Manifesto do coletivo Pó de Poesia
O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão
Que a Expressão Emocional vença.
E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
Então queremos Renascer do pó da poesia
Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
A poesia é pólvora. Explode!
O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
E da insondável vida...
Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
Como a palavra que escapa para formar o verso
O despretensioso verso...
Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
O Pó que cura.
Queremos ressignificar a palavra Pó.
O pó da metáfora da poesia.
A poesia em todos os poros.
A poesia na veia.
Creia.
A poesia pode.
(Ivone Landim)
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
No meu olhar, no seu olhar, no nosso olhar...
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Naufragado

Entre a imagem do Almirante
E a copada amendoeira,
Eu me quedo, aqui me deixo,
Brevemente, uma efeméride
Absorta em pensamentos,
Mergulhada nos marulhos
De enseada luminosa,
Ao ouvir voz da estação
Incansável que anuncia
Os horários fugidios
Da chegada e da partida.
Mas, mirando o velho cais
Hoje seco e sem fragata,
Sem baía ou enseada,
Me pergunto ante Almirante
E essa antiga amendoeira
A respeito do Pharoux,
Se não foi onde aportei
Velhas naus desatinadas
Para sempre soçobradas,
Após tanto me afogar
Com varinas e marujos
Em vielas mareadas
E num mar de tantos ais
Que secou deixando apenas
A marítima lembrança
De partidas sem chegadas.
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
EU E O IPÊ (Silviah Carvalho e Arnoldo Pimentel)
Eu e o Ipê
Autores: Silviah Carvalho e Arnoldo Pimentel
Ouço palavras nos ventos
O canto das ondas no quebra mar
Vejo a lua procurando direção
Como uma câmera a fitar meu coração.
Em noites de chuva fina prefiro ficar na janela
Fugindo talvez, dos tristes olhos dela
Observo as vias, os carros parados
Imagino corações desesperados
Gotas cintilantes molham as vidraças
Como cristais de lagrimas a derreter
Vejo no outro lado da rua, o reflexo
Da minha tristeza, o solitário pé de Ipê
Suas flores roxas no chão mudam o cenário
Pintam um quadro imaginário
Minha vida, eu e quem sabe você
Abstrato – impossível crer...
Da minha janela vejo tudo que passa lá fora
Da fina chuva pessoas vão se esconder
Na praça balanços giram na força dos ventos
E você é constante nos meus pensamentos
Sinto-me preso a raros momentos
Vestígios em mim que ficou de você
Restos de saudades, frágeis lembranças
Que só diminuem minhas esperanças
Da minha janela sonho acordado com você
Desço as escadas da minha vida tentando te encontrar
Ao menos fim, uma triste realidade a vida sem te ter
Encosto-me, divido a saudade com meu solitário Ipê
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Assim é Paraty...

sábado, 16 de outubro de 2010
Herança

Mãe Preta contava histórias
Pros seus pequeninos dizia
Que a dor só é dor quando
Não se é compreendida
Mãe Preta sentava nos intervalos
Do fardo no banco rústico de seu
Descanso, os pés em pranto
Dizia que a dor fabricava guerreiros
Mãe Preta
Mãe Preta
No riso o tempo distante consolava
Os pequenos e as pequenas
Fios e fias da senzala
Que no choro e no medo amanhecia
No olho o elo do passado
Com o futuro da alforria
Mãe Preta vigiava pra dar
Esperança e alegria
E em seu coração a saudade
E a revolta ficavam de longe cansadas
Só os fios do tempo em Mãe Preta
Iam ficando brancos
Ivone Landim
Todos os direitos reservados
Crédito da imagem: Blog Projeto Poder para mulher preta
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
QUADRO
QUADRO
Autor: Arnoldo Pimentel (Blog: haikainosventos.blogspot.com)
Pintei um quadro na parede
Um quadro meio sem nada
Sem cores para brotar
Um quadro sem enfeites
Pintei um quadro pincelado de dores
De olhares sem vulto
Sem espelho para se fitar
Sem paredes para pintar
Pintei um quadro chamado solidão
Com muitas pessoas ao seu redor
E um sol tímido partindo no entardecer
Um quadro que não será lembrando
Mostra apenas o triste dia que vi morrer
Entre cores brancas do amanhecer
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
O Sol raiava...
