Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
domingo, 14 de novembro de 2010
Entre eu e voce
Há rios de varizes
Entre eu e voce
Há crateras profundas
de celulites
Entre eu e voce
Há um tempo que escorre
flácido sobre minha pele
Entre eu e voce
Há linhas que marcam
choros,perdas e sofrimentos
Entre eu e voce
Há o débito dos meus erros
Entre eu e voce
Há um espelho que te diz
belo e jovem
Entre eu e voce
Há os meus fios brancos
que me levam primeiro
A virgindade desejada não preencheu
o vazio deflorado de sua existência
A rigidez do culto a Deus não retirou
seu desânimo com a humanidade
Hoje voce é passado em tudo
a esquerda não existe e sua
cabeça balança em desequilibrio
Vermelho virou vestida da nova estação
Não há revolução
E agora voce não é nem José
deixou seus poemas no abandono
Voce é a pedra do seu caminho
Se tornou aprendiz do que ainda desconhece
Tem na família uma enferrujada âncora
Mas sua vontade de afundar continua
Sua alma não deixou de ser suícida....
Musicado por Dida Nascimento
Agora você me olha
Agora sua mão sustenta
A minha travessia
da estrada infinita
Então fiquemos assim
lado a lado um com outro
para que os anos passados
e esquecidos não esfrie a
salamandra que aquece e
nos fita
Agora voce me olha tímido de
expectativas enquanto minhas
mãos escorregadias te acaricia
com a saudade de minhas lembranças
aflitas brinquemos então
nos intervalos de nossas dores
Agora você me olha
devoremos nossos doces os nossos
dias lambemos um ao outro
Molhando-nos da saliva oculta
Vê se agora me escuta
Pois esse sofreguidão não espera
Então fiquemos mudos em cena
por entre suspiro inocentes
Vem tímido caminhe por
por dentro de mim
Agora você me olha
Agora
Só agora...
Segredo de Bethovem
Não tem ferro
Música sobreposição
É canção escorregadia
Não é ponte de cimento
que esfria
Música minha "fuga"
O violino sobre o trigo e o
pôr-do-sol
A orquestra silencia e corre
E o som invade o ouvido surdo
Corroe em minha memória
Minha Música minha Redenção
Ponte que flutua nos sentidos
sem segurança do corrimão
Essa Música me persegue sem escala
Ela fala
Para o homem inacabado
Música pronta...
Salomão
apesar das graças e alegrias
Não sei escrever rimas de esperanças
É fato.
a triste maresia que adorna
meus olhos desagua sal todas as vezes que
vem e vão os dias
Faço verso pedindo licença aos poetas por
minhas linhas tortas e tímidas
Meu poema é em mim um deslugar
Recolhida como Salomão recebi
a sabedoria dos erros mas sem o sangue dos
verbos nas mãos
Retundância
e pousa suas palavras
no profundo oceano
De lá lança setas
que ferem a carne
sem ferir a alma
oceanica do poema
E descendo pra baixo
Fica acima das observações
inuteis...
Musicado por Dida Nascimento
Fio que fala bonita
a fala de professor
Tem que saber que preto
fica véio com os tratos do sinhô
carrega cicatrizes no corpo
mas nem por isso é vencedor
Fio de fala bonita
Nem tudo é história contada
Só por preto e por sinhô
Pois
O mistério está no que floresce
No fundo do amor...
Filosofia dos Restos
na tela da vida crua
Top de lixo e luxo de prêmios
fotografias que viajam no imaginário
verdadeiro dos sofrimentos
de uma vida fragmentada
de alguem que se foi
mas não por inteiro
''Há coisa que tem que ir para o lixo
outras vão por descuido''
O lixo é a liga sociologica
dos humanos que sobrevivem
dentro da filosofia dos restos
Cultura Popular
Se o bumba meu boi
dança maracatu
é porque entrou no vento
que dança o ventre
Se a sereia canta e encanta
é para o consolo do solitário
e ingênuo marinheiro
Se a língua trava
é porque a língua trancada
pode ser atada
E assim sendo o silêncio
cria uma conferência
de arte na alma
Vlado
Ainda é tempo de dizer que te amo
Não porque fui sua contemporânea
ou li algum artigo seu!
Não.
