Cine Rock e com exposição dos quadros de Gabriela Boechat.

A noite foi muito emocionante para todos nós e temos a honra de dividirmos esse momento glorioso com todos os seguidores, amigos, visitantes e leitores do blog do Pó de Poesia. A cultura de Belford Roxo e da baixada Fluminense agradece.

O Amor me Pegou




O Amor me pegou
Entre solidão e música romântica
Entre meu quarto e minha cama.

Quando de repente
Me lembrei da primeira vez
Que vi seu rosto

De repente me vejo aqui
Com esse leão feroz
Querendo saltar de dentro do meu peito.

Que vai dar no mar
Que nos levará para uma ilha
feita para nós dois.

Guardada por um deus grego
E uma santa católica
Que se compadeceram
Da sinceridade do meu amor.

Será que você não vê
Que meu coração
è uma baleia gigante
Que ondula, pula e salta
De cabeça para o rabo
Num mar de bem-querer.

Mas eu fico aqui nesse quarto
Totalmente exilado, alienado, separado
Desse mundo que não se cansa
De correr lá fora.
Dessa gente que não se cansa de andar lá fora.

Não quero que minha solidão me enterre em terra frouxa
Me comendo da carne em incerteza
Que é a destruição.
Mas me conduza em estradas iluminadas
Por noites escuras de lua e estrelas
Que é a paixão.

Bendito seja seu rosto vermelho
De vergonha e charme.
Bendito seja seu olhar infantil
De inocência e arte.

Ainda hei de ver chegar o dia ou a noite
Em que numa mesa de bar
Ou numa festinha de estar
Chegaremos juntos
Passo a passo
Palavra a palavra
A verdadeira razão espontânea de sentimentos.

Não quero que minha loucura
Faça com que minhas unhas e meus dentes
Me estraçalhem vivo
Que é a morte.
Mas faça com que meus lábios e minha língua
Percorram os pelos do seu corpo
Sugando a sua energia
Que é a sorte.

Maldito seja todo o rosto pálido
De hipocrisia e maldade.
Maldito seja todo olhar frio
De ironia e falsidade.

Ainda hei de ver chegar a tarde ou a madrugada
Em que você vai me ver
Como uma pessoa
Que te quer muito amor
Que não é só um corpo
Capaz de dançar
Mas de fazer música.
Não é só capaz de comer
Mas de sentir fome.

E aí você vai entender
A razão do que eu digo
Pois é com muito orgulho
Que eu grito
Com todas as minhas vísceras
Que o Amor me pegou.

E é ele quem me abre o coração
Para você passar
Assim como Moisés abriu o Mar Vermelho
Para o povo hebreu caminhar.

É por isso que eu sou seu
Mesmo que você não queira.
É por isso que você me domina
Mesmo que não me deseje.

Agora cala minha boca.
Não quero mais falar.
Não quero mais te olhar.

Não quero mais traduzir em versos
Tudo que os meus olhos lhe revelam
E meu coração pensa.
Tudo que minha boca insulta
E meu pensamento pulsa.

Já que esse amor não morre.
Renasce em outro crepúsculo,
Percorrendo outros músculos
Em poucos minutos,
De um tempo minúsculo de se querer.

Cresce em reflexos
Num mundo circunflexo
De dias perplexos
De sentido sem nexo de se viver.

Se reproduz desesperado
Num momento exato
De corações apertados
E sentimentos frustrados de se esperar.

Morre em braços duros
De homens maduros
De pensamentos obscuros
e corpos profundos de se entregar.

Marcio Rufino
Todos os direitos reservados

Bruxo

prendeu minhas
palavras
aprisionou-me
a atenção
vasculhou minha
cabeça
bagunçou meu
saber
destroçou o meu
querer
dominou-me de todo
jeito
deixou meu corpo
ir embora
e fixou em seus olhos
minha alma
que não pôde partir.

Jorge Medeiros (23-05-2010)

(Em homenagem ao encontro impactante que tive com o artista Xandu)

Lu se ama

Lu se olha sem medo
disfarça o segredo
e assume bem cedo
força num só arremedo.

Lu solta seu pensamento
no certo momento
na voz sem sofrimento
mas com todo envolvimento.

Lu aprende e ensina
na vida de simples menina
na mente e garra feminina
nunca a limites se confina.

Lu leva o profundo pra cama
no silêncio diz quem ama
e antes de tudo, Lu se ama.

Giano
Todos os direitos reservados.
Ouço teu canto
Tão louco
Como as gaivotas
No fim do dia
Invento sussurros
Tão frio
Como a pele
De tuas montanhas
Desfaço segredos
Inventados por atores
Improviso
Saio de cena
Sem o beijo desejado
Sem a lágrima inevitável
E sem vontade de ir embora
Nesta noite tão fria.

Fabiano Soares da Silva
Todos os direitos reservados

Odisséia

















Caudal enorme
De pressa e de ódio,
No leito asfáltico,
Perturba os homens.

Calor de máquina
De brita e de aço
Poreja a pele,
Sufoca o peito,

Sufoca o pleito,
E a todos deixa
Em alta noite
Insones, nulos.

E oprime a boca
Que pede vez,
Que pede voz,
Um pouco d’água,

A fim de sede,
Tal qual de Tântalo,
De fera estiva
Matar enfim.

Mas, há bebida
Que te refaça,
Um calmo rio
De leito manso

Que o lasso músculo
Vigore e molhe?
Não há natura
Que a crosta fure

E acalme a fúria
Febril e muda!
Não há natura;
Só louca lua

Desnuda e gélida
Que se insinua
De noite arcaica,
Por entre gretas

De tua dor,
E nu te deixa
De couro e seda
Com teus broquéis.

Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.

sábado, 22 de maio de 2010




Os evangelhos
são quatro...
O Poder
assim os definiu:
Glória
ao Pai
ao Filho
e ao Espírito Santo...
E é claro
ao mistérios da vida
que ninguém
descobrirá.

Jorge Medeiros
(11-01-09)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

PEQUENO PARAÍSO


PEQUENO PARAÍSO

Tudo era azul
Era sorriso para quem precisasse de abrigo
Abrigo pra quem precisasse de sorriso
De riso

Tudo era apenas uma fantasia
Que brotou da nuvem que passava
Para clarear a tarde cinzenta

Todos os brinquedos
Estavam espalhados pelo chão
Ilhados e isolados
Como uma rosa depois de perder
Um botão

Tudo era apenas um azul
Que não era celeste
Nem mesmo a cor do meu olhar
Nem minha alma sem vestes

Eram apenas estrelas dos brinquedos
Que sem medo
Ficaram sozinhos e espalhados
Pela minha sala

Minha sala decorada pela minha ausência
Minha sala que não era azul e nem servia de abrigo
Que não era sorriso
Nem riso
Era apenas meu pequeno paraíso

Autor: Arnoldo Pimentel

terça-feira, 18 de maio de 2010




O tempo
só o tempo
revelará
todo
o mistério...
Um cálice
irá transbordar
como o ciclo
certeiro
da fêmea
e será desvelada
a face
da vida
as várias
faces
divinas.

Jorge Medeiros
(10-01-09)

domingo, 16 de maio de 2010

Canção suicida












Antes era livre;
Dispunha de amplo
Firmamento teórico para aventuras
Amorosas e ontológicas,
Mas nunca conjecturei-me feliz,
Sabendo até que muito desejava tal emoção.
Certas associações tão óbvias
Não se conjugam neste mundo incongruente,
Enquanto algumas contradições surpreendentes
Enredam-nos facilmente nos viéses da vida,
Pois sendo amante devasso
De todas as fórmulas de lupanar
E de fêmeas filosofias ocidentais,
Não era feliz,
Não, ao menos, como um dia foram
Gregos ou romanos transfigurados
Pela apolínea beleza do Olimpo...
Contudo, hoje, quando circulo,
Sempre me deparo com paredes
Sem contradições, de crueldade,
Liturgia escolhida
De uma única profissão de fé.
Porém, nem tudo parece perdido...
Nelas, percebo sempre uma janela
Para, de monturos de arame e aflição,
Defenestrar-me, alcançando,
(Quem sabe?) após prisão e flagelo,
A medida vaga da aceitação,
Que vem de saber que o saber
Faz sofrer eternamente...

Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.

PIPAS COLORIDAS SOLTAS NO CÉU



PIPAS COLORIDAS SOLTAS NO CÉU
(Essa poesia é dedicada aos amigos Sérgio Salles-Oigers, Lenne Butterfly e Fabiano S. Silva )

Tenho folhas escurecidas para soltar no vento
Escurecidas pelo tempo
Que andei brincando de pular as cordas
Que escondiam o pólen das flores que queriam amar
Antes que a primavera pudesse chegar

As pipas coloridas que estão soltas no céu
São apenas enfeites que camuflam
A tristeza que está no olhar daqueles que não tem a quem amar
Que não tem um carinho durante a noite fria
Que não tem um soluço para secar

Tenho estrelas que querem sorrir na noite
Mas a claridade do sol ainda está distante
Do pólo norte onde se encontram meus sonhos
Meus sonhos não são azuis como o infinito
Sonho apenas em tentar conter meu grito

Em tentar encontrar a solidão vazia
Para onde poderei partir
Sair sem me despedir
Desaparecer com as folhas escurecidas
Que soltarei no vento
Para evaporar nas frestas do tempo

Autor: Arnoldo Pimentel

sexta-feira, 14 de maio de 2010

CORAÇÃO QUE AMA



CORAÇÃO QUE AMA

O coração que ama
É oásis no deserto e alimento ao faminto
Água ao sedento, força para o fraco
Consolo ao aflito

É paz em meio a guerra
Não tarda, não se esconde
É um pouco do céu aqui na terra

O coração que ama
Não busca glória e nem recompensa
A ninguém diminui, a ninguém entristece
Na bonança está presente
Na tormenta não desaparece

O coração que ama tudo suporta
Perdoa sem ser perdoado
Ama sem ser amado
Não maltrata quando maltratado
Não julga quando é julgado

O coração que ama
Não se cansa de fazer o bem
Não difama, não agride, não acusa
Sabe a hora de ouvir e a hora de falar
E se nada pode fazer, sabe a hora de se calar

O coração que ama desse jeito
Aprendeu com a crucificação
Que se não pode pôr nos ombros sua cruz
Te sustenta, te carrega e te ajuda em oração

Autora: Silviah Carvalho

SONETO À FLOR DOS TEUS SENTIDOS



SONETO À FLOR DOS TEUS SENTIDOS

Não poderei dizer com firmeza
Se nos poemas a minha alma exponho
A poesia é carne, caminho e sonho
Em que todos têm a mesma beleza

Alma que pode ser a tua ou a de um anjo
Não a distingo de mim nem da canção
Na poesia tenho mais de um coração
Que palpitam formando um belo arranjo

Se disser que sou flor mesmo não sendo
A verdade de outrem é meu rebento
Pois eu digo que outras almas são minhas

Contudo, se de mim duvidas tanto
Se a ti provoco desmedido espanto
Tem fé, então, nessas minhas entrelinhas

Autora: Luciene Lima Prado