De dia as flores se abrem...
Shalom...
sábado, 9 de outubro de 2010
SONETO DO ÚLTIMO LAMENTO ( Luciene Lima Prado)
SONETO DO ÚLTIMO LAMENTO
Autora: Luciene Lima Prado (Blog: http://poemastecidos.blogspot.com)
Cai de mim uma lágrima silente,
Pela esperada e derradeira vez;
Descendo sobre minha palidez,
Onde volta a cor displicentemente.
Seja a alegria irmã do meu coração,
Que no encanto do sol vespertino,
Trace em aquarela meu novo destino,
E faça igualmente do amor meu irmão.
Foi-se para sempre a última lágrima,
Vindo a felicidade como dádiva,
Que agora experimento em minha face.
Eu deixo que um novo sentir me abrace,
Que a agonia tem morada transitória
Onde o sorriso quer fazer história.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Indócil Idílio

Devido a feroz solidão que em meu peito aperta
Eu nem me dou conta da reluzente estrela cadente
Que bem devagar e sem cerimônia despenca na nossa frente
Dizendo que a luz que aponta para o nosso futuro é muito incerta.
Era uma noite melancólica
Os comércios estavam fechados
Nossos passos eram largos
E a gente passeava pela rua bucólica.
As coisas aparecem e desaparecem sem deixar rastro
No mundo tudo passa muito rápido
Os pensamentos se diluem como se tomassem ácido
Ou se quebram com facilidade como vaso de alabastro.
Este seu ar de quem subjugou toda uma cilvilização
E percebeu que isso não valeu de nada
Lembra o soldado que, aleijado, tenta manter a guarda.
Tudo cai aos nossos pés; cidades, pessoas, menos um coração.
Conforme nossos atos, podemos ser na vida animais ou vermes
Mas sempre estamos atrás de algo que se reproduza
Acho que em outra vida fui a espada com a qual Perseu cortou a cabeça da Medusa
Ou com a qual Judite cortou a cabeça de Holofernes.
De meu ser e minha gente sou orgulhoso
Amar a mim e a meu povo é o que me resta.
Nunca diga que uma pessoa não presta
Pois cada ser-humano é um mistério mavioso.
Enquanto julgavas que era para teu pé um calo
E na tua vida nada mais que um peso morto
Eu me perdia nas matas negras do teu corpo
E descobria que teu coração morava dentro do teu falo.
Quem haverá de salvar nossa juventude alada
Enxugar suas lágrimas de Alexandre castrado
Que chora amores perdidos do passado
Lamenta toda sua virilidade prostrada?
De tudo que não é do bem eu tenho asco
Mas o meu sonho é nós nos entendermos sem compromisso
Botarmos para fora todo desejo reprimidamente omisso
Rei Salomão e a Rainha de Sabá fazendo amor numa cama de Damasco.
Sei que de meu opróbrio não sou digno de redenção
Cabe a mim gemer o gemido atroz da ema
Queria ser mais imortal do que um lindo poema
Mas minha humanidade é a minha real maldição.
Nosso caso com muita dificuldade respira
Nas veredas tortuosas de suas artérias
Morrendo para dar vida a outras matérias
Na superfície da minha pele que transpira.
O lance é mandarmos o medo para um lugr onde ele se debande
Resgatamos nossa sinceridade perdida de criança
Reconquistarmos com labuta nossa auto-confiança
Pois dizer "eu te amo" é uma responsabilidade muito grande.
Marcio Rufino
Todos os direitos reservados
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Tenho que ir...

Quero ser curada vez em quando...