Porém vi um documentário
dos seu amigos do coraçao
bispos, rabinos,reverendos
jornalistas e parentes
Todos citaram a liturgia do amor
contra as injustiças que abandonam
Hoje não existe mais essa ditadura
Todavia o povo continua na vida dura
Wladimir nome sonoro em minha vida
de fios de violinos...Eu teamo
sem a tortura de minha ignorância
Primogênita
Depois o esquecimento enterra
e a lembrança passa a ser
um corpo ressussitado
Adágio ao sol
que vão saindo para o trabalho
O sol esquentando as marmitas
As árvores que se amam
e morrem secas quando perdem
aquela que está ao seu lado
O novo dia encerra os assuntos desagradáveis
Adágio ao passaros tirando
seu canto do piano solitário
Contudo o café vai florescendo
e perdendo seu valor
sábado, 13 de novembro de 2010
Broto de tristeza
Trago em mim uma tristeza
Não é de maridos, de filhos
ou de herança de pai ou de mãe.
Todavia me é familiar
Não é tristeza de maldição
ou de amor perdido no
sumidouro dos séculos.
É uma tristeza sem par
Dessas que só comporta dentro
das profundas entrelinhas
Não há nela nada de metafísica.
É tristeza de essência
minha por excelência
sem motivo ela chora miudinha
no recanto obscuro da alma.
Não é tristeza de fé, de fogo, de gozo...
Ela apenas brota
e é um broto que nunca cresce,
Permanece...
E de quando em vez surge.
Hoje ela chora miudinha
Antítese
Aquariana fixa e ar
Vida e enterro
Aquariana coletiva e solitária
Aquaceiro
Mente livre e alma no cativeiro
Arte
Sinto falta não do ar
Mas de arte
de tear redes
para atar céus e mares
O ar não basta
Falta-me desatar
Ivone Landim
Sedução
Canto o homem de meus desejos
e para ele mando flores, faço versos, sopro estrelas
mando chocolates e mastigo o beijo
Abro a boca do céu
Eu canto o homem de meus desejos
Desagua minha vagina
no homem de minhas esquinas
O homem dos meus desejos
não faz esforços
Pois canto o amor que em mim é tanto
e o sexo que em mim é tântrico
Tudo e nada mais é para o homem dos meus encantos
ACONTECER
ACONTECER
Autor: Arnoldo Pimentel
Um dia vai acontecer
Eu vou te ver
Na praia do arpoador
Ou num disco voador
As palavras que tenho pra te dizer
Estão todas guardadas
Há tempos sonhadas
Como frases aladas
Eu quero te beijar
Beijar seus lábios
Sentir o calor
Do seu amor
Eu preciso te dizer
Dizer uma coisa
Mas não é qualquer coisa
Preciso é te dizer
Que gosto muito de você
Que amo você
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Leão

Todo o dia levanto-me,
Pulo da cama ouvindo, lá fora,
O rugido do leão.
Escovo os dentes, visto-me,
Preparo o café, enquanto ele
Vai de um lado a outro, esfaimado,
Numa infatigável faina de devoração.
Que fazer? Não acordar?
Não levantar pra trabalhar ou rezar?
Não há como!
Há sempre o inelutável
Do despertador, de homens e ambições
Enrodilhando-se-nos,
Espreitando-nos nas esquinas,
Na savana do coração.
Não há como fugir,
Amansar o leão,
Pô-lo numa coleira de circo,
Numa jaula de picadeiro;
O leão é cobra!
Todos os dias saio para matá-lo;
Visto-me, perfumo-me para isso,
Em frente ao espelho, penteando o cabelo,
Organizando a agenda, apertando
O nó da gravata, enrolando
Uma maçã em papel,
Desviando munição e armamento.
Todos os dias o esfaqueio,
Esperando o momento derradeiro
Em que terei de esquartejar-lhe o ventre,
Comer-lhe as tripas, sujar-me
De seu sangue e empalhar uma cabeça,
Que se parecerá com a minha,
Na parede alva da sala.
Então terei vencido:
Serei pior!
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
domingo, 7 de novembro de 2010
Dia dos Namorados

E se de repente um casal de santos se beijassem?
E se de repente se trafica-se carícias de graça?
Se de dentro das armas saíssem massagens?
Se bandidos e policiais trocassem sorrisos no meio da praça?
Entre uma meia-noite e outra.