BEIJA-FLOR
BEIJA-FLOR
Autor: Arnoldo Pimentel (Blog: http://ventosnaprimavera.blogspot.com)
Vi um beija-flor beijando a flor
Mas não vi seus olhos
Estavam depois da ponte
Desde ontem
Vi seus olhos através da vidraça
Vidraça desenhada pela lembrança
Mas não tinha o beija-flor
Não tinha nem uma flor para lhe beijar com amor
Vi um beija-flor atravessando a ponte
Para enfeitar sua tarde
Sua tarde de sol cálido
Doce e ávido
Vi um beija-flor ávido de amor
Do seu amor
E nem mesmo o bilhete que deixei pra você
Na janela, colado à vidraça, ele levou
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Estranho

Quando a madrugada
Começava ceder vez ao dia,
Ergui-me e te vi,
Em frente ao espelho,
Sem maquiagem
A pentear os cabelos.
Confuso, percebi tua imagem
Refletida, encarando-me,
Enquanto ouvia o rumor de passos
E vislumbrava, ao fundo,
Através do espelho do toucador,
Parte da casa que desconhecia.
Mudo, sem me reconhecer
Num rosto sem tintas ou máscaras,
Sem luta ou memória,
Pio crente de ti e do fastígio do amor,
Contemplava a cena,
Estranho de mim, de tudo,
Ante uma alvorada vindo, inexorável,
Mais estranha ainda...
Felipe Mendonça -
Todos os direitos reservados.
domingo, 3 de outubro de 2010
Bagagem de Mão
Não é tão espessa
Quanto a de madrinhas
e de padrinhos de poesia
que vivem a sacudir
poeira e verdades inteiras
Minha bagagem
Meus caros amigos poetas
É uma valise de mão
que carrega versos curtos
Essenciais a uma viagem
de ida, sem volta.
Jorge Medeiros
Metamorfose
sábado, 2 de outubro de 2010
Quem viveu sabe...
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Outubro
Seu amor,
Nosso amor
Pra sempre existirá
Por que não há
Um outro igual
Tão doce assim,
Tão terno assim
Que nem mesmo toda brancura
Possa se comparar
E se há que há
Que seja feliz assim
Como sou
... do teu olhar,
Da tua paz,
Do teu bem
Que tão bem me faz
Quando sorri
E ao respirar
Enfeita o céu,
terça-feira, 28 de setembro de 2010
SOBRE A CANÇÃO (Ivone Landim)
SOBRE A CANÇÃO
Autora: Ivone Landim
Oh! Pai toda sua força
Sua nuvem que enfeita o seu céu
Guardo em meu coração
Aquele que me salvará e profetizará minha vitória
Afastando-me do gosto luxurioso da carne
Meu sono é banhado pelo seu rio por seu oceano
Acordo com seu som, Mantra do Universo
Ah! Que maravilha. Eu grito!!
E tudo se faz luz
Não estou mais aflito
Estou cantando aos pés do Pai
Essa Força Superior que aplaca a injustiça e a dor
Vem na canção de minha guitarra
Dizer ao mundo que Você é o meu Deus
Mesmo sendo homem é como poeta que te reconheço
Amo-te muito, muito mais do que meu choro, possa traduzir
Sua força me leva para um mundo criado por você
O amor absoluto
Unidade da minha alma
Com seu paraíso, de só Vida, de só Vida...
Agora vou... E deixo a balada eterna do meu coração
Desculpe-me... Mas regressarei
Onde? Quando?
Só meu Deus é quem sabe das minhas necessidades
Dançarei aos seus pés
Cantarei e amarei todos os momentos
Pois você é toda floresta que me abastece... e me floreia
Haverá saudades, eu sei
Mas nestes intervalos farei uma nova estrada, andarei, andarei
E deixarei marcas para os filhos do futuro
Hoje sou Bob Marley
E minha cor, meus cabelos são fantasias de uma maior realidade
Tudo é muito mais Puro e Infinito, está além do vinho que tomo
Da fumaça que trago
Estou amparado
E a profecia poetiza
O amor que Deus tem por mim
O amor que JAH tem por mim!!!!!!!
sábado, 25 de setembro de 2010
A natureza e sua essência...