Entre um meio-dia e outro.
E se essa bela noite fosse eterna?
Se essa minha coragem de amar fosse constante?
Se a sua mão não saísse da minha perna?
Se juntasse esses desejos num só montante?
Entre uma meia-noite e outra.
Entre um meio-dia e outro.
Se a lágrima ao ouvir uma canção romântica não rolasse?
Se o sorriso ao ler as manchetes de jornais abrisse?
Se o espanto dos absurdos da vida não machucasse?
Se a tranqüilidade de dois corpos assumindo o mesmo espaço existisse?
Entre uma meia-noite e outra.
Entre um meio-dia e outro.
Se todo abuso amoroso fosse saudável?
Se toda morte fosse seguida de um renascimento?
Se todo pecado fosse facilmente perdoado?
Se toda pequenez fosse seguida de um crescimento?
Entre uma meia-noite e outra.
Entre um meio-dia e outro.
Marcio Rufino
Todos os direitos reservados
sábado, 6 de novembro de 2010
Amor Recipiente
Amores desfeitos
Todos os enlaces atuais
São vínculos líquidos
Que transbordam os copos
Escorrem pelos cantos,
Mãos, ralos e vãos.
Relacionamentos são fluídos
São exatos para o recipiente
De vidro, puro cristal
Que estala, racha
Quebra, esvai-se...
O amor, que é líquido,
Escapa e transborda
Outro copo.
Jorge Medeiros
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
O tempo passa, mas não apaga...
Calai-me quando te vi.
Hubble

Sou de certo um ser histórico,
Mas também (e está provado)
Dos altos céus, astronômico.
Caminho sob vetustas
E pesadas estruturas,
Enfrentando as tempestades
À sombra dos monumentos,
Debaixo do guarda-chuva
Com pessoas que se perdem
Cabisbaixas e famintas
Por extensas avenidas.
Sou de certo um ser histórico,
Vivo naus e afogamentos
Aos pés da severa estátua
De monarcas do passado
E cruéis conquistadores.
Sou gente urbana e comum,
Um latino-americano
Num bonde que segue rotas
Do nada a lugar nenhum,
Levando homens em assentos
Que viajam flatulências
Do emprego e da profissão.
Olho para o céu e sei
Que nas vastas amplidões
A gigante Betelgeuse
Enfim explodirá numa
Emanação de partículas
E gás inter-estelares,
Pois sob o espelho primário,
Telescópico, do Hubble,
Minha torre de vigia,
Toda nossa crença e história,
Nossos prédios e cidades,
Mausoléus e monumentos
Pesam e perduram tanto
Quanto a mão de uma criança.
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
ANTES DA CHUVA/DEPOIS DA CHUVA
ANTES DA CHUVA
Acho que olhei a lua de forma diferente
Com olhos ausentes
E não percebi que havia uma fresta de luz
Que iluminava o canto onde eu estava
Talvez a lua tenha virado o rosto naquele momento
E deixado de mostrar o sorriso
Que pintaria em cores, mesmo listradas
Assim meio apagadas
A casa onde nasci
Quem sabe a lua não quis me ver assim
Com o rosto empoeirado
Pelas sobras dos dias que não vivi
Talvez a lua tenha sentido o frescor do vento
Que chega escondido por trás da serra
Trazendo a chuva que semeará os campos
A chuva que semeará meus sonhos
Sonhos de poder correr pelos campos
Abraçar os lírios brancos
Cantar um novo canto
Sonhos de entrar em minha casa
E amar os pingos coloridos da chuva pela janela
Sonhos de plantar a liberdade
Plainar pelas montanhas da minha mocidade
Sonhos de amar a minha vida de verdade
Talvez a lua tenha virado o rosto para não olhar
Meus olhos iluminados
Pelos sonhos que seriam frustrados
Antes da chuva
Eu tinha sonhos
DEPOIS DA CHUVA
Eu já dei tudo que tinha pra dar
Até mesmo minhas sombras
Meu calvário
Os passos que eu tinha pra me encontrar
Já se foi a vida que eu sonhava por aqui
As montanhas de Machu Picchu
A mensagem de vida eterna
Que eu nem mesmo vi ou ouvi
Já sumiram minhas chagas
Rasgadas
No rincão onde nasci
Chagas que nunca pude sentir
Eu dei tudo que pude por aqui
Não sobrevivi
Não senti a magia do beija-flor
Nem mesmo morri
Na solidão em que vivi
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Primeiro Amor de Menino
domingo, 31 de outubro de 2010
Sub- Marino ( Série Sub-Mundo!)
Às vezes navegando
Me vejo num abismo Profundo
É tanta dor
Tanto ódio gratuito
Há homens mortos nas esquinas
Bêbados largados por suas famílias
Choram as almas do tais
Ficam a espera do milagre
Do pão que chega tarde
Da sopa morna nos carros da Ong da Paz
Estes que merecem cuidados
Estes que foram negados
Se negaram também a viver com dignidade
Estavam lá por causa de nós?
Ou por causa deles mesmos?
Saber isso não sei
Mas quem vai tirá-los de lá?
Você ?
Eu ?
Mergulhei ao fundo e vi
Que lá no mais profundo da mente humana
Somos egoístas
Mesquinhos
O pão vai para o lixo
E não damos para ninguém
Lixo jogado que alimenta
Comprado à beça
Para virar lixo remexido
Buscado
Lambido
Nas ruas da cidade
Onde eu passo e você também
Seus olhos ficam marejados?
Os Meus também....
Vamos sair desta profundidade
Vamos para a superfície
E ajudar?
Já cheguei aqui...
Quem vai me ajudar?!!!!
Sub - Metralhadora ( Da Série Sub - Mundo )
Margarida na varanda
Joaquin no quintal
- Crianças cuidado com o varal?!!!
- A bola vai ser furada!!!
- Já avisei molecada!
- O que foi isso!
- Meu Deus!!!!!
Rotinas e rotinas
Criançás felizes
Traquinas
Bola de meia na esquina
Pega - pega
De mentira
De Pegar Ladrão
De chutar o balde
De Taco
Garrafão
Mas lá do alto
Estampidos
Tiros repetitivos
Sons de Maquinação
Alvos errados
Peitos dilacerados
Meninos Mortos no chão
Margarida na janela
Joaquin rosto na mão
Mães na Lage choram
Nos morros choram Jõoes
A chuva mais uma vez vem
Balas perdidas nos corações
No peito
Orações
Repetição
Re petir ação!!!!
Meu Brasil chora
Por sons nos morros
Nas vielas
Nas velas postas nos chão!!!!!
Deus Nos Livre Dos Ais!
Foi um dia assim
Um Anjo Enviado Por Deus!
"Caminhar Contigo...."
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
A praça do imperador

Na praça do Imperador,
Há tanta vida e estrutura,
Há tanta história e escultura,
Cúpulas e arranha-céus.
Na praça do Imperador,
Há monumentos e lápides,
O palácio e antigas torres
Encimadas pela Virgem.
A praça do Imperador,
Ela a própria é um monumento,
Inscrita imagem, momento
De marchas e pavilhões.
Na praça do Imperador,
Há o antigo ancoradouro
Das naus outrora aportadas –
O Pharoux e o chafariz.
A praça do Imperador:
Terreiro da Polé, Largo
Do Carmo, Paço real,
Praça XV de Novembro.
Em tantos nomes e histórias,
Marco zero da cidade,
Nosso berço e nascedouro,
Venho manso desaguar-me.
Na praça do Imperador
De tantos rios e Rios
A desaguarem erráticos,
Posso sereno espraiar-me
Após tanto caminhar,
Após tanto navegar
Com braços, pernas e pés,
E o coração afogado.
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
IPÊ (Silviah Carvalho)
IPÊ
Autora: Silviah Carvalho
Blog: http://umcoracaoqueama.blogspot.com
Site: www.silviah.net
Ao chegar a primavera
E vires a flor nascer
Luta junto à natureza e,
Não deixes morrer o ipê.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
No meu olhar, no seu olhar, no nosso olhar...
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Naufragado

Entre a imagem do Almirante
E a copada amendoeira,
Eu me quedo, aqui me deixo,
Brevemente, uma efeméride
Absorta em pensamentos,
Mergulhada nos marulhos
De enseada luminosa,
Ao ouvir voz da estação
Incansável que anuncia
Os horários fugidios
Da chegada e da partida.