De cada País,
De cada floresta.
Cidade que tem a urgência da sua essência,
País que implora incessantemente sua permanência,
Floresta que fica em vigília velando de pé por sua cidadela.
Se tiver que ter chama, que tenha nos corações dos desumanos,
A chama do amor, com labaredas de sentimentos bons sem pudor.
Se tiver que ter luz, que tenha nos emaranhados da mata,
A luz divina, a luz do sol.
Que venha também a chuva como um milagre,
Milagre que alimenta o solo,
Tornando-o fértil, imortal.
Elas guardam segredos...
Nos protegem do sol forte...
Ornamentam as ruas de colibris da ilusão...
Enfeitam os corações dos apaixonados...
Trazem boas lembranças de outrora.
Nos fazem sentir e ter a certeza de como é absoluta a natureza,
Natureza que reflete na vida dos que anseiam viver.
Viver cultivando as raízes do que é louvável.
Viver exalando e perpetuando o calor do amor,
Amor que há de se alastrar por toda terra,
Civilizando e proclamando o fim da guerra.
Guerra contra a natureza e sua grandeza.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
"SUB" (Gabriela Boechat)
"Sub"
Autora: Gabriela Boechat
blog: artemundogabriela.blogspot.com
...e em nome dos pensares férreos
que nutrem a vontade
que rompem auroras em nós,
te proclamo o forte
o sal,
o que dá gosto às escamas dos peixes
ao sólido dos pós...
vociferando quieto
escuto sua sussurrada negação em meus tímpanos
prometendo o próprio inferno
a quem só come do avesso...
Subterrâneos mares
encanamentos comuns
brigam pela posse
do que em todos, é só um .
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Você não conhece todos os meus versos

Você ainda não conhece os versos
que nascem na calada da madrugada fria
embaixo do cobertor.
Você não conhece os versos que nascem
quando sozinho, preocupado e sem graça
ando pelas ruas insossas de Belford Roxo
e vejo suas paredes descascadas,
seus comércios decadentes,
os adolescentes indo para a escola em bandos histéricos,
os homens nus da cintura para cima bebendo cerveja,
as mulheres carregando sacolas de supermercado,
as crianças brincando,
os muros pixados,
os terraços das casas perdidos entre as abóbadas das árvores,
o asfalto sujo e corroído de excremento de cavalo.
Você não conhece os versos que nascem
quando ao ouvir canções de amor
me derreto como o sorvete
que se derrete ao calor da língua,
pois somente nos meus versos
posso, quero e devo fazer amor,
não só com mulheres e homens,
mas também com crianças, bichos,
plantas, coisas, anjos, santos
e Deus muito além das orações.
Você não sabe que meus versos
querendo conquistar além de amizades
acabam saqueando corações e almas
e não conseguem saquear corpos.
É mais louvável, belo e heróico
saquear corações e almas,
mas meus versos, mesmo assim,
sentem inveja do versos que saqueiam corpos.
Eles também desejam as efemeridades,
as futilidades, as inutilidades, os escárnios,
as zombarias, os abusos, os excessos,
as orgias, as luxurias, o prazer.
Meus versos piratas
não querem o ouro,
não querem a prata,
não querem o euro,
nem o dólar.
Eles querem a bobeira, a palhaçada,
a maluquice, a brincadeira.
Portanto,
não me venha com seu falso equilíbrio,
seu cuidado, seu bom senso, seu "você há de convir",
seu "não é bem assim", seu "você tem certeza?",
seu "pense melhor", seu "você pode se arrepender".
Seu tudo aquilo que é a gaiola do mundo,
o cadeado do sonho,
a grade da vida
que quer encarceirar o céu
que pare a pomba branca da paz,
a terra que pare o lôdo,
o espelho que mostra a minha cara
parindo minha barba e meu bigode,
o sentimento que pare o gesto,
o pensamento que pare a palavra,
a natureza que pare a paixão.