Mas, mirando o velho cais
Hoje seco e sem fragata,
Sem baía ou enseada,
Me pergunto ante Almirante
E essa antiga amendoeira
A respeito do Pharoux,
Se não foi onde aportei
Velhas naus desatinadas
Para sempre soçobradas,
Após tanto me afogar
Com varinas e marujos
Em vielas mareadas
E num mar de tantos ais
Que secou deixando apenas
A marítima lembrança
De partidas sem chegadas.
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
EU E O IPÊ (Silviah Carvalho e Arnoldo Pimentel)
Eu e o Ipê
Autores: Silviah Carvalho e Arnoldo Pimentel
Ouço palavras nos ventos
O canto das ondas no quebra mar
Vejo a lua procurando direção
Como uma câmera a fitar meu coração.
Em noites de chuva fina prefiro ficar na janela
Fugindo talvez, dos tristes olhos dela
Observo as vias, os carros parados
Imagino corações desesperados
Gotas cintilantes molham as vidraças
Como cristais de lagrimas a derreter
Vejo no outro lado da rua, o reflexo
Da minha tristeza, o solitário pé de Ipê
Suas flores roxas no chão mudam o cenário
Pintam um quadro imaginário
Minha vida, eu e quem sabe você
Abstrato – impossível crer...
Da minha janela vejo tudo que passa lá fora
Da fina chuva pessoas vão se esconder
Na praça balanços giram na força dos ventos
E você é constante nos meus pensamentos
Sinto-me preso a raros momentos
Vestígios em mim que ficou de você
Restos de saudades, frágeis lembranças
Que só diminuem minhas esperanças
Da minha janela sonho acordado com você
Desço as escadas da minha vida tentando te encontrar
Ao menos fim, uma triste realidade a vida sem te ter
Encosto-me, divido a saudade com meu solitário Ipê
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Assim é Paraty...

sábado, 16 de outubro de 2010
Herança

Mãe Preta contava histórias
Pros seus pequeninos dizia
Que a dor só é dor quando
Não se é compreendida
Mãe Preta sentava nos intervalos
Do fardo no banco rústico de seu
Descanso, os pés em pranto
Dizia que a dor fabricava guerreiros
Mãe Preta
Mãe Preta
No riso o tempo distante consolava
Os pequenos e as pequenas
Fios e fias da senzala
Que no choro e no medo amanhecia
No olho o elo do passado
Com o futuro da alforria
Mãe Preta vigiava pra dar
Esperança e alegria
E em seu coração a saudade
E a revolta ficavam de longe cansadas
Só os fios do tempo em Mãe Preta
Iam ficando brancos
Ivone Landim
Todos os direitos reservados
Crédito da imagem: Blog Projeto Poder para mulher preta
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
QUADRO
QUADRO
Autor: Arnoldo Pimentel (Blog: haikainosventos.blogspot.com)
Pintei um quadro na parede
Um quadro meio sem nada
Sem cores para brotar
Um quadro sem enfeites
Pintei um quadro pincelado de dores
De olhares sem vulto
Sem espelho para se fitar
Sem paredes para pintar
Pintei um quadro chamado solidão
Com muitas pessoas ao seu redor
E um sol tímido partindo no entardecer
Um quadro que não será lembrando
Mostra apenas o triste dia que vi morrer
Entre cores brancas do amanhecer
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
O Sol raiava...
De dia as flores se abrem...
Shalom...
sábado, 9 de outubro de 2010
SONETO DO ÚLTIMO LAMENTO ( Luciene Lima Prado)
SONETO DO ÚLTIMO LAMENTO
Autora: Luciene Lima Prado (Blog: http://poemastecidos.blogspot.com)
Cai de mim uma lágrima silente,
Pela esperada e derradeira vez;
Descendo sobre minha palidez,
Onde volta a cor displicentemente.
Seja a alegria irmã do meu coração,
Que no encanto do sol vespertino,
Trace em aquarela meu novo destino,
E faça igualmente do amor meu irmão.
Foi-se para sempre a última lágrima,
Vindo a felicidade como dádiva,
Que agora experimento em minha face.
Eu deixo que um novo sentir me abrace,
Que a agonia tem morada transitória
Onde o sorriso quer fazer história.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Indócil Idílio

Devido a feroz solidão que em meu peito aperta
Eu nem me dou conta da reluzente estrela cadente
Que bem devagar e sem cerimônia despenca na nossa frente
Dizendo que a luz que aponta para o nosso futuro é muito incerta.