É...
Você não conhece todos os meus versos.
Marcio Rufino
domingo, 19 de setembro de 2010
Tive sorte...
Que por mim tinha esmero.
Com meu coração vibrando...
Buscando a utopia real que é celestial.
Vento...
O assobio do vento sussurrou baixo ao pé do meu ouvido...
A PONTE E O RIO
A PONTE E O RIO
Autora: Analuz
Blog: HTTP://aluzdeana.blogspot.com
É uma das melhores poetisas que tenho o prazer de conhecer, seu blog é de qualidade, com textos inspirados e profundos, além da beleza poética.
Sob a ponte de meus versos
-elo que liga o agora ao que não finda-
Corre, nefasto, o rio que represei...
O rio que me lava...
Que me leva...
Que me lavra...
Que me livra...
Das mágoas que afoguei...
sábado, 18 de setembro de 2010
APACHE
APACHE
Eu estava aqui
Você chegou
Me encontrou
Me conquistou
Arrancou minha alma
Me derrotou
Me humilhou
Me expulsou
Eu tentei lutar
Eu resisti
Eu sorri
Eu perdi
Eu morri
FACA DA ESPERANÇA
FACA DA ESPERANÇA
Não vai mais cavalgar pelos campos abertos
Não vai mais viver por aqui
Teve sua pele arrancada
Pela faca da vingança
Pela faca da esperança
Teve seus olhos entristecidos
Vendados para não recordar
Pelas nuvens de um novo tempo
Tempo que atravessou o mar
As penas brancas coloriram
Seus tempos de glória
Sua liberdade solta nos ventos
Liberdade que hoje não tem nem momentos
As nuvens que traziam a chuva
Viraram mormaço
Alimento escasso
Cercado pelo braço forte
Pelo corte
Não terá mais vida aqui
Seu tempo já passou
Os búfalos das pradarias sumiram
Sua cultura sucumbiu
Depois que o mar se abriu
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Extermínio

Meu corpo se depreende
Do Igarapé que há em mim
Entre as cenas na tela
Da saudosa pele de "Cherokee"
É a tinta da terra que
Se acorda para guerra
Com a máscara do tempo
Assisto num sobressalto
Movimento brusco que
Envermelha a pele
Infortúnio de um planeta suspenso
Os dentes agarram a faca
É o extermínio atravessado na boca
O cavalo é mensageiro
Galopa e anuncia o derradeiro golpe
Os ancestrais jazem no Campo Santo
A tribo que se vai é a minha
E as estrelas enfeitam e findam
Uma geração de almas
Há penas por toda parte
Sangue e penas e gramas e memórias
Nas mãos que seguraram os filhos da terra
O último suspiro na mira
É o orgulho da raça
Rastro do vermelho de "Cherokee"
Que apaga seu rosto da grande mãe
A tela atrai os raios de justiça
Desistindo do brilho que há no fim
Dos povos índigenas...
Ivone Landim
Todos os direitos reservados
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Visceral...
terça-feira, 7 de setembro de 2010
PASSOS NO QUINTAL
PASSOS NO QUINTAL
A madrugada já estava avançada quando foi despertado pelo pesadelo que
Infligia seu sono. O quarto estava iluminado por uma tênue luz do abajur na cabeceira ao lado da cama. Levantou-se, calçou os pequenos chinelos e caminhou para fora do quarto. O corredor estava escuro, mas conseguia enxergar a escada. Desceu devagar, degrau por degrau, ainda assustado pelo pesadelo que o despertou no meio da noite. Chegou na sala que também encontrava-se na penumbra e seguiu devagar, quase que tateando as paredes em direção à porta.