Era uma noite melancólica
Os comércios estavam fechados
Nossos passos eram largos
E a gente passeava pela rua bucólica.
As coisas aparecem e desaparecem sem deixar rastro
No mundo tudo passa muito rápido
Os pensamentos se diluem como se tomassem ácido
Ou se quebram com facilidade como vaso de alabastro.
Este seu ar de quem subjugou toda uma cilvilização
E percebeu que isso não valeu de nada
Lembra o soldado que, aleijado, tenta manter a guarda.
Tudo cai aos nossos pés; cidades, pessoas, menos um coração.
Conforme nossos atos, podemos ser na vida animais ou vermes
Mas sempre estamos atrás de algo que se reproduza
Acho que em outra vida fui a espada com a qual Perseu cortou a cabeça da Medusa
Ou com a qual Judite cortou a cabeça de Holofernes.
De meu ser e minha gente sou orgulhoso
Amar a mim e a meu povo é o que me resta.
Nunca diga que uma pessoa não presta
Pois cada ser-humano é um mistério mavioso.
Enquanto julgavas que era para teu pé um calo
E na tua vida nada mais que um peso morto
Eu me perdia nas matas negras do teu corpo
E descobria que teu coração morava dentro do teu falo.
Quem haverá de salvar nossa juventude alada
Enxugar suas lágrimas de Alexandre castrado
Que chora amores perdidos do passado
Lamenta toda sua virilidade prostrada?
De tudo que não é do bem eu tenho asco
Mas o meu sonho é nós nos entendermos sem compromisso
Botarmos para fora todo desejo reprimidamente omisso
Rei Salomão e a Rainha de Sabá fazendo amor numa cama de Damasco.
Sei que de meu opróbrio não sou digno de redenção
Cabe a mim gemer o gemido atroz da ema
Queria ser mais imortal do que um lindo poema
Mas minha humanidade é a minha real maldição.
Nosso caso com muita dificuldade respira
Nas veredas tortuosas de suas artérias
Morrendo para dar vida a outras matérias
Na superfície da minha pele que transpira.
O lance é mandarmos o medo para um lugr onde ele se debande
Resgatamos nossa sinceridade perdida de criança
Reconquistarmos com labuta nossa auto-confiança
Pois dizer "eu te amo" é uma responsabilidade muito grande.
Marcio Rufino
Todos os direitos reservados
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Tenho que ir...

Quero ser curada vez em quando...
BEIJA-FLOR
BEIJA-FLOR
Autor: Arnoldo Pimentel (Blog: http://ventosnaprimavera.blogspot.com)
Vi um beija-flor beijando a flor
Mas não vi seus olhos
Estavam depois da ponte
Desde ontem
Vi seus olhos através da vidraça
Vidraça desenhada pela lembrança
Mas não tinha o beija-flor
Não tinha nem uma flor para lhe beijar com amor
Vi um beija-flor atravessando a ponte
Para enfeitar sua tarde
Sua tarde de sol cálido
Doce e ávido
Vi um beija-flor ávido de amor
Do seu amor
E nem mesmo o bilhete que deixei pra você
Na janela, colado à vidraça, ele levou
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Estranho

Quando a madrugada
Começava ceder vez ao dia,
Ergui-me e te vi,
Em frente ao espelho,
Sem maquiagem
A pentear os cabelos.
Confuso, percebi tua imagem
Refletida, encarando-me,
Enquanto ouvia o rumor de passos
E vislumbrava, ao fundo,
Através do espelho do toucador,
Parte da casa que desconhecia.
Mudo, sem me reconhecer
Num rosto sem tintas ou máscaras,
Sem luta ou memória,
Pio crente de ti e do fastígio do amor,
Contemplava a cena,
Estranho de mim, de tudo,
Ante uma alvorada vindo, inexorável,
Mais estranha ainda...
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
domingo, 3 de outubro de 2010
Bagagem de Mão
Não é tão espessa
Quanto a de madrinhas
e de padrinhos de poesia
que vivem a sacudir
poeira e verdades inteiras
Minha bagagem
Meus caros amigos poetas
É uma valise de mão
que carrega versos curtos
Essenciais a uma viagem
de ida, sem volta.
Jorge Medeiros