A noite estava fria e caía uma chuva fina. A porta foi aberta e o pequeno menino apareceu timidamente, sentindo o frescor na varanda, seus olhos estavam sonolentos e sua face deixava transparecer um certo temor. Caminhou lentamente para o quintal, ouvindo as vozes da noite que sussurravam seus temores, suas fantasias, sua esperança de alcançar a liberdade que está tão distante ainda. Parou no meio do quintal, próximo ao balanço, que viajava de um lado para o outro, empurrado pelo vento, e sentou-se na grama para brincar com as pedras sem importar-se com a chuva fina que molhava seu rosto. As pedras subiam e desciam seguidas pelo olhar e aparadas pelas pequenas mãos antes de tocar o solo. As pedras subiam e desciam levando-o sonhar através das estrelas escondidas pelas nuvens, pela chuva que refrescava sua alma. Deixou as pedras de lado, levantou-se e seguiu caminhando. O portão estava à sua frente, era só abrir e a liberdade da rua estaria inteira, vacilou um instante, imaginando que os monstros lá de fora, da rua, da vida, poderiam ser piores que os que habitavam seu quarto. Adormeceu no gramado, cansado de procurar uma saída, de ser prisioneiro do castigo no quarto escuro, habitado pelos monstros das histórias infantis feitas e contadas para ninar crianças, onde os pesadelos entravam com o vento pela janela
Sarau Donana - Dia 25 de Setembro
"Pó de Poesia espalha seu pólen"
Participação Especial: Fã-clube da banda Legião Urbana
Local: CCDonana
Dia: 25 de setembro
Horário: À partir das 19:00
domingo, 5 de setembro de 2010
HOJE
HOJE
Autora: Silviah Carvalho
Estremeço ante ao vento sibilante do amor
Fujo de sua força, do seu poder,
O amor é entrega despercebida da alma
Passamos a viver a vida de outro ser
Hoje contenho meus sentimentos
Cansei de me ver sofrer
Abri no peito um esconderijo
Onde me escondo quando quero me perder
Hoje meu coração se contenta com o silêncio, é ausente.
Vez ou outra quer voar, não permito
Ele fica descontente...
Tudo é tão efêmero aqui dentro da minha mente
Hoje calei minha voz, ouço o vento, que nada diz
Apenas ecos de momentos vãos
Que nada importam, são lembranças do que não fiz
...Aquieto-me no consciente segredar do meu coração
sábado, 4 de setembro de 2010
Negro de valor...
Sabedoria para as cabeças pensantes,
Mas que só pensam em dinheiro,
Em riqueza...
Em nobreza...
Pensando que a tal nobreza...
Se encontra no ter, no poder...
Envolvido pelos brancos, brancos de cor...
Que muitas das vezes não tem valor.
Porque para ser de valor, oh meu SENHOR, independe de cor...
Credo
Sangue
Depende é do interior.
Da atitude
Da coragem...
Que os negros descriminados, que são até hoje, tiveram...
Mas eles são audazes e jamais perderão a majestade.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
DO SEU CORAÇÃO
DO SEU CORAÇÃO
Acho melhor deixar as coisas como estão
Não adianta sair procurando por ai
A doçura de um sorriso
O calor de um abrigo
Ou um paraíso
É melhor continuar no mesmo canto
Não cativar as pétalas de orvalho
Que nascem na brisa
E descobrir o que é amar
E depois chorar
Acho melhor ficar encolhido
Sentindo o frio da solidão
Para não ter que sangrar
Não sentir esperança ao olhar a vastidão
Do seu coração
DESARRANJO

DESARRANJO
Autora: Luciene Lima Prado
Luciene é formada em letras, professora de Literatura, Português, Inglês
Nem o campo nem o abrigo,
Nos momentos que não durmo,
Acolhem meu desaprumo.
A me firmar não consigo,
Segue-se o tempo em curvas,
Onde me entonteço.
Cada pensamento um tropeço,
Que se esfriam nas chuvas;
Faço do que não quero meu transporte.
Nem a rua nem a cama;
Envolvida pelo fastio que me chama,
Eu, então, me calo e me dito a morte.





















